sexta-feira, 25 de abril de 2014

Just dancing in my soul!




What a beautiful sound to dance...this night!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Liberdade.



O meu conceito de liberdade, tem muito que se lhe diga.
Quando nasci a liberdade tinha sido conquistada fazia 12 anos.Era ainda uma menina.
Pouco ou nada entendia, sobre isso.Até que  na escola a professora nos pedia para desenhar sobre o 25 de Abril, a mesma data que dava nome á ponte grande, que passava sempre que ia rumo ao meu Alentejo.
Depois haviam sempre os cravos vermelhos.Essa flor que coloria vezes sem conta, que no meu entendimento tinha entupido as armas todas, e por isso é que as pessoas não se mataram todas, nesse dia.
E talvez fosse.A leveza de uma flor a impedir uma bala de sair.

Hoje á distancia de alguns anos, muitos anos, vejo que a Liberdade não me deu trabalho nenhum a ser conquistada, porque alguém o fez por mim.Eu sempre me pude exprimir, votar, sempre pude reunir-me em grupo, sair á rua, cantar todas as músicas, ler todos os livros que me apeteceram.Mas sempre soube dosear muito bem a liberdade que me era dada.Fui aos poucos conquistando o meu espaço social e dentro dos limites que os meus Pais me iam impondo, por acharem que eram os melhores.E não é que resultou?Mesmo que na altura achasse que era uma seca estar em casa ás 00h e não ás 03h, hoje vejo, que foi assim que aprendi o valor da liberdade.Assim e de mil e uma outras formas bonitas.

Nunca senti falta de liberdade.
Mas isso, só me faz sentir ainda mais respeito pelas pessoas que antes de mim, viveram privadas de tudo aquilo que para mim, foi fácil.Recordo todos os que vieram de África das antigas colónias, sem nada.Que tiveram que recomeçar.Nem imagino a dor.Alguns nunca mais voltaram.E sei bem a saudade que África nos deixa.Um amor para a vida.Ouvi muitos testemunhos destes.

Hoje acho aliás, que há liberdade a mais.Exageradamente livres os adolescentes de hoje.
Passam 40 anos, que a liberdade chegou, para ficar, mas tudo o que vejo é exagero e pessoas que saltam as regras...desrespeitam os professores, as leis, o que é aceitável. Não sabem aliás o que fazer com tanta liberdade.

Aqui, neste cantinho á beira mar, somos livres, de certa maneira.Uma democracia disfarçada...mas uma democracia.Nos Países onde passei, vi falta de liberdade pura e dura.As mulheres principalmente são as que possuem menos voz.Em tudo.E há um longo caminho a percorrer no que toca á liberdade.Faltam direitos e meios que as defendam.É uma cultura enraizada e uma mentalidade que não muda de um dia para o outro.

Mas a liberdade não existe para milhares de crianças que também conheci.Porque em vez de estudar, são obrigadas a trabalhar, desde muito cedo.Ou a serem mães e esposas...sem saberem muito bem o que isso significa.Acham aliás, que é mesmo assim a vida.Mas não é.Mulheres que não podem olhar nos olhos dos homens, ou entrar onde eles entram. Não poder mostrar afectos.Mostrar o rosto.
Por isso sempre enchi os meus alunos de sonhos e lhes mostrei o outro lado do mundo...para que um dia quebrem este ciclo.

Quase toda a gente que conheço, está agarrada a 1001 coisas, das quais não se pode desprender.E isso para mim, pode significar estabilidade, mas não liberdade.
É um empréstimo para a casa, é um carro, é um seguro, é contas e mais contas para pagar.Ou alguém.
E eu felizmente ou infelizmente, chego aos 32, completamente livre.Livre seja do que for, que me prenda aqui.Porque entendo que o mundo é a minha casa e sempre me chama.A qualquer hora.E isso é mais forte.

