Olhos que vêm,olhos que sentem... flutuam,acariciam, protegem, olhos que se apaixonam, todos os dias...pelo mundo.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Holidays part 2
Mudei o local, mas não o espiríto.Mudei a rota, mas não as águas do meu lago Niassa.
Mudei as distâncias, mas não o sentimento de estar longe e entregue a uma natureza pura que me acalma, pacifica, mima...embala.
Na mesma semana, percorri as margens do lago, para sul e para norte.Encontrei outros rostos e lugares.Aventurei-me.E este sentimento tomou conta de mim.Uma liberdade sem fim...que perdurará para o resto da vida.Estou certa que um dia muito longe...daqui, vou sorrir por dentro, pensando no que andei e respirei, neste tão querido e Amado Moçambique.
Bem ao meu jeito.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Férias...
Largar tudo.Parar.
Não olhar para trás.Não levar ninguém.Contar apenas com as pessoas que vamos encontrar pelo caminho.
Surpreendermo-nos.Com o silêncio.Com as cores que o mundo nos dá, tão gentilmente.
Foram as melhores férias da minha vida.Longe.
Em paz.Mergulhada nesta cultura tão profunda, onde gnomos e fadas daqui me enchem a alma de forma tão marcante.
Únicas e inesquecivéis.
Há momentos assim, que nos marcam para o resto da vida...
domingo, 15 de julho de 2012
Antes de partir...deixo em pedaços o que me faz tão feliz.
É preciso aprender a aprender...
Tu, amanha não serás igual ao que és hoje, da mesma forma que hoje não és igual ao que eras ontem.Isso é uma garantia. Não é que seja daquelas garantias de um carro ou de um electrodoméstico.É uma garantia da vida.Vitalícia. Tal e qual como uma garantia que o teu sorriso e o teu olhar são uma força inabalável, de força e poder incalculáveis.
E mesmo que na incerteza possas fracassar, sabes perfeitamente que tens onde te agarrar.Em ti mesma, e nos que sempre te ampararam.A lágrima que por vezes derramamos pode ser tão boa e tão forte quanto o sorriso e a gargalhada que tantas vezes demos.Choramos e rimos por querer e sem querer e algumas das vezes nem sequer soubemos o significado de tal, mas fizémo-lo.
Falamos sozinhos e somos loucos e dizemos barbaridades e somos malucos, mas o que é que isso importa?A verdade é que a loucura, pode ser tão dócil quão o pôr do sol com um copo de vinho, uns caracóis e uma agradável companhia, em silêncio, apenas quebrado por olhares que se falam...oh se se falam... tantos segredos desvendados no silêncio.
O fizemos, o cremos....a certeza una de possuirmos o dom mais forte do mundo reside no nosso coração e de sabermos que amanha será um novo dia e que o hoje, o vivemos da melhor maneira e que ficará para a história,a recordar dentro do nosso livro fotográfico de memórias.
Amanhã não seremos iguais, mas com a certeza que continuaremos unidos com o abraço do sorriso, da lágrima e de coração cheio.
É a certeza que temos.
Parto numas mini férias, de mochila ás costas e sem destino certo,porque viajar é mudar a roupa da alma...
Até ao meu regresso.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Sobre o encanto e o desencanto.
Nestes 30 anos de vida e nestes 3 anos longe de casa, aprendi, entre muitas coisas, o significado do encanto e do desencanto que podemos nutrir por alguém.
Este assunto tem-me ocupado a mente nos últimos tempos...em especial porque passa cada vez mais tempo que deixei aqueles que amo para trás...apenas em Km.
Há pessoas que nos encantam á partida, desde o primeiro instante.E esse encanto é capaz de perdurar para sempre.É tiro e queda.E a ele se devem grandes amizades, amores, histórias mirabolantes de pontes entre seres humanos.
Há outras pessoas que nos encantam inicialmente, mas á medida que o tempo passa, nos vão demonstrando o que realmente são.E sim, somos alvo de algumas desilusões....que mais tarde ou mais cedo acabam por cair em esquecimento ou numa fraca e ténue lembrança.
Mas ainda há,as pessoas que nos encantam...e se encantam por nós.Descobrem os nossos defeitos e nós descobrimos os seus
e aprendemos a amar cada um deles, porque amamos também as coisas boas.
E quem gosta, aprende a ser paciente e a aceitar tudo aquilo que de menos bom...existe numa pessoa.As pessoas não se revelam de um dia para o outro.
É um processo lento e com muitos retrocessos.Podemos ter uma ideia do que aquela pessoa é, pelo seu comportamento, pela sua forma de estar, olhar, reagir.Isto sem nunca a podermos julgar, pois o caminho que percorreu até ali...ninguém pode avaliar.Não sabemos como e onde foi feliz, quantas vezes caiu e se levantou...as vitórias que conseguiu, as derrotas que sofreu.Calçar os sapatos dos outros é a melhor forma de os compreender.
Um destes dias, alguém me dizia que uma pessoa acaba por ser como uma flor, que é preciso regar, colocar ao sol, retirar as folhas secas, saber esperar que se abra, pois todos precisamos do nosso espaço.Muitas vezes é preciso morrer, secar e voltar a renascer.Como uma flor...que nem sempre está no auge.
Confesso que esta distância que venho mantendo fisicamente do meu País e meio habitual,me tem enriquecido tanto.Tenho vivido momentos tão únicos, tão intensos e que um dia me vão saber tão bem recordar e aplicar, lá numa Europa que agora é distante mas minha.Mas sei que também tem esfriado algumas relações.Elas continuam lá, os sentimentos não morrem.O que se viveu é eterno e trouxe-me até aqui.Mas eu sei que por via de estar sempre longe...acabo por perder os momentos mais significativos de certas pessoas.Seja o casamento,onde gostaria tanto de abraçar, cantar, dançar, testemunhar, seja o nascimento do primeiro filho no qual gostaria de pegar e acariciar, seja o seu crescimento, sejam aquelas noites em que as palavras não cessam...e as risadas fluem, seja uma viagem repleta de aventura, seja o partilhar de pequenas coisas diárias, mas que nos unem tanto.
Ainda assim, são essas pessoas que povoam o meu pensamento, aqui...que me fazem sorrir mesmo na distância, que me encantaram desde o primeiro instante e continuam a fazer-me sentir segura e amada.E assim me mantenho por aqui, absorvida por este mundo á parte...que me vai ensinando novas coisas e mostrando novos seres pelos quais me encanto.Mesmo que me mostrem uma face menos boa, há seres que escondem em si, um infindável mundo de coisas maravilhosas, que só temos que ter paciência para descobrir.
Cada pessoa é uma promessa de vida na nossa vida...é uma nova cor, um novo aroma.São aliás um desafio tão bom de vencer.
E desperdiçar isso seria deitar fora algo precioso e ainda por lapidar.
Há pessoas que nos encantam á partida, desde o primeiro instante.E esse encanto é capaz de perdurar para sempre.É tiro e queda.E a ele se devem grandes amizades, amores, histórias mirabolantes de pontes entre seres humanos.
Há outras pessoas que nos encantam inicialmente, mas á medida que o tempo passa, nos vão demonstrando o que realmente são.E sim, somos alvo de algumas desilusões....que mais tarde ou mais cedo acabam por cair em esquecimento ou numa fraca e ténue lembrança.
Mas ainda há,as pessoas que nos encantam...e se encantam por nós.Descobrem os nossos defeitos e nós descobrimos os seus
e aprendemos a amar cada um deles, porque amamos também as coisas boas.
E quem gosta, aprende a ser paciente e a aceitar tudo aquilo que de menos bom...existe numa pessoa.As pessoas não se revelam de um dia para o outro.
É um processo lento e com muitos retrocessos.Podemos ter uma ideia do que aquela pessoa é, pelo seu comportamento, pela sua forma de estar, olhar, reagir.Isto sem nunca a podermos julgar, pois o caminho que percorreu até ali...ninguém pode avaliar.Não sabemos como e onde foi feliz, quantas vezes caiu e se levantou...as vitórias que conseguiu, as derrotas que sofreu.Calçar os sapatos dos outros é a melhor forma de os compreender.
Um destes dias, alguém me dizia que uma pessoa acaba por ser como uma flor, que é preciso regar, colocar ao sol, retirar as folhas secas, saber esperar que se abra, pois todos precisamos do nosso espaço.Muitas vezes é preciso morrer, secar e voltar a renascer.Como uma flor...que nem sempre está no auge.
