segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

ON off On Nights







Dia de trabalho.
Alvorada pelas 00h, 2h,5h,8h...passei a viver de noite. Acordo e volto a dormir...acordo e volto a dormir.
Penso nas pessoas que sempre trabalharam á noite.Há um silencio e uma atenção diferente ao que fazemos pela noite.É o silencio do mundo. São os pensamentos que depositamos nele.Os que amo, dormem.Outros estao acordados e ás vezes trocamos mensagens, que alimentam.Penso em cada um.
Aqui o que importa é cuidar, com o maior cuidado, alimentar...e permitir o descanso e crescimento.Estou de vigia.
Água on, leite on,sono on, missão cumprida on, volto á cama on. Ver que ficam aninhadas e em paz, deixa-me reconfortada.Apesar de eu andar em modo zombie. Sei lá eu o que é dormir decentemente há uns bons 15 dias. É a vida. Bola para a frente. Não há nada de grave por aqui.
15h.Entra a colega para me render.Saio para a rua, solta na minha liberdade.A chuva sabe-me bem no rosto e no cabelo.E vejo o movimento normal das ruas, como algo maravilhoso e surpreendente.Barulho uau!
O descanso  espera-me. As pessoas que confiam em mim e me amam,esperam-me. E esperam-me fresca, com energia, de pensamento e palavras positivas.Se não estiver assim, não faz mal, abraçam-me.
Há duches que fazem milagres, há músicas que ajudam a levantar o astral, pequenos-almoços que reforçam energia e defesas, há pessoas (as nossas) que são decisivas na motivação e no good mood que precisamos para fazer o que tem de ser feito e acreditar que o resto se vai resolver. Porque vai. Vai mesmo. Ainda que demore. Resolve-se. Não é nada de grave. Resolve-se.
Sábado pela metade e Domingo pela metade.Tempo de acalmar.E embora me queixe que não durmo, grata (muito, muito grata) por ter trabalho, por ter pessoas que se dizem mais felizes, mais confiantes, por me ter por perto.Outras nem tanto.Mas lá chegarão.A confiança ganha-se.
Não sabem que, nestes dias mais duros, são elas que me dão tudo, são elas a melhor e maior fonte de energia que eu podia ter na minha vida. São elas a minha inspiração para continuar sem vacilar por um segundo.



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Bons dias maus.






Há dias em que nada sai certo. O trabalho complica-se, as palavras são mal entendidas, os horários desencontram-se, a bateria do telefone acaba antes de tempo, o trânsito da nossa fila é sempre o mais lento, e até a caixa do supermercado é a única que não avança,Há dias assim, em que tudo o que fazemos vai correr da forma mais complicada possível. Nestes dias só queremos que eles acabem depressa, que possamos enterrar a cabeça no sofá, fechar os olhos e acordar no dia seguinte. 

Quando duas pessoas decidem estar juntas estes dias são os mais importantes. Porque superá-los é a maior forma de perceber o valor de estar junto. Aliás, tenho para mim que estes dias são bons. São os bons dias maus. Porquê? Porque quando se ama, vivemos sempre dentro de uma panela de pressão. Não há solução: quando se quer alguém a sério, a vontade de estar sempre junto, o desejo de estar sempre abraçado, gera sempre a pressão da ausência. Mais a pressão dos contextos que atrapalham, mais a pressão da família que sempre complica um pouco, mesmo quando só nos quer bem. E tal como nas panelas de pressão, os dias maus são o pipo que faz sair a pressão. Nestes dias, dizem-se as maiores asneiras, as palavras mais erradas, implicamos só porque sim, rabujamos só porque não. Somos tal e qual um pipo - a apitar, a fumegar, e a rodar desenfreadamente. Mas com a função certa: aliviar a pressão.

