sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Gyimex and the Hungarian Culture












Bô, o meu amigo do Liceu Húngaro,mais a sua namorada que conheci na Livraria Viva, no inicio do projecto, convidou-me a ir á sua aldeia.
Pelas 7h da manhã estávamos a apanhar o comboio em Ciuc para Gyimex, cerca de 1h30 de caminho, num comboio antigo que vai apitando entre montanhas e vales.É uma viagem bonita.A conversa foi sempre animada e quanto mais perto mais abismada estava com a vista fantástica que tinha da janela do comboio.
Falar sobre este tempo em Gyimex, é falar sobre de ser recebida com muito amor, beleza e memórias que quero sempre guardar.
Gyimex, é simplesmente um dos locais mais bonitos da Transilvânia.Mais verde, mais calmo, mais pacífico.E sem stress é assim que se vive ali.
As montanhas sucedem-se...e os pinheiros compõem o resto, com casas espalhadas por todo o lado, casas tão tradicionais, que nos encantam e me chego a perguntar como possível viver no meio de 
tanta beleza.Animais que pastam por todo o lado, cavalos que passam na estrada...flores nos canteiros, e um cheiro a ar puro, o que mais sinto falta em Bucareste.
Os pais do Bô, são ambos professores na escola local, trabalham com crianças, e foi muito interessante trocar pontos de vista com eles.Á nossa espera estava toda a sua família, com um enorme sorriso e acolheram-me como se fosse uma filha.Prepararam-nos um pequeno almoço gigante e tipicamente Húngaro.Queijo caseiro, manteiga, leite vindo da vaca minutos antes, pão feito ali, vegetais da horta,carne fumada na casa e fruta sem químicos e doce e no final porque sabem que sou Portuguesa, um cafézinho quentinho, que não dispenso.A seguir e porque eram ainda 9h, dormimos uma soneca até ao 12h.Acordei com o sol na minha janela a chamar por mim, e uma música de Yann Tiersen!
Descemos para o jardim e começamos por falar de EVS, o Bô e a namorada, terminaram o liceu e querem fazer EVS, pois não sabem ainda que curso tirar.E EVS pode ser uma porta para muitos dons que temos dentro escondidos.Foi a equipa Globe in the mirror, que deu a conhecer EVS, na escola onde estudam.De certa forma estava ali a fazer também promoção de Evs, e descansei mais os pais acerca do que é EVS, e acho que foi um bom trabalho.
Depois do almoço, fizemos uma caminhada até ao centro da aldeia,e ao fim da noite um concerto no jardim, com direito a canções típicas Húngaras e o sol a esconder-se ao longe.Na aldeia estava a decorrer um campo de danças Húngaras, no qual participámos pela noite, depois do jantar.
E aquilo é que é dançar, e de uma forma que parece parada no tempo, não importa a idade, todos bailam, com uma alegria extrema e respeitando as regras das danças tradicionais Húngaras.Todos em roda, fazem a música surgir com o bater dos pés na madeira velha, que assistiu já a muitos bailes, por certo.O pó paira no ar e no palco, velhos anciãos daquela aldeia tocam violoncelo e outros instrumentos que durante horas, não param um segundo.É absolutamente uma experiência a ter, que nos deixa a conhecer esta cultura, que vive dentro da Roménia, mas que sente diferente, come diferente, pensa e age diferente e eu pude sentir isso.
O dia seguinte, foi para dormir toda a manhã e acordar com a vista fantástica que tinha da minha janela, verde e mais verde a perder de vista.Pequeno almoço e café no jardim...sol muito sol na alma, e tempo para escrever, para pensar, para me deixar envolver por tão bela paisagem e sentir de novo aquela voz interior que se vai calando numa grande cidade.Foi tempo também para estar comigo e descansar dos dias de projecto que foram estafantes.
A esta família só tenho a agradecer, por me fazerem sentir tão amada e bem vinda no meio de todos.
O mais curioso, é que a minha máquina fotográfica "morreu" em Tusnad, durante o festival e quando saí de Gyimex, tinha uma máquina que me deram, porque não a usam e ainda melhor que a minha.Meteram-me a máquina nas mãos e é minha.
Parti de comboio pelo fim da tarde, e deixei para trás toda a família na estação a acenar-me e pedir que voltasse em breve.Depois foi uma 1h30 de comboio perdida nos meus pensamentos...o que soube muito bem, com um leve sorriso nos lábios.
No meu caminho têm acontecido as coisas certas, nos momentos certos.
E não duvido que muitas vezes, o meu pai está tão presente, que quase o posso tocar.
De uma forma ou de outra, o amor acontece, tal como ele me ensinou.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

The Autumn in Bucuresti start in August!?






