sábado, 21 de dezembro de 2013

Dos momentos de Paz.Num Porto de Abrigo.


























Havemos de ser velhinhos,um dia.E continuaremos a precisar de estar um com o outro.De dar aquele giro, pelas cores belas e puras de um Verão ou de um Inverno, onde só se ouça o silencio, que tanto nos toca...e que entre nós, faz tempo, se tornou confortável.Como se fizéssemos o ponto da situação, de tempos a tempos.Saber que estamos bem, importa-me, importa-te.
Sabermos que nos temos, assim, faz com que qualquer dúvida, medo, anseio, se dissipe e que qualquer alegria ou descoberta...faça ainda mais sentido.Sabes sempre o que dizer.Na hora certa.
Captas visualmente a minha alma.Sem te esforçares muito.Já a captaste uma e outra e outra vez.Porque conheces os meus passos.Como eram e como passaram a ser.E isso ganha-se com os anos.
Sou tão mais feliz, porque existes.
Obrigado por seres, aquele amigo, que me orgulho tanto de ter e por encerrares em ti, tantos dos meus segredos.



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Das idas ao IPO...




Há 10 anos a tratar de mim e eu não podia estar em melhores mãos. Esta mulher salva vidas, todos os dias.Também as perde.Mas quando as ganha, fica esta gratidão profunda e eterna.


Não seremos apenas médica e paciente.
Somos sim, aquele abraço, gargalhadas e cumplicidades.
Ela guarda tudo o que lhe trago das minhas viagens numa caixinha onde volta quando tem saudades minhas.
E eu guardo a vida que ela me salvou...e vivo-a o melhor que sei.
Sem perder tempo.





Depois há todo um staff, que se reencontra pelos corredores...ou que nos procura desesperadamente pela consulta fora...e que também vive no coração.Os enfermeiros mais simpáticos e atenciosos do mundo, que cuidaram de mim, com todo o cuidado e paciência, quando tinha dias maus.
Mas o que mais me lembro é de os ter feito sorrir...de tantas maluquices que fazia e nunca parar quieta...no meu quarto.
Hoje, frente a frente num café como 2 amigos, partilhamos o que nos vai na alma, movidos por uma alegria leve, que grita, Estás viva, Estou viva, conseguimos!!Trabalho em equipa.

Haverá algo mais bonito do que esta gratidão?



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013





Não recorras ao que já sabes do Natal,
mas coloca-te à espera
daquilo que de repente em teu coração
se pode revelar

Não reduzas o Natal ao enredo dos símbolos
tornando-o um fragmento trémulo sem lugar
no concreto da vida
Não repitas apenas as frases que te sentes obrigado a dizer
como se o Natal devesse preencher um vazio
em vez de o desocultar

Não confundas os embrulhos com o dom
nem a acumulação de coisas com a possibilidade da festa:
o que recebes de graça
só gratuitamente poderás partilhar

Cuida do exterior sabendo que ele é verdadeiro
quando movido por uma alegria que vem de dentro

Uma só coisa merece ser buscada e celebrada, uma só:
o despertar de uma Presença no fundo da alma

Por isso o Natal que é teu não te pertence
Só a outro o poderás pedir.



José Tolentino M.

sábado, 7 de dezembro de 2013

South African Mood





Por estes dias, todos temos um nome na cabeça.Mandela.Madiba, como era conhecido.
Foi preso, por clamar igualdade.Sofreu 27 anos de prisão.
Mas venceu mais tarde, sendo reconhecido no mundo inteiro, com o prémio Nobel da Paz.
Chegou a presidente.Viu resultados do sonho em que acreditou.Algo tão simples, como a igualdade entre raças.A sua união.
Conseguiu, embora ainda seja um longo caminho a percorrer.
A diferença entre negros e brancos, continua a fazer estragos e a deixar que muitos vivam mal...e sofram.
Mas o grande caminho está feito. Á custa do sofrimento e determinação deste grande Homem.
Coloco-o no mesmo patamar, de uma Madre Teresa, de um Gandhi, Martin Luther King...e tantos outros que usamos como referencia.
E nós, somos referencia?E nós, que mudamos no mundo para melhor?
A sua morte,deixa-nos com vontade de continuar a lutar, por esse sonho.
Eu luto. 





