quinta-feira, 10 de maio de 2012

Parabéns, Mana Anabela!









A minha mana Anabela.
Mais uma irmã que a vida me deu.
São tantos os momentos felizes, de plena cumplicidade, de plena intuição, partilha...pura alegria.
São tantas as pontes construídas e edificadas para sempre.
Custou-me singir-me a um só momento, a um só sorriso.
Por isso escolhi vários, felizes, únicos, inesqueciveis.Eternos.
Há palavras proferidas, que fizeram e ainda fazem toda a diferença.
Uma irmã, que é a última a ver-me partir, com os olhos rasos de água, a desejar do fundo do coração que tudo corra pelo melhor.Uma irmã que é a primeira a receber-me de braços abertos em Lisboa, ou noutra parte do mundo.Quer ser a primeira a abraçar-me, seja madrugada ou não, sei que, com aquele sorriso é certo que posso contar.
As distâncias encurtam-se.Envia-se de Lisboa, via qualquer parte do mundo, o que for preciso, com direito a mimos.Só se não puder.
Tem uma fé enorme, naquilo que eu sou capaz de fazer e mudar neste planeta.Tem uma força, sempre presente e um carinho que me alimenta.Sente quando não estou bem.Repara em todos os detalhes,os que escapam á maioria.
É um exemplo como mãe.Muito me inspira a ser mãe e a amar assim.É uma mulher atenta, criativa que mantém viva a criança interior.
Mas falando da alegria, essa é imcomparável, quando nos juntamos.(As gargalhadas em plena cidade de Istambul, chocavam até os mais extrovertidos.)É de fugir, quando começamos a gargalhar.
Uma viagem, uma aventura.Uma surpresa tão boa de descobrir.
A magia das coisas é-nos comum.Principalmente das pequenas coisas.
A cor que isso nos traz.A energia que fica.
Claro que falando da Anabela, não podia esquecer, o suporte que está por trás,uma família linda.Uma Carolina cheia de vida, um Francisco bem peculiar e interessado pelo mundo e um marido Jaime que é um braço direito em tudo.Toda a família me inspira e orgulha de a ela pertencer.
Celebro a sua vida, como boa parte da minha própria vida.
Parabéns Anabela e um abraço daqueles, carregadinho de saudades daquelas que apertam tanto,tanto.
Até breve.

Tua mana, Rita

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Um amor chamado Marcos.













Este Amor, é antigo.
Foi o primeiro amor na escolinha.O olhar que logo me captou.Estava atento, na entrada da escola.
Fixou-me com aqueles olhos grandes, expressivos, transparentes.Perguntava-se certamente quem eu era?Como faz com qualquer pessoa nova que ali chegue.
Logo lhe sorri e recebi um abraço apertado, pela altura da minha barriga.Já não dei um passo.Fiquei ali,presa ao chão e abracei também.Foi dos abraços mais verdadeiros e sentidos que recebi.(A fazer lembrar os abraços do Deodato...)
Desde então tem sido sempre assim...todos os dias, aquele sorriso me recebe no portão, me carrega a mala,me vem dizer um olá a meio da manhã, entra na minha sala e sai a qualquer hora, sem precisar pedir.Grita lá fora, para que saiba que anda perto.Vigia e segue os meus passos.Faz-me rir como ninguém...mais.
Quando estive em Portugal, pensava nele, como estaria, se tinha fugido mais alguma vez de casa?Sorria só de pensar na possibilidade de o reencontrar.
O Marcos é simples, muito simples.Vagueia descalço por ali,o ranho sempre lhe escorre pelo nariz,a roupa sempre se rasga e suja, tudo o que encontra coloca na boca, uma pedrinha na mão, faz a sua felicidade, imaginando que é algo precioso.Um bocado de barro, logo ganha vida, sendo um telemóvel, ou uma máquina fotográfica, por onde fala e capta o mundo.Ele sonha e voa na sua liberdade.Nem podia ser de outra maneira, fica-lhe bem.
 O Marcos é "diferente" dos outros meninos e todos sabem isso.Todos nutrem por ele um carinho especial.Ele próprio, sabe que tem outra liberdade e espaço, que lhe é concedido.Embora as regras lhe sejam passadas como a todos.É livre.O aluno mais livre da escolinha.Arriscava a dizer o mais sensível e intuitivo.Para mim o mais bonito, em todos os sentidos.A beleza vem de dentro, passa por todos os poros, sente-se no toque.
Quando me passa a mão, docemente pela cara sinto, que já me conhece,que me estima á sua maneira inocente e genuína.Sabe quando venho mais triste ou cansada.Pressente.Porém quando me vê explodir de alegria, junta-se á festa, olhando-me sem parar, para me dizer, estou contigo.
Lemo-nos.Ilumina-se o nosso rosto, quando nos avistamos ao longe.
E quando isso acontece, é Amor.
Há amores assim, de palmo e meio que vão durar o resto da vida.
Porque qualquer amor é eterno e se o foi...será sempre.


