sexta-feira, 3 de maio de 2013

Happy London!



















Lembro-me que em Janeiro, parti de Londres a pensar que nunca poderia viver aqui.O céu cinzento...a chuva,a neve,o frio...estar longe de tudo...
Em Abril, regresso, pela mão de um vento de mudança e encontro Londres cheia de sol...e com uma primavera exuberante que se denuncia claramente a cada passo em todas as esquinas.
Eu não contava com isto e confesso que me assaltou o coração de imediato!
O trabalho não podia preencher-me mais...neste momento.Gosto destes miúdos de uma forma doce, macia, que me faz dar cada passo com amor.Merecem tanto.Sinto-me em casa.
Os amigos que por aqui vivem, vão sendo uma base importante, mais os que estão espalhados pelo mundo e me fazem sentir próxima, todos os dias!
No ar e neste cheiro a Verão há uma promessa. Não sei exatamente do quê mas sinto-a. E conformo-me: afinal não é assim tão mau ser filha adotada de Londres, como de tantos outros lugares que amei.
I am just loving this new life!




quinta-feira, 2 de maio de 2013

Flowers from London!




Hoje, numa das minhas caminhadas matinais, pelas ruas, apaixonei-me por estas flores...que me gritaram, que as trouxesse comigo.
E acabo por descobrir que a primavera acontece dentro de mim.
Talvez sejam um sinal do renascer, a pintar-me os dias...e do recomeço com que me brindo a mim mesma, sempre que entendo mudar de direção.

Elas por aqui ficam e lindas no meu parapeito.





Shhhhhhhhhiiiuuu....

Na verdade,precisava de cor.De frescura.
E finalmente,precisava de parar de pensar naquelas pessoas que julgava fazerem parte da minha vida. Entram e saem sem dar justificação e esperam que eu aceite isso com naturalidade, esquecem-se de mim quando é mais conveniente, não ouvem o que eu tenho para dizer, tratam-me como se fosse invisível mas olham-me nos olhos como se me soubessem de cor, querem usar e deitar fora, não compreendem a forma que escolhi para viver, escondem-me segredos e não-segredos, mentem-me sem dó nem piedade, nem medo de que venha a descobrir, entram-me na cabeça sem pedir licença e vão ficando, gostam mas depois não gostam. Será que um dia podemos só experimentar dar e receber? Em quantidades iguais e em períodos coincidentes. Sem medo de falhar e sem vontade de escangalhar tudo. Reciprocamente?



domingo, 28 de abril de 2013

Lisboa guarda um segredo.








Queria dizer-te isto:


Lisboa é tão bonita. Olha como o entardecer de Abril pousa suavemente sobre a cidade. Vê como a Primavera volta passo a passo aos sítios que foram seus, e a brisa da tarde beija as cortinas e as plantas das casas do teu bairro. 


A tua vida tem estado feita de noites, de lágrimas e de estrelas, de luas frias e silenciosas. Deixaste que os teus olhos se acostumassem às ruas escuras, à penumbra dos bares, às luzes de neon e ao fumo azulado, como se fosses um anjo caído. 


Ouve-me, eu vim da tarde luminosa e asseguro-te que chegou a Primavera. Fecha as portas do teu armário e deixa que a tua roupa negra, os teus sombrios pressentimentos, as tuas máscaras de amargura caiam no esquecimento. Vai à varanda da tua sala, olha para os céus diáfanos, ouve o ritmo musical da vida nas ruas e procura aí a tua esperança.


Lisboa é tão bonita. Estou contigo na varanda e vejo o mesmo que tu, sei que a esperança sempre esteve aí, nas ruas de Lisboa. Escondida e em silêncio como uma criança que se esconde, à espreita e ansiosa por ser descoberta.


A sombra da morte nunca poderá anular aquilo que é vida!


