quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Vou para "ensinar"...acabo por aprender!

Finalmente,alguns raios de sol,espreitam...a medo,mas estão lá.
Saio para a rua,caminho devagar,olhando tudo,o céu,as árvores,as marcas da chuva que se fez sentir, e olho sobretudo as pessoas.Algumas ficam incomodadas desviam o olhar.
A mim não me incomoda,olhar nos olhos.
Que forma mais verdadeira,existe...de falar?
Caminho,e vou pelo caminho mais longo.Hoje quero caminhar,mais do que devo?Ou mais do que costumo...E na minha cabeça,1000 pensamentos,tomam conta de mim.
Chego á outra escola,onde (não) dou aulas de "moral",mas passo uma hora agradável e de pura magia, com os miudos.
Ao fundo da rua,já consigo ouvir os gritos,alegres,que sempre nos trazem as crianças.Fico anciosa por chegar,apresso o passo,ainda é cedo,no entanto,decido entrar.Eles param de brincar,e vêm a correr...já não nos vemos faz uma semana,uma eternidade,pelo menos para mim=)
Esta escola,não é uma escola de bairro,tem outras condições.
flores nos canteiros,as paredes pintadas de verde água,com muitos desenhos a mostrar que há vida,há sonhos.
E o cheiro,sim,é a leite com chocolate e a pão com manteiga,aquela hora...hora de lanche.
Os meninos,não levam sandálias em dias de chuva,e não têm,a roupa remendada,e gasta.
Um realidade diferente,da outra escola.
Mas se querem saber,o abraço,de uns e de outros, é diferente.
Na escola de bairro,o abraço,é forte,mesmo que fugidio,mas o que sinto,é que aquele é provávelmente um dos únicos abraços que recebem...
Nesta escola,o abraço é algo comum,e dá-se porque todos querem dar,mas têm esse carinho em casa,reparo que alguém espera por eles,no portão,com o cão e tudo,e um bolo embrulhado em prata...pequenos mimos.
A aula corre bem,sem grandes confusões,cada um no seu lugar,ninguém chama nomes,e ninguém se bate...há a inquietude normal de uma criança.
Ficam atentos ao que digo,tamos no tema da amizade,eles teem,8 anos,saberão já o quanto é importante?Falamos da sua importância,eles contam histórias,eu oiço atenta.
Um deles,que faz anos hoje,(o Nelson,um gorducho lindo,e fofo) pergunta-me:"Olha,e tu?Tens muitos amigos...?"
E em segundos,o que me veio á cabeça,foram os vossos rostos,todos.Não pensei se eram muitos ou não,mas pensei,o quão valiosos e importantes são para mim.
E foi isso que lhe respondi,que não importava ter muitos amigos,mas Bons amigos,verdadeiros,presentes,e sim que tinha amigos assim.E eles acho que perceberam,mas nesta idade,ter muitos amigos é que conta,assim uma lista,cheia.Não sabem que isso um dia vai ficar claro como a água,e saberão separar o trigo do joio.
Na verdade tenho tanta gente que amo.E me ama.
No rosto tenho estampado,um sorriso.
Toca para sair,sem lhes pedir,vêm dar-me um beijinho.
Fico a vê-los ir embora pela janela.Eles,olharam para trás,e dizem-me adeus.
Em tudo,isto, foi oposto ao que vivi,na outra escola.Sou capaz de dizer,que apesar de tudo, quando chega 2a feira,vou á escola de bairro e levo comigo,aquele friozinho na barriga,anciosa por lhes dar,por ver aqueles sorrisos marotos,e olhos tristes.
Quero dar-lhes cor,vida,quero amá-los,mas não tenho todo o amor que precisam para voltar a acreditar na vida,e nos sonhos.Tenho algum,é esse que dou.
Quem sabe não é mais forte, mais, do que eu posso imaginar?
O amor tu crê,tudo suporta...o amor é paciente,é compassivo...
Eu acredito.
Saio da escola,a pensar o quanto tenho para aprender,com eles...
Passo na porta da igreja,resolvo entrar,e visitar um amigo,esse que está sempre lá.
Deixo-me ficar,ao fundo,há ensaio do coro.Sabe-me bem.
Volto a casa,caminhando ainda devagar...para quê ter pressa?

1 comentário:

Cláudia disse...

Muito bom sentir a tua partilha :)

Abracito