sábado, 8 de março de 2014

Ainda não foi hoje que me despedi de Lisboa...porque Lisboa nunca acaba.







Ao longo do caminho, uma pessoa descobre-se (e surpreende-se) mais versátil do que supunha ser. E mais forte e impermeável (qb) a muita coisa. Trabalhar o equilíbrio entre querer ser sempre melhor (pessoa, acima de tudo) e nunca esquecer que até as maiores e mais robustas árvores da floresta nascem do chão. Interiorizar que a humildade é uma característica dos fortes. E a resiliência também. Manter o foco, por mais difícil que pareça. E há dias que parece missão impossível. Há demasiado ruído. Não permitir que os dias (e as pessoas) cinzentos apaguem a certeza de que são, a paixão e o entusiasmo as atitudes que movem montanhas, mudam opiniões, criam sonhos, devolvem esperança, renovam fé.

Mesmo que tropecemos umas quantas vezes na vida, e o normal é tropeçarmos, é na queda que percebemos a consistência da nossa força, o limite da nossa resistência, a capacidade de perdoar (e de nos perdoarmos), e como a vida pode ser deliciosamente surpreendente quando simplificamos, relativizamos e nos tornamos impermeáveis (qb) a tudo o resto.
Hoje, tudo o que quis foi absorver esta luz de Lisboa, banhada por um bafo de Primavera a dizer-me se hei-de ir ou ficar?A balançar-me entre a razão e o coração...
Porque afinal...







quarta-feira, 5 de março de 2014

Dilema da Entrega







Uma das eternas questões nisto dos amores é aquela dúvida: 'até que ponto nos devemos entregar?'Há quem defenda que devemos ter limites, que deve haver uma espécie de lei da compensação, quase uma balança: hoje dou um bocado, e agora espero que ele dê também, e por ai adiante, passo a passo, calculoso.. Não percebo. Outros defendem que, pelo contrário, nunca devemos dar tudo, para não 'habituar' mal. Ou seja, apenas por estratégia, não vamos ser tudo já, para termos algo para dar mais tarde.. não percebo. Há ainda quem dê, para simplesmente poder cobrar no momento a seguir: dei-te tanto, agora quero que me retribuas tudo!!.. também não percebo.


Para mim, o dilema da entrega é simplesmente uma não questão. Porque quando se quer, quando se gosta, dá-se e pronto. Tendo apenas o cuidado da gestão do 'não sufoco', não há cá que ter meios termos, ou calculismos, ou mariquices de balanças. dá-se! E dá-se tudo o que se tem agora! Porque se for a sério, descansem que todos os dias vão ter algo novo, maior, melhor, mais intenso para dar. Porque quando é a sério, todos os dias cresce mais qualquer coisa: um tique novo, um ponto da pele que afinal também é sensível, uma palavra que ganha novo significado, um riso tonto que se descobre no momento mais íntimo, ou apenas uma música antiga, que de repente passou a ter significado. Ou todas as musicas novas, que vão ficar para sempre marcadas entre nós os dois..


Eu voto pela entrega total, de corpo e alma. Sem medos, sem orgulhos parvos, sem receios de dar sem receber. Assim, tenho sempre duas certezas: que quem vive comigo tem o melhor de mim, e, que nunca vou, um dia, pensar que podia ter dado mais. E isso, saber que se deu tudo, é um alívio. O mais tonto nisto, é que só quando se entrega tudo é que se cresce como pessoa. Ou seja, quem vive nesse dilema, só perde enquanto não avança. Hoje, por ter-me entregue loucamente, sei que sou maior, mais humana, mais amiga, mais companheira de quem me recebe.



'Eu não sou eu nem sou o outro, sou qualquer coisa de intermédio: um pilar da ponte de tédio, que vai de mim para o outro'. Os momentos mais difíceis da vida são os intermédios. Aqueles momentos em que mudamos qualquer coisa, em que deixamos para trás um lado da ponte e atravessamos para o outro. O intermédio é aquele ponto em que ainda não se tem o que se quer, mas que já não se tem o que se tinha. A cabeça enche-se de dúvidas, de incertezas se é mesmo por ali. Porque sabemos que estamos a ganhar um mundo melhor, mas a perder o que já tínhamos. O que já era nosso. e por isso, por ter tanto de nós, mesmo que não nos fizesse feliz, pertencia-nos. Conquistaram-nos e conquistamos.