Brilho







Felicidade é o que eu entendo, por estar na moda*


Li esta frase há muitos anos e ficou-me na cabeça. Porque é uma verdade tão absoluta. sendo que a alegria aqui não é apenas um sorriso, uma piadola, ou uma gargalhada escancarada. Não, entenda-se alegria aqui como o brilho da pessoa: é aquela coisa que não sabemos descrever, mas que sai da pele, da cor dos olhos, da forma como os lábios se movem, da forma como se olha. até da forma como se respira.
E aqui não há brilhos perfeitos, piores, ou melhores. há brilhos diferentes. Algumas pessoas tem peles mate, outras acetinadas, outras com uma tez brilhante, umas soltam o brilho num riso, outras num berro. Há pessoas que de tanto (quererem) brilhar, ofuscam tudo à sua volta.Incomodam, outras pessoas que de tão pouco brilho, parece que nos puxam para o fundo de um poço, é sempre tudo pesado ali. outras quase transparentes, em que nem brilho, nem parede, nem alma. Tornam-se indiferentes.

Mas o que importa não é tanto o que se é, mas o que se provoca em com quem estamos.
Não é tanto a alegria que temos, mas a capacidade de a transmitir, de a partilhar, de envolver quem nos rodeia nesse brilho, nesse "hapinness". Os brilhos mais perfeitos são aqueles que são espelho e luz ao mesmo tempo. Em que nos reflectimos e nos iluminamos só com a sua presença. Aquelas pessoas que entram numa sala, num carro, numa conversa, e enchem a coisa de energias boas, de risos suaves, mas puros. De toques leves na mão, mas que arrepiam na espinha.
Tramada é a gestão do brilho. Porque há dias em que não há alegria, nem alma, que resista a tanta adversidade. Entre trabalho, mal-entendidos, palavras mal ditas, vontades que não se cruzam naquele momento, o brilho vai-se perdendo. Desgasta-se. Há horas, dias, semanas, em que sentimos menos alegria, menos paciência, até para os que gostamos. Saber gerir isso é quase uma arte. Dar espaço quando os outros precisam. Recolher ao nosso espaço quando nós precisamos. Sim, porque o brilho precisa de carregar as baterias: numa noite bem dormida, num jantar solitário, num domingo fechado em casa com aquelas musicas. Ás vezes, só quando se chora perdidamente se limpa o brilho. quase reciclagem material, polimento das pratas oculares...ou quando se parte, para fora da cidade, para bem longe, renovando ares, cores, sabores, cheiros, rostos.

Quando sabemos que estamos na frente de alguém único?
Quando o nosso brilho ao seu lado é cada dia mais intenso. Quando nos sentimos crescer, cheios de energia, cheios de uma resistência que nem suspeitávamos que tínhamos, cheios de uma vontade, simplificadora, de apenas querer estar bem, feliz, em paz. Quando mesmo no meio do caos, da confusão, dos dias pesados, basta um olhar cruzado dessa pessoa e sentimo-nos iluminados. Quando um abraço chega para sentir sossego. 
E aqui tem pouco a ver com o que cada um é.  Tem sim a ver com o que duas pessoas juntas são. A tal soma em que 1+1 é mais que 2. Quando sentimos que ao lado desse alguém somos melhores pessoas, mais completas e mais completantes. Em que sabemos que a nossa luz aumentou, apenas, porque encontrou - finalmente - o espelho certo para se projectar.
O brilho dos meus olhos é apenas o reflexo dos teus..' é a coisa mais bonita, não de se dizer, mas de se sentir. E algumas são as pessoas que me fazem sentir isso a cada segundo, a cada olhar, a cada riso. 
Obrigado por serem o melhor reflexo do meu brilho.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

LISBOA - Wendy Nazaré & Pep's

32.
