sábado, 5 de maio de 2012

Black and white





































Somos feitos da mesma matéria.
Amor.
A preto e branco, pode ver-se toda a cor que nos habita em momentos como este.Por dentro.Onde ela nasce.A cor.
Somos um.

1º Maio


















Dia do trabalhador.Feriado, também em Moçambique.
Soube tão bem a meio da semana, dormir mais um bocadinho, tomar banho com a devida calma, cuidar de mim.Tomar o pequeno almoço na rua...ir ao mercado pela manhã,apreciar frutas e legumes da época, olhar cada banca.Beber um café com toda a calma e conversar.Para terminar, uma sardinhada, entre amigos.Uma  Moçambicana e um Americano.
Tive tantas saudades dos sabores de Portugal...e das sardinhadas que o meu pai tanto gostava e tão bem fazia.Pois saíram perfeitas.Com direito a batata a murro e uma saladinha de tomate.Tudo regado com azeite Português, ficou divino.As sardinhas eram congeladas, mas o sabor era o mesmo.
Para a Conceição e para o Jonathon, foi a primeira vez que comeram sardinhas assadas á moda Portuguesa.Adoraram.
Relembrei os santos populares...e por estarmos a comer na rua, ainda soube melhor.A tarde passou calma, e ali estivemos até ás 17h.Quase até o dia se esconder.Muita conversa...divagações.
Foi "A" paragem, para quem trabalha uma semana inteira.

Sonho, com a sardinhada em Portugal...junto ao mar ou num bairro típico de Lisboa, iluminado por balões de Stº António...e depois lembro-me, que chego ao meu País apenas em Novembro...pleno Inverno pronta a abraçar os 31 anos.
Sniff.














Ritinha













A Ritinha, anda pela escolinha.Agora vejo-a todos os dias.
Agora que a mãe já vem trabalhar, passa o tempo nas suas costas, a dormir.
Também eu aprendi a fazer "neneca", ou seja, a trazer nas costas uma criança, de forma segura.Todas as mulheres em África, o fazem...e assim, estas crianças passam os primeiros tempos de vida, até saberem andar.
A Ritinha, passou boa parte de uma manhã nas minhas costas e esteve tão confortável.Dormiu, refilou,fez-me festinhas nas costas, puxou pelas minhas tranças...e o melhor de tudo é sentir o seu coração a bater junto ao meu.Cantei...e ela sentiu.
As suas expressões vão mudando...vejo-a expressiva e cada vez mais linda.Quando me for embora, a Ritinha terá 9 meses...até lá, vou vendo este milagre que é crescer.Estamos ligadas para o resto da vida, pelo nome e muito mais.
Quando tiver um filho, vou andar com ele assim,nas minhas costas e regaço, com capulanas lindas que hei-de trazer daqui...a fazer lembrar estes dias maravilhosos no meu, Moçambique.
Tanto, que ficará.




Mbuna bay, day 3












































Acordei, sabendo, que seria o último dia no meu paraíso.
Os mesmos rituais.O mesmo chá, o mesmo mergulho.A mesma caminhada na praia.
Agora de energias renovadas.Pronta para voltar á luta diária da cidade de Lichinga e da nossa escolinha.
Acabei as páginas do meu livro.Passei a manhã ao sol e a nadar.Aquela água tão pura e tão azul, que me vai deixar ansiosa num regresso.
Foram dias de uma paz tão única, tão necessária, para prosseguir o caminho.Foram dias de mim para mim e ainda assim partilhados com quem se cruzou comigo.Na medida certa.
Há locais eternos...há uma luz que fica, um aroma e uma energia tão boa, que me impele sempre a voltar.
Depois do almoço e das despedidas a todos os que fazem parte desta maravilhosa equipa, fiz-me á estrada de alcatrão...deixando ainda, a Finlândia, a Holanda e a Suiça, numa caminhada beira lago.Fiquei a vê-los partir...e parti eu também, pela minha estrada,rumo á minha missão.
E tinha, tanto sol na alma e no coração, que mal podia explicar.Lia-se nos olhos.
Murmurando..."até breve Mbuna Bay".