terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Cores.Gnomisses.





Um relembrar de muitos momentos especiais, com a Gnoma.Andei a ver fotos nossas mais antigas.
Há amigos, que são anjos na nossa vida.Portos seguros onde podemos sempre atracar.
É assim que me sinto, aqui.
Talvez, seja uma fuga minha,sim, para o que não quero ter presente,na minha realidade, mas uma fuga que sabe bem, que é consciente e que me vai ajudar a ganhar forças.Já ajudou.
Desde que cheguei, já vivi, momentos tão bons, e mais prometem vir a caminho.
Amanhã vou á capelinha do bom sucesso, com uma amiga, que era virtual mas deixou de ser, no encontro de Taizé do Porto.No meio da multidão ela reconheceu-me, porque segue o meu blogue,e veio ter comigo,estivemos a falar, e para amanhã, combinamos um café e depois será a missa, de 7º dia, pelo meu pai,nessa capelinha, na comunidade, com quem fiz a caminhada a Santiago de Compostela.Amanhã começa a quaresma um caminho, que farei com especial dedicação.
Incrivel, como a minha vida, dá imensas voltas, bonitas, cruza pessoas, experiências...gosto de sentir que esta magia, nos toca.
Em breve, iremos agarrar mais momentos assim.

Deixo as cores, de dias felizes.
Amaciam a alma.
Porto.






O Porto,  recebeu-me de braços abertos.
Uma viagem de intercidades, que julguei que fosse ser secante e nostálgica,agarrada ao mp3...tornou-se agradavel, pela presença da Ana, que se cruzou comigo ainda na gare.
Á chegada, sempre aquele rosto amigo a sorrir e o frio do Porto, num local onde sempre chega e parte muita gente.
Lembranças, recordações e a constatação de que de facto, tudo isto aconteceu.
Um restaurante italiano quase vazio, na noite que dizem ser,de S.Valentim... 
O encontro, decorre, na mesma cidade que agora eu piso...onde agora respiro e liberto os pensamentos.
Já fui da Sé á Ribeira, pelas ruelas escuras, e encontrei tantos rostos amigos e dei tantos outros abraços.
Alguma surpresa, por eu estar aqui...mas eu nunca fui pessoa de parar nas coisas, sigo adiante e esse é o caminho.Sentir que principalmente, o espírito de Taizé que se vive aqui, é o mesmo que sempre me acompanhou estes anos, reconforta-me e faz-me sorrir, que era e é certamente, aquilo que o meu Pai, gostaria que eu continuasse sempre a fazer.
Já parei, numa oração e me senti acolhida, como não podia deixar de ser, beijada pelas cores laranja e pelos cânticos que eu conheço ou me conhecem.Somos uma grande família.
Já admirei a beleza do casario, já comi uma francesinha, já andei nas caves,já provei Porto e fiquei com a cabeça a andar á roda,já me ri como se não houvesse amanhã em frente a um rio que brilha com as luzes da noite...e faz os meus olhos ficarem tremeluzentes e cheios de água.E por isso também já chorei.E senti saudades e olhei para mim e nem quis acreditar que passado 7 dias, eu esteja a viver e a fazer da vida, aquilo que sempre fiz.
Obrigado Pai.





Ps.A missa de 7º dia é amanhã.

sábado, 13 de fevereiro de 2010


Recomeçando.