A travessia é ainda mais penosa quando a mudança não é do mau para o bom, nem da chuva para o sol. Porque às vezes apenas queremos mudar porque deixou de fazer sentido. Não porque se vive mal, mas porque não se vive completo. Porque gosta-se, mas não se ama. Porque quere-se, mas não se vibra. Porque toca-se, mas não se deseja. E fica sempre um misto de frustração porque também fomos causa do fim. Porque a dança é sempre de dois. E ali, tropeçamos juntos. Mas é também ali que sabemos que - por nós - temos de avançar, temos de ser um pouco egoístas e olhar o outro lado da ponte, onde nos sentimos mais quentes, mais felizes, mais completos em todos os pequenos campos da nossa vida. Sabemos que ainda está longe, mas é já tão mais gratificante. Sabemos que ainda incompleto, mas é já tão mais único e intenso.


...é no intermédio que o amor se testa, se prova, se agiganta. O amor de quem atravessa a ponte, que tem de carregar uma vida, os laços de uma família, de uma terra, que se leva nos ombros, devagar, passo a passo. Ponte dura de passar, cheia de cordas que prendem atrás. Mas cheia de esperanças que nos ligam ao futuro. E aqui, é a certeza do que se quer, a certeza do que nos faz verdadeiramente feliz, que nos dá força. e é aqui que se prova ao outro lado tudo o que se quer. a prova mais imensa: quando alguém está disposto a mudar uma vida por amor.é no intermédio que o amor se testa, se agiganta - também muito o amor de quem está do outro lado da ponte, a puxar, a gritar, a chorar, a sorrir. A dar o peito a todas as facas, a segurar todas as cordas ainda presas. A pedir: deixa-me trazer-te ao colo, a ti e a a todas as tuas malas. A pedir: deixa-me ser o braço que sempre achaste que não precisavas. Mas por respeito, a não impor. Mas por respeito, a não sobrepor. Apenas a dar a mão. Apenas a amar. Apenas a vibrar. Apenas a desejar. Apenas a querer ser tudo. Já...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Missão Alcoutim.Fevereiro.








































Os Km feitos, já faziam sentido para mim.
Mas nunca umas brasas me souberam tão bem e fizeram tanto sentido.
Nunca uma boca sem dentes me pareceu tão bela.Nunca umas rugas me levaram para caminhos de vida, vividos e sofridos, repletas de histórias para contar.
Como semear alhos, favas e afins,nunca foi um ensinamento tão importante, como agora.
Como temperar azeitonas, fazer pão ou matar um porco, dá agora pano para mangas.Escutamos com a atenção real, de quem precisa desses ensinamentos para viver.
Remontamos aos tempos da guerra civil Espanhola...ao contrabando vindo do outro lado do rio, em que um mês em Espanha alimentava bocas deste lado, durante 6 meses.
Ouvimos o que parece nunca ter sido dito.Amparamos as saudades, dos netos, filhos e de um tempo em que os seus mundos, eram  mais autónomos, longe da "boa" prisão de um lar, de onde alias podem ver a casa, onde viveram e nasceram...e o banquinho onde se sentavam tardes inteiras ao sol,agora vazio.
E como se acalma esta saudade?Como se explica que ali estão melhor?Com todos os cuidados, em segurança? Na verdade sabemos que estão.Mas quem os ouve e olha dentro dos olhos, sabe que não estão, pois ali lhes falta a liberdade, que o corpo ou a cabeça lhes roubou.
E agora olham de longe pela janela a sua casa, a sua rua, o seu mundo, como se de um quadro imóvel se tratasse. Abraçamos. Partimos.
Num outro monte, há mais histórias á espera de quem as oiça.
O sol queima, as cores são vivas, os cheiros apurados, uma laranja sabe a mel e Lisboa, por ali, parece uma miragem...tudo o que nos prende, fica para trás. 
Um sentimento familiar que se instala nos abraços de cada reencontro.Porque é mesmo assim que nos recebem, como netos queridos...a quem desejam o melhor do mundo. Dão-nos o melhor que têm.
E quem bom que é poder viver no coração destas pessoas simples e fieis nas pequenas coisas...e elas no nosso.
Para nos ensinarem o Amor.



