terça-feira, 26 de março de 2013

Partiu a Ir.Ferreira...





Há hoje no Céu de Lichinga uma ESTRELA que brilha mais.
Sempre tive medo que este dia...chegasse.Era eminente.Mas ao mesmo tempo, ela levava tudo com tanta coragem, que nos fazia esquecer que estava muito doente.Uma leucemia...de muitos anos.
O que a mantinha viva, era o projeto...eram os meninos e a machamba.Dizia.No dia em que parasse...morria.

Relembro o cantinho da Solidariedade, a sua Machamba,e loja, que alimentava mais de 150 famílias, que dava emprego a muita gente.Uma obra maravilhosa, que eu tive o prazer de ver, participar e sentir...um dia voltarei, quem sabe para fazer o que ainda falta...
Na porta da escola os meninos gritavam Ir.Ferreira...Ir.Ferreira...!!!

Conduzia a sua carrinha velha, pela cidade, para trás e para a frente.Era comum, carregar crianças, velhotes que lhe pediam boleia...galinhas,legumes...da sua machamba...e no seu jeito atarefado ia colmatando as necessidades de muitos.
O carro por dentro era um mundo, listas... pedaços de coisas...e vontade.Vontade de ajudar, quem nada tinha.
Era um prazer girar com ela, pela cidade e sentir a vida que ela tinha.
Mesmo doente...ia indo.E mesmo que eu temesse um dia a sua partida...esse dia era distante.6 meses depois de deixar a minha Lichinga, ela partiu.Hoje.

Ela era o rosto de Cristo...na terra.Aquela cidade nunca mais foi a mesma.Viveu 44 anos em Moçambique.Disse, quero morrer e ficar aqui.Assim se cumpriu.
Descansa em paz...querida Mana.
Obrigado por tudo o que me ensinaste...



domingo, 24 de março de 2013

By the moment...Luanda-Lisbon

















Algumas vezes pensei se não seria loucura da minha parte meter-me num avião para o outro lado do mundo nestas condições. Ainda hoje penso que foi loucura da minha parte ter-me metido no avião nestas condições. Mas nunca dei parte de fraca, isso teria sido a morte dos meus sonhos, sobretudo se tivesse vacilado perante a mim mesma, que nunca tive medo das oportunidades... Só falei dos meus medos aos meus melhores amigos (sim, meus queridos amigos), que me responderam simplesmente, que onde quer que fosse eu seria feliz!E pronto, com esta me fui, lá fiz das tripas coração, arregacei as mangas e fiz-me ao caminho.



De momento, a minha vida gira em torno de duas cidades...e vou dividir-me entre elas...nos próximos meses.
Podem entrar ainda outras cidades, neste vai e vem, mas para já  Luanda e Lisboa (Cascais).
As 8h que separam estas duas cidades, dão-me tempo para pensar...e organizar ideias.Para sonhar o futuro e os planos que entretanto foram nascendo dentro de mim.Eles vão acontecer.
Enquanto isso não chega existe um caminho...a trilhar.
Os últimos meses não tenho parado.
O mundo, é o palco onde me movo.


Em Luanda... 

Ando de motorista para todo o lado.E minha segurança  essa não a sinto em risco em momento algum.

Já criei alguns laços ainda que muito ténues, os que comigo convivem diariamente...e que aos poucos me foram mostrando, como tudo funciona.São eles que me fazem sorrir todos os dias e com quem partilho tudo.

 tive a oportunidade de constatar a disparidade social...que se afirma de forma exuberante.E isto é o que mais me custa.Luanda cresce a olhos vistos.

 senti um calor de morte...e apanhei uma grande molha de uma chuva tropical.

 fui picada por um mosquito no pé  mas que felizmente não tinha paludismo.

 ouvi historias da guerra e de amor...de gente forte que sobreviveu e lutou.Gente cansada e humilde que me dá o exemplo.

 senti o cheiro e o sabor de um continente que amo, novamente.Aprendi a comer a comida Angolana.

Tenho 2 quartos, onde repousar a km e km,um do outro...e vou cada vez menos ao meu verdadeiro quarto.Talvez seja o tempo de o deixar de vez.