Por isso, mesmo que hajam conversas cansativas pelo meio, falhas de comunicação, berros mimados ou olhares entristecidos, quando se chega ao fim de um dia destes e conseguimos despedir com aquele abraço bom, um beijo mais sentido e um amo-te na boca, então foi definitivamente um bom dia mau. Porque sem danos, aliviou-se a pressão, pôs-se cá fora alguns receios, e aquelas questões simples, mas que andavam embrulhadas. Nestes dias, garante-se que se mantêm a pressão na medida certa da receita. E esse será sempre o segredo: saber manter os ingredientes quentes e saborosos, na forma como eles se equilibram. Dá que pensar, como as gerações mais antigas se prepararam bem melhor para gerir esta pressão. Se calhar, porque tinham menos bimbys maricas, e mais panelas pesadas, feias, de apito estridente, mas duras como o aço.. 

Bom mesmo, é quando quem nos atura, percebe o nosso nível de pressão, e mesmo que discorde das razões, reage. E age. E com um pequeno gesto, uma presença inesperada, um abraço mais demorado, ou um simples olhar, alivia o lume e acalma o apito descontrolado. Obrigado, a ti, por teres feito bom, o dia mau, que já passou...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Dos amores maiores...







Fui tia.
A Mana, Lina, teve uma menina, linda,linda,linda.Grande,grande,grande.Doce,doce,doce.
É também minha afilhada.O que me faz sentir uma responsabilidade diferente.E outra proximidade.
E é este amor que nos inunda, por mais uma vida, na nossa vida.
Tantas vezes a imaginei...como seria o seu rosto.Agora tem um rosto, tem um cheiro...e eu encho-a de mimos sempre que posso.Todo o tempo do mundo é pouco, para os que se amam.
Tenciono passar tempo com ela, vê-la crescer, acompanhar cada passo...e isso vai fazer-me sorrir muito.Passar-lhe coisas boas e mostrar-lhe como é bom viver!Limpar as lágrimas em dias de birra e encorajar as vitórias.Tanto para dar...ainda nos espera.

O meu coração aloja quem gosto de verdade, quem tenho de melhor na vida e gosto de constatar que, de ano para ano, os mesmos de sempre estão no sítio certo, do lado esquerdo do meu peito. 
Vão entrando tantas outras pessoas na minha vida, por força de novos amores que a vida me foi trazendo, são recebidos e sentidos com a mesma certeza e intensidade. Nem todos permanecem.
Mas sou tia pela segunda vez e gosto muito deste sentimento, destes sobrinhos e afilhados que amo e que me dão a mim a certeza de que Deus sempre nos dá formas de amar.Haja Amor...e esse não me falta.
Querer o bem, plantar o bem. O resto vem.



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Confiar.






Nestas coisas das relações, a maioria dos sentimentos que temos pelo outro nascem em nós. Truque baixo da mente, egoísta e egocêntrica, que nos faz projectar nos outros o que sentimos na nossa pessoa. As dúvidas, os medos, mas também o excesso de confiança, a entrega em demasia. É assim com o ciúme (que nasce da nossa insegurança), é assim com a confiança no outro (que nasce da dúvida da nossa seriedade). E até o amor: Será que se ama alguém porque a pessoa é assim ou assado? Ou antes, ama-se o que a pessoa provoca em nós, o que nos faz sentir com a sua forma de ser e viver. Egoísmo puro?

Mas acima do amor, está a confiança. Confiar, mesmo, de verdade, é algo que raramente se atinge. E por norma, quanto mais difícil a situação, mais se testa a confiança. Confiar no marinheiro quando o tempo está bom e o mar calmo, isso é fácil. Agora confiar no marinheiro no meio de uma tempestade, em mar alto e com a vela rasgada.. Aí sim, é preciso mérito. De quem confia - porque acredita-, e de quem é confiável - porque faz acreditar. Tramado da confiança é que ela não se treina. Não podemos querer confiar, não é uma coisa que se queria ter. A confiança é algo demasiado inconsciente para poder ser gerida. Ou existe ou não existe. Resulta pouco de palavras ou intenções. Tem a ver com os actos. Com os gestos: o que se faz, como se faz, e como se diz que se faz. Sim, porque aqui também não basta ser, é preciso parecer.