Um beijo*







Dizem-me por vezes que é absurdo o Universo, que a vida não tem sentido. Mas não é um sentido o que procuro, nem uma explicação ou uma promessa, senão o estar aqui, viva e em equilíbrio comigo. Gosto deste simples abandono, sim, a palavra justa será abandono, a doce renúncia que me proclama dona e senhora do meu caminho. Hoje sinto vontade de deixar a outros as tarefas deste mundo, e que o meu mundo seja a magia desta tarde, e dos sonhos que ardem dentro do meu coração. 
Quero deitar-me nestes campos verdes e sentir a quietude de Abril pousar sobre mim, essa subtil penumbra Primaveril, e saber que ninguém virá interromper a minha tarde. Quero viver o que sinto dentro de mim, não quero sobressaltos, nem vozes, nem horas marcadas. Agora sei onde está o meu equilíbrio, agora sei que vive dentro de mim algo que é mais vivo do que a vida que tantos dizem viver.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Abraça-me.









Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas. Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos. 
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes. 
Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais. 
Uma vez que nem sei se tu existes. 

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum' 

sábado, 20 de abril de 2013

Vai mudar...eu sei.






O tempo vai mudar, eu sei. 
Denuncia-o o vento que me revolve os cabelos quando fecho os olhos e penso na partida.Mais a norte, nessa Europa,ainda não cheira a este sol.Nem o sol existe como aqui.Nem tu existes ali.
E a madrugada avança e eu estou parada,escrevo, mais uma vez e como se fosse a primeira vez, como se não adivinhasse este dilúvio dentro de mim. Quando te disse que gostava de ouvir a tua música, era apenas isso que queria dizer: que a queria ouvir até que ela me cobrisse, até que não houvesse mais nada. Conversamos tanto sobre tão pouco que às vezes duvido da minha capacidade de abstração e de me exprimir. Falamos, usamos palavras gastas, moldamos-lhe o significado, tentamos alterar-lhes o sentido até que elas possam dizer exatamente o que queremos mas nunca conseguimos, ficamos sempre quase lá.
Em suspenso.

E tu, quando tu me pedes silenciosamente para ir embora,(porque nunca me prenderias dos meus sonhos) sabes que gostaria de ficar. Desenterras a ferida mestra com que me marquei um dia e sabes exatamente quando e como me vou magoar. Não faz mal, penso eu. Não importa que saibas ler-me para além de todo o ruído com que normalmente me cerco. Eu quero ser triste contigo, porque tu sabes como dói. E quando a minha dor passar a ser a nossa dor, a tristeza vai amansar e seremos menos tristes,os dois. Sentada neste banco alto , espero apenas o momento em que me desarmas para soltar o dilúvio de mais uma despedida.
E vai ser a ver-te tocar que me vou despedir. De palavras, de sal. E se me ofereces mais um momento, é porque sabes como a dor desiste de mim quando a euforia me controla o corpo. Só quero que me doa até chegar aqui. Até ao momento em que abrimos a porta e não olhamos mais para trás .Antes disso e depois disso, eu sou apenas mais uma.



Ai Lisboa.





































Lisboa.

Pode mesmo acontecer um bocado de tudo. Podemos escolher a melhor esplanada plantada mesmo em cima do rio.Depois subir a Alfama, vagueando. Ir por uma rua, descer pela outra, apenas para descobrir mais.Mais janelas abertas ao sol.Mais floreiras a rebentar de cor.Uma idosa, apanha sol na soleira da sua porta, e ao peito guarda o amor de uma vida.As saudades, confessa, são enormes.Mas foi feliz.Os seus olhos não mentem.
Depois colocar as mãos em 200 anos de historia, que continua ali de pé, admirar cada entrada de luz,cada recanto.Respirar a alma dos que nos fizeram grandes.E lá de cima, olhar o horizonte,sentir o vento.Esta lisboa que aprendi a Amar na distancia.Cada vez que venho, a amo mais um pouco. 
8000 pessoas chegaram a Lisboa estes dias, em navios de cruzeiro.Ouvimos Italiano,Espanhol...e todas as línguas que nos escapam, enquanto falamos a nossa.