Um dia de sol, mágnifico.
Um sol que me aquece tanto, e me traz uma certeza,a de que o meu Pai está bem, pois entra-me na alma.
Esta noite dormi.Aterrei.Vesti um pijama do meu pai e dormi com a almofada dele.E chorei.Chorei tudo o que me apeteceu.
Entro no quarto dele muitas vezes e pego nas suas coisas.Custa saber que não regressa.Pesa sim, este silêncio.
Preciso sair daqui, por uns dias, para sarar a ferida de o ter perdido, que ainda dói tanto...ainda mais por aqui estar, no que era nosso.Por "vêlo" constantemente pela casa e na sua cama.
Vou até ao Porto, ter com a Gnoma Clarinha.Talvez passe no encontro de Taizé, num ou outra oração, não me sinto capaz de ir a tudo e cumprir o programa.
Depois do carnaval eu e a Gnoma, vamos andar por aí, talvez possamos ir até ao Gerês, mas quero ficar longe.Quero ver o pôr do sol, ouvir o mar, sentir o vento, o frio, perder-me no verde, e sentir que em tudo isso, ele está agora e me fala.Quero pensar no futuro que confio ser luminoso, como o dia de hoje.
Quando regressar, começo a reorganizar a minha casa, a limpar, arejar, separar, desfazer-me do que já não é preciso.
Afinal, temos que recomeçar.Embora agora, sinta que já não há luta, perdeu-se o sentido que nos movia dia á dia.Era ele.
Mas a vida por si só, é uma luta e não pára.Outras lutas virão, felizes.
Agora vou fazer a Mala.
Vou dando notícias, por onde andar.
Um obrigado a todos os que eu senti perto, não só nesta hora, mas ao longo de todo este caminho.Foi muito importante, ver pessoas que não via há muito e ouvi-las ao telefone do outro lado do mundo.Não esperava.Perdi também a conta ás mensagens e emails.Ao esforço que dois amigos fizeram em ir ter comigo sem conseguir, á molha que apanharam, ás flores que acabaram por deitar a um riacho...vale tanto como se os tivesse abraçado.
O meu pai, está muito feliz certamente e deixa no mundo, alguém, para continuar a Amar a vida.
Estou aqui.E o Amor, jamais acabará.
Estamos juntos.

Até Breve.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

 Palavras para ti.


Sabes Pai, vinha no caminho já a pensar como gostava te dizer tudo o que se passa  na minha cabeça e coração...tudo o que senti estes dois dias em que não parei, não dormi e mal comi ...mas é que tu agora já podes saber. 
Hoje, tinha vontade de te mostrar a tua vila, mais uma vez,mesmo estando tudo na mesma, mesmo a vista sendo sempre igual.Aquela vila, onde sempre quiseste repousar um dia, agora aí estás tu...virado para um mar verde imenso a perder de vista.Quando entrei nela, senti que estavas a chegar a casa.





Eu vim a tempo,Pai. E tu também foste a tempo de ver que, depois do gelo que sentimos durante estes dois dias, os nossos corações estão quentes, com tanto carinho que recebemos de ti e por ti... e fico contente, porque em vez de cimento e betão á tua volta, ficas agora virado para o horizonte,acariciado por assim dizer, debaixo desta chuva que faz os campos verdes.
Ainda que o teu corpo esteja longe de  mim,e isso me custe muito, eu sei que agora estás aqui ao meu lado a ver todos os meus movimentos e a sorrir, sem dores, sem sofrimento e a guiar os meus passos, como só tu sabes.Só terei que me habituar.E ainda espero, que me chames a qualquer instante do teu quarto.

Sabes pai, o ano de 2010 ainda agora começou, mas só agora se fecha esta etapa e eu quero acreditar nela, com esperança e alento.Vamos ter muitas saudades tuas, mas o que tu tinhas agora já não se chamava vida e feria-nos tanto não te poder ajudar. Falei contigo hoje em pensamento, em todos os momentos,porque tenho a certeza que, onde estás, nos possas ouvir. 
Já não sei dizer se isto foi tudo de repente ou se demorou tempo demais, mas sei dizer que isto foi o fim  merecido, dum pesadelo que já vínhamos a aguentar há meses: as mesmas pessoas à volta da cama, o mesmo cheiro a hospital, os mesmos acordares para um dia que desejávamos não existir, as mesmas dores. 
Só está é tanto frio Pai, e é como se a chuva estivesse cá para marcar o dia - como se pudéssemos esquecer e o dia chorasse connosco.
Sinto que o grande Navio, chegou ao seu porto e eu vim entregá-lo, depois de o ter cuidado...durante todo este tempo.O mar chama-me, e o Navio fica no seu Porto a descansar, depois de meses e anos a enfrentar a força da natureza.