Ouvi os meninos dizer tata, caminhei por um mercado de rua...e encontrei uma linda menina jogada no meio de sapatos velhos, que como um sinal me encheu de esperança...pelo que ainda tenho a fazer.

Senti que de facto estou na cidade mais cara do mundo, onde uma alface custa 7 euros, 4 iogurtes, 12,50 euros e uma garrafa de água pequena, 10 euros.
Mas eu por ali, pouco gasto e vou fintar esta crise, com uma grande pinta.

Entre tantas coisas que os meus olhos captaram e sentiram...uma me fica...que a quantidade de experiencias,realidades, percursos de vida e diferentes culturas que tenho adquirido, um dia vão dar um livro.
Mas as saudades...da vida simples e de entrega...essas nunca se calam e esse será um dia, o meu fim.

E não me adianta continuar a falar desta dor no peito, discutir se a dor é física ou psicológica, que eu sei bem que a sinto, que me dói como há muito tempo não sentia dor nenhuma e não me interessa mais nada. Não adianta de nada dizer que ainda não acredito que vivi um amor impossível, ou falar da vontade de acreditar que talvez ele não seja impossível, do medo de que afinal seja mesmo, do horror que me causa a perspectiva de nunca mais poder voltar, das borboletas no estômago, do desejo permanente de regressar ao fim do mundo...Lichinga, Niassa, Moçambique.








terça-feira, 5 de março de 2013

Angola






Depois de muitos dias de espera, pelo visto de entrada em Angola, depois de passar 1 mês que deixei Londres...eis que tenho, mais que decidido o que quero.
Nada como o tempo.
Aqui vou eu,pronta a enfrentar novos desafios.Por um futuro melhor.
Pode parecer fácil, isto de nos deslocarmos a toda a hora, para outras realidades.Eu gosto,apaixona-me,mas ninguém disse que era simples.Implica uma boa dose de coragem e leveza.O nunca estar cá e lá  faz-nos sentir que vamos perdendo certas coisas, ao passo que ganhamos outras.Mas eu tenho uns amigos de ouro,que me fazem sentir que nunca estive longe...e que estamos juntos todos os dias.
Custa-me sempre, deixar os que amo...o meu cantinho,aqui plantado á beira mar...este sol de inverno, estes sabores.
Mas a vida segue...e com ela a mudança, mudar faz bem.
Na cabeça fica a missão e os dias de entrega...que não muito longe estão, de voltar a acontecer.
Projetos e ideias não me faltam...estou a fervilhar de sonhos.E estou no caminho certo para o conseguir.
Agora fecho os olhos, passo a noite a voar pelos céus e amanhã, é um novo dia.E a mesma Rita.
Até breve.


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sobre o Amor que se deixa, antes de partir...







Em 2012 tive saudades de ser assídua na escrita. Mudei de continente e de vida. Tive chatices e alegrias. Vi pobreza e riqueza, lado a lado. Fui livre. Ouvi tocar e cantar como nunca antes.Dancei pelos dias, sorrindo.Amei o quanto pude dos meus Konguitos. Fiz centenas de amigos e de quilômetros em autocarros e comboios e milhas em aviões. Fortaleci laços que não eram de sangue e os de sangue vi-os enfraquecer. Lutei. Consegui.Vi resultados.Vivi.
E agora?Agora preparo-me para fazer o que seria inevitável. Partir. Voltar ao continente Africano, aquele que me chama, aquele onde me sinto em casa.
Em 2013, já respirei o sol de Roma,senti o frio de Londres, amei Portugal,senti a minha casa.Tive tempo para me ocidentalizar.Vi quem não esperava encontrar,já me senti perto e longe de tantas pessoas.
Pensei e repensei a minha escolha e sigo adiante...fazendo o que sempre fiz.Confiar. Contra todas as opiniões, ideias seguras...e afins.
Nem tudo vai ser perfeito...mas eu encontrarei a beleza seja onde for.
Quem diz não sentir medo, mente .Mas quem o enfrenta, vive.

