Olhos que vêm,olhos que sentem... flutuam,acariciam, protegem, olhos que se apaixonam, todos os dias...pelo mundo.
domingo, 15 de julho de 2012
Antes de partir...deixo em pedaços o que me faz tão feliz.
É preciso aprender a aprender...
Tu, amanha não serás igual ao que és hoje, da mesma forma que hoje não és igual ao que eras ontem.Isso é uma garantia. Não é que seja daquelas garantias de um carro ou de um electrodoméstico.É uma garantia da vida.Vitalícia. Tal e qual como uma garantia que o teu sorriso e o teu olhar são uma força inabalável, de força e poder incalculáveis.
E mesmo que na incerteza possas fracassar, sabes perfeitamente que tens onde te agarrar.Em ti mesma, e nos que sempre te ampararam.A lágrima que por vezes derramamos pode ser tão boa e tão forte quanto o sorriso e a gargalhada que tantas vezes demos.Choramos e rimos por querer e sem querer e algumas das vezes nem sequer soubemos o significado de tal, mas fizémo-lo.
Falamos sozinhos e somos loucos e dizemos barbaridades e somos malucos, mas o que é que isso importa?A verdade é que a loucura, pode ser tão dócil quão o pôr do sol com um copo de vinho, uns caracóis e uma agradável companhia, em silêncio, apenas quebrado por olhares que se falam...oh se se falam... tantos segredos desvendados no silêncio.
O fizemos, o cremos....a certeza una de possuirmos o dom mais forte do mundo reside no nosso coração e de sabermos que amanha será um novo dia e que o hoje, o vivemos da melhor maneira e que ficará para a história,a recordar dentro do nosso livro fotográfico de memórias.
Amanhã não seremos iguais, mas com a certeza que continuaremos unidos com o abraço do sorriso, da lágrima e de coração cheio.
É a certeza que temos.
Parto numas mini férias, de mochila ás costas e sem destino certo,porque viajar é mudar a roupa da alma...
Até ao meu regresso.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Sobre o encanto e o desencanto.
Nestes 30 anos de vida e nestes 3 anos longe de casa, aprendi, entre muitas coisas, o significado do encanto e do desencanto que podemos nutrir por alguém.
Este assunto tem-me ocupado a mente nos últimos tempos...em especial porque passa cada vez mais tempo que deixei aqueles que amo para trás...apenas em Km.
Há pessoas que nos encantam á partida, desde o primeiro instante.E esse encanto é capaz de perdurar para sempre.É tiro e queda.E a ele se devem grandes amizades, amores, histórias mirabolantes de pontes entre seres humanos.
Há outras pessoas que nos encantam inicialmente, mas á medida que o tempo passa, nos vão demonstrando o que realmente são.E sim, somos alvo de algumas desilusões....que mais tarde ou mais cedo acabam por cair em esquecimento ou numa fraca e ténue lembrança.
Mas ainda há,as pessoas que nos encantam...e se encantam por nós.Descobrem os nossos defeitos e nós descobrimos os seus
e aprendemos a amar cada um deles, porque amamos também as coisas boas.
E quem gosta, aprende a ser paciente e a aceitar tudo aquilo que de menos bom...existe numa pessoa.As pessoas não se revelam de um dia para o outro.
É um processo lento e com muitos retrocessos.Podemos ter uma ideia do que aquela pessoa é, pelo seu comportamento, pela sua forma de estar, olhar, reagir.Isto sem nunca a podermos julgar, pois o caminho que percorreu até ali...ninguém pode avaliar.Não sabemos como e onde foi feliz, quantas vezes caiu e se levantou...as vitórias que conseguiu, as derrotas que sofreu.Calçar os sapatos dos outros é a melhor forma de os compreender.
Um destes dias, alguém me dizia que uma pessoa acaba por ser como uma flor, que é preciso regar, colocar ao sol, retirar as folhas secas, saber esperar que se abra, pois todos precisamos do nosso espaço.Muitas vezes é preciso morrer, secar e voltar a renascer.Como uma flor...que nem sempre está no auge.
Confesso que esta distância que venho mantendo fisicamente do meu País e meio habitual,me tem enriquecido tanto.Tenho vivido momentos tão únicos, tão intensos e que um dia me vão saber tão bem recordar e aplicar, lá numa Europa que agora é distante mas minha.Mas sei que também tem esfriado algumas relações.Elas continuam lá, os sentimentos não morrem.O que se viveu é eterno e trouxe-me até aqui.Mas eu sei que por via de estar sempre longe...acabo por perder os momentos mais significativos de certas pessoas.Seja o casamento,onde gostaria tanto de abraçar, cantar, dançar, testemunhar, seja o nascimento do primeiro filho no qual gostaria de pegar e acariciar, seja o seu crescimento, sejam aquelas noites em que as palavras não cessam...e as risadas fluem, seja uma viagem repleta de aventura, seja o partilhar de pequenas coisas diárias, mas que nos unem tanto.
