quinta-feira, 20 de março de 2014

Morreu a Rita do Sorriso.Minha XARÁ.













A Rita do Sorriso partiu.Deixou este mundo...mas bem melhor, do que ele era.Seguramente.
Deixou para trás uma obra que tive oportunidade de conhecer, quando estive em Moçambique.
Era minha vizinha, na mesma rua.A sua casa cor de rosa, poucos metros abaixo da minha.
Mas o que recordo era a forma carinhosa como sorria, quando me encontrava e tinha sempre qualquer coisa para me dar.Um maracujá, uma manga, amendoím, feijão, o que tivesse.
Dei formação na sua escolinha.A casa do sorriso.Uma escola que acolhia Orfãos.
Estas crianças podiam estudar, comer, andar sempre limpas e ter um colo.Algumas nem Pai, nem Mãe.Ninguém.Mas tinham a Rita.
Era ali que passava os seus dias,a coordenar, a preparar, a ter ideias e sempre, mas sempre a sorrir.E daí o nome da Casa do Sorriso, pois ali dentro, era palavra de ordem.
Tinha aquele jeitinho de mãe e avó ao mesmo tempo, tinha a mente aberta e uma jovialidade fora do comum.As gargalhadas ouviam-se longe...e eu sabia quando ia a passar na nossa rua.

Em muitos dias mais cinzentos ia até sua casa e sempre saía reconfortada e cheia de ânimo.Mesmo quando estive quase a desistir, ela me disse, vais ficar, porque precisamos de ti aqui.Muito.
Era daquelas pessoas que tem uma fé imensa e acredita no mundo, nas pessoas, nos pequenos, grandes passos que podemos dar para mudar o que custa e está mal.
No entanto a sua vida não era nada fácil. Mas isso não se lhe notava.
São muitas vezes as pessoas que sofrem mais...que nos dão o maior exemplo de determinação e coragem.Alegria.
Chegou a ir a Roma, para uma audiência,com o movimento que criou, As mães de Paula,devido á sua obra.Obra que cresceu e se expandiu para outros distritos.
Com ela aprendi tanto.Tanto.

Ontem ao reencontrar uma pessoa que conheci na missão de Maputo, antes de subir para a  minha cidade, no Niassa, soube desta noticía triste.Foi rápido e inesperado.E ao que se conta ela mesmo pressentiu que ia acontecer, pois deixou tudo preparado.Impressionante.

Soube também que a nossa escolinha já tem um Machimbombo (autocarro), para transporte dos alunos...que são cada vez mais.
E que os meninos continuam sempre, a perguntar: " Quando volta a tia Rita?Ela vai vir?"Fico feliz.
Sim, um dia irei.

Nós, já lá não estamos, mas fica para sempre a memória doce, destas pessoas que nos passaram o melhor que eram e tinham.
Aqui foi o Sorriso.


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