terça-feira, 5 de julho de 2011

De Moçambique...

A escola...











Os meninos...














































O transporte para casa...













A nossa casa em Lichinga...









O horizonte...























Imagens que me chegam do local onde estarei em menos de 10 dias.
Muitas coisas me passam pela cabeça e sobretudo pelo coração.
Estou serena, mais do que seria de esperar.
É como se sempre soubesse que ia parar ali.O meu coração sabia-o há muito tempo.Mas como tudo na vida em um tempo certo, aprendi a esperar.
De repente entram pelo meu mundo adentro, as imagens de uma realidade futura, já muito próxima e ainda mais desejada.
Fomentam-se os desejos de cumprir um bom trabalho, ainda mais, mas como até aqui, em qualquer projecto que coloque as mãos, consigo atingir todos os objectivos e ainda aquilo que não se previa.Porque acredito, luto e me deixo contagiar.
É ali que eu quero estar, ao lado daqueles que têm muito pouco ou quase nada.Mas têm a humildade e beleza de alma que me alimenta.
As malas já começaram a ser arrumadas, as medicações tomadas, o olhar de nostalgia que acabamos sempre por ter quando nos despedimos dos amigos, também já se instalou.
Mas o sorriso é maior.É por isto que esperei, lutei, aprendi.Fazer a minha e tantas outras vidas valer a pena.
Chegou mais uma vez a hora de me fazer á estrada e desta vez uma estrada bem diferente,mais dura e arriscada.
Estou consciente disso mas não tenho medo.
Mas mais uma vez aguardo a capacidade que a vida e as experiências têm de me surpreender.

Cá dentro, onde tudo se ameniza e completa, há uma voz que me diz: continua, a tua vida é por esse caminho.

Um dia sabemos...um dia sabemos.

Adiante.Além, onde mora o Amor.



Ela acreditava nos sonhos e na vida,
Mesmo que às vezes isso parecesse estranho, impossível.
Acreditava e por isso costumava andar em busca deles, sorrindo.
E acomodava os sonhos por entre os seus cabelos escuros.
Suas tranças e sua pele clara.
Seus olhos de estrelas e brilho de esperança
Franzia por vezes a testa, resmungava e chorava baixinho...ou muito alto!Quando a vida lhe mudava o caminho tirando-lhe alguém.
Fazendo com que andasse um pouco mais que o programado.
Mas seguia adiante.. sempre seguiu.
E assim, adiante sempre encontrou motivos para novos sorrisos, vida e sonhos.Além, onde mora o Amor.
Ela continua a acreditar.
E mais uma vez, ela se entrega.

A verdade é que nos acomodamos.



"Fiquei a pensar precisamente no prejuízo que é para nós tanto conforto que vamos acumulando na vida. De facto a vida parece mais agradável na poesia, na ficção, desde que não tenhamos que passar pela turbulência das contrariedades. Mas no final, esta tranquilidade, este comodismo acaba por se voltar contra nós, mostrando-nos uma vida sem sentido, vazia, sem condimentos. Vemos cada vez mais pessoas com imensas possibilidades económicas a fugir dos ares condicionados e dos confortáveis sofás das suas casas para experimentar a pobreza e a aventura em países do último mundo, onde todos os dias são diferentes e em todos os dias se experimenta a surpresa, mas também onde a vida se mostra mais natural e genuína. Não foi por acaso que recebemos o desafio do Mestre "O Filho do homem não tem onde recostar a cabeça". A sua vida foi tudo menos inútil e a monotonia nunca o atingiu. De facto precisamos de fazer da vida uma aventura e perder aquela agonia que nos assiste todos os dias pela segurança, como se as coisas fossem sempre acontecer como nós queremos ou como se, quando não acontecem como queremos, houvesse sempre uma solução à mão para resolver o problema. O mais bonito da vida está na aventura do imprevisto e na capacidade de dar a voltas para responder com grandeza de alma. O comodismo está a fazer-nos mal, muito mal, porque está a tirar aventura à vida."

Muito bem dito.
Não podia concordar mais e cada vez tenho mais a certeza de que é este o caminho.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Porto e os melhores momentos.

Dias únicos...

































































Saudades e laços eternos de verdadeiro Amor.
Tenho muitas saudades do Porto.De acordar com os gritinhos do Juca, ou da música que se espalhava por toda a casa gentilmente.Há um sentimento de que o tempo passa devagar, quando estou por lá.Ali todas as dores se esvaem, todas as memórias boas se avivam e terminam num abraço de irmã que enche, que me conhece e aceita como muito poucos abraços.
Perdi a conta aos mimos que dei e recebi e ás vezes que o Juca adormeceu no meu regaço e em que pude admirar cada detalhe do seu puro ser.
Nada fica igual depois deste regresso.Ficam momentos de riso sem fim, expressões que são nossas e eternizam instantes.Fica o toque na realidade social á qual nenhum de nós fecha os olhos ou medo de tocar.Gosto de pessoas que me façam sentir do mundo e se envolvam e me levem até ele, tal como ele é.E a Clara e o Gil possuem esse dom.De fazerem missão cá dentro, de uma forma única.Porque afinal onde estamos temos tanto a fazer.E o mundo é um local melhor porque eles existem.
O regresso custou, por não saber quando nos voltamos a ver.Por saber que em prol dos sonhos e realização pessoal, vou perder algumas fases deste ser maravilhoso que me conquistou de forma incrível.
Parto para muito longe, em menos de 10 dias e parto muito melhor, apenas porque os abracei, porque estivemos simplesmente uns com os outros, sem grandes obrigações, deixando os dias e as noites sempre longas fluir.Afinal quando se ama, sabe-se estar.Sem ser preciso forçar nada.E isso tem um sabor que me acompanha.
Á Clara minha irmã, ao Gil e ao pequenino Juca,um obrigado, pela partilha de alma e pelo calor.


Até breve.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Á boleia para o Porto!



























É, há 9 dias atrás, lá me fiz á estrada até ao Porto.
E fui mesmo á boleia, correu maravilhosamente bem.
E quem tem medo fica em casa.(Isto para calar as bocas que acharam que estava doida e era um risco...)
Encontrei pessoas extraodinárias e ainda ajudei uma amiga que viaja com pouco dinheiro.Foi o útil e o agradável tudo junto.
As pessoas não só dão boleia, como ainda fazem questão de nos pagar um café, uma nata, e dar dois dedos de conversa.A viajem corre animada, sempre em conversa e troca de experiências.No final ainda nos tiram as malas do carro e nos deixam onde queremos ficar.
Fizemos o caminho por 2 etapas e nunca tivemos que esperar muito.De Lisboa até Santarém e de Santarém directo para o Porto, mais precisamente no aeroporto, onde nos encontrámos com a Ruka, que chegava de Madrid.
O ponto alto do dia foi abraçar a Clara e o Juca.O Juca é um bebé de 3 meses, lindo, carinhoso, calmo,APAIXONEI-ME.
Poder descansar finalmente naquele abraço e falar até ás tantas da manhã.Pois as saudades eram muitas e as histórias imensas.E tudo isto ao som de um Jazz perfeito, que o Gil anda a treinar.
O dias no Porto estavam ainda no começo e prolongaram-se mais do que o previsto.
E ainda bem, pois o tempo com a família nunca é demais, para o tempo que estou longe.