Não questionar ou não ter dúvidas não é confiar. Isso é a cegueira. Não é aguentar, ou tolerar o que magoa só porque se ama. Isso são analgésicos: aliviam a dor, mas não tratam a doença. Confiar é questionar tudo. Mas com coragem de mexer onde vai doer. É pôr todas as duvidas na mesa para que sejam esclarecidas. Por isso a verdade e a confiança estão tão juntas. Uma implica a outra. E os momentos de maior crescimento não são os de falinhas mansas e promessas de amor eterno. 
A certeza cresce é nos momentos das grandes diferenças de opinião, das conversas duras e amargas, em que todos os filtros caem, em que dizem as palavras mais estúpidas, em que o inconsciente salta todo cá para fora, e, coisa autónoma, diz tudo o que lhe apetece: o que achamos verdade e as coisas que até nem concordamos. mas em que algum momento nos passaram pela cabeça. 

Por muito que doa, por muito que magoe, só quando se perguntam as coisas difíceis - e se respondem - se sossega a confiança. E na vida não há mais paz que isso: ver quem nos quer, a enfrentar-nos, a questionar, a ter a coragem de perguntar. Não porque não saiba já as respostas, mas apenas porque as precisa de ouvir na nossa boca. Sincera.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Partidas e certezas.








Esqueces que estás quase de partida. Que não tens certezas e que nada é garantido. Esqueces que não sabes, que podes demorar para saber, que o dia ainda vem longe e que nem sempre quem espera alcança. Esqueces que a vida às vezes (muitas vezes) nos troca as voltas, que quando menos esperas te dá nós cegos, que o tempo que tanto pedes te escapa entre os dedos e que (muitas vezes) esse tempo não passa de uma grande armadilha. Esqueces o que mais queres, o que menos queres, o que podes, o que tens, o que mereces, o que te prometem, o que dás. Esqueces tudo, e esqueces serenamente, quando te lembras que o mais importante da vida já tens. É teu. Tão teu. Só teu.
E quanto a isso nem crise, nem medos, nem dúvidas, nem preocupações, nem incertezas, nem distância, nem saudade, nem apertos no peito, nem nada nesta vida te pode tirar. Nada. E é desta certeza inabalável que são feitos os teus dias. Os de agora. E os de amanhã.


domingo, 29 de dezembro de 2013

Novo ano.Quero Amor.







Passou,aquilo a que chamam Natal.Para mim continua o ano inteiro.Sem hora nem lugar para acontecer.

A semana entre o natal e o ano novo é das mais calmas e reconfortantes do ano. 
Andamos todos mais devagar, metade da cidade de férias, transito de manhã nem vê-lo.
Tenho estado mais perto dos amigos e de mim mesma.Pensado ainda mais.
Parece que tudo corre num ritmo mais calmo e mais sereno. Por contraste, os dias antes do natal cada vez me irritam mais. A correria pelos presentes torna a época uma desenfreada loucura.Oca.

Quanto aos presentes, todos os que recebi, foram simples e encaixam-me.
Os poucos que dei, ás pessoas que me são mesmo muito próximas, encaixaram também.
Importante no meio de tudo isto é saber escolher o momento certo para dar. 
Sim, porque na maioria das vezes o melhor presente do mundo, entregue na altura errada, não faz sequer sentido. Assim, por mais frio e calculista que possa parecer, os presentes a sério devem ter um tempo muito bem pensado.E com os olhos a fervilhar de carinho, mesmo a dizer, Gosto de ti. 

Por exemplo, quando nos damos a alguém, temos de saber marcar o ritmo. 
Perceber que do outro lado, por mais que se queria, ou se anseie pela oferta, nem sempre a vida, a cabeça, ou até o coração estão prontos, ou com tempo, ou com espaço para receber.
Dar, não coisas, mas nós próprios, não é tão simples como parece.
Não basta entregar tudo e dizer: toma lá e aproveita - isto sou eu todo para ti. Não. 
Não é inundar o outro de provas de amor e carinho. Pelo contrário, é ter o esforço, a paciência e a compreensão para saber dar na medida certa do que a outra pessoa pode receber. 
E aí sim, estamos a dar, não tudo, mas o melhor de nós...