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Dos Km que se fazem por Amor.

















Dar importância apenas ao que tem fundamento e deixar de lado o que não acrescenta nada ou que não faz bem. 
Investir neste exercício diário. Interiorizar que o silêncio é de ouro - e continua a ser a melhor resposta para pessoas de má fé. Ir sempre até onde a força permitir, e perceber que há em nós um bocadinho mais de uma força que nem sonhávamos existir. Está lá sempre. Gostar e amar sem pedir nada em troca, perceber como isso é reconfortante. Ter mais paciência, tolerância e perdoar os erros (os nossos e os dos outros). Obedecer ao que manda o coração, mas não esquecer de manter, pelo menos, um pé no chão.
Saber que é tão bom encontrarmos o nosso caminho, mas aceitar que não tem nada de errado se às vezes nos perdermos. Manter um sorriso na cara e não deixar de acreditar, mesmo quando a vida fecha uma porta (ou várias, é a vida a testar os nossos limites, a nossa força e persistência).
Perceber que não conseguimos abraçar o mundo inteiro, mas que é sempre possível abraçar algumas pessoas e fazer toda a diferença.
E valeu tanto a pena, fazer estes Km, com chuva, vento, frio...para ficar assim, quentinha no coração.



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Raízes Alentejanas.

































Foi uma passagem rápida.Ir num dia e vir no outro.
Tempo suficiente para respirar o ar puro e o sol de Inverno do meu querido Alentejo, na melhor companhia.As amendoeiras já estão em flor...os campos verdinhos. E assim que se entra pela planície dentro, começamos lentamente a relaxar.Tudo corre com outra calma.
Regressar é sempre quente e um sem fim de memórias, que me reportam á infância e claro está ao meu Pai.
E os primos queridos, que sempre me recebem tão bem.Eles foi ensopado de cação, foi chocolate quente improvisado, foi um lume delicioso ao serão e para adormecer.Foi gargalhadas...e histórias do arco da velha, foi o clima de festa, que só por eles serem como são, já o conseguem fazer sentir.Estes primos são o melhor sinal de cumplicidade: quando estamos juntos o tempo passa a voar, as horas passam sem darmos por elas, as conversas colam-se umas nas outras, não existe qualquer vestígio de cerimónia.
É mesmo assim, aos sítios onde vale realmente a pena ir na vida não se pode chegar por atalhos.
Vamos directos e confiantes de que aquele, será sempre o nosso recanto.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ON off On Nights







Dia de trabalho.
Alvorada pelas 00h, 2h,5h,8h...passei a viver de noite. Acordo e volto a dormir...acordo e volto a dormir.
Penso nas pessoas que sempre trabalharam á noite.Há um silencio e uma atenção diferente ao que fazemos pela noite.É o silencio do mundo. São os pensamentos que depositamos nele.Os que amo, dormem.Outros estao acordados e ás vezes trocamos mensagens, que alimentam.Penso em cada um.
Aqui o que importa é cuidar, com o maior cuidado, alimentar...e permitir o descanso e crescimento.Estou de vigia.
Água on, leite on,sono on, missão cumprida on, volto á cama on. Ver que ficam aninhadas e em paz, deixa-me reconfortada.Apesar de eu andar em modo zombie. Sei lá eu o que é dormir decentemente há uns bons 15 dias. É a vida. Bola para a frente. Não há nada de grave por aqui.
15h.Entra a colega para me render.Saio para a rua, solta na minha liberdade.A chuva sabe-me bem no rosto e no cabelo.E vejo o movimento normal das ruas, como algo maravilhoso e surpreendente.Barulho uau!
O descanso  espera-me. As pessoas que confiam em mim e me amam,esperam-me. E esperam-me fresca, com energia, de pensamento e palavras positivas.Se não estiver assim, não faz mal, abraçam-me.
Há duches que fazem milagres, há músicas que ajudam a levantar o astral, pequenos-almoços que reforçam energia e defesas, há pessoas (as nossas) que são decisivas na motivação e no good mood que precisamos para fazer o que tem de ser feito e acreditar que o resto se vai resolver. Porque vai. Vai mesmo. Ainda que demore. Resolve-se. Não é nada de grave. Resolve-se.
Sábado pela metade e Domingo pela metade.Tempo de acalmar.E embora me queixe que não durmo, grata (muito, muito grata) por ter trabalho, por ter pessoas que se dizem mais felizes, mais confiantes, por me ter por perto.Outras nem tanto.Mas lá chegarão.A confiança ganha-se.
Não sabem que, nestes dias mais duros, são elas que me dão tudo, são elas a melhor e maior fonte de energia que eu podia ter na minha vida. São elas a minha inspiração para continuar sem vacilar por um segundo.



