segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

In 1 week i will be there...CAPADOCIA!













Território Turco, situado na Ásia, nestas terras se ergueu a capital do Império dos Hititas até ao século VIII a.C. Povo poderoso, entre 1600 e 1200 antes da nossa Era chegou a rivalizar com o Egipto e a Assíria. Depois, seguiu-se o esfacelamento do Império dando lugar a pequenos reinos. Hoje, distante da prosperidade desses tempos longínquos, esta paisagem, típica do Centro-Oriental da Ásia Menor, ergue-se na sua aridez imponente, exibindo um legado arqueológico único e surpreendente.




O vale da branca neve

As forças da Natureza podem ser vistas aqui no seu melhor. Perto de Uçhisar alarga-se uma profunda garganta; este desfiladeiro, originariamente uma confluência de cursos de água, prolonga-se na direcção de Ak Vadi. O planalto formado pela acção dos rios apresenta uma enorme fissura onde a vegetação deixou de crescer, cedendo o seu lugar a encostas brancas e ondulantes. Daí o nome vale da Branca de Neve. No fundo das encostas íngremes formou-se uma passagem cujas paredes verticais estão marcadas horizontalmente pelos vários graus de erosão.





Hábitos

Privilegiada por uma longa estação seca a Capadócia produz frutos em abundância, suficientes para o consumo local e mesmo para exportação. Damascos, uvas e figos podem ser vistos a secar nos telhados de toda a região.





Costumes


Quando não estão a trabalhar nos campos as mulheres ocupam o seu tempo bordando, tricotando e fiando a lã manualmente. A lã é depois tingida e guardada para os meses de Inverno, quando há pouco trabalho na agricultura e a tecelagem de tapetes constitui uma fonte de receita.





As chaminés das fadas
Este fenómeno natural foi causado pela erupção dos vulcões da montanha Erciyes há milhares de anos. A erosão provocada pelos ventos e pelas chuvas desgastou e arrastou para longe o solo vulcânico, deixando rochas capazes de resistir aos elementos. Estas pequenas rochas, duras e formadas por calhaus, mantiveram-se no topo das rochas mais macias, formando as "Chaminés das Fadas" que vemos hoje.







Mal posso esperar, por conhecer este mundo tão mágico.
Vou por 5 dias, para um training, entre jovens de vários países a viver na Turquia.Troca de experiências...e muita alegria, espero.
E a minha primeira saída de Ankara, 1 mês depois de aqui chegar.
Já estou a precisar...espero que esta semana passe a correr.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Home sweet home, not mine, but mine...






Jantar de Domingo em Família.
Outra casa Turca, que conheci, a casa do meu mentor, o Orhan.
Foi como é claro, Hamsi, já meio mundo sabe que eu gosto daquele peixinho...que vou sentir tantas saudades.Desta vez cortei a salada e temperei.Só sumo de limão e um fio de azeite.A comida Turca é saudável.E faz-me sentir bem.
Andei pela casa a fugir do seu sobrinho de 3 anos, que tem uma energia que contagia...e não nos deixa parar.Um sorriso esperto e olhos vivos.
A seguir ao jantar, todos se reúnem na sala, para beber chá, mas é que bebem mesmo muito chá, 4 a 5 chávenas por pessoa, eu na 2a já só queria ir á casa de banho.Mas é saudável.
Mas continuo a sentir falta do café...hum.
E cada vez que vou a casa de alguma família, penso sempre no meu Pai, e olho sempre com um carinho especial para a figura do Pai, numa casa.O lugar onde se senta, sempre, as coisas de pai, espalhadas pela casa, o jeito de um pai.Inconfundivel.
Foi no fim de contas, um fim de semana quentinho, por dentro, com bons momentos e tempo para mim.
Já é impossível sentir-me sozinha nesta cidade gigante, aos poucos vou sentindo todas as direcções que posso tomar...e abraçar.
Amanhã a escola espera por mim!
E não tarda começo a escrever os meus "postais" de natal, para enviar a alguns dos que amo!
(Enviem-me as vossas moradas, please!)



