sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Dia quase perfeito e inesperado...





Se vos contasse como começou o meu dia, nunca iam acreditar, que terminaria assim.Tão calmo e feliz.
Acordei muito para lá da hora normal, mas mesmo assim, cheguei mais cedo ao colégio do que o habitual.Não sei explicar, este facto.Saltei da cama e em 15 minutos estava na rua.Pensei que o dia me ia correr mal, porque por norma quando acordo assim, em sobressalto, o dia nunca chega a acordar.
Mas desta vez, acordou.
Entre enfeites de natal, cenários para a festa, e os meus bebés, houve tempo para rir, abraçar, e compreender acima de tudo, algumas atitudes.Partilhar também.
Quando saí do trabalho, apanhei o autocarro para a baixa e embrenhei-me em multidão, no fim do dia e no fumo das castanhas...

Era isso que me aptecia, acompanhada pelas luzes de natal que iluminam Lisboa e a tormam mais bonita.
Desci a avenida da Liberdade, a pé, ( eu...sim!), levei 25 minutos, porque fui com muita calma, mãos nos bolsos, música nos ouvidos e pensamentos a fluir.Nada melhor, podia ter feito hoje.Vi tantas coisas, tantas expressões, realidades.Desde mendigos que dormem nos multibancos, ao luxo exuberante dos hotéis da avenida, onde as mesas escrupolosamente postas com velas, esperam os clientes.E eu passava e ia pensando em mim, na minha família, no Natal, que se aproxima a passos largos e em tanta coisa que me enche a cabeça neste momento.

Sinais vermelhos, embaixadas, manifestação, taxistas em espera e á conversa.
Ao fundo da Avenida,olho para trás e vejo a árvore gigante a brilhar.Está bonita.As árvores com brilhos que escorrem como água.E no céu uma lua cheia, prometida, que admirei sozinha e me fez companhia.

Chego ao Rossio, penso jantar e depois dar uma saltada na Fnac, para ver os Monte Lunai que actuavam hoje.
E é aqui que tudo muda, quando á minha frente, salta a Ana a sorrir.Ela ia comer sozinha por ali e eu também.Jantámos juntas...com conversa da boa.
Percebi, que a seguir era a peça para a qual já me tinham convidado e eu recusei...e ia encontrar alguns amigos por lá.Resolvi ir e foi a melhor escolha.
Apesar da surpresa por quem não me esperava, foi bom estarmos juntos.
Acabei por me juntar a eles para ver o monólogo “O ano do pensamento mágico” que marca  o regresso de Eunice Muñoz ao palco do Teatro Nacional D. Maria II, de onde estava afastada desde há nove anos. 











Com a sala completamente cheia, Eunice Muñoz, foi aplaudida de pé durante vários minutos no final da peça, onde os meus olhos retiam lágrimas e me faziam ver tudo a tremer.

“O ano do pensamento mágico”, de Joan Didion, conhecida escritora e argumentista norte-americana,a peça inspira-se na experiência pessoal da dramaturga e surge no palco do TNDMII numa encenação de Diogo Infante.
Foi assim, que depois saí do teatro com a alma larga e uma sensação extraodinária de libertação, de diversos sentimentos, por tudo o que estou a viver com o meu Pai e reconheci em cada palavra.

Aquilo que podia ter sido muito pesado, tornou-se numa enorme partilha.Como se a Eunice, tivesse dito tudo aquilo que eu já sei, senti e sinto, e me fizesse uma festa na face, lá do palco onde ela estava, para o meu lugar no escuro, onde nem sabe que eu existo ou a história que tenho.
Esta senhora de 81 anos, continua uma Diva do palco, e prende-nos a atenção depertando em nós tantas emoções, sem sair do lugar.Apenas o seu olhar, expressão, sorriso, lágrimas e atitude.

De facto cada um se revê de forma diferente naquilo que encontra.
Ao chegar a casa, uma conversa virtual com a Alexandra.Das nossas.

Uma boa forma de acabar o dia, que foi assim um dia quase  "  perfeito"   e com muito inesperado pelo meio.
Para ser perfeito, teria que ter visto e estado com o meu Pai.





 (Apesar da dor nas costas que me acompanha há 3 dias e teima em não passar com analgésicos.)

1 comentário:

xandra disse...

3 dias?! hum... aguenta-te mais um tempo, ao fim de 3 meses tenho um questionário pra responderes!