Por esse lado, o meu conceito de liberdade não vai de encontro ao de muitas pessoas, da maioria.Sim serei possivelmente uma ave rara, mas quando meto a mala ás costas e vou, posso simplesmente ir...e se quiser até ficar.Tirar um bilhete só de ida.Viver o inesperado.Dizer plenamente que sim ao Amor que é Amar.
Aceitar um projecto que me apaixone.De coração.Isto é uma escolha, de quem não tem nada a perder.Apenas a ganhar.Vida.Alegria.Liberdade.Porque ainda assim, todos não somos livres em alguma coisa.E esse é um trabalho interior que nunca pode parar.

Claro que podemos sempre pensar, que ao aceitar estas coisas, perco outras.Mas estas foram as que escolhi e que deixo que a vida me ofereça.As que perdi ou vou perder, nem penso nelas.E assim nem chegam a existir.

Que se celebre a liberdade...que se exprima tudo o que nos corre na alma.
E que o mundo avance à luz dessa mesma voz!


quarta-feira, 23 de abril de 2014

AGRADECER O QUE NÃO NOS DÃO.







O mais comum é agradecer o que nos foi dado. E não nos faltam motivos de gratidão.
Há, é claro, imensas coisas que dependem do nosso esforço e engenho, coisas que fomos capazes de conquistar ao longo do tempo, contrariando mesmo o que seria previsível, ou que nos surgiram ao fim de um laborioso e solitário processo. Mas isso em nada apaga o essencial: as nossas vidas são um recetáculo do dom.

Por pura dádiva recebemos o bem mais precioso, a própria existência, e do mesmo modo gratuito fizemos e fazemos a experiência de que somos protegidos, cuidados, acolhidos e amados.
Se tivéssemos de fazer a listagem daquilo que recebemos dos outros (e é pena que esse exercício não nos seja mais habitual), perceberíamos o que a poetisa Adília Lopes repete como sendo a sua verdade: «sou uma obra dos outros». Todos somos. A nossa história começou antes de nós e persistirá depois. Somos o resultado de uma cadeia inumerável de encontros, de gestos, boas vontades, sementeiras, afagos, afetos.

 Colhemos inspiração e sentido de vidas que não são nossas, mas que se inclinam pacientemente para nós, iluminando-nos, fundando-nos na confiança. Esse movimento, sabemo-lo bem, não tem preço, nem se compra em parte alguma: só se efetiva através do dom. Por isso é que quando ele falta a sua ausência indelével faz-se sentir a vida inteira. O seu lugar não consegue ser preenchido, mesmo se abunda uma poderosa indústria de ficções de todo o tipo com a inútil pretensão de ser oblívio e substituição para essa espécie de fala geológica que nos morde.

Hoje, porém, dei comigo a pensar também na importância do que não nos foi dado. E a provocação chegou-me por uma amiga que confidenciou: «Gosto de agradecer a Deus tudo o que Ele me dá, e é sempre tanto que nem tenho palavras para descrever. Sinto, contudo, que lhe tenho de agradecer igualmente o que Ele não me dá, as coisas que seriam boas e que eu não tive, o que até pedi e desejei muito, mas não encontrei. O facto de não me ter sido dado obrigou-me a descobrir forças que não sabia que tinha e, de certa maneira, permitiu-se ser eu». Isto é tão verdadeiro. Mas exige uma transformação radical da nossa atitude interior.

Tornar-se adulto por dentro não é propriamente um parto imediato ou indolor. No entanto, enquanto não agradecermos a Deus, à vida ou aos outros o que não nos deram, parece que a nossa prece permanece incompleta. Podemos facilmente continuar pela vida dentro a nutrir o ressentimento pelo que não nos foi dado, a compararmo-nos e a considerarmo-nos injustiçados, a prantear a dureza daquilo que em cada estação não corresponde ao que idealizamos. Ou podemos olhar o que não nos foi dado como a oportunidade, ainda que misteriosa, ainda que ao inverso, para entabular um caminho de aprofundamento... e de ressurreição.