Estava uma noite fria.Muito fria, talvez como aquela em que vim ao mundo?
Juntei os essenciais.Na petisqueira do Moçambicano, Matateu.
Por isso este ano, ainda que faltassem alguns rostos, por estarem longe...acho que fiz o que queria fazer, aproveitando o facto raro de eu estar em Portugal nesta altura.
Como agradecer o facto de passarmos a noite a sorrir, envolvidos em conversas que despontaram gargalhadas tão espontâneas e um prazer de estar ali, ao lado uns dos outros.A verdade é que todos tão diferentes que são, se complementaram na perfeição.Ou eu sou suspeita, ou tenho amigos especiais, bonitos e que mudam o mundo para melhor!Sim tenho.
Entre um petisco e outro, senti calor.Muito calor.O brilho nos olhos.As memórias.
E especial ter um amigo de Moçambique, que me fez e faz sentir mais perto dos que lá deixei e do amor que nutro por essa terra mágica.
Melhor que isso, foi acabar a noite a abanar o esqueleto entre aqueles que gostam e sabem dançar!

O bónus, foi a Sofia, que ainda nos veio acompanhar num pezinho de dança e abrilhantar ainda mais esta noite!
E ter um anjo da guarda que se desdobrou em 1000 para que a noite fosse perfeita...e foi.




Até para o ano.E obrigado a todos.




Andei a pensar nos dias seguintes e...

1. Continuo a ter uma invejazita saudável, das pessoas que fazem anos no Verão. Sempre quis ter nascido num mês de calor, acho que até a passagem do tempo me pareceria mais leve. Mas não: os trinta e dois chegaram num dia em que céu estava carregado de estrelas, limpo, mas frio, muito frio.Tem o seu encanto.

2. Este ano quase me esquecia que fazia anos. Às vezes andava a antecipar o dia nas semanas antes, excitada com o facto de juntar os amigos ou simplesmente com a data, mas este ano quase só me apercebi disto no dia. Não senti nenhuma euforia. É como se de repente percebesse que a ocasião quase não traz nada mais do que, Gratidão.A vitória de estar viva mais um ano.

3. Às vezes sinto que vivi muita, muita coisa e que aprendi outras tantas. Outras parece que cheguei agora ao Mundo e ainda estou no início da aprendizagem. No geral, o balanço entre as duas não me deixa arrependida de nada.E sinto-me cheia de pequenos filmes, que me passam na cabeça e me fazem sorrir.

4. Passaram trinta e dois anos e continuo a gostar muito de pessoas.E elas fazem os meus dias!Cultivei amigos por todo o mundo.E isso é maravilhoso.

5. Já sinto os efeitos do generation gap. Muitas vezes já me perguntei se sou eu que sou velha ou se há gente muita maluca por esse mundo. Seja como for, às vezes apetece-me mesmo dizer "Antes é que era...".

6. Afinal,gosto de fado.

7. Se pudesse voltar atrás, mudaria apenas uma coisa na minha vida: Traria de volta a vida do meu Pai.Ou nem o tinha deixado sofrer tanto.Mas isso não dependia de mim.

 8. Tenho a sensação que a vida me reserva ainda alguns sucessos e muitas surpresas boas.

 9. Não gosto de viver na era em que temos que abandonar este País lindo, para singrar.Evoluir.Conseguir.Embora ache importante arriscar, sair, conhecer.

10. Acredito que pequenos gestos têm muita importância na vida de toda a gente. Sigo esse lema, nem que isso signifique só, deixar passar um carro num cruzamento.Ou sorrir a quem me atende num café, com grandes trombas, isso desbloqueia qualquer um.

11. Se soubesse o que sei hoje, seria o que sou hoje.A Rita.Com tudo.Tudo mesmo.Até o cancro.Imperfeita e Inacabada.Aprendendo sempre.

12. Sempre que me apaixonei, foi assim com todo o coração e toda a alma, e feita de uma entrega total.Porque só faz sentido se for assim.E isso deixa-me tranquila. Continuo a dar-me bem com todos os meus ex amores.Isto é bom.Sendo que o amor, namoro, entenda-se, continua a ser um campo que coloco nem sei como, em segundo plano...