Viro então a minha atenção para o novo ano que se aproxima.
Nada de novo.Viramos o calendário, sonhamos com algumas coisas, e logo, logo, caímos novamente nas rotinas.Os grandes objectivos esses, não os perco de vista.
Porque me parecem ser esses os principais e esses já existiam no ano que termina.
Dar-me.Servir quem precisa.Organizar a minha vida a tantos níveis.Viajar.Amar.Rir.Sonhar.
Apaixonar-me pelo mundo. E deixo que o novo ano me surpreenda.Aí reside a magia.
Não entro em resoluções que no fim, nunca são cumpridas.

Acho que chegou a altura de vos desejar um Bom Ano, esperando que todos possam encontrar algum conforto uns nos outros, contra tempos mais duros. Sei que para muitos será mais difícil, este ano que se avizinha,ou por razoes profissionais,ou pessoais, seja pelos aumentos que o governo anuncia,outros voltam a deixar o País...como eu fiz tantas vezes.Mas que possamos usar este tempo para celebrarmos as coisas mais simples, os gestos aparentemente insignificantes e interiores,os pequenos prazeres, o tempo que os outros nos dedicam.Com Amor.Mais e mais Amor.
Eu os primeiros meses,vou estar longe de tudo em trabalho e só no despontar da primavera, regresso em força, mas feliz por saber que em muitos sítios, espalhados pelo mundo, há gente que me estima e a quem quero muito bem, com quem criei laços fortes.
Um ano muito feliz, vos desejo eu. 
De coração.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Dos momentos de Paz.Num Porto de Abrigo.


























Havemos de ser velhinhos,um dia.E continuaremos a precisar de estar um com o outro.De dar aquele giro, pelas cores belas e puras de um Verão ou de um Inverno, onde só se ouça o silencio, que tanto nos toca...e que entre nós, faz tempo, se tornou confortável.Como se fizéssemos o ponto da situação, de tempos a tempos.Saber que estamos bem, importa-me, importa-te.
Sabermos que nos temos, assim, faz com que qualquer dúvida, medo, anseio, se dissipe e que qualquer alegria ou descoberta...faça ainda mais sentido.Sabes sempre o que dizer.Na hora certa.
Captas visualmente a minha alma.Sem te esforçares muito.Já a captaste uma e outra e outra vez.Porque conheces os meus passos.Como eram e como passaram a ser.E isso ganha-se com os anos.
Sou tão mais feliz, porque existes.
Obrigado por seres, aquele amigo, que me orgulho tanto de ter e por encerrares em ti, tantos dos meus segredos.



sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Das idas ao IPO...




Há 10 anos a tratar de mim e eu não podia estar em melhores mãos. Esta mulher salva vidas, todos os dias.Também as perde.Mas quando as ganha, fica esta gratidão profunda e eterna.


Não seremos apenas médica e paciente.
Somos sim, aquele abraço, gargalhadas e cumplicidades.
Ela guarda tudo o que lhe trago das minhas viagens numa caixinha onde volta quando tem saudades minhas.
E eu guardo a vida que ela me salvou...e vivo-a o melhor que sei.
Sem perder tempo.





Depois há todo um staff, que se reencontra pelos corredores...ou que nos procura desesperadamente pela consulta fora...e que também vive no coração.Os enfermeiros mais simpáticos e atenciosos do mundo, que cuidaram de mim, com todo o cuidado e paciência, quando tinha dias maus.
Mas o que mais me lembro é de os ter feito sorrir...de tantas maluquices que fazia e nunca parar quieta...no meu quarto.
Hoje, frente a frente num café como 2 amigos, partilhamos o que nos vai na alma, movidos por uma alegria leve, que grita, Estás viva, Estou viva, conseguimos!!Trabalho em equipa.

Haverá algo mais bonito do que esta gratidão?