Foi assim que numa das horas mais sombrias do século XX; desde o interior de um campo de concentração, a escritora Etty Hillesum conseguiu, por exemplo, protagonizar uma das mais admiráveis aventuras espirituais da contemporaneidade. No seu diário deixou escrito: «A grandeza do ser humano, a sua verdadeira riqueza, não está naquilo que se vê, mas naquilo que traz no coração. A grandeza do homem não lhe advém do lugar que ocupa na sociedade, nem no papel que nela desempenha, nem do seu êxito social. Tudo isso pode ser-lhe tirado de um dia para o outro. Tudo isso pode desaparecer num nada de tempo. A grandeza do homem está naquilo que lhe resta precisamente quando tudo o que lhe dava algum brilho exterior, se apaga. E que lhe resta? Os seus recursos interiores e nada mais.»

José Tolentino Mendonça
In Expresso, 18.4.2014




E foram estes recursos interiores que utilizei estes dias, que saltaram para fora, para apaziguar aquilo que não foi, nem é dado a muitas pessoas, que visitei.
O Deus dos cristãos é um Deus que não nos deixa em paz. Não nos deixa em paz com o egoísmo, a mentira, a injustiça, a corrupção. Não nos deixa sossegados com a falta de honestidade perante nós mesmos e perante os outros. Deus não deixa a nossa consciência em paz enquanto nos deixarmos enredar nos caminhos do mais fácil, do mais confortável, do que dá mais dinheiro, mais poder, mais segurança.
Enquanto não estivermos no caminho certo, Deus não descansa. E nós também não.
E há tanto por fazer.É uma vida nova que ele nos dá.Pois assim nós a queiramos viver.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A nossa Páscoa foi assim em Alcoutim.






























Há experiências, que de tão fortes, não me deixam, imediatamente, escrever sobre elas.Fico como que a digerir.
Ando aqui ás voltas, sabendo no entanto, exactamente, o que quero dizer e o que significou esta Páscoa.
Escrever é uma responsabilidade, sendo social ou não, mudando o mundo ou não, mas para comigo mesma, é.Enorme.De uma forma subtil, vai-me situando, em mim, vai-me dizendo onde estou...como estou.Onde estamos.

Esta Páscoa parti.Troquei o ser servida, pelo servir.Mais uma vez.Quase todas as vezes.
Partir, é sempre palavra de ordem.Seja para perto ou para longe.Partir mexe comigo.Nunca saberei explicar bem, isto.Porque partir, é normalmente sinónimo de servir.E servir é aquilo que me move.

Tenho aprendido a apaixonar-me pela beleza que Alcoutim encerra em si. Não se vê tudo de uma vez...não se sente tudo á primeira.Vai-se descobrindo, com o tempo.
Tal como no amor...é um caminho que se faz e se constrói, serenamente.Se fosse pela paisagem que é deslumbrante,esse amor seria belo, mas vazio.Pois o que está por dentro, torna-se ainda mais belo.As pessoas.As histórias.O que se vai partilhando.

De cada vez que vou, conquisto um pouco mais de Alcoutim, dos outros e de mim mesma.Porque tanto os que visitamos, como nós, vamos mudando.O Idoso que antes era desconfiado, agora abre a porta e vem a correr para nos abraçar.Pergunta-se quando voltaremos?Fica a aguardar ansiosamente.
Isto faz um amor verdadeiro.É uma conquista.

Os que sempre nos viram passar, um dia chamam-nos pelo nome: "olha os jovens do MOVIMENTO AO SERVIÇO DA VIDA!" e abrem também a sua porta.No fundo sabem quem somos.Mostram-nos o seu mundo, ás vezes de uma beleza e profundidade, que nos faz gostar cada vez mais de Alcoutim.