Descemos e a marginal é nossa.Vamos onde o vento nos levar.Caminhamos enquanto o mar nos rebenta no rosto.E em alguns minutos vem o entardecer.Sonhamos,projetamos, divagamos, estamos.Junto ao mar, esfriou, não ficamos mais.E se voltarmos a Lisboa?...quero estar perto dela, enquanto posso.Vamos a sabores do mundo e assim viajamos.Bebemos mais uma cerveja enquanto ponderamos se vale a pena tirar a máquina da mala. Podemos maldizer todos os males deste Portugal, toda esta crise bem como as nossas próprias crises interiores.Ser humano, implica sofrimento, mas uma alegria que esbate tudo o resto! mas não podemos evitar saber e amar os segredos desta cidade luz... 
E quando percebemos que sim, que vale a pena, ainda não é tarde demais para mais um martíni e um tango na Bica.O rio ainda fica ali ao fundo.Temos sempre mais a dizer.Nunca nos cansamos de falar.Observar.A noite flui.Amigos Dinamarqueses fazem a festa.Porque eu não tenho barreiras.E todos os cantos do mundo falam.Talvez pudesse acontecer tudo noutro sítio. Mas acho que só aqui é que sabe bem.
E apesar de o mundo estar á minha espera.

Lisboa.





E desta vez, o coração vai nas malas, também.
Assim me vou.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Hoje vou estar na SIC...





Bom, hoje mais uma destas lides televisivas.
Ainda me recordo da entrevista de 2011, que dava conta da minha grande paixão pela vida, pelo mundo, pelo voluntariado.Os olhos brilhavam-me, podendo partilhar como se pode ser feliz, amando, por esse mundo fora.
Desta vez numa perspetiva mais profissional, falo do que me ocupa no momento.
Em direto pelas 16h30.

Wish me luck.


(500) days of summer...





As minhas merecidas 2 semanas de descanso, estão a terminar.Tempo para rever quem amo e ler os meus livros ao sol,provar os nossos sabores, não faltou...e ver filmes do passado, mas que continuam a fazer sentido. Se eu tivesse visto este filme há um ano atrás, teria certamente sido uma noite daquelas: acabaria de ver o filme e, depois de lamentar estar sozinha, enfiava-me debaixo dos cobertores e ficava indecisa entre desesperar ou ser mais forte que isso.Afinal estava longe...num outro continente.
 Mas a verdade é que este filme está cheio destas verdades e desencantos de que também é feito o amor. A reciprocidade é uma cabra e às vezes penso nas probabilidades de encontrarmos uma pessoa que queira exatamente o mesmo que nós, também exatamente no mesmo espaço de tempo. E bem, se não fosse eu ter sido agraciada com essa possibilidade, é de loucos. Mas eu acredito em tudo o que vi neste filme: as noites psicóticas sem certezas, as indefinições dos primeiros tempos, a vontade de abraçarmos uma pessoa controlada pelo nosso medo de nos magoarmos. E acredito na música e em sítios especiais, em alinhamentos de planetas, nos defeitos que se adoram, no apesar de tudo...que se contorna, se assim se quiser. E até pode ser coisa de filme mas quem é que nos disse que uma tarde de sol, não estamos numa rua,numa praça de touros,num jardim,num comboio,numa igreja,num instante... e olhando para o lado, senta-se mesmo ali a pessoa da nossa vida? Acreditar é a única coisa que nos mantém vivos.
Até que ela finalmente chega e acaba-se a ansiedade toda.Toda.




Ou não.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Que perfeito coração no meu peito bateria...