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013





Não recorras ao que já sabes do Natal,
mas coloca-te à espera
daquilo que de repente em teu coração
se pode revelar

Não reduzas o Natal ao enredo dos símbolos
tornando-o um fragmento trémulo sem lugar
no concreto da vida
Não repitas apenas as frases que te sentes obrigado a dizer
como se o Natal devesse preencher um vazio
em vez de o desocultar

Não confundas os embrulhos com o dom
nem a acumulação de coisas com a possibilidade da festa:
o que recebes de graça
só gratuitamente poderás partilhar

Cuida do exterior sabendo que ele é verdadeiro
quando movido por uma alegria que vem de dentro

Uma só coisa merece ser buscada e celebrada, uma só:
o despertar de uma Presença no fundo da alma

Por isso o Natal que é teu não te pertence
Só a outro o poderás pedir.



José Tolentino M.

sábado, 7 de dezembro de 2013

South African Mood





Por estes dias, todos temos um nome na cabeça.Mandela.Madiba, como era conhecido.
Foi preso, por clamar igualdade.Sofreu 27 anos de prisão.
Mas venceu mais tarde, sendo reconhecido no mundo inteiro, com o prémio Nobel da Paz.
Chegou a presidente.Viu resultados do sonho em que acreditou.Algo tão simples, como a igualdade entre raças.A sua união.
Conseguiu, embora ainda seja um longo caminho a percorrer.
A diferença entre negros e brancos, continua a fazer estragos e a deixar que muitos vivam mal...e sofram.
Mas o grande caminho está feito. Á custa do sofrimento e determinação deste grande Homem.
Coloco-o no mesmo patamar, de uma Madre Teresa, de um Gandhi, Martin Luther King...e tantos outros que usamos como referencia.
E nós, somos referencia?E nós, que mudamos no mundo para melhor?
A sua morte,deixa-nos com vontade de continuar a lutar, por esse sonho.
Eu luto. 





Brilho







Felicidade é o que eu entendo, por estar na moda*


Li esta frase há muitos anos e ficou-me na cabeça. Porque é uma verdade tão absoluta. sendo que a alegria aqui não é apenas um sorriso, uma piadola, ou uma gargalhada escancarada. Não, entenda-se alegria aqui como o brilho da pessoa: é aquela coisa que não sabemos descrever, mas que sai da pele, da cor dos olhos, da forma como os lábios se movem, da forma como se olha. até da forma como se respira.
E aqui não há brilhos perfeitos, piores, ou melhores. há brilhos diferentes. Algumas pessoas tem peles mate, outras acetinadas, outras com uma tez brilhante, umas soltam o brilho num riso, outras num berro. Há pessoas que de tanto (quererem) brilhar, ofuscam tudo à sua volta.Incomodam, outras pessoas que de tão pouco brilho, parece que nos puxam para o fundo de um poço, é sempre tudo pesado ali. outras quase transparentes, em que nem brilho, nem parede, nem alma. Tornam-se indiferentes.

Mas o que importa não é tanto o que se é, mas o que se provoca em com quem estamos.
Não é tanto a alegria que temos, mas a capacidade de a transmitir, de a partilhar, de envolver quem nos rodeia nesse brilho, nesse "hapinness". Os brilhos mais perfeitos são aqueles que são espelho e luz ao mesmo tempo. Em que nos reflectimos e nos iluminamos só com a sua presença. Aquelas pessoas que entram numa sala, num carro, numa conversa, e enchem a coisa de energias boas, de risos suaves, mas puros. De toques leves na mão, mas que arrepiam na espinha.
Tramada é a gestão do brilho. Porque há dias em que não há alegria, nem alma, que resista a tanta adversidade. Entre trabalho, mal-entendidos, palavras mal ditas, vontades que não se cruzam naquele momento, o brilho vai-se perdendo. Desgasta-se. Há horas, dias, semanas, em que sentimos menos alegria, menos paciência, até para os que gostamos. Saber gerir isso é quase uma arte. Dar espaço quando os outros precisam. Recolher ao nosso espaço quando nós precisamos. Sim, porque o brilho precisa de carregar as baterias: numa noite bem dormida, num jantar solitário, num domingo fechado em casa com aquelas musicas. Ás vezes, só quando se chora perdidamente se limpa o brilho. quase reciclagem material, polimento das pratas oculares...ou quando se parte, para fora da cidade, para bem longe, renovando ares, cores, sabores, cheiros, rostos.