Ainda assim, são essas pessoas que povoam o meu pensamento, aqui...que me fazem sorrir mesmo na distância, que me encantaram desde o primeiro instante e continuam a fazer-me sentir segura e amada.E assim me mantenho por aqui, absorvida por este mundo á parte...que me vai ensinando novas coisas e mostrando novos seres pelos quais me encanto.Mesmo que me mostrem uma face menos boa, há seres que escondem em si, um infindável mundo de coisas maravilhosas, que só temos que ter paciência para descobrir.
Cada pessoa é uma promessa de vida na nossa vida...é uma nova cor, um novo aroma.São aliás um desafio tão bom de vencer.
E desperdiçar isso seria deitar fora algo precioso e ainda por lapidar.
Há pessoas que nos encantam á partida, desde o primeiro instante.E esse encanto é capaz de perdurar para sempre.É tiro e queda.E a ele se devem grandes amizades, amores, histórias mirabolantes de pontes entre seres humanos.
Há outras pessoas que nos encantam inicialmente, mas á medida que o tempo passa, nos vão demonstrando o que realmente são.E sim, somos alvo de algumas desilusões....que mais tarde ou mais cedo acabam por cair em esquecimento ou numa fraca e ténue lembrança.
Mas ainda há,as pessoas que nos encantam...e se encantam por nós.Descobrem os nossos defeitos e nós descobrimos os seus
e aprendemos a amar cada um deles, porque amamos também as coisas boas.
E quem gosta, aprende a ser paciente e a aceitar tudo aquilo que de menos bom...existe numa pessoa.As pessoas não se revelam de um dia para o outro.
É um processo lento e com muitos retrocessos.Podemos ter uma ideia do que aquela pessoa é, pelo seu comportamento, pela sua forma de estar, olhar, reagir.Isto sem nunca a podermos julgar, pois o caminho que percorreu até ali...ninguém pode avaliar.Não sabemos como e onde foi feliz, quantas vezes caiu e se levantou...as vitórias que conseguiu, as derrotas que sofreu.Calçar os sapatos dos outros é a melhor forma de os compreender.
Um destes dias, alguém me dizia que uma pessoa acaba por ser como uma flor, que é preciso regar, colocar ao sol, retirar as folhas secas, saber esperar que se abra, pois todos precisamos do nosso espaço.Muitas vezes é preciso morrer, secar e voltar a renascer.Como uma flor...que nem sempre está no auge.
Confesso que esta distância que venho mantendo fisicamente do meu País e meio habitual,me tem enriquecido tanto.Tenho vivido momentos tão únicos, tão intensos e que um dia me vão saber tão bem recordar e aplicar, lá numa Europa que agora é distante mas minha.Mas sei que também tem esfriado algumas relações.Elas continuam lá, os sentimentos não morrem.O que se viveu é eterno e trouxe-me até aqui.Mas eu sei que por via de estar sempre longe...acabo por perder os momentos mais significativos de certas pessoas.Seja o casamento,onde gostaria tanto de abraçar, cantar, dançar, testemunhar, seja o nascimento do primeiro filho no qual gostaria de pegar e acariciar, seja o seu crescimento, sejam aquelas noites em que as palavras não cessam...e as risadas fluem, seja uma viagem repleta de aventura, seja o partilhar de pequenas coisas diárias, mas que nos unem tanto.
Ainda assim, são essas pessoas que povoam o meu pensamento, aqui...que me fazem sorrir mesmo na distância, que me encantaram desde o primeiro instante e continuam a fazer-me sentir segura e amada.E assim me mantenho por aqui, absorvida por este mundo á parte...que me vai ensinando novas coisas e mostrando novos seres pelos quais me encanto.Mesmo que me mostrem uma face menos boa, há seres que escondem em si, um infindável mundo de coisas maravilhosas, que só temos que ter paciência para descobrir.
Cada pessoa é uma promessa de vida na nossa vida...é uma nova cor, um novo aroma.São aliás um desafio tão bom de vencer.
E desperdiçar isso seria deitar fora algo precioso e ainda por lapidar.
E isso... eu não faço.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Ainda agora me vejo a crescer...

O crescimento tem destas coisas.Crescer implica um caminho nem sempre fácil, do qual nem sempre vislumbramos o horizonte que pretendemos.Cair então faz parte.Mas a confiança maior é saber que estamos no local certo, no tempo certo, a viver tudo aquilo para o qual, (ás vezes penso...) fomos predestinados.
Sim, essa missão pessoal...que cada um deve descobrir e procurar cumprir.Só assim uma vida será plena e realizada.
Estes meses por Moçambique, neste segundo ano, têm sido um desafio tão grande no que toca a crescimento.Falo de crescer todos os dias, com tanto que me entra pelos olhos dentro, com tanto que oiço, toco com as minhas mãos...crescer com tudo o que nos obriga a recomeçar de novo, num outro lugar, perto de uma outra realidade...de pessoas diferentes de nós.