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[...] Quem te dera teres-lhe este amor. Quem te dera que ele pudesse ser o homem que imaginaste sempre que não conseguias dormir – sempre. Ele é bom e é bom para ti mas, quando pensas nele, há sempre um mas. Só que ele agarra-te pela cintura e fala-te de estrelas e diz que és uma cidade com muitos corações a baterem dentro de ti, que as ruas ensolaradas de Lisboa são como os caminhos do teu afeto, que os teus cabelos negros são as amarras invisíveis que o prendem aqui, que tens nos olhos todo o encanto das tardes de Verão passadas na beira deste rio [...]



Cansada de me importar e cuidar.
Hoje,por estes dias, quero todo o sol que não tive em outros momentos.
Preciso desta luz a fazer-me respirar, de dançar com o pensamento, de suar o que me faz mal, de me aperceber de todo o amor que pelo mundo corre.
Acontece que me canso, como dizia o poeta.
Hoje,fez sol.
Acontece que os dias não são todos iguais e tenho dentro uma revolução em curso, tenho coisas para dizer mas não ouso dizê-las, sinto-me vacilar. Preciso de mais desta luz, de me esquecer do que sinto, de me afogar em esquecimento. Divido-me entre o racional e o emocional, ensaio os passos junto à parede, preparo-me para sacudir as coisas belas. Sinto-me urgente, envenenada pela minha própria vontade, traída pela minha absurda capacidade de acreditar. Quero a cabeça cheia de ruído e o coração arrumado.

Sabia que me ias fugir, que eu ia querer que fugisses. Nunca ficas muito tempo, apenas o suficiente para me poderes marcar outra vez e desaparecer.É tudo demasiado rápido contigo, mas eu lembro-me em câmara lenta para preencher os espaços. Porque, na minha cabeça, cada uma é sempre a última vez.
E ainda bem, que estou quase de partida, novamente.
Oxalá seja uma partida, em que o retorno não traga o mesmo sentimento...se a vida o permitir.




quinta-feira, 11 de abril de 2013

Por LIsboa...









O rio Tejo, calmo como um gigantesco lençol azul que se estendeu um dia entre margens. Casais que vão juntos ver o rio. Os primeiros sinais de Primavera. As esplanadas da rua Augusta, com os seus preços inflacionados e clientes sem pressa. O Bairro Alto antes da meia noite.Por onde ando eu e como me sabe bem parar por Lisboa, ainda que por breves dias.



quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sobre a pela que há em mim, tu não sabes nada...




Porque não queres. Fazemos parte de constelações tão diferentes, desalinhadas na sua essência, porém capazes de se cruzarem em pleno trânsito astral. De vez em quando, pedes-me que me mantenha na tua órbita, num movimento estudado do qual já conheces o fim, porque foi assim que o planeaste sempre. E eu, de vez em quando, esqueço-me de ti, arrumo-te a um canto, declaro-te oficialmente erradicado de todos os momentos que antecedem o meu sono. Deixo de pensar nos teus lábios, nas perguntas que nunca chegaram a aparecer, nas perguntas que me atrevi a verbalizar,mas para as quais não temos resposta,penso no depois. Sobre a pele que há em mim tu não sabes nada. E eu, que sempre te quis entender, que um dia pensei que talvez tivesse chegado a hora, que te dou sempre segundas e terceiras e quartas oportunidades, hei-de aceitar que estou a anos-luz de quem tu queres. Nesse dia, mesmo a tua pele (o teu cheiro a efémero sobre o meu rosto) deixará de contar, os teus olhos deixarão de me procurar quando estás de saída, as minhas mãos deixarão de escrever sobre ti. Mas continuarás sem saber nada sobre a minha pele.
Mas saberás para sempre, sobre a minha alma.E isso vale tanto.


A certeza que me faz feliz...