13. Aos trinta e dois anos, continuo a ter na cabeça que hei-de escrever um livro. Não consegui ainda idealizar o estilo, o tema ou a estrutura mas sinto que vive qualquer coisa dentro da minha cabeça, assim como muitas aventuras que vivi, mas deixo isso para a velhice e quando as pernas não puderem andar mais, a bordo de um cruzeiro!

14. Dá para funcionar sem café mas é chato.E o sabor que deixa na boca, e abrir o açúcar, todo um ritual.

15. Cresci no meio de muitos rapazes e por isso acho que eles ficam, enquanto as raparigas se vão perdendo pelo caminho.Amizades que pensei intocáveis, inabaláveis, afinal...não eram.Mas tenho uma amiga há 32 anos.Sim.

16. Todos os dias vejo as noticias e vejo a crescer uma certa raiva que sinto pela classe política do meu país.Nem preciso explicar.

17. Dava tudo para voltar a Moçambique a ver os meus Konguitos.Abraça-los, nem que fosse por um instante.Respirar aquele ar.Ouvir aquelas vozes.Sentir aquele sol.

18. Aos trinta e dois anos estou-me mais ou menos marimbando para o que os outros pensam de mim e até consigo sair à rua de pijama e chinelos para por o lixo.O mesmo se aplica a esta forma de vida meio louca e incerta. Não me pesa a maturidade...aos olhos de muitos.Acho-os cinzentos e desinteressantes.Afinal maturidade é ter feito o que realmente queria e não o que a vida me obrigou.

19.Às vezes estar visível não é tudo o que importa.Sei de muita gente que me continua a seguir na distância, em silêncio e nem se pronuncia.Oxalá que continuem a gostar de mim, como um dia eu gostei deles.

20. São trinta e dois anos de certezas e de outras tantas dúvidas a nascer. Estou grata por tudo,sem tirar nem pôr mas por favor não me quero tornar numa optimista oca ou numa pessimista deprimida. 
Quero apenas e só, ser Louca e feliz.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Dezembro.




Agora que a época se aproxima, e depois de muito racionalizar e desdramatizar o feito na minha cabeça, sinto uma angústia pequenina a crescer.
De repente não quero que seja Natal. 
Para mim Natal não é nada do que se vive por aí.
Claro que tenho a família á minha espera que não me faltarão na noite da consoada, mas ficar-me-á a faltar sempre qualquer coisa.O meu pai.
E a noite da consoada, é só a noite da consoada. Não pode nunca ter mais importância que o resto do ano, que os dias...e com quem os partilho.
E desde então o Natal nunca mais foi a mesma coisa.E agora resta-me alegrar-me com todas estas luzinhas que se acendem e ficar quente por dentro...á medida que os dias avançam iludidos por cores, campanhas, gestos típicos de Natal...
Acho que passei a pertencer aquele grupo de pessoas, anti Natal...mas não sou radical, porque para mim, ele tem um verdadeiro sentido cristão e de entrega.Mas a entrega não a vivo só agora.É o meu modo de vida. Então Natal, vivo-o diariamente em gestos muito concretos.Interiormente.
Quando se perde alguém assim, não queremos simplesmente que o Natal chegue.Ponto final.
E eu ainda hei-de aprender a viver com isto.
Um dia.
Não já.
Afinal, só passaram 4 anos...



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

MISSÃO.Alcoutim.




































































