quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

O rio da minha aldeia...














O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.








O Tejo tem grande navios

E navega nele ainda,Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.


O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai E donde ele vem.

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.









Pelo Tejo vai-se para o mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além Do rio da minha aldeia.










O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.





Fernando Pessoa/Alberto Caeiro (in "O Guardador de Rebanhos")

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