Esta é a vista da minha janela do quarto e da cozinha.
Qual não é o meu espanto, quando um destes dias a almoçar, vejo folhas a cair das árvores, embaladas pelo vento, amarelas.Estranho para mim, muito.
Estas diferenças, dizem-me, que quanto mais Europa a dentro, para estes lados, mais cedo se fazem sentir.
Curioso.Porque a mim só me apetece mergulhar no mar e ficar ali.
E pensar que em Portugal estamos no pico do Verão e que aqui já em Setembro, ele se começa a despedir.

Sol, muito sol, no coração, porque sim, já começo a sentir a nostalgia de partir em menos de 2 meses.Mas começo também a sonhar com o meu País e todos os tesouros que lá me esperam.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Tusnad, Hungarian Festival





Tusnad, fica situado na Transilvânia é uma parte Húngara, e muito bonita.Montanhas e mais montanhas, rios, lagos, ursos, tendas, casas típicas e únicas.
Chegámos ao final do dia, foi montar tendas, organizar o material e depois embrenhamo-nos pelo festival, onde encontrámos alguns rostos familiares de Miercurea Ciuc.
Música, provas de vinho, sabores tradicionais, e o som constante do rio a correr ali ao lado.Tudo numa língua diferente, Húngaro.
Fizemos a nossa acção de rua numa das noites e correu muito bem, assistimos a short films, e contagiámos e deixámo-nos contagiar pelo espírito do festival.
A chuva brindou-nos por 2 dias e mesmo assim, alguns aventuraram-se numa caminhada nas montanhas.Pudemos visitar o Lago St.Ana, um lago lindíssimo, uma antiga cratera de um vulcão.A água límpida e fria.Estivemos no lago com o Presidente de Cluj, com os seus filhos, apanhámos uma boleia e nem esperávamos ter motorista, mas é um facto que aconteceu.
Quanto mais viajo na Roménia, mais me fascino com este País, é lindíssimo.Apenas não existem os recursos necessários para promover o Turismo.Talvez assim estes lugares estejam salva guardados.
A equipa deixou Tusnad, para regressar a Bucareste e eu segui viagem por minha conta e risco durante alguns dias, para Miercurea Ciuc para visitar e passar tempo com alguns amigos.
E de uma aventura nasceu outra!
De Miercurea Ciuc resolvemos ir até Giymes, uma zona ainda mais montanhosa e linda, que me deixou apaixonada e onde pude descansar de todas estas aventuras,fazer um Dance camp de danças Húngaras,rever amigos e ficar sozinha, o que também é muito importante numa experiência destas.
Predeal-Tusnad










Logo a seguir a Vama Veche, partimos para o Predeal, para o training.
Chegámos a Bucareste ás 00h e ás 05h da manhã estávamos de novo a apanhar o comboio para o Predeal.Depois de algumas horas e uma grande subida até ao Hotel, encontrámos por fim, outros voluntários em EVS, como nós.Uns que estão de partida, outros que chegam, outros que estão a meio caminho como eu.
Sei agora que somos cerca de 300, no País todo e que temos diferentes experiências nos projectos.
No Predeal fomos divididos por grupos e podemos conhecer imensa gente e partilhar a nossa experiência.Fomos convidados a fazer uma reflexão pessoal sobre tudo aquilo que já vivemos desde que chegámos, as coisas boas, menos boas e o que crescemos com isso.Importante foi perceber que há situações muito complicadas e que eu tive muita sorte com a minha experiência e associação.Não falham connosco, e temos trabalho para fazer, concreto, real, não nos faltando nunca apoio e tempo  livre também.Há associações na Roménia que falham em tudo e os voluntários são autênticos vencedores pois não desistem e persistem em fazer algo pelos outros, seja de que forma for.Fiquei abismada com certas histórias.Mas um mesmo espírito nos une e a alegria foi uma constante...em todas as horas.Nas refeições que nos presentearam com o mais típico da Roménia, nas danças que aprendemos na festa dos países pela noite dentro, desde a Arménia á Geórgia, Turquia, todos partilharam a sua cultura.Encontrei 2 Portugueses fantásticos, a Nicia e o Fraga.Coincidência foi o Fraga conhecer o Billy da casa do Gaiato, que já esteve comigo muitas vezes em Taizé.Passei 4 dias maravilhosos a falar Português com eles, o que já não fazia há meses.Foi rir.
Houve tempo para tudo, até para pensar no futuro, nos passos seguintes.Uma das noites fizemos uma fogueira enorme e ali cantámos até não ter mais voz.Lembro-me também de passar uma noite a falar até o sol surgir por detrás das montanhas.Magnifico.Falámos de tudo aquilo que nos é comum em Evs, dos sentimentos que são os mesmos, das saudades, das aprendizagens, das aventuras, das nossas famílias...dos amigos que fizemos aqui e até dos que não queremos saber nunca mais.
Infelizmente não tenho muitas fotos do Predeal porque a minha máquina resolveu não trabalhar, nestes dias, mas na minha memória ficará para sempre este espírito que pertence a quem embarca em EVS, e tem a coragem de abraçar uma nova cultura e descobri-la.
Alguns dos voluntários que conheci, vêm em breve a Bucareste para nos visitar, todos vivem em cidades mais pequenas, vilas ou até mesmo aldeias.
Do Predeal partimos directos para Tusnad e foram horas á espera dos comboios que na Roménia nunca chegam a horas.Nunca.