Sinto-me agora mais do que nunca, mais perto do povo.Mais perto da poeira do caminho, que antes me passava pela janela do quarto, aquele quarto, naquela rua, naquela casa.Sim, ali, os vidros separavam-me e como, do que que é a realidade.Viver mais dentro do povo, viver mais os seus problemas, experienciar o que vivem desde sempre, cozinhar, comprar, cuidar, como eles...perceber que a vida aqui, é uma luta diária, tão dura e tão grande...mas que dignifica este povo em muito.Parte dessa luta, faz deles aos meus olhos, guerreiros.Sabedores de tradições, segredos, truques, que aplicam no dia á dia...de modo a facilitar toda a vida diária.Tenho aprendido, imagine-se a utilizar um fogão de carvão.A cozinhar nele.Tenho aprendido os diversos truques que permitem fazer um bolo, sem o queimar, colocando areia dentro da panela, e no final colocando a cinza por cima, para que coza por inteiro.Como se reduz por exemplo o lume quando se faz arroz, num fogão destes onde não existem botões que reduzam num ápice a intensidade do fogo.
Eu, Europeia, habituada a ter tudo num minuto,microondas, fogão eléctrico, forno, coisas pré-feitas.Agora vejo e tomo o sabor das coisas mais puras do sabor genuíno que possuem, desde sempre.E todos os dias aprendo algo novo, interessante e que me vai marcar para sempre.Rendo-me a esta sabedoria, que até as crianças desde muito cedo possuem.
Sim, essa missão pessoal...que cada um deve descobrir e procurar cumprir.Só assim uma vida será plena e realizada.
Estes meses por Moçambique, neste segundo ano, têm sido um desafio tão grande no que toca a crescimento.Falo de crescer todos os dias, com tanto que me entra pelos olhos dentro, com tanto que oiço, toco com as minhas mãos...crescer com tudo o que nos obriga a recomeçar de novo, num outro lugar, perto de uma outra realidade...de pessoas diferentes de nós.
Sinto-me agora mais do que nunca, mais perto do povo.Mais perto da poeira do caminho, que antes me passava pela janela do quarto, aquele quarto, naquela rua, naquela casa.Sim, ali, os vidros separavam-me e como, do que que é a realidade.Viver mais dentro do povo, viver mais os seus problemas, experienciar o que vivem desde sempre, cozinhar, comprar, cuidar, como eles...perceber que a vida aqui, é uma luta diária, tão dura e tão grande...mas que dignifica este povo em muito.Parte dessa luta, faz deles aos meus olhos, guerreiros.Sabedores de tradições, segredos, truques, que aplicam no dia á dia...de modo a facilitar toda a vida diária.Tenho aprendido, imagine-se a utilizar um fogão de carvão.A cozinhar nele.Tenho aprendido os diversos truques que permitem fazer um bolo, sem o queimar, colocando areia dentro da panela, e no final colocando a cinza por cima, para que coza por inteiro.Como se reduz por exemplo o lume quando se faz arroz, num fogão destes onde não existem botões que reduzam num ápice a intensidade do fogo.
Eu, Europeia, habituada a ter tudo num minuto,microondas, fogão eléctrico, forno, coisas pré-feitas.Agora vejo e tomo o sabor das coisas mais puras do sabor genuíno que possuem, desde sempre.E todos os dias aprendo algo novo, interessante e que me vai marcar para sempre.Rendo-me a esta sabedoria, que até as crianças desde muito cedo possuem.
As pessoas são humildes no que toca a ensinar-nos algo, que para elas é comum.E ficam contentes.Tudo depende da forma como se dizem as coisas, mais uma vez.
Podia ser Moçambicana, mas não sou, podia saber cozinhar uma data de pratos...uma data de truques, de segredos.Podia saber pilar.Podia saber como fazer xima.Não sei.Sei como amarrar uma capulana, na cintura e na cabeça, sei como dançar como uma Moçambicana, sei como usar as pequenas expressões...que tornam este povo especial.Sei amar esta diferença e levá-la comigo para sempre, fazendo-a perdurar por todo o tempo que dure a minha vida.Sei compreender porque este povo reage assim, fala assim, trabalha assim.
Podia ser Moçambicana, mas não sou, podia saber cozinhar uma data de pratos...uma data de truques, de segredos.Podia saber pilar.Podia saber como fazer xima.Não sei.Sei como amarrar uma capulana, na cintura e na cabeça, sei como dançar como uma Moçambicana, sei como usar as pequenas expressões...que tornam este povo especial.Sei amar esta diferença e levá-la comigo para sempre, fazendo-a perdurar por todo o tempo que dure a minha vida.Sei compreender porque este povo reage assim, fala assim, trabalha assim.
Mas sei, os meus truques e segredos, aqueles que são Portugueses...e parte desse continente onde nasci.E com uma coisa daqui e outra dali vou fazendo, misturas e ás vezes magia...errando, descobrindo...surpreendendo-me a mim mesma no que me vejo a aprender a fazer.E gosto.Tenho aliás pena, de não ter vivido mais meses assim...mais perto do que é uma cultura.Mais longe do que são mordomias...que em nada me ajudam a crescer...apenas nos atrofiam nas nossas tarefas e como pessoas.
Sei olhar um pouco o passado e analisar o que vou vendo e penso tanto sobre o futuro.
Do que vou absorvendo.Do que vou sentindo.
Poderei eu algum dia esquecer o que vivi neste Niassa esquecido por muitos, visto e amado por outros, que como eu...o vão descobrindo, percebendo, recriando?Não.
Poderei eu algum dia esquecer o que vivi neste Niassa esquecido por muitos, visto e amado por outros, que como eu...o vão descobrindo, percebendo, recriando?Não.