E só amando, se chega onde nunca se pensou chegar.
E no coração levo tudo isto...
 







quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

My Valentine...




Foto: 43/365




A proposito do dia de S.Valentim e para todos os que como eu, não lhe dão nenhum valor e estão fartos de ver corações e promoções mais parvas,para fazer a dois... aqui vai:

Dia dos namorados???Mas que fantochada vem a ser esta?Eternos namorados poucos conseguem ser todos os dias.Tem que se namorar nas dificuldades, como nas horas felizes.Todos os dias são bons para surpreender, para amar...principalmente quando o cansaço vem e torna tudo mais duro.
Uma segunda feira ao fim do dia, perfeita para ir espairecer e surpreender.Uma sexta ao fim do dia arrancar sem dizer qual o destino, apenas fazer as malas e ir.Mas tudo tem que ser neste dia?
Ter alguém para dizer, que se tem alguém, porque não se pode estar sozinho, acaba por ser um teatro que muitas vezes termina mal.
Eu respiro por ser livre, ir, estar, fazer o que quero e conseguir amar. Não tenho vergonha de estar sozinha...porque no fundo eu amo tantas pessoas ao mesmo tempo, de forma livre,bela e profunda e maior amor que a amizade, ainda não conheço.
E quando amar, que seja um amor diário, constante,fiel...sem este glamour cor de rosa em que teimam pintar o amor.O amor nunca foi cor de rosa.Pelo contrario, o amor acaba por ser mais cinzento mas mais verdadeiro.
Os amores mais belos, que conheci, fugiam sempre deste brilho.
Amar todos os dias, a toda a hora, o mais difícil de tudo.
Amar um só dia, isso e muito fugaz.
Querem-se amores para toda a vida e não por uma noite.
S.Valentim, não previa nada disto.Acho que lhe saiu o controle das mãos.
Amem-se verdadeiramente, sem esperas, ao minuto, porque a vida urge.
E o amor, reside em coisas bem pequeninas...quase invisíveis.Ou coisas tão grandes, como dar a vida pelos outros.E esse amor vivi-o eu.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Londres





Acabo de chegar.
Foram 3 semanas em Londres.
Duas de trabalho, em que os dias foram pintados de neve e muito frio, brincadeira e descoberta.
Uma semana, para reencontros, com os rostos mais improváveis e amigos.Desde a Roménia, a Moçambique  abracei amizades que perduram pelo tempo...e pelo mundo.
Não há distancias que nos separem dos nos amam.
Reencontros também com os locais míticos que me trouxeram uma certeza.Eu sei quais os meus lugares.Eu sei onde poderia ou não ficar.Isso sente-se muito claramente.
Londres, deixa-nos marcada uma interculturalidade impressionante.Deixa-nos apesar da falta de sol...a grandiosidade dos monumentos e daquele rio que abarca nas suas margens o moderno e o antigo.
Foi bom, poder parar e confirmar mais uma vez, onde podemos ou não, vir a pertencer.
Nada melhor do que caminhar com os nossos pés, sentir os locais e depois decidir com o coração.




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Roma TZ



Deixo os melhores momentos de uma bela Jornada!








Roma TZ



 

 









 





Foi um grande encontro.
Foi um confiar, desde que deixei Lisboa.
Correu melhor do que podia imaginar.Para mim foi um voltar, um reencontrar.Tantas pessoas, alguns lugares, mas sobretudo,uma partilha intensa, dos dias, das pequenas coisas.Ganhei uma mama Iltaliana.
Voltei ao lado a lado com o Duende.
Rezei, plenamente, com toda a minha alma.Bebi do sol de Dezembro...ao lado de 3 pessoas lindas, mais 40.000! 
Tanto havia para dizer, deste encontro.Aqui voltarei, depois desta partida para Londres repentina, mas esperada.
Assim que assentar, escrevo um pouco mais.
Obrigado a todos, os que guardo.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Natal 2012

 












 

 





Esta quadra de Luz e calor, foi maravilhosa.Fui vivendo um pouco da mesma, com diversos amigos muito queridos.
Apesar de todas as incertezas que por vezes nos assolam, tudo correu bem, tudo se encaminhou e me levou ao local mais quentinho, que podia haver.A estes primos,tios,que amo.
Ao meu Pai, ali presente de alma.
Sei dizer, que eram 00h40, ainda nem as prendas estavam abertas pois estava tudo ocupado a rir e a aproveitar a companhia do outro...e foi bem mais tarde, que nos dedicamos a essa troca de mimos simples, mas sobretudo aos afectos...que nos dizem, que o importante,sempre vai ser, estarmos juntos!Uma boa energia gigante toma conta de todos! 
E acho que mesmo antes do Natal, data oficial, eu o vivi aqui e ali, como um modo de vida.

A quadra ainda segue, desta vez em Roma para a passagem de ano...no encontro de TZ!
De 27 a 10 de Janeiro, ando por ali.
Depois os dias seguem numa aventura meio sem destino...por onde houver terra para correr.Eu e o Duarte mais uma vez.Confiando em cada dia...
E quando regressar a Portugal,2013 reserva-me surpresas que eu mesma lutei para ter.
Entre Angola e Londres, fiz uma escolha.
E assim irei eu.Uma vez mais.Desenhar o meu caminho.Feliz,sobretudo pelo que a vida me deu e continua a dar oportunidade de viver.
O ano que passou, foi cheio,agitado e na minha Lichinga,nos meus Konguitos!Melhor podia sempre ser, mas eu contornei tudo e atingi com grande pinta,todos, mas todos os objectivos.O ano que vem vai ser ainda melhor!
Bom ano a todos...com muita luz,magia e sonhos para cumprir!



E muito naturalmente a vida nos revela aquilo que nos faz falta e sobretudo quem...


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O que vai ser,é.

 





Os dias, sucederam-se num encadeamento natural...desde que cheguei.
Coloquei esforços, infindáveis para que tudo acontecesse num certo sentido...no que toca á minha vida e ao meu futuro.
Nunca controlamos tudo, mas há uma parte da nossa vontade, desejo ou mesmo intuição que podemos e devemos controlar.
Na minha vida tem sido sempre assim, há um curto período de tempo, que me sinto um tanto ou nada, á deriva, porque me detenho a pensar e a repensar, qual o caminho a seguir.
Viver não nos dá nenhum passaporte para passagens automáticas de uma cena para a outra, quase como que por magia.
O arranque de uma á outra cena, de uma á outra realidade, leva tempo...tira-nos energia, desgasta-nos.Faz-nos permanecer algum tempo, num limbo de emoções no que toca ao futuro.Nunca ao que somos,porque isso para mim, está mais do que certo.
A verdade é que quando atinjo o auge desse momento, em que muitas vezes um certo desespero se apodera de mim, a vida acaba por me responder, muito claramente...de uma forma que não posso ignorar o que me está a dizer, que devia ter confiado mais, desesperado menos.
E eis que mais uma vez comprovo, que a fé move montanhas e que quem espera sempre alcança de certa forma o que procura.
Quando pus os pezinhos em Portugal, tinha uma ideia esboçada de para onde gostaria de ir e o que fazer.Depois do esboço, veio um desenho mais sólido e consistente e quando finalmente estava quase tudo colorido...por uma bonita mescla de cores, abrem-se tantos outros caminhos, igualmente cheios de objectivos e desafios...interessantes.
Cá para mim, penso que África continua a chamar por mim, mesmo que para outro ponto.A porta abriu-se ao meu simples toque. 
Aquele continente arrebatou-me a alma para sempre.É sabido.
E depois existe o mundo Ocidental, que me parece tão frio, distante, apesar de estar mais perto geograficamente é cada vez mais vazio de sentido.E não sei como explicar este sentimento...quando sei que foi este o meu primeiro destino, quando projetei uma mudança para mim, novamente.
As coisas podem mudar ao segundo, no simples instante de uma palavra...de um piscar de olhos, de um gesto que nunca sabemos o quanto pode repercutir-se na nossa vida.
Se por um lado, rebento de uma certa alegria, por muito facilmente se abrirem portas diante de mim, por outro sinto que estou prestes a entrar num mundo vazio...onde nada se identifica comigo e onde tudo o que resulta, apazigua e consegue agir, é o que eu sempre usei...implacávelmente, contra todas as coisas que nos parecem impossiveis.
O AMOR.



E onde ele entra e actua, há efeitos nunca antes vistos.
Orgulhosa do que já fui capaz...em tão pouco tempo...mas ainda não chega.




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Natal...já?


 

 
 
Dezembro.
Esta esta semana, seria suposto fazer a árvore de Natal?
Ainda não fiz nada, relativo ao Natal.
Isto ainda me soa a estranho,na minha cabeça, devia estar calor e as coisas deviam ser celebradas sem enfeites e afins.Mas agora estou por cá e terei que me habituar.Afinal eu pertenço aqui.
Já se sente uma certa agitação.Luzes que se acendem, cores que marcam...e consumismo que sempre se instala.

A minha ligação com o Natal não é propriamente, a que era há uns anos atrás.Vi coisas tão simples, por aí.Talvez este ano, devido a esta crise, as pessoas comecem finalmente a simplificar e percebam de uma vez, que o essencial não reside nas coisas, reside nas pessoas e nos afectos.
 
Os últimos Natais têm sido progressivamente mais tristes, sem o meu Pai.
Confesso, que há 3 anos que o meu natal, não passa por normalidade.
Na Turquia, vesti-me de palhaça e fui dar vida aos putos no hospital.Passei o dia aos pulos e a cantar.Nem eles percebiam porque estava ainda mais tresloucada, naquele dia.Eles que não celebram o natal.A ceia foi numa casa Turca, com uma família muçulmana.Também já o passei na rua, a dar sopa quente aos sem abrigo...e dormi muito melhor, nessa noite, mais do que se tivesse estado sentada a uma mesa a comer, quentinha e confortável, com as conversas de sempre e a abrir presentes pelas 00h...MEDO!
E fugir á regra, dá-me um prazer enorme.Porque o natal não está na regra, mas dentro de mim.
Acho que as pessoas, na sua maioria, ainda não percebeu isto.O Natal, acontece dentro.O que se vai vendo por fora, é apenas fantasia, que tarde ou cedo, morrerá.

Mas este ano vai ser um voltar ás origens.Vou passar o Natal, no Alentejo, onde o meu Pai nasceu, cresceu...e onde descansa.Vou estar onde encontro o riso das crianças...e onde a tradição ainda vai sendo o que era.Onde o frio aperta, mas há um fogo aceso capaz de o combater.
Onde aqueles que o conheciam ainda me podem levar a senti-lo mais de perto.É para ali que me puxa o coração.

Apesar de reencontrar uma família onde me sinto muito bem e da qual gosto muito, temo que o Natal, nunca mais volte a ser o que era.Esta é talvez a visão de adulta...que viu o Natal, em diferentes perspectivas.
Venham de lá as luzinhas, pela cidade fora, as músicas e os sabores da época e pode ser que eu me decida e ainda faça a árvore de natal.
 
E este ano, em vez de chorar a distância do que vivi, as saudades ou a cambalhota que fui obrigada a dar por perder um Pai que era no fundo o coração de tudo, posso agradecer a oportunidade tão avassaladora de mudar de vida, de ter conseguido realizar-me como ser humano.
E eu acho que, à falta de Thanksgiving, é para isto que serve o Natal: não para chorar ou lamentar o que se perdeu pelo caminho, mas sim abraçarmo-nos todos e agradecer as mudanças,as aventuras vividas, os amigos, a família,aquela que nunca desiste de nós e os bebés que já não são bebés mas que nunca deixarão de o ser. 
E é claro que a nossa vida não é perfeita, tão longe está disso, mas o que temos foi conquistado por nós e esse presente de Natal não se pode comprar.
 
 
 
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Tenho um sismógrafo,no lugar do coração.