Confesso que esta distância que venho mantendo fisicamente do meu País e meio habitual,me tem enriquecido tanto.Tenho vivido momentos tão únicos, tão intensos e que um dia me vão saber tão bem recordar e aplicar, lá numa Europa que agora é distante mas minha.Mas sei que também tem esfriado algumas relações.Elas continuam lá, os sentimentos não morrem.O que se viveu é eterno e trouxe-me até aqui.Mas eu sei que por via de estar sempre longe...acabo por perder os momentos mais significativos de certas pessoas.Seja o casamento,onde gostaria tanto de abraçar, cantar, dançar, testemunhar, seja o nascimento do primeiro filho no qual gostaria de pegar e acariciar, seja o seu crescimento, sejam aquelas noites em que as palavras não cessam...e as risadas fluem, seja uma viagem repleta de aventura, seja o partilhar de pequenas coisas diárias, mas que nos unem tanto.
Ainda assim, são essas pessoas que povoam o meu pensamento, aqui...que me fazem sorrir mesmo na distância, que me encantaram desde o primeiro instante e continuam a fazer-me sentir segura e amada.E assim me mantenho por aqui, absorvida por este mundo á parte...que me vai ensinando novas coisas e mostrando novos seres pelos quais me encanto.Mesmo que me mostrem uma face menos boa, há seres que escondem em si, um infindável mundo de coisas maravilhosas, que só temos que ter paciência para descobrir.
Cada pessoa é uma promessa de vida na nossa vida...é uma nova cor, um novo aroma.São aliás um desafio tão bom de vencer.
E desperdiçar isso seria deitar fora algo precioso e ainda por lapidar.
E isso... eu não faço.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Ainda agora me vejo a crescer...

O crescimento tem destas coisas.Crescer implica um caminho nem sempre fácil, do qual nem sempre vislumbramos o horizonte que pretendemos.Cair então faz parte.Mas a confiança maior é saber que estamos no local certo, no tempo certo, a viver tudo aquilo para o qual, (ás vezes penso...) fomos predestinados.
Sim, essa missão pessoal...que cada um deve descobrir e procurar cumprir.Só assim uma vida será plena e realizada.
Estes meses por Moçambique, neste segundo ano, têm sido um desafio tão grande no que toca a crescimento.Falo de crescer todos os dias, com tanto que me entra pelos olhos dentro, com tanto que oiço, toco com as minhas mãos...crescer com tudo o que nos obriga a recomeçar de novo, num outro lugar, perto de uma outra realidade...de pessoas diferentes de nós.
Sinto-me agora mais do que nunca, mais perto do povo.Mais perto da poeira do caminho, que antes me passava pela janela do quarto, aquele quarto, naquela rua, naquela casa.Sim, ali, os vidros separavam-me e como, do que que é a realidade.Viver mais dentro do povo, viver mais os seus problemas, experienciar o que vivem desde sempre, cozinhar, comprar, cuidar, como eles...perceber que a vida aqui, é uma luta diária, tão dura e tão grande...mas que dignifica este povo em muito.Parte dessa luta, faz deles aos meus olhos, guerreiros.Sabedores de tradições, segredos, truques, que aplicam no dia á dia...de modo a facilitar toda a vida diária.Tenho aprendido, imagine-se a utilizar um fogão de carvão.A cozinhar nele.Tenho aprendido os diversos truques que permitem fazer um bolo, sem o queimar, colocando areia dentro da panela, e no final colocando a cinza por cima, para que coza por inteiro.Como se reduz por exemplo o lume quando se faz arroz, num fogão destes onde não existem botões que reduzam num ápice a intensidade do fogo.
Eu, Europeia, habituada a ter tudo num minuto,microondas, fogão eléctrico, forno, coisas pré-feitas.Agora vejo e tomo o sabor das coisas mais puras do sabor genuíno que possuem, desde sempre.E todos os dias aprendo algo novo, interessante e que me vai marcar para sempre.Rendo-me a esta sabedoria, que até as crianças desde muito cedo possuem.
Sim, essa missão pessoal...que cada um deve descobrir e procurar cumprir.Só assim uma vida será plena e realizada.
