terça-feira, 2 de agosto de 2011

Lago Niassa...






























O lago Niassa.Como um mar.
Acordámos pelas 5h30, para sair ás 6h.2h de caminho para fazer 120 Km, até ao lago Niassa, um dos maiores lagos do Continente Africano.
O que custa acreditar aqui, é que se trata de um lago, pois tudo nos remete para um mar.Com ondulação que se ouve e bem alto, com um subtil aroma a maresia e a cor azul...a praia de areia branca.Todo o ambiente nos faz sentir numa qualquer praia paradisíaca.
Rapidamente somos abordados por crianças locais, da tribo Nianji.Vêm em busca de meticais, pois somos como turistas ali.Depressa os fizemos compreender que não era esse o resultado do nosso contacto, mas sim conhecer um pouco melhor aquela realidade.E então cantaram, conversaram, jogaram, e estivemos ali despreocupadamente, enquanto no fogo peixe e frango assava, mais uma panela de arroz, que foi o almoço do grupo de leigos voluntários Dehonianos, que se juntaram a nós.
Foi um momento alto, pois compreendi que a felicidade destas crianças e jovens não está nas coisas.Nunca podia estar nas coisas, quando nunca as tiveram e não terão.A sua felicidade está nos momentos, no poder saltar livre na praia, no poder tomar um banho de lago...
Depois há a triste luta pela sobrevivência, que lhes leva os irmãos com doenças, para as quais não têm solução, resolução rápida.Há a luta pela subsistência diária de comer provavelmente, Xima e nada mais.Mas ninguém os vê perder a alegria ou a vontade de viver ou a capacidade de lutar.E isso ensina-me a não me queixar...porque ainda que não o faça habitualmente, acabo sempre, como ser humano que sou, por lamentar isto ou aquilo.
O lago transmite muita paz, ainda que neste dia, o vento fosse de uma força que nos fez vir embora mais cedo.
A paisagem deslumbra, salpicada por Imbondeiros, as árvores sagradas em África, donas de uma fortaleza incrível e depois esta água é uma bênção para este povo, que lava tudo no lago, se lava a si mesmo, e passa o dia a chapinhar.Podemos ver crianças que saltam na água como peixes e nos fazem, se fecharmos os olhos, sentir muito bem ali.Atravessando o lago com um barco que tem mais de 100 anos, em 5h estamos no Malawi...este lago banha também a Tanzania.
O dia terminou com o regresso, que pareceu mais longo...por uma estrada em óptimas condições, passando por feiras de estrada, palhotas, aldeias e sempre, sempre, pessoas sorridentes que nos dizem adeus com uma alegria contagiante.Principalmente as crianças.
Havemos de voltar ao lago com mais calma...e voltar a ter esta sensação que tudo ali se abre para o mundo de uma forma única e muito simples.

 

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