quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Kizilay, Center






Hoje arriscámos e fomos até ao centro.Apanhámos o metro e 3 estações depois estávamos no meio da confusão.
Quase ninguém fala Inglês e não se vêm postos de Turismo, para saber onde nos dirigirmos, ou que terá mais interesse visitar.Mas essa parte deixamos para fazer com alguém daqui, que conheça e resolvemos ir nós á descoberta.
A última vez que estivemos lá foi muito de passagem e já era noite.E que sítio melhor para entender uma sociedade, do que o centro da sua capital.Muitas coisas ainda estão fechadas, devido á celebração do sacrifício, mas nem por isso as ruas estavam mais vazias.
Agora senti, o peso que tem, uma cidade com 6 milhões de habitantes.Há gente por todo o lado e se é assim em tempo de férias santas, eu não quero imaginar um dia de trabalho normal.
Eles são mais que ás mães.Atravessar uma estrada no centro é uma aventura, há pontes construídas por toda a cidade, para que os pedestres as atravessem mas ninguém quer saber disso e quase todos arriscam e quase que fico com o coração nas mãos, porque acho que um dia ainda vou ver alguém ser passado a ferro.
Apesar de tudo nos parecer um pouco Europeu, devido ao capitalismo que atinge quase todas as sociedades, aqui há fortes sinais que estamos na Ásia.Alguma lojas, carregadas de especiarias que nos prendem os sentidos.Muita, mas muita pimenta...seca e colorida.Produtos naturais, bijutarias a 1 lira, (50 cênt +/-).As flores são tantas e tão variadas, prontas a comprar e a oferecer.
Achei curioso, porque há coisas que nas grandes cidades são comuns, um assador de castanhas, e um engraxador.Este último mesmo ao jeito Turco, com uma banquinha toda Asiática.
Andámos por ali a vaguear e a ver rostos e mais rostos, é importante ver como as pessoas se comportam, se movimentam, nos olham e se olham.É importante perceber que lugar cada um ocupa nesta sociedade, como são respeitadas ou tratadas as crianças, os mais pobres, os jovens.Tudo isto vai entrando na minha cabeça como se de um filme se tratasse, mas depois vem a parte em que eu estou dentro desse filme e tenho o meu papel.Esta fita denrola-se dentro de mim e fora de mim a velocidades diferentes.
Eu sempre disse, que as minhas pernas andam devagar, mas o meu coração atinge velocidades estonteantes.E é nestes momentos em que estou em silêncio, mas observo mais do que nunca o que me envolve que eu corro, numa paleta de cores e emoções.
Fico mais uma vez com a sensação que Ankara não é uma cidade linda, como muitas que visitei, á semelhança de Bucareste, eu aterro em locais onde tenho de ser eu a descobrir a beleza que eles têm escondida, muitas vezes em coisas que mais ninguém vê, porque cada um de nós vê á sua maneira.
Mas fazer um projecto de voluntariado numa cidade deslumbrante como Paris ou Roma, não tinha piada alguma, penso eu.O desafio está aqui, nestas multidões de pessoas, neste tom cinzento e citadino, que não deixa tempo para parar e escutar, respirar, amar.
Mas eu encontrarei esse tempo e terei todo o tempo do mundo para dar.
Dar.
É isso, que eu vim aqui fazer.


Ps.Hoje voltei ao Ginásio e começo a ressentir-me de ter estado parada, estou literalmente durida.Depois de tomar banho e jantar, adormeci por 4 longas horas.
E é por isso que são 2h da manhã e eu estou aqui a escrever. 
Até amanhã.

Sem comentários: