quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Istanbul, day 2

(Anadolu)








Istanbul, day 1







A nossa ida para Istanbul, foi feita durante a noite, decidimos apanhar o autocarro que sai de Ankara ás 00h e chegámos ás 6h.Foi uma viagem com chuva, mas confortável em que dormimos a maior parte do tempo.Depois foi mais 1h30 dentro da cidade, para chegar a Sariyer, essa vila piscatória, que nunca vou esquecer, pela sua beleza e pelo que me marcou nestes últimos dias do ano.
Istanbul é uma cidade gigante, enorme, cosmopolita, colorida, mágica, deslumbrante pela sua diversidade, com aroma a Mediterrâneo e a Mar Negro, com aroma a diferentes peixes, com gaivotas que sobrevoam os barcos, com gente que se movimenta de todas as maneiras e está sempre pronta a ajudar, cheia de significados e com um braço na Europa  e outro na Ásia.
Pela madrugada chegámos por fim ao local onde iríamos "viver" por 6 dias, o Oktay um velho amigo que conheci em Durham, em Inglaterra, veio esperar-nos á entrada do condomínio onde vive.Passaram 4 anos que não nos víamos, e há mudanças visivéis, tanto nele como em mim, exteriores e é claro interiores.Foi muito bom revê-lo e nem pensei que fosse possível um dia.Mas a vida tem dado voltas magnificas a meu ver.
O Oktay, desde o inicio que foi impecável connosco, desde que soube que íamos a Istanbul, que se disponibilizou a ajudar, começando por acolher-nos até á festa de final de ano, onde estivemos a bordo de um barco no canal que separa os 2 continentes, Europa e Ásia.E foi o melhor guia que podíamos ter tido.Num dos dias, chegou mesmo a ir connosco o dia todo para o centro, onde nos explicou tudo o que sabia sobre esta fantástica cidade.Tendo em conta que está a tirar o mestrado e tem sempre que fazer.
Da sua janela, tínhamos uma vista fantástica para um lago, que pela manhã com o nevoeiro era relaxante, tomei sempre o pequeno almoço ali sentada.
Depressa aprendemos as formas de ir e vir, os autocarros, os locais onde ir.Sariyer é uma povoação concentrada á beira do canal, mas não só, estende-se por uma enorme encosta acima, onde mini Bus, se deslocam de noite e de dia para cima e para baixo, cheios de pessoas, principalmente estudantes.
Istanbul, eu diria mesmo a Turquia em geral, é um País jovem, cheio de vida.
Nesse dia, depois de dormirmos algumas horas, saímos para almoçar e caminhar um pouco á beira do canal que é de uma beleza única.A chuva continuou a fazer-se sentir, neste dia e nos dias seguintes, mas o sol veio no último e nos primeiros dias do ano, acompanhado de muito frio, mas brilhante.
Ainda nesse dia fizemos um amigo, que dificilmente esqueceremos.Tudo começou por entrámos na sua loja para comprar um mapa de Istanbul e ele acabou por nos explicar onde ir e como ir, foi tão prestável que acabámos por voltar ao fim da noite e jantar todos juntos, em pleno Mar Negro a norte do canal, junto a um farol.É claro que a ementa foi Hamsi, que local mais fresco para o comer do que o local de onde ele vem.
Acabámos a noite a conversar sobre coisas profundas, sobre a vida e felizes por nos termos cruzado.É bom sentir que ajudámos alguém com pouco, apenas com a partilha de ideias e sonhos acerca do mundo.
Fomos dormir, prontas para abraçar mais um dia em Istanbul, onde todos os dias nos trouxeram algum momento mais que especial...

Christmas Day!







Sabem aqueles dias de Natal, que são tão suaves e sossegados, que nos perdemos nos nossos pensamentos.Foi um dia essencialmente caseiro, apenas saimos para ir á mesquita e para ir ás compras.
A minha vontade era desejar feliz natal a toda a gente, mas não o podia fazer, o que me deu por vezes um sentimento de sermos como Aliens, num outro planeta, onde ninguém sabe o que se está a passar!É NATAL!!!Pensava eu enquanto caminhava pelas ruas.
No dia de natal, eu rezei numa mesquita e a paz foi a mesma!O sentimento é sempre o mesmo, porque a fé é a mesma.
Naquela casa, eu senti que era Natal, para eles também, embora não o celebrem, porque era Natal para mim também.
As vozes de Portugal fizeram-se ouvir, em telefonemas, que não precisam de ser longos nem barulhentos, mas sentidos.Ás vezes 5 minutos, para ouvir a voz, vale mais do que longas conversas diáriamente.E falei com as pessoas essenciais, a minha mãe, o Alberto, a Tirapikes, a Susana, e com toda a família do Algarve, que ainda me levou ás lágrimas.Vê-los todos juntos...olhar cada um e saber o papel que têm na minha caminhada, saber que me seguem com o coração e estarão sempre lá.Há laços que estão defenidos á partida para o resto da minha vida.E isso eu sei.
O natal foi isto.Simples, calmo, interior.Não deveria ser sempre assim?
Acho que nunca mais vou querer outro natal, cheio, luminoso, supérfulo, mas cheio de luz sim, daquela que recebemos dos outros, daquelas que emanamos.Será que algum dia vou saber estar num natal diferente deste?É que me soube tão bem...é que me deixou um brilho nos olhos e outro ainda maior no coração.
Nada se perde, tudo se transforma.
O meu Pai, sempre no meu pensamento.Ele, que continua a dar-me alma como nunca ninguém mais soube dar.
Foi um feliz, feliz, feliz Natal!

Por mais anos que viva, não vou esquecer...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

The day before Christmas was...







A véspera de Natal, foi assim desde que me lembro, aquela que fez mais sentido para mim, desde que me conheço como gente.
Foi tão especial, acordar, ir para o hospital, estar com os meus meninos.Esta manhã foi para espalhar sorrisos e ninguém pelas ruas ficou indiferente á nossa cor e movimento.Incrivelmente, as pessoas reagiram bem, muito bem, principalmente as crianças fechadas naquele hospital, como eu já estive um dia.
Foi o melhor presente que podia ter, neste natal, vê-las felizes.Todos os funcionários do hospital, por momentos esqueceram que eram adultos!Isso foi maravilhoso!
Pela tarde, seguimos para a casa da Zehra, onde nos esperava um Natal, preparado com muito cuidado, por ela e pelos pais, uma família muçulmana, prepara um natal cristão para nós!Que melhor prenda para celebrar este natal longe de casa?Uma casa, quente, que nos acolheu, uma família que nos deu todo o amor que era possível.
É certo que não houve o bacalhau, os doces e as iguarias do costume, as prendas, mas isso não me fez falta.Fizeram-me falta as pessoas essenciais na minha vida.E por isso caíram algumas lágrimas nessa noite, enquanto falávamos por Skype.Não pude deixar de me emocionar.E foi libertador.
Recebi como prenda, um lenço Turco e foi a única prenda material deste natal.Mas as verdadeiras prendas que a vida nos dá, são maravilhosas e muito maiores e profundas do que todas as que já recebi até hoje.
Este foi o meu verdadeiro natal.
O facto de ser o primeiro sem o meu Pai e família, tocou-me e deixou-me pensativa, sobre as nossas relações de sangue.Elas são importantes sim, mas há tantas outras relações que devemos cultivar e nunca esquecer, porque elas alimentam-nos de um outro sangue, cheio de vida, amor e verdade.
Essa foi a lição deste natal.Entre muitas outras que só eu sei o quanto significam para mim!
A Turquia está a surpreender-me de uma forma que não posso explicar, em tudo.