Boa semana =)
Kent Park







Acordei cedo, com vontade de sol.Lavei roupa, tomei o pequeno almoço, que ao fim de semana se estende até ás 11h, fiz 1h de ginásio e saltei para o banho.Li mais um capitulo do meu livro e ás 13h30 saí, finalmente.Uns amenos 17º fazem os dias de Ankara, enquanto todos gelam pela Europa fora.Não entendo?
Hoje conheci um local novo.É certo que é um centro comercial, como aliás não faltam por aqui.
Este é enorme, e as minhas noções de grande, começam a aumentar.Qual Dolce Vita Tejo...tudo é grandeeee aqui.Mas muito grande, com tantas pessoas, que chego a pensar onde se metem tantas pessoas numa cidade?
Fui com o Yusuf, um dos elementos da nossa equipa de projecto, que durante esta tarde, me explicou imensas coisas sobre esta cultura, cidade, País.Estivemos imenso tempo á conversa, demos voltas e mais voltas.Vimos a cidade anoitecer.O Yusuf, como todas as pessoas que tenho conhecido aqui, tem uma vida ocupada e preenchida.Pretende entrar no Banco Nacional da Turquia para trabalhar, para isso tem que acabar o Mestrado.Joga futebol profissional e ainda arranja tempo para o projecto, como está com outros projectos em mãos.É ele que nos tem ajudado a escrever projectos e nos torna as tardes de 5º feira no escritório mais animadas.É ambicioso no entanto.
Hoje, mesmo na véspera de um jogo importante amanhã de manhã, passou a tarde toda comigo e foi animado, discutir com ele diferenças culturais, regras sociais.Ainda para mais, conhece bem a realidade da Roménia, e os locais onde eu estive por lá.Tivemos oportunidade de partilhar aspectos mais pessoais e é engraçado ver como pensa um rapaz de 26 anos, na Turquia em relação a tanta coisa.Há muitas diferenças.
(Ele mora num 15º andar de 25 andares e eu num 3º que é o último.)O que é isso?Entre tantas outras coisas.
É também num centro desta dimensão onde tantas pessoas se cruzam, que vou percebendo o estilo de vida, dos Turcos, como brincam as crianças num espaço destes e sinto-me em plena Europa, não fossem os lenços na cabeça e os corpos tapados, os tons de pele morenos e os cheiros de especiarias na comida.
Os sinais de Ano novo (não posso dizer de Natal, porque aqui não o são), estão por todo o lado.Quando cheguei ao Kent Park e vi uma árvore gigante na porta, pensei logo em Natal, mas não, é mesmo ano novo!
No fundo nenhum desses sinais exteriores de festa me fazem sentir mais perto do meu País, ou das minhas tradiçoes.Há muito que as dispenso...e que nada me dizem.Gosto de as ver, mas não fazem de certo o meu Natal.
Este então promete ser bem diferente e com luzinhas bem acezas sim, dentro, bem dentro de mim.
Uma por cada um dos que amo.
Imaginem então, quantas luzes não se acendem por aqui?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Gazi Hospital