Continuo então, a beber dos dias, das oportunidades de aprender, de me tornar mais culta numa sabedoria popular...que resulta numa mescla tão bonita de cores, e no fundo é ela que leva há gerações o mundo para a frente...e o faz ser assim, bonito de se ver e sentir.
=)
sábado, 23 de junho de 2012
Abraçando os dias...
Já disse e repeti vezes sem conta, que Amo estes Konguitos.
Amo, como se ama a vida...
Sinto-me tão parte das suas vidas.Os abraços não demoram a chegar, assim que coloco o pé dentro da escola.Este calor, permite que me mantenha firme perante qualquer dia menos bom.
Por eles, tudo faz sentido.Tudo vale a pena.
Acredito neste caminho que percorremos juntos...acredito no futuro destes meninos, como seres humanos que vão marcar a diferença, sabendo sonhar, e lutando pelos seus objectivos, com garra e confiança.E todos os dias lhes passo essa ideia.
Nada é impossível ou inalcansável.O mundo está nas suas mãos.Eles sabem isso e resta-me aproveitar cada dia na sua presença e recordá-los um dia, para o resto da vida, com um sorriso, tal como o sabor destes abraços...que me enchem a alma.E acreditar que estarão bem e a trilhar o seu caminho com dignidade e bravura.
Há amores assim.
Dia de festa, Parabéns tia Ana!
Foi dia de festa!
Com direito a muita música, a uma capulana nova, a um bolo de chocolate e laranja, só para a primeira classe!
A Tia Ana fez anos e nós celebrámos em grande a vida de uma mulher que dá o melhor todos os dias por estas crianças, ao meu lado.Somos uma equipa forte e que funciona tão bem.Desde o ano passado.Os dias são passados a rir.
A tia Ana é mulher, amiga, mãe,pai, pois perdeu o marido, criança também...é versátil e tem sempre um sorriso e um olhar de esperança sobre as coisas.Positiva!
É uma força.É talvez das pessoas que me conhecem melhor neste Moçambique, neste Niassa, nesta Lichinga.Ela que me atura horas, na sala...e me completa, numa cumplicidade ganha no trabalho.
Está de parabéns este exemplo de mulher guerreira...que me vai marcar o resto da vida!
O dia terminou com um gelado e muita conversa.Afinal um dia, não são dias...
sábado, 16 de junho de 2012
O frio chegou ao Niassa
Este ano Moçambique, tem sido uma aventura.
Daquelas que dão voltas e mais voltas, mas que um dia me vão fazer sentir imensamente feliz, por ter mais uma vez, vivido tudo, com entusiasmo e sentido uma enorme aprendizagem.Confirmo a força que me habita a cada dia.
Os meus meninos, estão agora a ler como gente grande.Um esforço desde Fevereiro...com muita paciência, vieram para as minhas mãos, não sabiam nada.É motivo de imensa satisfação, para mim, perceber que, com 5 anos, sabem mais do que muitos adultos, para além de todas as regras que assimilaram e já seguem naturalmente.Há laços, que se intensificaram, outros que se desvaneceram...faz parte da vida.
Os pais, têm agora uma mais próxima e confiante relação comigo, o que me ajuda a entender melhor cada criança.Ficaram também aliviados por ficar em Lichinga e não ter ido embora.E vêm agora a falta de espírito de equipa...este ano.Mas sabem que desde o ano passado, o meu trabalho e relação com toda a escola é a mesma e cada vez é mais forte.E nada vai mudar isso.
Sentir esta confiança é tão importante.
O frio chegou finalmente ao Niassa.As madrugadas são assoladas por ventanias e as manhãs, bem como as noites, são imensamente frias.
As roupas de Verão, que outrora me caiam leves...agora ficam arrumadas num canto...á espera de melhores dias.E as poucas roupas quentes e de meia estação que trouxe comigo, são usadas quase diariamente, repetidamente.
Uma vez que dei metade das minhas coisas quando pensei, erradamente, ir embora para Portugal...tenho agora muito menos coisas e é bem melhor assim, pois por aqui uma vida simples e desprendida de alguns bens materiais não nos faz mal nenhum.
Na escolinha, as sandálias dão lugar ás botas, os vestidos dão lugar a casacos felpudos e os lenços, dão lugar a gorros de lã.Há quem use luvas e cachecol.Engana-se quem pensa que em África é sempre quente.Aqui existem somente 2 estações, Inverno e Verão.Dividem-se por 6 meses cada uma.O Verão, sim é muito quente, mas o Inverno esse também se faz sentir,não tão acentuadamente como na Europa.
Esta província é aliás a mais fria de todas.A que está mais a norte.E a mais esquecida também, dizem.Esquecida pelos governantes e onde um certo desenvolvimento tarda em chegar, confesso.
É um progresso lento e gradual ao qual tenho assistido.Por exemplo, este ano circulam na cidade 2 autocarros, que fazem assim a rede de transportes públicos da cidade de Lichinga.
Dois autocarros.É pouco claro, mas é alguma coisa, inspira vontade de evolução.Um nova rede de telemóveis, faz assim com que sejam 3 as operadoras presentes na cidade.Aos poucos, aqui e ali, nota-se o brotar de iniciativas.Há ainda um longo caminho a percorrer.
E por este motivo, ás vezes penso, que era aqui que eu tinha que vir parar.Nunca me imaginei em locais perfeitos, onde tudo está feito e conquistado á partida.Sempre vivi em cidades imperfeitas.Onde há algo por mudar e melhorar.Recordo a cidade de Bucareste, imperfeita, mas única e mágica, onde as pessoas eram de um calor humano que me acolheu 6 meses.Recordo a Turquia, a cidade de Ankara, movimentada, frenética, puro betão armado, mas onde vivi momentos extraordinários.No fundo, são as pessoas que fazem os locais e tudo o que é menos bom, passa a ser de certa forma invisivél aos nossos olhos.Porque tudo o que precisamos está dentro de cada pessoa,com quem nos cruzamos.É preciso estar atento.
E é assim que me sinto bem, é assim que encontro mais sentido em tudo.É assim que sou feliz.Porque também eu, imperfeita como ser humano, luto diariamente por ser melhor e tornar melhor o local onde me encontro.E para isso não é preciso muito...quantas vezes basta um simples sorriso, uma brincadeira, um alento ou apenas estar ali.E é um facto, que ás vezes também não consigo.
É isso que vou fazendo...levando a vida para a frente.Mesmo com este frio, o calor que me queima por dentro, não me deixa abrandar o ritmo, a alegria, a força de estar e viver no meio de um povo que amo.
Dia após dia.Assim mesmo, num looping de emoções.
Nem poderia eu...viver de outra maneira.
domingo, 3 de junho de 2012
O dia da criança.O dia de todos nós.
Aquele que disser que já não é criança, mente.
Todos nós em algum momento, deixamos transparecer essa criança eterna que fomos e seremos até ao fim dos nossos dias.
Confesso que tenho encontrado pessoas que não estimulam essa criança interior, não a alimentam, me parecem mortas á partida, mas basta encontrar o truque que a vai despertar e deixá-la sair.Quero acreditar.
É ainda criança, quem tem a capacidade de sonhar, de ver as coisas simples da vida, de colocar beleza nos próprios olhos e nos olhos dos outros.Aquele que sabe fazer de pequenos nadas, o tudo de alguém.Quem ainda sabe brincar com a vida e sorrir por quase nada.Quem sabe ouvir uma criança e levá-la a sério, porque os sonhos de uma criança são os mais sérios do mundo.Ali começa tudo.
No meio das crianças, sempre foi e será sempre o meu lugar, mais do que nenhum outro.Sou como peixe na água.É essa a minha praia.
Aqui me vou vendo crescer e a aprender.No meio deles, com as suas perguntas ás vezes dificéis, com as suas birras e reacções imprevistas,com as suas magias...e dilemas, mas que me fazem rir e sonhar.
São os dias e os meses que correm, neste ano de 2012, e são eles, os meus Konguitos que me vão marcando, mais do que ninguém.
É por crianças,com quem há muitos anos trabalho, que deixei tudo para trás, aprendi a viver com muito pouco,a descobrir o mundo, mas mais do que tudo, a saber fazê-los felizes.É esse o meu objectivo.E ao fazer alguém feliz...podemos adormecer a cada dia em paz.
Os adultos, são muitas vezes difíceis de agradar, mas as crianças não.Qualquer brilho as prende.E de brilhos está cheio o mundo.Basta olhar á minha volta, que encontro o motivo para as fazer voar comigo.Mantenho por isso bem aceso esse lado, da fantasia que se cultiva na infância e recuso-me a perdê-lo.Isso faz o meu coração bater.Isso deixa-me mais perto do mundo...e mostra-me o que realmente me tornei como pessoa, como mulher, como amiga e sonhadora.Completa-me.Preenche-me.Porque a eles os completo e os preencho.
O dia da criança, por aqui, foi preparado com muita ansiedade e entusiasmo.
O dia antes, não parei um segundo.Havia aquele sentimento no ar, por toda a cidade, em que todos procuravam que as suas crianças, tivessem o mínimo nesse dia.O mínimo que as fizesse feliz.Fossem uns sapatos, umas trancinhas novas, umas missangas coloridas, um doce.Também houve quem não tivesse nada por parte da família.Mas aí, entramos nós, a escolinha.E todos tiveram direito ao seu saco, com 1 brinquedo, doces, um lápis, e mimos de muitas cores, que a eles os encanta.Fazê-los conscientes que são crianças e têm direito a brincar, a estudar, a serem respeitados e não explorados...ou maltratados.E que existe um dia, em que eles são o centro e podem festejar e exprimir essa alegria livremente.
Aquelas horas, foram tão felizes.Todos vestidos de igual.Todos ansiosos para mostrar aos pais o que preparamos durante meses.Um música, um poema, um teatro.Eles sorriam.Abraçavam-me.Foi um bom momento de contacto com as suas famílias.Há pais fantásticos e outros que nunca aparecem.Há de tudo.
Estes dias, vão marcá-los para o resto da vida.
Depois das actuações,do almoço e da distribuição das prendas...as crianças começaram a deixar a escola e a ir para casa.A festa não terminou por ali.
A maravilhosa equipa desta escola, continuou a sua festa.Como crianças que ainda somos...e pelas que ajudamos a crescer diariamente, mergulhamos no centro da cidade, a cantar e a dançar,trajadas a rigor, cheias de cor, até o sol se esconder.A verdadeira alma Moçambicana.
Foi um momento muito bom de equipa, que nos ajuda a trabalhar mais unidas.Houve música Moçambicana, houve dança, houve abraços, uma caminhada pelo campo e um sentimento de dever cumprido.Pelo dia, pela festa,por nós e por eles.A cidade estava ao rubro com crianças por todo o lado.Comecei o dia a sorrir e terminei o dia a sorrir.
A caminhada continua.Faltam ainda 6 meses de aulas, plenos de luta, trabalho, festa e evolução, acredito.Como poderia eu, não estar aqui?
E no fim fica, só pode ficar a satisfação enorme e inigualável, de termos sido um marco na vida destes meninos.Para sempre.Como um dia alguém foi na minha vida...e continua a ser, um marco, uma referência, um modelo, uma inspiração.Recordo como não podia deixar de ser, o meu Pai, que mais do ninguém tinha essa criança interior bem viva.E é por isso que hoje, sou esta menina/mulher...que sonha, vive e flutua nos sonhos que criou em criança.
=)
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Mudanças
Por aqui mudou muita coisa.Costuma-se dizer que quando não estamos bem, devemos procurar a mudança que nos fará ficar melhor.
E foi isso que aconteceu.
Não é novidade, que este ano a equipa que calhou em Lichinga , neste projecto,não é a melhor...de todo e de longe, é uma equipa.Cada um por si e pouco trabalho se vê.
Diversão muita, até demais.E melhor será não revelar a que ponto as coisas chegaram.Uma vergonha, para esta instituição.
Para além disso, os problemas de segurança nesta casa, clamam há muito uma solução.Uma coisa chama a outra e quem se dá com quem não deve, atrai tudo o que é menos bom.Fama então...já caiem pelo chão nesta cidade.
Por este conjunto de motivos,por momentos pensei ir embora, deixar tudo...voltar ao meu mundo de sempre, voltar aos lugares e ás pessoas que me amam no meu País.
Na casa onde estava, não existia segurança e ainda mais grave confiança, para ficar.
Arrumei as minhas coisas, despedi-me de todos os queridos amigos e alunos, que me queriam sem dúvida por aqui e parti rumo ao aeroporto.
Passei na escolinha e deixei para trás, alunos e titias a chorar.Percebi que afinal, uma pessoa pode valer por três, quatro ou cinco.E muito mais.Que tudo o que vivemos, juntos, como equipa e escola, falava mais alto.Parti no entanto.Foi um momento duro.
Chegando ao check in, parecia um filme.Tudo a indicar a partida, menos o meu coração.
Mas alguém que me quer muito aqui, alguém que criou este projecto,alguém que acredita tanto no meu trabalho e na minha pessoa...olhou-me nos olhos.Pela minha cabeça passou um filme de tudo o que já vivi aqui, os rostos, as músicas, as viagens, o lago, os konguitos,a Benedita...desliguei por instantes.
E estes minutos,mudaram o rumo de tudo.
Já com as malas prontas...bilhete na mão,em plena sala de embarque, desisti.Cancelei ali mesmo a viagem, para Novembro e...voltei para trás.A irmã Ferreira não cabia em si de contente.Até conduzia mais depressa.
Desistir??Não é para mim.Se eu queria ficar, não podia ir de forma alguma, contra mim mesma.
Baixar os braços??Por causa seja do que for nunca o hei-de fazer.Desistir é para os fracos, não para os fortes.
Dizer que não aguento mais?Aguento, sempre mais um pouco...afinal.Bem mais do que posso imaginar.A vida vai-nos mostrando o nosso nível de resiliência.E acabo de constatar que o meu está elevado.Depressa me adapto a novas situações.Não é a primeira vez que vivo longe de casa, e mudo de cultura.
Não me lembro de ter desistido de nada na minha vida.Sempre que me propus a um objectivo ele foi cumprido.A mim basta-me querer.E quis tanto continuar a amar estes Konguitos, por eles e por mim mesma,fiquei.
E aqui estou, agora numa casa, maior, com um jardim maravilhoso...imensos cães que durante a noite não deixam entrar nem um rato no jardim.Temos também 2 guardas que nos vigiam o sono.Da minha secretária,onde escrevo agora, vejo uma machamba repleta de cores e pessoas que ganham o seu pão, fazendo nascer alimentos que nós, todos os dias comemos.O cheiro do café inunda a casa,e os meus sentidos,café bem puro, plantado aqui mesmo.Há um clima de paz...e o melhor é que estou bem no centro da cidade, pertinho da minha antiga casa.Que por estes últimos tempos, era tudo menos uma casa.
Casa, é onde nos devemos sentir seguros, confiantes e em paz.Tudo isso foi quebrado.Mas como eu entendo que a vida nos restitui tudo o que nos levou, de uma forma ou de outra, estou agora a recuperar esse tempo.Com um sorriso, no rosto e na alma.Posso dizer, VENCI.Venci o medo, a incerteza, venci quem me tentou tirar daqui, por querer aquilo que não é e nunca será seu.Ninguém e nenhum acontecimento, comanda a vida de ninguém, tanto como a própria pessoa.