Longe de Lisboa.Quatro horas de caminho, feitas no fim de um dia de trabalho, na correria de chegar ao ponto de encontro.Entulhar os carros de sacos cama, comida e partir.
Horas a descobrir quem somos...não nos falta pelo caminho.A expectativa de chegar.O que vamos encontrar?Seremos capazes de ajudar realmente quem ali parece estar esquecido?
Horizonte a perder de vista e o frio do Inverno a fazer-se sentir.
Tarefas partilhadas.Comunidade.Distribui-se trabalho.Partilha-se tudo.Organiza-se.
Em grupos, partimos, pelos montes fora, que parecem perdidos e longe de tudo, mas ao mesmo tempo guardados num pedacinho de céu.
O isolamento é de facto o que mais marca e custa, por aqui.O que estas pessoas mais sentem falta é de conversar um pouco, de partilhar as suas histórias, problemas, cansaços e até alegrias!
Ao chegarmos, somos sempre bem recebidos, com enorme entusiasmo, ao longe, já nos pressentem.E ainda na mesma manhã dizem ter pensado em nós.As portas como os sorrisos abrem-se de par em par, para nos receber e sejamos poucos ou muitos, a refeição pode sair mesmo na hora.Que grande lição.Quem pouco tem, tudo dá.De tudo se fala, e pensando eu, que o isolamento, os deixava longe do que se passa no mundo, mostram entender mais que muitos políticos e entendidos na matéria.A visão clara e esclarecida sobre a crise.Falam-nos de tempos em que nunca conheceram sapatos ou fartura de nada.E aí pensamos, crise?Nunca nos faltou o essencial.Mas eles criaram-se e unidos ficaram para sempre.Hoje, graças ao que a terra lhes dá, nada ali falta.Principalmente a boa vontade.
A verdade é que a paz que ali se vive, é grande.Muito grande e impossível de não se sentir.Aliás, é essa mesmo que trazemos ao deixar Alcoutim, vimos com ela...entranhada na alma,na pele...e com vontade de voltar.Uma e outra e outra vez.Porque afinal dois dedos de conversa e um abraço, nunca foram tão importantes, como ali.Pode ser uma gota no oceano, mas o compromisso com estas pessoas é muito importante e muda para melhor as suas vidas e as nossas.Porque existimos uns para os outros.Porque nos amamos naqueles instantes.E se todos se comprometessem com algo no mundo...
Todos conhecem o MSV, ao passar no largo, ao sair da igreja onde o sol bate e nos aquece...olhando um rio mais do que belo.
E pensar que há mais de 20 anos, outros jovens partiram vezes sem conta, como nós, para fazer o mesmo.Quantas gargalhadas, vidas, partilhas, ali não foram feitas?Quantas mudanças interiores?Decisões.Caminho.
Isso deu-lhes direito a um mural de azulejos que retrata o melhor da terra e nichos que marcam a sua passagem por cada monte.E mais importante que isso a confiança e a alegria que como um testemunho,passa para quem se segue.Nós,que ao chegarmos logo vemos a porta a abrir-se, sem medo, com alegria.Como família.Tão bom.


Obrigado MSV.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cancro com Humor







































Ela é, a miúda que aprendeu a rir-se do cancro.
Ela é, um furacão de sentimentos e emoções.Ela é um sorriso rasgado e uma fluência no discurso e na sapiência de ser e saber o que quer transmitir.Ela é genuína e emocional.Grata e vencedora.E eu tenho o prazer de a ver brilhar, na sua vontade de ajudar quem como, nós, sofre ou sofreu desse mal.
Ela dá palestras, ela faz rir, ela corre Portugal, a espalhar a mensagem mais importante, para quem luta contra o cancro e não só, porque qualquer pessoa devia ser assim e fazer o que a Marine nos pede...sorrir.A vida fica muito melhor quando sorrimos.Quando acreditamos nos nossos sonhos e com isso conseguimos ajudar os outros.Bravo.Marine.
E eu gostei tanto de interpretar esta historia, que no fundo tem tanto da minha.
E eu volto a ler uma vez e outra o livro que gravei...e a saborear a sensibilidade desta lutadora.
Obrigado Marine.

Comprem o livro e o audiobook, aqui:








quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A persistência da Memoria...







Lembro-me do Daniel Oliveira, nos tempos de liceu.Somos da mesma idade.
Ele escrevia então o Jornal da escola, Penalty, para onde escrevi ainda alguns artigos.
Uma brincadeira na altura, mas assim se começa e se dão os primeiros passos.Cedo lhe reconheci o talento, a vontade, a garra, a alma grande e nobre.Logo ali, ele mudava o mundo.
O Daniel sentia e fazia sentir quem o lia.Era assim.
Depois os anos passaram e foi vê-lo brilhar no ecrã...e encher-me de orgulho.
Ao terminar o seu livro esta tarde, confirmo aquilo que no fundo já sabia...a beleza que ele guarda dentro de si é avassaladora.Macia.Envolvente.
Este romance retrata na perfeição, os sentimentos de uma mulher.Para isso ele teve que se colocar no nosso lugar, coisa muito rara nos dias que correm.
Dei comigo a sorrir, vezes sem conta ou a imaginar-me a mim naquela situação.Camila.
Uma mulher, que podia ser qualquer uma de nós.