Hoje, foi a primeira visita, á escola do Hospital de Gazi.Esperava por este momento desde que cheguei, ou mesmo desde que aceitei o projecto, ainda estava eu na Roménia.
Pelas 10h30, lá entrei, naquele mundo, onde as pessoas se cruzam no hall principal, de forma confusa e os elevadores nunca param de subir e descer.Eu pensei que Santa Maria era um grande hospital e confuso.Estava enganada.Este hospital parece ser gigante.
Subimos ao 10º andar, onde fica a escola e a oncologia pediátrica.Não posso deixar de me arrepiar quando entro num serviço destes.Por imensas razões.
Fomos apresentadas e recebidas pelas professoras que estão há cerca de 8 anos naquela escola.Todos os dias, se as crianças estiverem em condições, vão á escola, para não atrasarem o seu desenvolvimento e poderem aprender, brincar, comunicar.
Depois de conhecer algumas delas, que estavam na sala, percebi que uma delas, estava no seu último dia ali, percebi na sua expressão a felicidade e o alívio.
Depois veio a parte mais dura, em que nos vestimos com batas, máscaras, desinfectamos as mãos e abrem-se as portas de casa quarto, pesadas e fechadas com cuidado.Todo o cuidado é pouco quando as defesas estão em baixo.
Os pais, á beira das suas camas, 2 crianças, 3 ou 4 por quarto.Rapazes e raparigas todos misturados.Bonecos e desenhos espalhados pelos quartos, mas o sentimento é sempre o mesmo.ESPERA.Eles esperam melhores dias, sair dali, brincar, voltarem a ser crianças.O aspecto dos rostos inchados pelos tratamentos, as cabeças sem cabelo, a cor pálida ou a magreza é algo que me é tão familiar e que não muda seja em que sitio do mundo for.
Estive á conversa com alguns deles e decididamente eles vão ser os meus professores de Turco.Ensinaram-me logo algumas palavras.A urgência de saber falar Turco, aumenta, embora quase todos os mais velhos falem inglês básico.
Num dos quartos, uma criança recusou falar, estava com o computador,virou a cara quando nos viu entrar, estava junto da janela.Hoje eu sei o que ela sente e não insisti.Outro dia pode ser que ela venha ter comigo, por sua vontade e aí vai saber muito melhor.Estes dias de aborrecimento, tédio, de não querer ver ninguém são comuns, e devem ser respeitados.
A Melek de 11 anos, ficou a sorrir quando me vim embora, a professora disse-me que lhe fiz bem, porque lhe disse apenas, que um dia eu também já estive assim e venci e que sabia que ela também ia conseguir.É muito importante termos exemplos positivos.Dá-nos força.
Senti-me em casa, escusado será dizer e após quase 7 anos, de ter saído pela porta do Ipo, para não mais voltar, esperemos, consigo enfrentar esta realidade que me pertence de forma tão próxima, com um sorriso.
Planos para a pequena escola temos muitos e a nossa semana fica assim completamente cheia e já com muito em que pensar.Do dormitório posso ver as janelas do hospital, e sei a quem pertencem naquele 10º andar.
Nunca mais será a mesma coisa olhar aquele edifício.E sei que muitas vezes os meus passos me vão conduzir até lá, nem que seja só para os ver.
Lidar com a perda aqui será fundamental...estas professoras confessavam-nos que nos primeiros anos, choravam muito, sempre que perdiam uma criança.Mas agora, com o passar dos anos, entendem que tem que ser assim.E fazem o melhor que podem até que esse dia chegue ou até ao dia em que ficam livres e podem voltar a casa.
Com duas das mães, troquei um abraço longo e sentido.Uma delas com uma menina linda de 2 anos, que me pareceu ser a mais viva de todas elas.Cheia de vida...unhas pintadas de cor de rosa e um sorriso maroto de perder a cabeça.
Saí do hospital, pensativa, longe muito longe de tudo.Num lugar que só eu sei...onde fica.
Faces and life in Dormitory





Gosto de pessoas, que façam o seu  trabalho sorrindo e nos façam sentir que estão ali porque querem.
Servem-nos as refeições todos os dias com um sorriso no rosto e no final vêm colocar mais fruta na nossa mesa.E mesmo não falando a mesma língua, dizem o nosso nome.
O cozinheiro o Bilal, trabalha sempre com um sorriso, nunca o vimos sério, está sempre disponível a ajudar.Todas as pessoas gostam dele, marca a diferença com a sua atitude.Um destes dias desci para jantar e decidi que queria partilhar estes rostos aqui.Afinal estes rostos estão presentes no meu dia á dia, de forma tão regular, que acabo por tirar as minhas impressões.
Pelo meu quarto também se faz ginástica...pilates!Anda tudo numa boa onda!
Gosto.
=)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Happy B day Mum!