Vou ter saudades tuas, Pai e não quero aqui falar das coisas tão boas de que me lembro, porque o mais certo é regressarem as lágrimas e elas recolheram há alguns isntantes.Terei tempo de o fazer...a vida inteira.Recordar-te docemente.
E se me contenho, e se agora me acalmo, é porque desde há meses atrás que acredito que vocês que partem, se escondem num sítio secreto,belo de nome, céu ou paraíso, onde vão ficar para sempre, esperando também por nós.
Até um dia... sei que esperas por mim.
Irei abraçar-te.


P.s-Tenho ainda nos meus lábios o gelo, de te ter beijado a testa, estão dormentes, os meus lábios, mas como podia eu não te dar um último beijo?



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Velório hoje, no hospital do telhal até ás ooh.
Amanhã saimos daqui ás 10h para o funeral, que será no Alentejo.
O meu pai já partiu.
Ligaram com urgência do hospital, para que fossemos para lá imediatamente.
Vou voar para lá.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

=(

O resultado não podia ser pior.
A operação não correu nada bem.Abriram o meu pai e voltaram a fechar.Acharam melhor.
Dizem-nos que não há esperança.Dizem-nos que não havia ponta por onde pegar.Tentaram fazer a desobstrução, para que pudesse voltar a comer, mas as coisas estão num estado avançado.
E eu pergunto, porque quiseram abrir?Porque lhe lançaram essa esperança a ele e a nós?
A meu ver, anteciparam a sua partida e fizeram com que sofresse ainda mais.
O meu Pai, encontra-se sedado,para não ter dores e pode mesmo não acordar da anestesia, dizem os médicos.
A minha mãe esteve com ele e nem os olhos ele abriu.
Os próximos dias, serão muito complicados e dizem-nos que nos preparemos para o pior.
Recuso-me a acreditar que o meu Pai, desista assim, sem pelo menos acordar, para que eu o possa ver mais uma vez e dizer-lhe que o Amo.

 (Nos 10 min, que nos estão reservados, para estar com ele...)
Notícias
 





O meu Pai, está a ser operado neste instante.
Entrou faz 1h, para o Bloco.
Andei toda a manhã para trás e para a frente no corredor á espera de o ver passar.
Quando dei por mim,não sei como, dizem-me que já estava no bloco, e senti uma enorme aflição.Gostava de o ter visto antes, de lhe ter falado, dado força.
Está previsto que acabe pelas 15h30, ou pelas 16h.A minha mãe liga-me assim que terminar.Depois ele segue para o recobro, onde deve ficar as próximas horas.
Eu vim a casa, almoçar e descansar.A minha mãe ficou lá na sala do bloco, onde só entra uma pessoa.Eu estava cá fora.

O meu pai, já é, em todo o caso, o meu Herói de todo e para sempre...mas se aguentar mais esta operação, vou ficar ainda mais orgulhosa dele, e chegar ao pé dele a sorrir e a dizer-lhe, mais uma vez, Venceste!

Vou ver se almoço.


Pai.
 



Estou ainda meio perdida, com esta decisão.
Amanhã, o meu Pai vai ao bloco operatório, tentar solucionar o problema de não conseguir comer.
Há uma obstrução, enorme,(tumores) que pretendem cortar e assim permitir que a função digestiva seja reposta.Eu nem sabia que operavam doentes nestas condições.Mas ou isto ou morrerá de fome.Foram muito claros.A sonda, nada resolve, pois a comida não fica no estômago.
No entanto os riscos são imensos, mais do que a possibilidade de tudo correr bem.Mesmo assim o meu pai decidiu, que queria ir.E só ele pode saber o desespero em que se encontra, e as dores que tem.Ainda que lhe tivesse dado a minha opinião, e tivesse alertado para todas as implicações...eu não sei se iria.
Os riscos, é não sair com vida da operação, pois está sem sangue suficiente, sem defesas e não come faz tempo...o organismo pode não aguentar.E depois é toda uma recuperação pós-operatória, que custa, ainda mais no caso dele.
Mas se aguentar, terá mais alguns dias pela frente, em que pode comer.Ainda que nada possa travar o agravamento das metástases, que já são imensas.
O meu pai, é muito forte, tem aguentado tanta coisa, que eu já nem sei, tantos internamentos, diagnósticos pouco animadores, dores, exames, dias a fio sem comer ou beber, dias no corredor das urgências sem camas vagas para subir.E toda a solidão de se estar assim, num quarto de hospital vendo os outros partir, sabendo que um dia também chegará a sua vez.Mas ele luta, dando-me assim um exemplo que eu já possuo e enalteço.Luta-se até ao fim, pela vida.
Eu não sei explicar, como aguenta?... mas daquela fibra eu também tenho.E é isso que nos vai permitindo aguentar dias e horas de tanta incerteza e medo...a vontade dele, e a nossa.
Numa mescla de fé, amor, entrega e muita paciência.
Amanhã vou passar o dia por lá, com o coração apertado, como tantas vezes tive.
Por hoje, rezo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

