segunda-feira, 7 de maio de 2007

Cercal...uma casa onde a porta nunca se fecha…



Percorrer alguns km, para estar presente numa oração de Taizé, é algo que faço frequentemente, e me faz sentir, que quando parto, estou a levar um pouco de Taizé aqueles que nunca lá foram…
Sinto até que é para Taizé que vou. Apenas o sítio não é igual, mas o espírito, a alegria entre as pessoas, a forma de receber e chegar…tudo isso me traz á lembrança, o que está tão vivo em nós.
Este fim-de-semana foi de muita luz…e muita paz.



Pela estrada podia ver bastantes peregrinos…perto de Fátima. Por um caminho que também eu já palmilhei.
A chegada ao Cercal é sempre um momento de festa onde o amigo Firmino nos espera sempre com grande ansiedade…

E ao chegar há logo algo para fazer, uns tratam do caldo verde, outros de pôr a carne nas brasas, cortar o belo do chouriço…pôr a mesa e a conversa em dia.
Há crianças naquela casa, e por isso há também uma vida muito própria…porque onde elas vivem há sempre cor, agitação…magia.

Antes do jantar, há uma volta pela aldeia, com os seus tons verdes e amarelos pelos campos, e cada um com o seu garrafão caminha para a fonte…visita a uma pequena igreja, onde se respira calma…
Contacto com os animais, sol suave de fim de tarde…

O jantar está na mesa, uma oração, e a conversa flúi, os risos também…
De Lisboa, ligam mais alguns amigos que estão a caminho.Vêm para ficar.
Batem as 21h, e tudo caminha para a oração.
Na porta a agitação do grupo de jovens, é notada, uns distribuem as velas, outros o esquema da oração, outros que recebem a sorrir.
Na igreja tudo preparado, velas acesas, bancos iguais aos de Taizé, espalhados pelo chão…calor.
Ensaiam-se os Cânticos…decide-se um ou outro detalhe.

Começamos por fim, á minha volta posso ver gente de todas as idades…é maravilhoso estar ali, numa aldeia que fica tão longe de Taizé, mas perceber que aquelas pessoas, sem nunca terem lá estado, ajudam a continuar esse projecto lindo que cresceu pelas mãos do nosso Irmão Roger.
Entre cânticos, partilhas…e silêncio interior, a oração terminou com um chá e uns bolinhos, para ajudar ao convívio…os jovens trataram de tudo, de arrumar a sala, de limpar.
Á saída uma lua amarela no céu a dizer-nos que o dia que se seguia seria quente…e a encher de encanto aquele céu repleto de estrelas.

Ao chegar a casa, concentrados na cozinha, demos corda á alma, e falamos de tudo…rimos sem fim, recordamos, e não há conversa melhor que estas, tardias e profundas…que tocam tantos temas, quantos quisermos.
Tocou-me especialmente ouvir o Abílio, e a sua história de vida…e perceber a força que ele nos dá…
Tenho um grande privilégio, de ter á minha volta pessoas que têm aquela luzinha…e são em tudo muito muito especiais.

Á medida que a noite avança, ficam apenas os resistentes…mas o sono vence.
Na sala há colchões no chão e sacos cama…há acolhimento.
Deito-me por fim. E a noite não me leva para dormir, leva-me para o reino mágico dos sonhos, aqueles que temos de olhos abertos…e que nos marcam para sempre.
“E eis que uma nova luz a noite rasgou…”
O dia começa a rasgar, enquanto meio mundo dorme, menos nós…aproximamo-nos da janela e os tons violeta da madrugada pintam tudo, há uma bruma fria que respiramos, mas não apaga o calor que nos incendeia a alma.
Perco-me em ti. Partilho de ti…e só então, adormeço em paz.
O dia já vai alto, é Domingo…saímos para rua e bebemos o sol...deito-me na relva de braços abertos ainda em pijama, deixo-me ficar, pois sei que aquele sol é alimento.

Amigos mais que lindos, vão á aldeia vizinha comprar croissaints quentinhos…uma delicia…partilhada ao pequeno almoço, com a Inês, que nos deixou ainda a oração ia a meio, para ir fazer noite no hospital, e voltou pela manhã para estar connosco mais um pouco, e porque sabia que não havia lugar para um no carro…Isto é entrega.
Mas sabendo que o regresso a Lisboa se aproximava, ainda fizemos figura de lagartos ao sol…e deitamo-nos na parte da frente da casa, a conversar e a receber calor…antes de voltar ao frio que sempre caracteriza uma cidade…

Partimos, pela janela do carro fico a ver o Firmino de braço no ar…já com saudades e vontade que a próxima vez chegue depressa…
A viagem é feita com sono, mas a cantar, a conversar…e a saber que viver é um dom enorme e ainda o é mais se o partilharmos com alguém.
Entro em casa, pouso a mala, e vou direita ao quarto, mergulho no meu mundo e conto-lhe que agora está maior e mais belo…






2 comentários:

Anónimo disse...

Foi tão Bom! Estar perto de quem fala a mesma lingua!É por estes dias que vale a pena viver!
Beijinho Grande Grande Amiga,és linda!
Tânia Maria

Rute disse...
Este comentário foi removido pelo autor.