Um lugar branco, silencioso onde se respira paz.
Foi ali, que enviei um pensamento para a minha mãe, que hoje faz a bonita idade de 70 anos.
Pelas 10h aqui e 8h em Portugal, liguei-lhe.A sua voz surpreendida por me ouvir, foi claramente emocionada.
Disse-me no fim da chamada: "Foi a melhor prenda que podia ter recebido hoje!"
Pequenos gestos, sentidos de vez em quando, falam mais, que grandes gestos forçados quase sempre..
Pensei muito, em tantas coisas, que só o tempo suaviza, clarifica...mas jamais apaga.
Agradeço a vida.


Surprise...





Ora aqui está o nosso nome á boa maneira Turca:

Rita RaNmalho e Andreia OliverIa.

Ora bem, vamos andar assim 5 meses, mais letra menos letra, ninguém se chateia.
Gazi School!






São estes alguns dos rostos que nos acompanham diariamente, 3 dias por semana.Estas crianças são todas saudáveis e de um nível social elevado.Quase todos filhos dos professores universitários da Gazi.Quase todos muito inteligentes e despachados.Mas alguns com falta de Amor e atenção.
O barulho nos corredores é ensurdecedor, pois entre cada aulas têm 10 minutos de intervalo, para correr ali mesmo nos corredores.O único intervalo grande que têm, para correr ao ar livre é depois do almoço, de 1h.
No refeitório os tabuleiros de alumínio, fazem um barulho que nos faz querer comer depressa e sair dali.São imensos.Imensos.Imensos alunos, todos vestidos com a mesma farda, e todos conscientes das regras da escola, que são bastante claras.Todos se levantam na nossa entrada na sala, o que ainda me faz confusão, mas é sinal de respeito.Cedo lhe são incutidas as normas da responsabilidade, de tal forma que todos os dias, um aluno, fica sentado numa carteira cá fora nos corredores e ele, é nesse dia o responsável do corredor, para recados e afins.Quando me deparei com isto, pensei, coitados fizeram alguma e estão de castigo.Pois o ar aborrecido fez-me ler isso.
A nossa missão ali dentro?
Pode parecer simples, mas não é.Como se coloca na cabeça destes meninos (e professores...) que ainda por cima não falam a mesma língua que nós, que é importante, ajudar os outros, não só os que são pobres, que é importante estarem perto dos meninos de todo o mundo, conhecerem as suas realidades.Saberem como vivem...o que fazem.E tudo isto nas aulas em inglês que eles percebem e alguns falam muito bem.A melhor forma foi fazer um power point, que nos apresentasse, acerca de onde vimos, mostrando um mapa da Europa, o nosso mapa, bandeira, comida, música, tradições.
Pela primeira vez aquelas crianças ouviram fado e souberam tantas coisas acerca do que é ser voluntário, fazem perguntas sobre esse País pequenino que se chama Portugal, de onde eu venho, onde nasci, cresci e de onde voei!E para onde hei-de voltar, para terminar os meus dias, olhando o Oceano, saboreando um café.
As perguntas e reacções são fantásticas e ficam curiosos acerca desse continente Europa, que lhes toca ainda um pouco ali para os lados de Istambul.
Pelos corredores, ouço o meu nome, "Ita", pois não conseguem dizer o "Rrrr", e depois dizem "Portuguese Lesson"...
Á medida que o programa da sala vai avançando, nós vamos participando nas aulas e dando a conhecer, como são as coisas noutros lados do mundo. 
Ao longo destes meses, a única coisa que quero é tocar aqueles corações e despertá-los para o mundo em que vivem, na importância de ajudarem...e de serem uns para os outros e se possível viverem mais de Amor, do que do dinheiro.
Eles podem ser 2000, e eu e a Andreia duas pessoas apenas, mas alguma coisa ficará.Só os olhares curiosos e os sorrisos meigos...valem a pena.Só as conversas de hora de almoço com os professores, são enriquecedoras.E pouco a pouco vamos deixando um bom feeling no ar...e muitas ideias estão a nascer na minha cabeça, acerca de actividades ali dentro, naquele mundo!
Sabe bem, acordar e pensar, Gazi School aqui vou eu!
=)