 Leituras

 


 Ando a ler alguns livros de pensamentos que me ofereceram no Natal...Deixo alguns que me marcam por estes dias e aos quais volto, uma e outra vez, antes de dormir.Os citadores, são muitos e conhecidos...outros não.A imagem é de uma criança do Haiti.
Se ela, orfã, com tanto sofrimento, sorri e tem brilho no olhar...




Não deves recusar a dor, porque ela te constrói, te marca os limites e te faz crescer por dentro dos teus muros.
Sem ela, não passarias de um projecto do homem que hás-de ser. Ela edifica-te os músculos, a cabeça e o coração, e não existe outra maneira de chegares a ser aquilo que deves vir a ser.
Se não sofresses não haveria ninguém dentro de ti.


 Não tenhas medo de sofrer. O sofrimento só dói quando não há um sentido que o ilumine, quando não se reveste de amor. Se eu for coxo e cada um dos meus passos me doer, mesmo assim hás-de de ver-me a correr encosta acima, se desse modo me aproximar de quem amo, se lá em cima um filho estiver a precisar de mim. Se reparares bem, notarás que não sofro com as dores que tenho, que os meus olhos brilham, que sorrio.


Não é por termos liberdade que podemos mudar tudo à nossa volta, mas dispomos da faculdade de dar sentido a tudo (o que é muito melhor), mesmo àquilo que não o tem! Nem sempre somos senhores do desenvolvimento da nossa vida, mas somos sempre senhores do sentido que lhe conferimos.



Não somos poupados a sofrimentos, mas é-nos dada a possibilidade de reagir e continuar a avançar. Se temos saudade do que ficou atrás, também nos é permitido sonhar com o que está adiante. Se conservamos o sabor de derrotas que tivemos, também planeamos a vitória que se segue.

Na família, aquilo que os une está num plano imensamente superior a tudo aquilo que os possa afastar. Muito acima das discórdias, das zangas, dos amuos, dos diferentes pontos de vista. Podem as ondas enfurecidas de um mar de inverno salpicar as estrelas? Alguém ligou aquelas vidas com um nó, e a vida de um é a vida dos outros. E o sorriso de um é a alegria dos outros. E a dor de um é a dor dos outros.

Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente, desesperadamente, agudamente infeliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O dia de ontem.