Depois de 1 mês que parecia 1 ano...uma semana em paz. Ou melhor duas.
Caminhos abertos para ir descansar onde quiser.Reencontrar os que amo.Por agora tenho estado em casa, reorganizando as minhas coisas, ou num banco de jardim ao sol, com sabor a café e vou ignorando a onda de transformação gigantesca que se vai abater sobre mim. 
Detenho-me nos detalhes mais banais do quotidiano.
Sobre mim também, desejo somente e apenas prenúncios de felicidade, da silenciosa certeza que lentamente me aperta o coração que bate por estes dias, descompassado. 
A tristeza que não adivinhei poder sentir debaixo deste Sol de Abril, vem certamente de um sítio escondido como a tranquilidade que comecei a sentir debaixo deste mesmo céu. Perdemos umas, ganhamos outras. E este Sol lembra-me que, apesar de tudo, sou uma pessoa cheia de sorte e com objetivos definidos.E bastante mais feliz...porque serei sempre livre.

terça-feira, 26 de março de 2013

Partiu a Ir.Ferreira...





Há hoje no Céu de Lichinga uma ESTRELA que brilha mais.
Sempre tive medo que este dia...chegasse.Era eminente.Mas ao mesmo tempo, ela levava tudo com tanta coragem, que nos fazia esquecer que estava muito doente.Uma leucemia...de muitos anos.
O que a mantinha viva, era o projeto...eram os meninos e a machamba.Dizia.No dia em que parasse...morria.

Relembro o cantinho da Solidariedade, a sua Machamba,e loja, que alimentava mais de 150 famílias, que dava emprego a muita gente.Uma obra maravilhosa, que eu tive o prazer de ver, participar e sentir...um dia voltarei, quem sabe para fazer o que ainda falta...
Na porta da escola os meninos gritavam Ir.Ferreira...Ir.Ferreira...!!!

Conduzia a sua carrinha velha, pela cidade, para trás e para a frente.Era comum, carregar crianças, velhotes que lhe pediam boleia...galinhas,legumes...da sua machamba...e no seu jeito atarefado ia colmatando as necessidades de muitos.
O carro por dentro era um mundo, listas... pedaços de coisas...e vontade.Vontade de ajudar, quem nada tinha.
Era um prazer girar com ela, pela cidade e sentir a vida que ela tinha.
Mesmo doente...ia indo.E mesmo que eu temesse um dia a sua partida...esse dia era distante.6 meses depois de deixar a minha Lichinga, ela partiu.Hoje.

Ela era o rosto de Cristo...na terra.Aquela cidade nunca mais foi a mesma.Viveu 44 anos em Moçambique.Disse, quero morrer e ficar aqui.Assim se cumpriu.
Descansa em paz...querida Mana.
Obrigado por tudo o que me ensinaste...



domingo, 24 de março de 2013

By the moment...Luanda-Lisbon

















Algumas vezes pensei se não seria loucura da minha parte meter-me num avião para o outro lado do mundo nestas condições. Ainda hoje penso que foi loucura da minha parte ter-me metido no avião nestas condições. Mas nunca dei parte de fraca, isso teria sido a morte dos meus sonhos, sobretudo se tivesse vacilado perante a mim mesma, que nunca tive medo das oportunidades... Só falei dos meus medos aos meus melhores amigos (sim, meus queridos amigos), que me responderam simplesmente, que onde quer que fosse eu seria feliz!E pronto, com esta me fui, lá fiz das tripas coração, arregacei as mangas e fiz-me ao caminho.



De momento, a minha vida gira em torno de duas cidades...e vou dividir-me entre elas...nos próximos meses.
Podem entrar ainda outras cidades, neste vai e vem, mas para já  Luanda e Lisboa (Cascais).
As 8h que separam estas duas cidades, dão-me tempo para pensar...e organizar ideias.Para sonhar o futuro e os planos que entretanto foram nascendo dentro de mim.Eles vão acontecer.
Enquanto isso não chega existe um caminho...a trilhar.
Os últimos meses não tenho parado.
O mundo, é o palco onde me movo.


Em Luanda... 

Ando de motorista para todo o lado.E minha segurança  essa não a sinto em risco em momento algum.