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Bons dias maus.






Há dias em que nada sai certo. O trabalho complica-se, as palavras são mal entendidas, os horários desencontram-se, a bateria do telefone acaba antes de tempo, o trânsito da nossa fila é sempre o mais lento, e até a caixa do supermercado é a única que não avança,Há dias assim, em que tudo o que fazemos vai correr da forma mais complicada possível. Nestes dias só queremos que eles acabem depressa, que possamos enterrar a cabeça no sofá, fechar os olhos e acordar no dia seguinte. 

Quando duas pessoas decidem estar juntas estes dias são os mais importantes. Porque superá-los é a maior forma de perceber o valor de estar junto. Aliás, tenho para mim que estes dias são bons. São os bons dias maus. Porquê? Porque quando se ama, vivemos sempre dentro de uma panela de pressão. Não há solução: quando se quer alguém a sério, a vontade de estar sempre junto, o desejo de estar sempre abraçado, gera sempre a pressão da ausência. Mais a pressão dos contextos que atrapalham, mais a pressão da família que sempre complica um pouco, mesmo quando só nos quer bem. E tal como nas panelas de pressão, os dias maus são o pipo que faz sair a pressão. Nestes dias, dizem-se as maiores asneiras, as palavras mais erradas, implicamos só porque sim, rabujamos só porque não. Somos tal e qual um pipo - a apitar, a fumegar, e a rodar desenfreadamente. Mas com a função certa: aliviar a pressão.

Por isso, mesmo que hajam conversas cansativas pelo meio, falhas de comunicação, berros mimados ou olhares entristecidos, quando se chega ao fim de um dia destes e conseguimos despedir com aquele abraço bom, um beijo mais sentido e um amo-te na boca, então foi definitivamente um bom dia mau. Porque sem danos, aliviou-se a pressão, pôs-se cá fora alguns receios, e aquelas questões simples, mas que andavam embrulhadas. Nestes dias, garante-se que se mantêm a pressão na medida certa da receita. E esse será sempre o segredo: saber manter os ingredientes quentes e saborosos, na forma como eles se equilibram. Dá que pensar, como as gerações mais antigas se prepararam bem melhor para gerir esta pressão. Se calhar, porque tinham menos bimbys maricas, e mais panelas pesadas, feias, de apito estridente, mas duras como o aço.. 

Bom mesmo, é quando quem nos atura, percebe o nosso nível de pressão, e mesmo que discorde das razões, reage. E age. E com um pequeno gesto, uma presença inesperada, um abraço mais demorado, ou um simples olhar, alivia o lume e acalma o apito descontrolado. Obrigado, a ti, por teres feito bom, o dia mau, que já passou...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Dos amores maiores...







Fui tia.
A Mana, Lina, teve uma menina, linda,linda,linda.Grande,grande,grande.Doce,doce,doce.
É também minha afilhada.O que me faz sentir uma responsabilidade diferente.E outra proximidade.
E é este amor que nos inunda, por mais uma vida, na nossa vida.
Tantas vezes a imaginei...como seria o seu rosto.Agora tem um rosto, tem um cheiro...e eu encho-a de mimos sempre que posso.Todo o tempo do mundo é pouco, para os que se amam.
Tenciono passar tempo com ela, vê-la crescer, acompanhar cada passo...e isso vai fazer-me sorrir muito.Passar-lhe coisas boas e mostrar-lhe como é bom viver!Limpar as lágrimas em dias de birra e encorajar as vitórias.Tanto para dar...ainda nos espera.