Os contornos que tem o impacto de uma morte, na vida de alguém é incalculável.
Ontem, tomei o pequeno almoço com o paulo.Estive quase todo o dia com ele, a ouvi-lo, a permitir que a sua dor saisse para fora.Faz bem, quando podemos falar sobre aquilo que nos prendia a alguém...de forma tão bonita.Sem pressões, sem pressas, com momentos de silêncio.
Fomos até á costa, ver o mar, a praia onde o Pai, adorava ir e passava bons momentos.Ali ficámos a ver o mar, e a respirar o fresco que vinha de lá.A cor do céu, uma promessa para o futuro.
Caminhamos, absorvendo os traços do dia.Depois estive em casa dele, com a família, que há muito sinto um pouco como minha.Em cima da secretária, o paulo guardou com todo o cuidado os óculos do Pai, que sempre lhe pedia para apertar.Tocou-me.
O que me tocou também, foi a serenidade de todos.O que sentir, quando ele já estava a sofrer tanto?
Ali respirava-se paz.
Uma paz, que também eu anseio respirar, pelo meu pai.Ao fim da tarde fui vê-lo.
A sonda mantém-se, as veias vão sendo escassas para colocar agulhas,as veias rebentam e os braços são como um campo de batalha, cheio de manchas.Pediu água, e logo a seguir vomitou essa mesma água.Nada fica lá.
Sinto-o tão cansado.Tão farto de estar ali.Se isto se mantiver mais tempo, ele vai criar feridas no corpo, de estar deitado, disse-nos a enfermeira.
Por mais mimos que lhe possa dar, ele não esconde a sua tristeza e preocupação.O olhar vago.
Deixei-o, para mais visitas que esperavam subir e fui para o Telhal.
Quando entrei na sala de refeições, aqueles rostos mudaram de feição.A minha amizade com aqueles doentes, é tão bonita, que não saberia viver sem ela.Arregacei as mangas e comecei a ajudar, servir aqui, limpar ali, abraçar além...sorrir sempre.
Saimos do telhal, eram 22h, ainda fui jantar com o Duarte, ali pelos lados de Sintra.Chovia muito e encostados ao vidro do "Júlio", mandámos vir um bitoque e muita conversa.O dia terminou mesmo encostada á cama a pensar em tudo isto.
E penso, que a nossa missão na terra é esta mesmo, não pára, onde quer que estejamos, com quem nos cruzamos.Entender a vida como uma missão, ajuda-nos a perceber muito facilmente, onde é, e ainda melhor, onde NÃO é, o nosso caminho.
É tudo uma questão de tempo.Não há como adiar.
Feliz por se desenhar assim o meu caminho.



Ps.Agora vou ao velório do Pai do Paulo.Respiro fundo e lembro-me da força.
 

sábado, 6 de fevereiro de 2010

...eu sinto-o contigo.







Acabei de saber que o Pai do meu melhor amigo o Paulinho, acabou de falecer.
Espero que Deus o tenha com ele.
Ainda ontem, no café, falávamos sobre tudo isto, de terminar a vida, e de como o temos vivido de perto, com os que amamos e da força que tem sido ter-nos um ao outro.
Muita força, nesta hora.Deixo um sorriso nosso a lembrar bons momentos.

E eu, estarei sempre aqui.
Este fim de semana encontram-me pelo Telhal.








Vou para o local, onde me sinto em casa e posso libertar os pensamentos...onde há espaço á minha volta e um mar verde a perder de vista,Há rostos que me sorriem e aos quais é impossivel não sorrir.
Hoje é o lançamento do cd, do Coral Gerações, uma música boa boa que fica no ouvido.Vozes divinas.
Amanhã, é dia de arregaçar as mangas e pôr-me ao serviço.
Sei, que como sempre, venho cheia de energia e com uma paz, que só ali mora.
O meu pai, piorou, e voltou a colocar a sonda no nariz.Mas agora estou com ele a tempo inteiro...e nos próximos tempos também.Ufa, que alívio.
Bom fim de semana.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Café Royale+noite chuvosa+Chá de Hortelã fresca + Scones + Amigos+ Palavras soltas=Noite perfeita











Falta aqui o Alberto.
Foi um serão passado a 3.
Onde?
No café Royale, que nos brinda sempre com meia-luz, e uma música de fundo,doce e macia.
Foi bom, poder partilhar o tanto que se tem acomulado aqui dentro.
Entre um scone, um chá ou um batido royale...o tempo voa.
Uma paragem no meio desta correria, com tempo para mim, e para olhar para as cores, que não deixaram de existir...mas que mudaram ligeiramente de tom.
É tão bom, sentir que as nossas palavras têm retorno, e não ficam no ar.Quando nos ouvem de verdade.
Obrigado, aos 2.Não podia ter sido melhor.
Mesmo com uma noite chuvosa o meu sorriso, ganhou força e um novo brilho.É tudo o que preciso.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Doce sorriso.