 






"Acho que não devia fazer electrocardiogramas eu, devia fazer escalas de Richter porque me parece que em lugar de coração tenho um sismógrafo cuja agulha assinala o menor estremeço interior ou exterior com uma amplitude imensa: basta-me viver para a agulha não parar e que cordilheiras de tinta os meus dias. Se me perguntam:
- Como vais?
só tenho a mostrar riscos enormes, capazes de fazerem cair todos os prédios da cidade e espanta-me que Lisboa permaneça intacta e o chão nem oscile."


Lobo Antunes

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O dia em que deixamos algo para trás.






É um dia igual aos outros. 
De manhã o sol nasce e à noite põe-se e fica escuro outra vez. 
Os donos passeiam os cães de manhã, os pais deixam os filhos na escola, as pessoas esperam pelo autocarro e a manteiga está dura de estar no frigorífico, como sempre.Pessoas partem e chegam a diversos pontos, enquanto eu desejo e vou vivendo e pensando em tudo isto.Amando o mundo, desta forma que me aquece.
Mas não é um dia igual aos outros, cá dentro não é.O dia em que se parte ou de deixa algo para trás.
O mundo que continua a girar com a mesma velocidade e as mesmas rotações por minuto parece que está envolvido numa espécie de celofane, ou que saímos de casa, com aquelas borrachas para o barulho ainda nos ouvidos. A vida continua, mas parece que só lá ao fundo, quase irreal, como as imagens que passam nas salas de espera das urgências e a quem ninguém liga. O dia em que as coisas acabam, tem 24 horas como os outros mas é uma espécie de maratona interminável. É o dia do nosso adeus com um sabor meio desastroso, um adeus,que sabe bem pior do que ter negativa na escola ou perder uma corrida, ou queimar o jantar com convidados à mesa, porque é um adeus, que vem de dentro, que vemos só como nosso, mesmo quando  é pouco justo, impor esse peso.
Porque apenas eu sei o que vivi e não o posso explicar.E isto funciona como uma bolha.
É o dia em que queremos que falem connosco e nos façam esquecer este aperto no peito, ou então que fiquem calados, porque dói se disserem coisas tristes, e dói se disserem coisas felizes. É o dia em que sentimos que estamos a deixar tanto para trás mesmo quando as pernas andam para a frente, e como somos humanos, não conseguimos evitar ficar ainda mais, um bocadinho mais tristes. Dizem-nos que é o primeiro dia das nossas vidas,quando deixamos algo, mas enquanto acontece parece só um grande, enorme,Adeus.
E depois permanecemos num limbo, que mais tarde ou mais cedo termina, porque tudo o que queremos, acaba por acontecer.
E depois, hei-de escrever sobre o dia em que inicio algo, de novo e da felicidade que isso me faz sentir.Eu sei,eu sei que vai ser assim.Mas ainda não chegou o dia.
 E viver, como eu escolhi, passa por tudo isto, a euforia da partida, em que não se vê mais nada, apenas, o ir.
E nesse dia somos os maiores.E podemos ate deixar algumas coisas para trás porque elas não interessam naquele momento.Mas elas não deixam de existir.
Depois a alegria da chegada e dos reencontros, que nos dizem o quanto somos amados.O nosso espaço, as nossas coisas...os sabores, cheiros de sempre.
Logo a seguir, vem a apatia da estadia,(a fase em que e encontro neste preciso momento...) para quem como eu nunca parava quieta e encontra um Portugal pior do que nunca.Embora lute diariamente pelo futuro e tenha planos bem definidos do que quero a seguir.
Mais tarde volta-se a uma montanha de emoções, porque algo surpreendente nos espera e acorda em nós o espírito de aventura e entrega, perto ou longe.
Mas a reconfortar-nos temos as recordações, e aquilo em que nos tornamos e que já ninguém nos tira.
A riqueza infindável que nos habita.
A vida, toda ela, uma montanha russa.





terça-feira, 27 de novembro de 2012

31.