Quando sabemos que estamos na frente de alguém único?
Quando o nosso brilho ao seu lado é cada dia mais intenso. Quando nos sentimos crescer, cheios de energia, cheios de uma resistência que nem suspeitávamos que tínhamos, cheios de uma vontade, simplificadora, de apenas querer estar bem, feliz, em paz. Quando mesmo no meio do caos, da confusão, dos dias pesados, basta um olhar cruzado dessa pessoa e sentimo-nos iluminados. Quando um abraço chega para sentir sossego. 
E aqui tem pouco a ver com o que cada um é.  Tem sim a ver com o que duas pessoas juntas são. A tal soma em que 1+1 é mais que 2. Quando sentimos que ao lado desse alguém somos melhores pessoas, mais completas e mais completantes. Em que sabemos que a nossa luz aumentou, apenas, porque encontrou - finalmente - o espelho certo para se projectar.
O brilho dos meus olhos é apenas o reflexo dos teus..' é a coisa mais bonita, não de se dizer, mas de se sentir. E algumas são as pessoas que me fazem sentir isso a cada segundo, a cada olhar, a cada riso. 
Obrigado por serem o melhor reflexo do meu brilho.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

LISBOA - Wendy Nazaré & Pep's

32.
















Estava uma noite fria.Muito fria, talvez como aquela em que vim ao mundo?
Juntei os essenciais.Na petisqueira do Moçambicano, Matateu.
Por isso este ano, ainda que faltassem alguns rostos, por estarem longe...acho que fiz o que queria fazer, aproveitando o facto raro de eu estar em Portugal nesta altura.
Como agradecer o facto de passarmos a noite a sorrir, envolvidos em conversas que despontaram gargalhadas tão espontâneas e um prazer de estar ali, ao lado uns dos outros.A verdade é que todos tão diferentes que são, se complementaram na perfeição.Ou eu sou suspeita, ou tenho amigos especiais, bonitos e que mudam o mundo para melhor!Sim tenho.
Entre um petisco e outro, senti calor.Muito calor.O brilho nos olhos.As memórias.
E especial ter um amigo de Moçambique, que me fez e faz sentir mais perto dos que lá deixei e do amor que nutro por essa terra mágica.
Melhor que isso, foi acabar a noite a abanar o esqueleto entre aqueles que gostam e sabem dançar!

O bónus, foi a Sofia, que ainda nos veio acompanhar num pezinho de dança e abrilhantar ainda mais esta noite!
E ter um anjo da guarda que se desdobrou em 1000 para que a noite fosse perfeita...e foi.




Até para o ano.E obrigado a todos.




Andei a pensar nos dias seguintes e...

1. Continuo a ter uma invejazita saudável, das pessoas que fazem anos no Verão. Sempre quis ter nascido num mês de calor, acho que até a passagem do tempo me pareceria mais leve. Mas não: os trinta e dois chegaram num dia em que céu estava carregado de estrelas, limpo, mas frio, muito frio.Tem o seu encanto.

2. Este ano quase me esquecia que fazia anos. Às vezes andava a antecipar o dia nas semanas antes, excitada com o facto de juntar os amigos ou simplesmente com a data, mas este ano quase só me apercebi disto no dia. Não senti nenhuma euforia. É como se de repente percebesse que a ocasião quase não traz nada mais do que, Gratidão.A vitória de estar viva mais um ano.

3. Às vezes sinto que vivi muita, muita coisa e que aprendi outras tantas. Outras parece que cheguei agora ao Mundo e ainda estou no início da aprendizagem. No geral, o balanço entre as duas não me deixa arrependida de nada.E sinto-me cheia de pequenos filmes, que me passam na cabeça e me fazem sorrir.

4. Passaram trinta e dois anos e continuo a gostar muito de pessoas.E elas fazem os meus dias!Cultivei amigos por todo o mundo.E isso é maravilhoso.