E mais não digo...leiam.







sábado, 2 de novembro de 2013

Sossego.





Gosto de sossegar como verbo transitivo. Sossegar só por si não chega. 
É  mais bonito sossegar alguém. 
Quando se pede "sossega o meu coração" e se consegue sossegar. Quando se sai, quando se faz um esforço para sossegar alguém. E não é adormecendo ou tranquilizando, em jeito de médico a dar um sedativo, que se sossega uma pessoa. É enchendo-lhe a alma de amor, confiança, alegria, esperança e tudo o mais que é o presente a tornar-se de repente futuro.É o futuro que sossega. "Amanhã vamos ver o mar e o sol esconder-se..." sossega mais do que "Não te preocupes" ou "Deixa lá, que eu trato disso". 

Sossegar não é dormir.É viver. Uma pessoa sossegada é capaz de deitar abaixo uma floresta. O sossego não é um descanso - é uma força. Não é estar isolado e longe, deixado em paz - é estar determinado no meio do turbilhão da vida. Sossegar é saber com que se conta, desde o azul do céu aos irmãos. 
O coração sossega em quem se conhece. Não há falinhas mansas que tragam o sossego dos gritos de uma pessoa com quem se pode contar. É um alívio.



sexta-feira, 1 de novembro de 2013

My sweet November.







Nasci em Novembro.E em Novembro se celebra este dia, em que lembramos os que partiram.Se me alegro por um lado, encolho o coração por outro.

De entre as perdas de pessoas na minha vida, as que mais me doeram, pelo inesperado, foram pessoas de fé. De muita fé. Partidas injustas, imerecidas. Para quem foi - cedo demais. para quem ficou - desamparado, sozinho demais. Nesses momentos questiona-se sempre o Deus que na visão de muitos não as protegeu, que não as tratou como deviam. o Deus que tanto adoravam. Esse Deus esteve e ainda estará presente.


Eu, me confesso, especialmente nesses momentos, e sou uma mulher de fé n'Ele. E sou ainda mais da fé nos actos. nas atitudes, nos gestos. acredito pouco no que se murmura, no que se promete, no que se apenas se diz,  acredito mais no que se faz, no que se dá, no que se entrega.. acredito mais no Amor, do que na adoração. 

A fé que sempre me fez correr foi o sorriso no rosto do próximo. Foi o carinho sentido, a ternura partilhada, ajuda entregue, não a piedade, a misericórdia ou o sofrimento em nome de alguém que não está sequer presente. 

Mas, por mais paradoxal que seja, foi a fé destas pessoas que partiram - no momento em que partiram - , que me fizeram acreditar ainda mais em algo superior, a que chamo DEUS. a paz que sei que cada uma teve, a pureza como sempre enfrentaram o destino, inesperado. A forma como sempre deram a cara à luta. Só pessoas com uma fé tremenda conseguem ser assim,tão puras e com tanta força, que tinha de vir de algum lado mais espiritual que físico. Provavelmente da mesma fonte do sentimento, inconsciente, que me indicou o exacto momento em que devia despedir-me delas. Que numa ocasião me fez não voltar atrás para ter uma discussão sobre coisas mundanas e me deixou assim um riso como a ultima recordação. E que noutra ocasião me fez, sem tempo, contra as pressas de todos, desviar do caminho cinco minutos, e me deixou assim um sorriso.Como ultima recordação. 


Saudades de todos os que amo e partiram.Sobretudo do meu Pai.
Infelizmente o nosso governo, retirou-nos este dia que reservava-mos a uma união,  beijada com frio de Outono, em família, indo ao cemitério apaziguar a saudade e com sabor a castanhas.E por fim voltar a casa com o silencio das longas estradas do Alentejo.Pensando neles.