Já criei alguns laços ainda que muito ténues, os que comigo convivem diariamente...e que aos poucos me foram mostrando, como tudo funciona.São eles que me fazem sorrir todos os dias e com quem partilho tudo.

 tive a oportunidade de constatar a disparidade social...que se afirma de forma exuberante.E isto é o que mais me custa.Luanda cresce a olhos vistos.

 senti um calor de morte...e apanhei uma grande molha de uma chuva tropical.

 fui picada por um mosquito no pé  mas que felizmente não tinha paludismo.

 ouvi historias da guerra e de amor...de gente forte que sobreviveu e lutou.Gente cansada e humilde que me dá o exemplo.

 senti o cheiro e o sabor de um continente que amo, novamente.Aprendi a comer a comida Angolana.

Tenho 2 quartos, onde repousar a km e km,um do outro...e vou cada vez menos ao meu verdadeiro quarto.Talvez seja o tempo de o deixar de vez.

Ouvi os meninos dizer tata, caminhei por um mercado de rua...e encontrei uma linda menina jogada no meio de sapatos velhos, que como um sinal me encheu de esperança...pelo que ainda tenho a fazer.

Senti que de facto estou na cidade mais cara do mundo, onde uma alface custa 7 euros, 4 iogurtes, 12,50 euros e uma garrafa de água pequena, 10 euros.
Mas eu por ali, pouco gasto e vou fintar esta crise, com uma grande pinta.

Entre tantas coisas que os meus olhos captaram e sentiram...uma me fica...que a quantidade de experiencias,realidades, percursos de vida e diferentes culturas que tenho adquirido, um dia vão dar um livro.
Mas as saudades...da vida simples e de entrega...essas nunca se calam e esse será um dia, o meu fim.

E não me adianta continuar a falar desta dor no peito, discutir se a dor é física ou psicológica, que eu sei bem que a sinto, que me dói como há muito tempo não sentia dor nenhuma e não me interessa mais nada. Não adianta de nada dizer que ainda não acredito que vivi um amor impossível, ou falar da vontade de acreditar que talvez ele não seja impossível, do medo de que afinal seja mesmo, do horror que me causa a perspectiva de nunca mais poder voltar, das borboletas no estômago, do desejo permanente de regressar ao fim do mundo...Lichinga, Niassa, Moçambique.








terça-feira, 5 de março de 2013

Angola






Depois de muitos dias de espera, pelo visto de entrada em Angola, depois de passar 1 mês que deixei Londres...eis que tenho, mais que decidido o que quero.
Nada como o tempo.
Aqui vou eu,pronta a enfrentar novos desafios.Por um futuro melhor.
Pode parecer fácil, isto de nos deslocarmos a toda a hora, para outras realidades.Eu gosto,apaixona-me,mas ninguém disse que era simples.Implica uma boa dose de coragem e leveza.O nunca estar cá e lá  faz-nos sentir que vamos perdendo certas coisas, ao passo que ganhamos outras.Mas eu tenho uns amigos de ouro,que me fazem sentir que nunca estive longe...e que estamos juntos todos os dias.
Custa-me sempre, deixar os que amo...o meu cantinho,aqui plantado á beira mar...este sol de inverno, estes sabores.
Mas a vida segue...e com ela a mudança, mudar faz bem.
Na cabeça fica a missão e os dias de entrega...que não muito longe estão, de voltar a acontecer.
Projetos e ideias não me faltam...estou a fervilhar de sonhos.E estou no caminho certo para o conseguir.
Agora fecho os olhos, passo a noite a voar pelos céus e amanhã, é um novo dia.E a mesma Rita.
Até breve.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sobre o Amor que se deixa, antes de partir...