5. Já sinto os efeitos do generation gap. Muitas vezes já me perguntei se sou eu que sou velha ou se há gente muita maluca por esse mundo. Seja como for, às vezes apetece-me mesmo dizer "Antes é que era...".

6. Afinal,gosto de fado.

7. Se pudesse voltar atrás, mudaria apenas uma coisa na minha vida: Traria de volta a vida do meu Pai.Ou nem o tinha deixado sofrer tanto.Mas isso não dependia de mim.

 8. Tenho a sensação que a vida me reserva ainda alguns sucessos e muitas surpresas boas.

 9. Não gosto de viver na era em que temos que abandonar este País lindo, para singrar.Evoluir.Conseguir.Embora ache importante arriscar, sair, conhecer.

10. Acredito que pequenos gestos têm muita importância na vida de toda a gente. Sigo esse lema, nem que isso signifique só, deixar passar um carro num cruzamento.Ou sorrir a quem me atende num café, com grandes trombas, isso desbloqueia qualquer um.

11. Se soubesse o que sei hoje, seria o que sou hoje.A Rita.Com tudo.Tudo mesmo.Até o cancro.Imperfeita e Inacabada.Aprendendo sempre.

12. Sempre que me apaixonei, foi assim com todo o coração e toda a alma, e feita de uma entrega total.Porque só faz sentido se for assim.E isso deixa-me tranquila. Continuo a dar-me bem com todos os meus ex amores.Isto é bom.Sendo que o amor, namoro, entenda-se, continua a ser um campo que coloco nem sei como, em segundo plano...

13. Aos trinta e dois anos, continuo a ter na cabeça que hei-de escrever um livro. Não consegui ainda idealizar o estilo, o tema ou a estrutura mas sinto que vive qualquer coisa dentro da minha cabeça, assim como muitas aventuras que vivi, mas deixo isso para a velhice e quando as pernas não puderem andar mais, a bordo de um cruzeiro!

14. Dá para funcionar sem café mas é chato.E o sabor que deixa na boca, e abrir o açúcar, todo um ritual.

15. Cresci no meio de muitos rapazes e por isso acho que eles ficam, enquanto as raparigas se vão perdendo pelo caminho.Amizades que pensei intocáveis, inabaláveis, afinal...não eram.Mas tenho uma amiga há 32 anos.Sim.

16. Todos os dias vejo as noticias e vejo a crescer uma certa raiva que sinto pela classe política do meu país.Nem preciso explicar.

17. Dava tudo para voltar a Moçambique a ver os meus Konguitos.Abraça-los, nem que fosse por um instante.Respirar aquele ar.Ouvir aquelas vozes.Sentir aquele sol.

18. Aos trinta e dois anos estou-me mais ou menos marimbando para o que os outros pensam de mim e até consigo sair à rua de pijama e chinelos para por o lixo.O mesmo se aplica a esta forma de vida meio louca e incerta. Não me pesa a maturidade...aos olhos de muitos.Acho-os cinzentos e desinteressantes.Afinal maturidade é ter feito o que realmente queria e não o que a vida me obrigou.

19.Às vezes estar visível não é tudo o que importa.Sei de muita gente que me continua a seguir na distância, em silêncio e nem se pronuncia.Oxalá que continuem a gostar de mim, como um dia eu gostei deles.

20. São trinta e dois anos de certezas e de outras tantas dúvidas a nascer. Estou grata por tudo,sem tirar nem pôr mas por favor não me quero tornar numa optimista oca ou numa pessimista deprimida. 
Quero apenas e só, ser Louca e feliz.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Dezembro.