Há tesouros.Tesouros que brilham nos olhos de quem os revela, como umas simples rosas vermelhas, donas de um perfume que inebria.Há objectos do passado, guardados religiosamente, que falam da mãe ou do pai (que Deus tem)...e da forma como a vida era dura.Aprendemos.E eu que falo tanto, tenho aprendido a escutar.Sobretudo a escutar, que a maior parte das vezes é mais importante do que falar.
Há memórias, prontas a ser contadas, e nós escutamos.Dali se retiram lições.
Há dores, angústias, saudades, dificuldades prontas a sair, como flechas.Elas que venham que aguentamos bem.
Há também alegrias e momentos de riso, daquele genuíno.Há de tudo.E da bengala, ao único dente que se tem a abanar, ao cão que perdeu a mãe e espera filhos,tudo é mote para uma conversa.Que importa isso, se no fim, sorrimos?

E ainda nos diz a Tia Arminda: "pronto já podem ir embora, porque já se riram um bocadinho...aqui comigo."
A tia Arminda, profundamente marcada pela vida.Uma vida dura, dura, dura.
Isto é de uma beleza infinita.Afinal quem vai para servir, sai servido e da forma mais bonita que podia haver.
Nós é que vamos para arrancar sorrisos, nós é que temos de os deixar melhores do que encontrámos.Mas são eles, os nossos, idosos, com todo o amor do mundo, que nunca nos deixam sair de junto deles, sem este sentimento, de que trazemos algo.Seja o riso, seja os ensinamentos da vida, a história da igreja abandonada que se avista ao longe,o jogo das pedrinhas de sexta feira santa,ou um saco com laranjas...um raminho de coentros, azeitonas, o sabor do vinho e das favas...e sobretudo a vontade do nosso regresso.

Esta Páscoa teve tudo isso, acompanhado pelas celebrações.
De uma forma muito simples, ás vezes com muito poucas pessoas.Mas talvez por isso, me permitiu de uma forma mais intimista, o encontro com Deus.Longe da confusão.Ali onde reina a paz e a simplicidade.Mil vezes perdida nos meus pensamentos, no horizonte ou nas estradas sem fim, nos lagos que foram ali parar...no vento que me renova.Uma via sacra sentida a cada passo.A cada palavra.Uma alegria pura, na música que se canta, no abraço que se deu, no fogo que se acende.No exemplo missionário de muitos os que ali lutam contra o afastamento das pessoas.

A Páscoa foi...Morrer e Ressuscitar verdadeiramente, com todos os fardos que trazemos dentro.
Confiando.

E sabendo exactamente por onde ir.







domingo, 20 de abril de 2014

Hallelujah



 Vês e ouves, Maria? O medo e a morte já nada valem.
-- Vejo, ouço e toco! É Jesus, e somos com Ele. Chamou-nos irmãos?
Que mundo novo nos pede para construir? Tudo sabe à frescura do princípio.
-- É um novo princípio que nos põe no coração e nas mãos. 
Corramos! É preciso dizer que só o amor vence todas as mortes! 

E correram. E continuamos a sua corrida! Nos passos ardentes de cada um! 

FELIZ PÁSCOA

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Hoje.É hoje.









Hoje, foi hoje.Contou como hoje e mais dia nenhum. 
Não penso no passado, nem no futuro. Não quis pensar.
Detive-me no hoje.E isto é uma exercício delicioso de se fazer.Apenas estar, apenas viver.
Quando saio de casa, nunca sei, quando regresso.O dia esconde em si, uma infinidade de possibilidades que me deixam sempre curiosa.Um dia guarda em si, por vezes, surpresas.E no inesperado vive uma beleza ímpar que não encontro no comum, na rotina que tantas vezes nos vai matando o brilho.É preciso quebrá-la.É preciso mudar.Cortar nem que seja um pedaço de cabelo, antigo, seco, sem brilho.Encher-nos de cor.Seja como e onde for.
Os motivos para celebrar, existem e são tantos.Brotam.
As coisas mais improváveis sabem-me pela vida.Uma caminhada.Um desvio no caminho.O cheiro a rio.A presença.Unir pessoas.Misturar mundos.Uma refeição simples á beira rio.Um brinde á vida.Uma canção nossa.Deixá-la sair.E a Primavera a dançar, ali mesmo á nossa frente.
Uma espera.Uma partida.
E a Primavera é linda...