Em 2012 tive saudades de ser assídua na escrita. Mudei de continente e de vida. Tive chatices e alegrias. Vi pobreza e riqueza, lado a lado. Fui livre. Ouvi tocar e cantar como nunca antes.Dancei pelos dias, sorrindo.Amei o quanto pude dos meus Konguitos. Fiz centenas de amigos e de quilômetros em autocarros e comboios e milhas em aviões. Fortaleci laços que não eram de sangue e os de sangue vi-os enfraquecer. Lutei. Consegui.Vi resultados.Vivi.
E agora?Agora preparo-me para fazer o que seria inevitável. Partir. Voltar ao continente Africano, aquele que me chama, aquele onde me sinto em casa.
Em 2013, já respirei o sol de Roma,senti o frio de Londres, amei Portugal,senti a minha casa.Tive tempo para me ocidentalizar.Vi quem não esperava encontrar,já me senti perto e longe de tantas pessoas.
Pensei e repensei a minha escolha e sigo adiante...fazendo o que sempre fiz.Confiar. Contra todas as opiniões, ideias seguras...e afins.
Nem tudo vai ser perfeito...mas eu encontrarei a beleza seja onde for.
Quem diz não sentir medo, mente .Mas quem o enfrenta, vive.

E só amando, se chega onde nunca se pensou chegar.
E no coração levo tudo isto...
 







quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

My Valentine...




Foto: 43/365




A proposito do dia de S.Valentim e para todos os que como eu, não lhe dão nenhum valor e estão fartos de ver corações e promoções mais parvas,para fazer a dois... aqui vai:

Dia dos namorados???Mas que fantochada vem a ser esta?Eternos namorados poucos conseguem ser todos os dias.Tem que se namorar nas dificuldades, como nas horas felizes.Todos os dias são bons para surpreender, para amar...principalmente quando o cansaço vem e torna tudo mais duro.
Uma segunda feira ao fim do dia, perfeita para ir espairecer e surpreender.Uma sexta ao fim do dia arrancar sem dizer qual o destino, apenas fazer as malas e ir.Mas tudo tem que ser neste dia?
Ter alguém para dizer, que se tem alguém, porque não se pode estar sozinho, acaba por ser um teatro que muitas vezes termina mal.
Eu respiro por ser livre, ir, estar, fazer o que quero e conseguir amar. Não tenho vergonha de estar sozinha...porque no fundo eu amo tantas pessoas ao mesmo tempo, de forma livre,bela e profunda e maior amor que a amizade, ainda não conheço.
E quando amar, que seja um amor diário, constante,fiel...sem este glamour cor de rosa em que teimam pintar o amor.O amor nunca foi cor de rosa.Pelo contrario, o amor acaba por ser mais cinzento mas mais verdadeiro.
Os amores mais belos, que conheci, fugiam sempre deste brilho.
Amar todos os dias, a toda a hora, o mais difícil de tudo.
Amar um só dia, isso e muito fugaz.
Querem-se amores para toda a vida e não por uma noite.
S.Valentim, não previa nada disto.Acho que lhe saiu o controle das mãos.
Amem-se verdadeiramente, sem esperas, ao minuto, porque a vida urge.
E o amor, reside em coisas bem pequeninas...quase invisíveis.Ou coisas tão grandes, como dar a vida pelos outros.E esse amor vivi-o eu.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Londres





Acabo de chegar.
Foram 3 semanas em Londres.
Duas de trabalho, em que os dias foram pintados de neve e muito frio, brincadeira e descoberta.
Uma semana, para reencontros, com os rostos mais improváveis e amigos.Desde a Roménia, a Moçambique  abracei amizades que perduram pelo tempo...e pelo mundo.
Não há distancias que nos separem dos nos amam.
Reencontros também com os locais míticos que me trouxeram uma certeza.Eu sei quais os meus lugares.Eu sei onde poderia ou não ficar.Isso sente-se muito claramente.
Londres, deixa-nos marcada uma interculturalidade impressionante.Deixa-nos apesar da falta de sol...a grandiosidade dos monumentos e daquele rio que abarca nas suas margens o moderno e o antigo.
Foi bom, poder parar e confirmar mais uma vez, onde podemos ou não, vir a pertencer.
Nada melhor do que caminhar com os nossos pés, sentir os locais e depois decidir com o coração.