Agora que a época se aproxima, e depois de muito racionalizar e desdramatizar o feito na minha cabeça, sinto uma angústia pequenina a crescer.
De repente não quero que seja Natal. 
Para mim Natal não é nada do que se vive por aí.
Claro que tenho a família á minha espera que não me faltarão na noite da consoada, mas ficar-me-á a faltar sempre qualquer coisa.O meu pai.
E a noite da consoada, é só a noite da consoada. Não pode nunca ter mais importância que o resto do ano, que os dias...e com quem os partilho.
E desde então o Natal nunca mais foi a mesma coisa.E agora resta-me alegrar-me com todas estas luzinhas que se acendem e ficar quente por dentro...á medida que os dias avançam iludidos por cores, campanhas, gestos típicos de Natal...
Acho que passei a pertencer aquele grupo de pessoas, anti Natal...mas não sou radical, porque para mim, ele tem um verdadeiro sentido cristão e de entrega.Mas a entrega não a vivo só agora.É o meu modo de vida. Então Natal, vivo-o diariamente em gestos muito concretos.Interiormente.
Quando se perde alguém assim, não queremos simplesmente que o Natal chegue.Ponto final.
E eu ainda hei-de aprender a viver com isto.
Um dia.
Não já.
Afinal, só passaram 4 anos...



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

MISSÃO.Alcoutim.




































































Longe de Lisboa.Quatro horas de caminho, feitas no fim de um dia de trabalho, na correria de chegar ao ponto de encontro.Entulhar os carros de sacos cama, comida e partir.
Horas a descobrir quem somos...não nos falta pelo caminho.A expectativa de chegar.O que vamos encontrar?Seremos capazes de ajudar realmente quem ali parece estar esquecido?
Horizonte a perder de vista e o frio do Inverno a fazer-se sentir.
Tarefas partilhadas.Comunidade.Distribui-se trabalho.Partilha-se tudo.Organiza-se.
Em grupos, partimos, pelos montes fora, que parecem perdidos e longe de tudo, mas ao mesmo tempo guardados num pedacinho de céu.
O isolamento é de facto o que mais marca e custa, por aqui.O que estas pessoas mais sentem falta é de conversar um pouco, de partilhar as suas histórias, problemas, cansaços e até alegrias!
Ao chegarmos, somos sempre bem recebidos, com enorme entusiasmo, ao longe, já nos pressentem.E ainda na mesma manhã dizem ter pensado em nós.As portas como os sorrisos abrem-se de par em par, para nos receber e sejamos poucos ou muitos, a refeição pode sair mesmo na hora.Que grande lição.Quem pouco tem, tudo dá.De tudo se fala, e pensando eu, que o isolamento, os deixava longe do que se passa no mundo, mostram entender mais que muitos políticos e entendidos na matéria.A visão clara e esclarecida sobre a crise.Falam-nos de tempos em que nunca conheceram sapatos ou fartura de nada.E aí pensamos, crise?Nunca nos faltou o essencial.Mas eles criaram-se e unidos ficaram para sempre.Hoje, graças ao que a terra lhes dá, nada ali falta.Principalmente a boa vontade.
A verdade é que a paz que ali se vive, é grande.Muito grande e impossível de não se sentir.Aliás, é essa mesmo que trazemos ao deixar Alcoutim, vimos com ela...entranhada na alma,na pele...e com vontade de voltar.Uma e outra e outra vez.Porque afinal dois dedos de conversa e um abraço, nunca foram tão importantes, como ali.Pode ser uma gota no oceano, mas o compromisso com estas pessoas é muito importante e muda para melhor as suas vidas e as nossas.Porque existimos uns para os outros.Porque nos amamos naqueles instantes.E se todos se comprometessem com algo no mundo...
Todos conhecem o MSV, ao passar no largo, ao sair da igreja onde o sol bate e nos aquece...olhando um rio mais do que belo.
E pensar que há mais de 20 anos, outros jovens partiram vezes sem conta, como nós, para fazer o mesmo.Quantas gargalhadas, vidas, partilhas, ali não foram feitas?Quantas mudanças interiores?Decisões.Caminho.
Isso deu-lhes direito a um mural de azulejos que retrata o melhor da terra e nichos que marcam a sua passagem por cada monte.E mais importante que isso a confiança e a alegria que como um testemunho,passa para quem se segue.Nós,que ao chegarmos logo vemos a porta a abrir-se, sem medo, com alegria.Como família.Tão bom.


Obrigado MSV.