Faltam ainda 6 meses de pura felicidade e partilha, com os Konguitos, os amigos que fui fazendo nesta cidade, que em massa, vieram ao meu encontro celebrar a minha decisão de ficar.Já sou um pouco do Niassa.E é nestes momentos que fica provado os laços que fizemos, a força que têm e a força que nos dão.
Depois de tudo isto passar, ás vezes penso, como pude eu pensar em desistir?Eu vou, faço e sigo somente o meu coração.E a verdade é que ele me leva para o sítio certo.Sem margem para dúvidas.Por momentos fui racional.Mas a emoção falou mais alto.
Na escolinha, ainda hoje, passado uma semana desta tempestade, recebo abraços que me dizem sem palavras:"QUE BOM QUE NÃO DESISTISTE DE NÓS, AQUI É O TEU LUGAR!".
Ao ficar aqui, deixo para trás outras coisas, em Lisboa.Lá também já tinha a família e uma legião de amigos de braços abertos á minha espera.E agradeço por isso.Mas vocês que me conhecem sabem de que fibra é feita a Rita Ramalho.Eu vergo, mas não parto.Confirma-me a vida.E como as árvores hei-de morrer de pé...e que ainda depois de morrer, as árvores, são úteis e deixam marcas.Sabendo que cumpri a minha missão até ao fim.Da melhor maneira que pude e consegui.Dando o máximo.Sem reservas.Com bravura e coragem...que na altura certa nos inunda o corpo e a alma.
É assim que se escreve a história de uma vida.Porque nada é perfeito...e nada é certo.Mas só nós podemos, se quisermos, mudar o curso natural das coisas...para melhor.Eu quero, eu luto ,logo eu posso e faço acontecer.Das coisas mais simples ás mais difíceis.
O trabalho, não falta...e novos desafios se avizinham.E porque a força do recomeço nos impele como nenhuma outra, agarro cada dia, com aquela cor e energia que me caracterizam...e tudo por Amor.
Aquele que me move desde que me conheço...
=)
PS.Ao que parece, nas linhas aéreas de Moçambique ainda caíram telefonemas, a perguntar se o voo tinha sido cancelado?
Fui eu que o cancelei,mas ele partiu e eu... fiquei.
sábado, 19 de maio de 2012
As coisas simples.
As que mais gosto.As que me enchem.As que procuro constantemente.
Acordar com sol na janela.Ter dois meninos pendurados no parapeito, para dizer bom dia.Ver uma borboleta de cor única e pensar que veio só para eu a ver.Ter a Ritinha nos meus braços e vê-la crescer (e chorar também!)
Ter o quintal cheio de criançada a rebolar na relva, a cantar,dançar e a sorrir.Um bolo e o cheirinho que deixa pela casa.Café.Uma leitura antes de dormir.Mergulhar no mercado e encher os sentidos de cores, cheiros, sabores.Comprar uma mão cheia de amendoins e vir a comer para casa, deitando as cascas pelo caminho.Ver os meus alunos a ler as primeiras, letras, palavras, frases.Passo a passo.Do velho fazer novo.Fazer alguém feliz, dando-lhe o que nunca teve,uma casa.Vencer os obstáculos com muita classe e sem medo algum!Saber discernir o que me faz de facto falta...ou não.
O prazer simples de estar viva e trazer vida aos que me rodeiam.
Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo.
A vida é a mais séria das coisas divertidas.
Então, eu vou-me divertir sempre com tudo o que existe de mais simples.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Se esta rua fosse minha...
"Se esta rua, fosse minha, eu mandava-a ladrilhar, só para o meu amor passar." diz a canção dos Orquestrada...
E o meu amor, passa mesmo por aqui.
E esta rua é mesmo minha...é aqui que eu vivo, já lá vão 8 meses e viverei mais 6.
Por aqui, estão gravados momentos que vou guardar para sempre.Nesta rua, aconteceu, acontece e vai ainda acontecer, tanta magia.Sempre que eu queira.Melhor ainda é quando acontece inesperadamente.
O simples facto de acordar todos os dias e olhar lá para fora, para ver como está o tempo...e logo me aperceber do movimento de capulanas que se cruzam coloridas, de crianças vestidas de azul (uniforme escolar...) que correm para a escola, só isto já a torna especial.Logo penso, o quanto desejei estar aqui e como é bom que esta rua seja, a minha.
Desde as tardes de conversa nas escadas,desde os almoços e jantares no alpendre,desde as entradas em casa carregada de compras ao simples sair cá fora,apenas para respirar ou sentir como flui o movimento e a luz do fim do dia.
Esta rua, é calma, mas nem sempre.Gosto desse contraste que por vezes acontece.Depende dos dias.As noites, essas são tranquilas.
É perfeita para mim.Com cada buraco, cada árvore...a minha rua.
E na minha janela...aparecem sempre surpresas.
As melhores, para além de alguns pássaros que cantam e borboletas que de cores estonteantes,são a visitas quem rompem pelo quintal aos gritos:"Tia Riiiiitaaa!!!!Titia..." e só se calam, quando abro a cortina e lhes dou atenção.