O meu coração aloja quem gosto de verdade, quem tenho de melhor na vida e gosto de constatar que, de ano para ano, os mesmos de sempre estão no sítio certo, do lado esquerdo do meu peito. 
Vão entrando tantas outras pessoas na minha vida, por força de novos amores que a vida me foi trazendo, são recebidos e sentidos com a mesma certeza e intensidade. Nem todos permanecem.
Mas sou tia pela segunda vez e gosto muito deste sentimento, destes sobrinhos e afilhados que amo e que me dão a mim a certeza de que Deus sempre nos dá formas de amar.Haja Amor...e esse não me falta.
Querer o bem, plantar o bem. O resto vem.



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Confiar.






Nestas coisas das relações, a maioria dos sentimentos que temos pelo outro nascem em nós. Truque baixo da mente, egoísta e egocêntrica, que nos faz projectar nos outros o que sentimos na nossa pessoa. As dúvidas, os medos, mas também o excesso de confiança, a entrega em demasia. É assim com o ciúme (que nasce da nossa insegurança), é assim com a confiança no outro (que nasce da dúvida da nossa seriedade). E até o amor: Será que se ama alguém porque a pessoa é assim ou assado? Ou antes, ama-se o que a pessoa provoca em nós, o que nos faz sentir com a sua forma de ser e viver. Egoísmo puro?

Mas acima do amor, está a confiança. Confiar, mesmo, de verdade, é algo que raramente se atinge. E por norma, quanto mais difícil a situação, mais se testa a confiança. Confiar no marinheiro quando o tempo está bom e o mar calmo, isso é fácil. Agora confiar no marinheiro no meio de uma tempestade, em mar alto e com a vela rasgada.. Aí sim, é preciso mérito. De quem confia - porque acredita-, e de quem é confiável - porque faz acreditar. Tramado da confiança é que ela não se treina. Não podemos querer confiar, não é uma coisa que se queria ter. A confiança é algo demasiado inconsciente para poder ser gerida. Ou existe ou não existe. Resulta pouco de palavras ou intenções. Tem a ver com os actos. Com os gestos: o que se faz, como se faz, e como se diz que se faz. Sim, porque aqui também não basta ser, é preciso parecer.

Não questionar ou não ter dúvidas não é confiar. Isso é a cegueira. Não é aguentar, ou tolerar o que magoa só porque se ama. Isso são analgésicos: aliviam a dor, mas não tratam a doença. Confiar é questionar tudo. Mas com coragem de mexer onde vai doer. É pôr todas as duvidas na mesa para que sejam esclarecidas. Por isso a verdade e a confiança estão tão juntas. Uma implica a outra. E os momentos de maior crescimento não são os de falinhas mansas e promessas de amor eterno. 
A certeza cresce é nos momentos das grandes diferenças de opinião, das conversas duras e amargas, em que todos os filtros caem, em que dizem as palavras mais estúpidas, em que o inconsciente salta todo cá para fora, e, coisa autónoma, diz tudo o que lhe apetece: o que achamos verdade e as coisas que até nem concordamos. mas em que algum momento nos passaram pela cabeça. 

Por muito que doa, por muito que magoe, só quando se perguntam as coisas difíceis - e se respondem - se sossega a confiança. E na vida não há mais paz que isso: ver quem nos quer, a enfrentar-nos, a questionar, a ter a coragem de perguntar. Não porque não saiba já as respostas, mas apenas porque as precisa de ouvir na nossa boca. Sincera.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Partidas e certezas.








Esqueces que estás quase de partida. Que não tens certezas e que nada é garantido. Esqueces que não sabes, que podes demorar para saber, que o dia ainda vem longe e que nem sempre quem espera alcança. Esqueces que a vida às vezes (muitas vezes) nos troca as voltas, que quando menos esperas te dá nós cegos, que o tempo que tanto pedes te escapa entre os dedos e que (muitas vezes) esse tempo não passa de uma grande armadilha. Esqueces o que mais queres, o que menos queres, o que podes, o que tens, o que mereces, o que te prometem, o que dás. Esqueces tudo, e esqueces serenamente, quando te lembras que o mais importante da vida já tens. É teu. Tão teu. Só teu.
E quanto a isso nem crise, nem medos, nem dúvidas, nem preocupações, nem incertezas, nem distância, nem saudade, nem apertos no peito, nem nada nesta vida te pode tirar. Nada. E é desta certeza inabalável que são feitos os teus dias. Os de agora. E os de amanhã.