Estes meses por Moçambique, neste segundo ano, têm sido um desafio tão grande no que toca a crescimento.Falo de crescer todos os dias, com tanto que me entra pelos olhos dentro, com tanto que oiço, toco com as minhas mãos...crescer com tudo o que nos obriga a recomeçar de novo, num outro lugar, perto de uma outra realidade...de pessoas diferentes de nós.
Sinto-me agora mais do que nunca, mais perto do povo.Mais perto da poeira do caminho, que antes me passava pela janela do quarto, aquele quarto, naquela rua, naquela casa.Sim, ali, os vidros separavam-me e como, do que que é a realidade.Viver mais dentro do povo, viver mais os seus problemas, experienciar o que vivem desde sempre, cozinhar, comprar, cuidar, como eles...perceber que a vida aqui, é uma luta diária, tão dura e tão grande...mas que dignifica este povo em muito.Parte dessa luta, faz deles aos meus olhos, guerreiros.Sabedores de tradições, segredos, truques, que aplicam no dia á dia...de modo a facilitar toda a vida diária.Tenho aprendido, imagine-se a utilizar um fogão de carvão.A cozinhar nele.Tenho aprendido os diversos truques que permitem fazer um bolo, sem o queimar, colocando areia dentro da panela, e no final colocando a cinza por cima, para que coza por inteiro.Como se reduz por exemplo o lume quando se faz arroz, num fogão destes onde não existem botões que reduzam num ápice a intensidade do fogo.
Eu, Europeia, habituada a ter tudo num minuto,microondas, fogão eléctrico, forno, coisas pré-feitas.Agora vejo e tomo o sabor das coisas mais puras do sabor genuíno que possuem, desde sempre.E todos os dias aprendo algo novo, interessante e que me vai marcar para sempre.Rendo-me a esta sabedoria, que até as crianças desde muito cedo possuem.
As pessoas são humildes no que toca a ensinar-nos algo, que para elas é comum.E ficam contentes.Tudo depende da forma como se dizem as coisas, mais uma vez.
Podia ser Moçambicana, mas não sou, podia saber cozinhar uma data de pratos...uma data de truques, de segredos.Podia saber pilar.Podia saber como fazer xima.Não sei.Sei como amarrar uma capulana, na cintura e na cabeça, sei como dançar como uma Moçambicana, sei como usar as pequenas expressões...que tornam este povo especial.Sei amar esta diferença e levá-la comigo para sempre, fazendo-a perdurar por todo o tempo que dure a minha vida.Sei compreender porque este povo reage assim, fala assim, trabalha assim.
Podia ser Moçambicana, mas não sou, podia saber cozinhar uma data de pratos...uma data de truques, de segredos.Podia saber pilar.Podia saber como fazer xima.Não sei.Sei como amarrar uma capulana, na cintura e na cabeça, sei como dançar como uma Moçambicana, sei como usar as pequenas expressões...que tornam este povo especial.Sei amar esta diferença e levá-la comigo para sempre, fazendo-a perdurar por todo o tempo que dure a minha vida.Sei compreender porque este povo reage assim, fala assim, trabalha assim.
Mas sei, os meus truques e segredos, aqueles que são Portugueses...e parte desse continente onde nasci.E com uma coisa daqui e outra dali vou fazendo, misturas e ás vezes magia...errando, descobrindo...surpreendendo-me a mim mesma no que me vejo a aprender a fazer.E gosto.Tenho aliás pena, de não ter vivido mais meses assim...mais perto do que é uma cultura.Mais longe do que são mordomias...que em nada me ajudam a crescer...apenas nos atrofiam nas nossas tarefas e como pessoas.
Sei olhar um pouco o passado e analisar o que vou vendo e penso tanto sobre o futuro.
Do que vou absorvendo.Do que vou sentindo.
Poderei eu algum dia esquecer o que vivi neste Niassa esquecido por muitos, visto e amado por outros, que como eu...o vão descobrindo, percebendo, recriando?Não.
Poderei eu algum dia esquecer o que vivi neste Niassa esquecido por muitos, visto e amado por outros, que como eu...o vão descobrindo, percebendo, recriando?Não.
Continuo então, a beber dos dias, das oportunidades de aprender, de me tornar mais culta numa sabedoria popular...que resulta numa mescla tão bonita de cores, e no fundo é ela que leva há gerações o mundo para a frente...e o faz ser assim, bonito de se ver e sentir.
=)
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