O meu dia, foi longo, parecia que não acabava.Sabem quando as horas esticam?
Queria ir ter com o meu Pai.Não pensava em mais nada.As pessoas falam comigo, mas é como se estivesse numa outra dimensão.Não sei bem,como e quando fazer uma paragem, para estar a tempo inteiro com ele.Porque mais tarde ou mais cedo, vou querer fazê-lo
Depois de lhe fazer a barba,enchê-lo de afther shave, e colocá-lo mais fresco...sentei-me no cadeirão.Ficámos á conversa.E o que me sabe bem, estar ali.O mundo pára.
Deixei, o meu Pai a sorrir, muito.
É com esta imagem que o deixei, e é esta que ainda tenho na minha cabeça...e me faz sorrir também, só de o imaginar.Hoje, ele tinha uma paz diferente.Talvez a visita do Alberto o tenha ajudado.
Não há muito que possa alterar e fazer, para além de estar com ele.
Hoje, mal sabia que ia fazê-lo rir tanto.Lembrei-me de algumas cenas únicas, da minha infância, que o fizeram dar umas boas gargalhadas, agarrado á barriga, por causa das dores.Mas este riso, inflitra-se não só no corpo, mas também na alma, eu sei.E ajuda a esquecer tudo o resto.A mim e a ele.
O que nos rimos, com as idas á praia, com a galinha que me atacou no Alentejo e me fez correr como nunca corri, com 5 anos,rimos com as cassetes que ele gravava com as nossas primeiras palavras...e que em modo repeat, eram de morrer a rir.Ainda existem.Vou guardá-las, sempre.
Como guardo hoje, o sorriso do meu Pai.Único, merecido...contagiante.
Vim, mais leve, com este sorriso.
Os dias, têm sido uma sucessão de acontecimentos e sentimentos.

Até amanhã.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sorrindo sempre.Mesmo na Dor.








Estou diante do Portátil, sentada.E eu juro, que com tantas palavras por mim aqui proferidas, hoje,talvez eu não seja capaz de vos dizer, a todos quanto Amo, (e aos que não amo também...mas que por aí andam...), o que estou a sentir.