Vêm em busca de brincadeira, risos, cantigas e no tempo dos maracujás, de levar uns quantos, mesmo que ainda estejam amargos.
Só o subir á árvore é uma aventura, que não podem deixar de viver.
Estes meninos não me arrancam só risos,mas sobretudo sorrisos.São uns castiços ao ponto máximo.
É de cair para o chão, de tanto rir.Cantam na janela...rebolam no chão, pedem mais uma foto...e um beijinho, mais um abraço, uma gargalhada, querem aprender a dançar,perguntam o impensável.
São crianças.São livres.São felizes.É por isso que no meio deles...sou eternamente criança também.
E feliz.E livre.Será que algum dia vou conseguir deixar de o ser?Conheço a resposta, faz tempo.
Quando olho para eles, a sorrir, penso nisso.Penso que no seu mundo, tudo é tão simples.Nada se complica.Nada fica por dizer.
Hoje, quiseram acompanhar-me até ao mercado.Ia eu, pelas ruas, com uma fila de konguitos atrás de mim...como se eu fosse a mãe.A mais pequenina, pela mão.Lembro-me que em todas as lojas que conhecia alguém, parámos para cantar.
E o efeito foi mesmo esse, deixar por onde passávamos, sorrisos.Lá mergulhei no mercado com todos eles...precisava de côco, farinha e óleo.Os olhos deles por trás das bancas...a apreciar cada movimento meu.Parámos mil vezes, para ver as capulanas, as missangas para trancinhas, os doces...um mundo ali dentro.A ansiedade deles e a disputa,para poder ajudar a carregar os sacos.
E finalmente, no regresso a casa...chegámos á esquina onde nos separamos.Eles para o bairro e eu para casa.
Depois de 1000 beijinhos, abraços e brincadeiras...
Disseram-me:"Tia Rita, até amanhã...havemos de vir na tua casa, de novo."
Respondi:"Ok.Vou esperar.Vou ter saudades de vos ouvir gritar!"
Eles:"Vai ter saudades, nossas??Tchiii Mentira..."
Eu:"Saudades, sim.E vou ficar triste...só de ir este bocadinho sozinha, até casa."
Eles:"Havemos de vir...porque tu nos animas titia!"
Eu:"..."
Não fui capaz de dizer mais nada.
Ouvir isto, no fim de um dia...no fim de alguns meses conturbados, por diversas razões, é tão bom.
Continuei o meu caminho até casa, devagar e em silêncio.
Até agora, estou a pensar nisto.A vida inteira, hei-de pensar.
E se querem que vos diga, o sentimento ainda que por escassos metros,foi o de vazio, fiquei mais triste sem eles...ali ao meu lado a gingar de xinelos no pé.E as saudades, essas também são reais.
Mal posso esperar que chegue amanhã...para os ver de novo pendurados na janela, chamando-me, para ser criança.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Parabéns, Mana Anabela!
A minha mana Anabela.
Mais uma irmã que a vida me deu.
São tantos os momentos felizes, de plena cumplicidade, de plena intuição, partilha...pura alegria.
São tantas as pontes construídas e edificadas para sempre.
Custou-me singir-me a um só momento, a um só sorriso.
Por isso escolhi vários, felizes, únicos, inesqueciveis.Eternos.
Há palavras proferidas, que fizeram e ainda fazem toda a diferença.
Uma irmã, que é a última a ver-me partir, com os olhos rasos de água, a desejar do fundo do coração que tudo corra pelo melhor.Uma irmã que é a primeira a receber-me de braços abertos em Lisboa, ou noutra parte do mundo.Quer ser a primeira a abraçar-me, seja madrugada ou não, sei que, com aquele sorriso é certo que posso contar.
As distâncias encurtam-se.Envia-se de Lisboa, via qualquer parte do mundo, o que for preciso, com direito a mimos.Só se não puder.
Tem uma fé enorme, naquilo que eu sou capaz de fazer e mudar neste planeta.Tem uma força, sempre presente e um carinho que me alimenta.Sente quando não estou bem.Repara em todos os detalhes,os que escapam á maioria.
É um exemplo como mãe.Muito me inspira a ser mãe e a amar assim.É uma mulher atenta, criativa que mantém viva a criança interior.
Mas falando da alegria, essa é imcomparável, quando nos juntamos.(As gargalhadas em plena cidade de Istambul, chocavam até os mais extrovertidos.)É de fugir, quando começamos a gargalhar.
Uma viagem, uma aventura.Uma surpresa tão boa de descobrir.
A magia das coisas é-nos comum.Principalmente das pequenas coisas.
A cor que isso nos traz.A energia que fica.
Claro que falando da Anabela, não podia esquecer, o suporte que está por trás,uma família linda.Uma Carolina cheia de vida, um Francisco bem peculiar e interessado pelo mundo e um marido Jaime que é um braço direito em tudo.Toda a família me inspira e orgulha de a ela pertencer.
Celebro a sua vida, como boa parte da minha própria vida.
Parabéns Anabela e um abraço daqueles, carregadinho de saudades daquelas que apertam tanto,tanto.
Até breve.
Tua mana, Rita
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