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Duarte em Lisboa.



























Olhar Lisboa, de frente.Ficar de costas para Lisboa.
Sentir Lisboa longe e perto ao mesmo tempo.Vislumbrar-lhe as formas...e admirá-las.Com calma, sem pressa.
Cruzando outros destinos distantes e tão diferentes, nesta mesma paisagem, é mágico.É mágico com quem fala a mesma língua do que nós.Com quem nos conhece a alma, desde há muito.Com quem viajou connosco, de comboio, a pé, á boleia, com quem se partilhou a sandes, os últimos trocos, com quem se perdeu comboios e autocarros, com quem se respirou o sol, as montanhas, o mar, a cultura remota de um povo.Com quem se sentiu vezes sem conta, a presença de Deus.
Ás vezes jantamos, outras vezes apenas bebemos.Ás vezes passamos horas a ouvir musica e a dançar, sem querer saber onde e quem nos está a ver...outras vezes apenas contamos o dia-a-dia.Ás vezes a coisa fica preta, mas lá nos reconciliamos.
E rimos.E choramos.E ficamos pelos sonhos.Alguns já tornados realidade.
Os caminhos do mundo, desaguam no Tejo.Num ponto final...que nunca o é, porque o retorno a quem se ama nunca tem fim.
Mas seja qual for o caminho, sabemos sempre para onde vamos: o sossego no outro.No silencio que não incomoda.No trajecto, há sempre uma forma nova de surpreender - no sorriso, no abraço, na companhia. Todos os dias ( que são muito poucos), diferente.De cada vez que passam meses, ou anos sem nos vermos...é imprevisível, mas nunca é o fim - isto nos traz a paz no outro. 
Como tão bem sabemos, não precisamos de gps, nem de trajectos marcados, nem de linhas traçadas, para chegar aqui.Onde estamos nas nossas vidas. Porque viver de verdade é isso: é ter a confiança, a certeza, a vontade férrea, de, qualquer que seja o caminho, sabermos sempre o destino: tu,que vives no meu peito, feito porto.Eu, na tua mão, feita âncora...



Ps.Para as minhas mãos, veio um brinquedo que chegou da Índia, de onde ouvi as histórias.E de Istambul matei as saudades.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A minha Afilhada.3 meses.




É dos amores mais bonitos que tenho.Responsável por muitos sorrisos.Por muitos bons momentos.Parece que sempre existiu.
Não há nada que ela não desarme, não desmonte quando sorri.A boa energia de uma criança, num estado puro, é única.
Eu tenho a sorte de poder abraçar este amor, vezes sem conta, de a  ver crescer, de me sentar com ela ao sol e deixar que tudo o resto acalme.
Quero que por muitos anos, eu possa ser cor, sinal de vida e força na sua existência.Deixar-lhe uma marca indelével de amor.E ela nem sabe todo o amor e força que me dá, sendo ainda tão pequenina.
Basta sorrir.


Crónicas de uma incerteza.





E como será?Passar por isso?Não imagino como deve ser...


É como ficar sem chão, como se estivéssemos em cima de uma linha muito ténue a fazer equilibrismo, como se estivéssemos presos num labirinto ansiosos por saber onde está a saída. É o "e agora o que faço?" - Parece que estamos sozinhos no mundo sem saber como agir com a sensação que não temos nada. É como se fossemos filhos de ninguém, como se não tivéssemos para onde ir.
Depois destes pensamentos no vazio, (que nos assaltam, fruto do choque)...sabemos exactamente aquilo que tem de ser feito: começar tudo de novo. Oh não, começar tudo de novo... Saber que temos de usar toda a energia necessária para começar tudo outra vez, saber que leva tempo para termos de novo a mesma confiança outra vez, que é preciso muita persistência e que não se pode desistir. 