=)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Changes inside, changes outside.








Mudei a cara do meu Blog.É tive a coragem...
Este Agosto o meu blog fará 6 anos.É muito tempo a partilhar, muitas histórias de encantar, outras que fazem chorar.Mas é a minha vida, a minha realidade sem tirar nem pôr, que entrego ao mundo todos os dias.
Como uma casa, cheia de memórias é assim que sinto este lugar e por isso escolhi esta "cara".
Aos meus queridos amigos e leitores, façam o favor de se manifestar, porque tenho outras 2 caras que gostaria de usar, mas esta é que melhor define o que sinto neste momento...estou a arrecadar memórias na minha casa, onde sempre irei habitar, uma casa que se chama mundo, mas uma casa...onde moram muitos rostos, vozes, canções, poemas, palavras soltas, dores, amores...e tantas coisas que eu já nem sei dizer.
Vejo uma casa cheia de vida, de coisas boas, embora as menos boas estejam lá, fazem parte do caminho.Orgulho-me de todas elas.
É uma nova fase que começa, já começou aqui e agora, passam 4 meses que cheguei aqui e já sinto este lugar como meu, mas não como uma casa.Casa é onde o coração está, e o meu está nos que amo, está na minha linda e airosa Lisboa, que me fascina como nenhuma outra cidade, por muitas e diversas razões.
Aqui já vivi mais do que podia algum dia imaginar e prever...e esse efeito, sinto-o dentro...na forma de olhar, de falar, se sentir, se abraçar, de desejar, de querer, de planear, de decidir.
Mudanças interiores, reflectem-se sempre em mudanças exteriores.Como tal, em breve o cabelo da Rita, mudará, e as rastas vão sair e dar lugar a um cabelo que não conheço faz tempo...mas que quero ver solto e a brilhar.
Porque aqui eu renasci para mim mesma...com o tempo necessário e adequado para o fazer.Com as pessoas, os lugares e o que dei e recebi.Faltam ainda 2 meses e sei que vão voar...mas tudo fica nesta casa, isso eu sei.
Orgulho de tudo o que me fez e construiu, quando ando para trás neste blog, nesta casa das memórias...
É bom crescer estando longe, mas estando tão perto do teu abraço.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Festival Globe in the Mirror

Vama Veche








O nosso Festival, Globe in the Mirror em Vama Veche.
Foram 4 dias, e foi o primeiro desta aventura, que nos fez andar fora de casa, muitos dias.O tempo estava óptimo, Vama Veche, recebeu no mesmo fim de semana, um festival de Folk, o que nos permitiu ter uma praia e ruas cheias, e desta forma passar a mensagem com mais visibilidade.
Entre as muitas acções, teatro forum, projecções de filmes, pela noite e limpeza da praia, sempre tinhamos algum tempo livre.
Ficámos num camping, mesmo numa ponta de Vama Veche, quase ao pé da fronteira com a Bulgária.O local era muito engraçado, um acampamento Hippie e muito ecológico.A cozinha era uma caravana parada.
E a vista do céu ao anoitecer dali era maravilhosa, ou mesmo quando o sol nascia.
Vama Veche é e será sempre aquele local especial, e em toda a costa do Mar Negro, não há local assim, onde os dias e as noites se juntam com uma alegria jovem, que não pára.Gente e mais gente, chega a Vama Veche, para fazer férias, passar o fim de semana, os quintais ficam cheios de tendas e sons de guitarras, cheiro a grelhados e luz muita luz por todo o lado.Dançar na praia e molhar os pés para refrescar.
Sem dúvida que o trabalho foi árduo, nas horas de maior calor.Não passámos indiferentes, muita gente se levantou para nos entregar algum lixo, e nos perguntavam quem éramos e porque o faziamos?Alguém tem que o fazer, alguém que como eu nasceu para o fazer, e não há porquês, nem razões, é assim que sou feliz e faço feliz, é assim que faz sentido.
Vi muitos sorrisos durante as nossas acções.Tentamos sempre brincar com as ideias e assim ninguém se chateia...e a mensagem fica sempre.Convidar alguém a apanhar lixo e a fazer uma fotografia brincando com isso, foi a forma mais divertida que encontramos para sensibilizar.Podem ver as fotos no nosso blog, www.globe-in-the-mirror,blogspot.com
Foram dias bem passados, com muito folk sempre como música de fundo, de algumas conversas profundas na praia...até o dia nascer.
Deixámos Vama Veche, para mergulhar nas montanhas no Predeal, no training de avaliação de EVS, com outros voluntários na Roménia.
Vama Veche foi um ponto alto no projecto.