Deixei o hospital, há mais ou menos 1h.
Ainda não estou em mim.Ainda me sinto dormente.Anestesiada.
Eu sei, que aos amigos que me lêm diáriamente, isto é duro de ler, isto comove, isto custa.Não mais do que a mim, que o escrevo vezes sem conta.Que espero, um e outro dia, por melhoras que não existem.
Os últimos meses, têm sido uma luta.Desgastante,em que se vê uma vida definhar á nossa frente, sem poder fazer nada para a suster.Porque é mesmo assim.
A única coisa que se pode fazer, eu não me canso de fazer é: Estar.A presença, o carinho a atenção, os mimos, tudo isso,mas principalmente a dignidade, o meu pai teve e tem.
Contudo, é muito duro, sabermos que aqueles braços que se movem agora, aqueles olhos que ainda contêm expressão, aquela voz inconfundivel, deixarão de existir, concretas e reais, para se fazerem memórias.Mas ainda não o são, estão ali á minha frente.Como é duro isto.
Hoje, cheguei ao fim da tarde, junto do meu pai.Assim que cheguei, percebi que voltou a não comer.
Já fez 3 transfusões de sangue no espaço de 2 dias.Num hospital, procura-se prolongar a vida, o mais que se pode.Mas eu peço desculpa a quem possa chocar, mas eu não sei, se a minha opinião sobre o prolongar da vida, sem qualidade, não se alterou já, depois de tudo isto.
Queixou-se de ter dores, mal o analgésico acabou de correr.Por mais medicação que possam dar, as dores presistem.E ele, como o conheço, não se queixa.Aguenta, quando não tem que aguentar.
Falei com a enfermeira, para aumentar a dose.Não pode, pois não está prescrito.Eu entendo, mas e então, ele vai ficar sem dormir mais uma noite, por ter dores, até que o médico chegue de manhã e decida aumentar a dose de analgésico?
Nas minhas rotinas com o meu pai, entrei por fim.Luvas de latex, creme hidratante, para as pernas, braços e cara, a pele descama muito.Á medida que o toco no seu corpo fraco e me arrepio por dentro,também me fortaleço, não sei explicar.
Ele olha-se e lamenta o estado em que se vê.Diz que é pele e osso.E eu tento distrair-lhe a atenção...com outras coisas, enquanto as minhas mãos percorrem com cuidado os braços, negros de tantas picadas, em busca de veias.
Depois de lhe lavar os dentes, e entrar e sair do quarto umas quantas vezes, reparo que o seu médico mais antigo, está por ali, cruzamos olhares.Ele viu-me e olhou-me demoradamente.Eu vi-o, mas não o quis olhar da mesma forma, porque não queria ouvir mais nada.
Eu já sei que ele está mal.Eu fui deduzindo muitas coisas,ao longo deste caminho, sem os médicos me dizerem...talvez pela minha própria experiência.Enquanto toda a minha família esperava uma satisfação clínica, eu tirava-a só de olhar para o meu pai.
Mas há coisas, que só quando ouvimos, acreditamos.E eu, habituei-me a estas rotinas, no hospital, a tratar dele, a deixá-lo o melhor que podia, a achar que isso, lhe daria mais vida.E deu.
Ninguém vive sem Amor.
No entanto hoje, soube por aquele olhar, que o médico me iria procurar.
Passados alguns instantes, entra o médico e um estagiário.Fecha a cortina, e começa a apalpação do abdómen, enquanto troca, termos clínicos com o estagiário, que olha o meu pai com um certo ar de pena.Não gostei.Senti-me também eu cobaia.Mas sei que eles aprendem assim.Com quem acaba de chegar ao mundo e com quem está de partida.
Alguma força, trocada entre eles, por se conhecerem há algum tempo.O suficiente, para saber, que este médico fez tudo, mas mesmo tudo o que podia pelo meu pai.
O meu pai de lágrimas nos olhos e eu quase a rebentar também.Mas contive-me.
Ficámos sozinhos.Não falámos sobre nada.Porque o silêncio também fala e diz mais, muito mais nestas alturas.
A parte da despedida, como sempre, custa-me horrores.Não quero ir embora.Todo o tempo do mundo é pouco, neste momento.Se pudesse passava o dia com ele, e a noite.Mas temos que viver, ocupar a cabeça,arranjar forças, sorrir, apesar de tudo.Não é assim?
Quando finalmente, no meu passo lento e meio perdido, me encaminhava para o elevador, o médico, chama-me e diz-me, olhos nos olhos e de mão no ombro:"Ritinha, estamos mesmo no fim..."
Naquele momento, pensei, que se referia á visita ter terminado há 20 minutos e eu ainda ali estar, mas isso acontece todos os dias e nunca me disseram nada, pelo que respondi:" Eu sei, já me ia embora..."
Só, segundos depois, caí em mim.Percebi então, que ele se referia ao meu Pai.
Foi muito claro e apesar de não me dar nenhuma novidade, foi como que congelar o meu coração...que deixou de bater.
Apenas, lhe perguntei ainda, quanto tempo tinha?Ele disse-me que isso nunca sabia ao certo, mas que as coisas estavam mesmo no limite.
E foi a resposta suficiente para me trazer de volta a casa, pelo mesmo caminho de sempre...longe de tudo e de todos.E nesse momento, não estava ninguém lá fora, para me abraçar ou ouvir, como concerteza me ia saber muito bem.Pois é nestes momentos que se cresce e se fortalece uma capacidade de resitência, que muitos, (nem eu mesma) sabem explicar.
Lembro-me de entrar em casa, de me sentar aqui e começar a debitar palavras...aqui estão.Não são um filme, não são ficção...são reais e são a minha vida.
E agora, vou dormir, porque amanhã é outro dia.


(Nem fui visitar o R.Amanhã...)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010