Mas o quê? Para onde e como?E com quem?

(Milhares de pessoas que amo e me amam...eu sei.)

Vamos percebendo que as coisas não são assim tão más e vamos descobrindo a capacidade de nos reinventarmos! Vamos conseguir levantar-mo-nos do chão, apesar das dores, restabelecer-mo-nos da sensação de termos sangue no nariz e na boca quando se cai de repente, com força, e de limpar as feridas que nos fazem arder as mãos.
As piores nem são essas, mas as que vivem no coração.E levam mais tempo a sarar.
Hão-de passar.Umas e outras.Tudo passa.

É cair, e logo a seguir rir da queda, que o chão não foi feito para mim...e para se estar muito tempo.

E sim, tirei 50 kg de cima de mim.Pelo menos.
Falta a outra metade, que virá depois da operação.Fico sem uma ínfima parte de mim.Mas fico cá.
E posso dar vida ao mundo.O que só por si é maravilhoso.Dos 4 níveis de gravidade o meu está no nível 2.Menos mal.Tudo preparado para a operação,e só ela me poderá dar a resposta que tanto espero.Mas tudo aponta para o melhor cenário.A prioridade fica para os casos mais graves.
Foram dias de ansiedade, estes...que embora não tenham terminado, acalmaram.

Quando souber que nem uma réstia daquele tecido tem algo que se mexa dentro de mim,respiro.

No entanto tem sido fabuloso, sentir o amor de quem se faz presente.
Se foi isto que conquistei com a minha passagem pela terra, o amor incondicional de tantas pessoas bonitas á volta o mundo.Então valeu tanto a pena.
Há pessoas para quem sou importante de tal forma, e eu nem sabia.Há pessoas que se inspiram na minha vida e eu nem sabia.Estavam no escuro.Deram a cara.E há pessoas do outro lado do mundo a rezar, numa mesquita, seja onde for.Por mim.Porque algum dia eu entrei nas suas vidas e as fiz sorrir e ver o lado bom.
E agora, entram-me todas pela porta do coração dentro, uma vez mais e da forma mais bela e inesperada.E como é  bom deixá-las morar no meu coração.

E fazer-se presente, não é apenas dizer, que vai correr tudo bem.Que estamos a torcer por ti e que és forte.Isso ajuda, é certo, mas fazer-se presente, vai muito além disto.Pode estar no silêncio de uma oração simples, de um desejo profundo que tudo corra mesmo bem.E de estar ali para um abraço e um sorriso.Que é a melhor coisa que me podem dar.Nem sabem como me sossega a alma.Um sorriso e o brilho dos olhos.Verdadeiro.Um raio de sol partilhado.Uma gargalhada. E movimento.Dias cheios.
Felizmente não tenho parado, entre trabalho e projecto de Verão.E tenciono parar apenas o tempo de me recuperar.

Tenho então luz verde, para seguir viagem até S.Tomé, como previsto...os dois meses inteirinhos.
E na opinião médica, não só posso, como devo ir.
Ouvindo isto, não vou ainda descansar.
Mas respiro melhor.

Afinal, é esse o meu Amor.
De sempre e para sempre.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

FMH'S Condeixa.4 anos depois.









































Que bom é trabalhar com eles.
Que bom é reecontrar.Que bom ver que cresceram e a vida se renova, ano após ano.E as crianças mais do que ninguém se apresentam num estado puro, sem reservas.Que bom!
Para me ajudar o melhor companheiro que podia ter.O Rafael.
Os mesmos recantos, a mesma casa.Algumas coisas mudaram.
Outras estão exactamente como eram.Mas é assim que funciona. São o que são.
Rimos, cantámos, andámos a descobrir.E o melhor foi ver os mais velhos cheios de vontade de ser JH's.
O mundo avança com eles.Volto sim.