 

 







 
 
 
 
 
Passam trinta e um anos desde que nasci. 
Sei que fui uma bebé muito amada, com um crescimento normal,mas tenho a sensação que fui sempre meio rebelde e, como não sinto pena nenhuma disso, sei que ainda hoje o sou.Caracteristica que me tem levado a conquistar os sonhos.Os que mais queria, os que me fizeram discutir...porque seriam bons para mim, ou não.
Cumpri-os.E ainda faltam tantos.

 Foi um aniversário diferente: passado em casa,perto da família que existe aqui, dos amigos mais queridos e com toda a alma com outros tantos espalhados pelo mundo que se lembraram de mim.Existem laços que parecem ser de sangue e os chegam a substituir e a anular.E eu sei porque o digo.
Lembro-me dos 23 ano, no hospital, depois de ser operada, ainda com dores e meio sem saber o que ia acontecer.Lembro-me de querer sair dali, mas pensar que tinha o maior presente de todos, a vida.
Lembro-me dos vinte e cinco anos e uma festa de arromba com 50 pessoas.Metade dessas pessoas desapareceu.Ficaram 4 ou 5, e que amo muito. 
Lembro os 27 em plena aventura, rumo a Escócia, primeiro um avião e depois um comboio, para reencontrar o Duarte, sem um sítio para dormir com espaço e a partilhar tudo, as palavras desenfreadas pela saudade,com neve na janela, e frio, muito frio, mas um calor que ate hoje perdura.Ou lembro os vinte e nove na Turquia com uma família Turca, que me acolheu como filha.E tive um lindo bolo e um anel de princesa.
Mas desta vez houve surpresas que não esperava.Foi tudo tão natural, aconteceu...e eu deixei que estes dias fossem indo e me contagiassem com uma alegria extrema e profunda gratidão pelas pessoas maravilhosas que me rodeiam.
Mas tive saudades.Saudades do meu sol e dos meus rostos de Moçambique.Um bocadinho só.
Pelo menos tive uma data de crianças lindas  a cantar-me os Parabéns e roubar-me o protagonismo no momento de soprar as velas e por isso dou-me por satisfeita...pois para eles aquele momento tem magia.Com ou sem os Konguitos, senti essa cor.

Tinha uma foto perdida, do meu Pai, nas malas ainda por desfazer, que guardo como garantia do cheiro de Moçambique, e quando me chegou às mãos, foi como se fosse um sinal. 
Eu sei que muitas coisas são difíceis, como esta crise, como o facto de já não o ter aqui, mas, se parar para pensar, há algumas que só precisam de mim mesma para acontecer. E por isso gostava de continuar a adoptar isto como o meu lema nos próximos anos: nada é impossível! (Tendo em conta tudo o que já aconteceu na minha vida)
E assim sendo há umas coisas a que me proponho no futuro: perder mais peso (para ajudar ao peso perdido), continuar a viver pelo Mundo (embora me tenha afeiçoado a alguns locais que me marcam, quero ver e tocar mais este planeta!) e agora o desejo de sempre,escrever um livro. Infelizmente, para este último desejo, falta-me muito, inclusivamente perceber como se faz. Mas ninguém paga por tentar!E a mim não me falta o que contar.
Gostava de encontrar de vez o meu príncipe desencantado (que sei ser irreal,ahahah!) e ter uma família, ter um filho.Amar.Lutar por esse amor diariamente.

E prometo tentar viver com menos ansiedade, aceitar os ensinamentos que os momentos mais vulgares nos trazem todas as vezes que lhes damos atenção, ser menos colérica e impulsiva, duvidar menos do meu desempenho como ser humano,pois está mais do que provado que surte bons efeitos. 
Nada mau, para apenas mais um ano de vida e para os 31 que passaram.

E hei-de continuar acreditar tanto em mim como a minha mãe e o meu pai, quando eu nasci e era ainda promessa de vida. Eles sabem bem o que fizeram. E criaram uma miúda que vive como louca a vida que ganhou, e mesmo que não muito normal,ela vive feliz.
No final de contas, os Parabéns não são todos para mim, mas para os meus pais, que me puseram no mundo e para os que me encontrando, me fizeram assim.
Todos, todos,todos os que se cruzaram comigo, (mesmo que por pouco tempo). 
:)