terça-feira, 6 de abril de 2010

Páscoa Hospitaleira Telhal 2010


O sentimento é o de missão cumprida...e com tempo, pude despedir-me por alguns meses, desta casa que me diz tanto.
Pude, conduzir outros, a sentir o mesmo, a olhar com beleza o que é ser hospitaleiro.









É assim que parto, ressuscitada.
Foi uma páscoa diferente, com muitos sentimentos á mistura.
A sexta feira santa, foi talvez o dia que me custou mais.Nunca a tinha vivido assim.Mas quando se passa por uma morte, recente, o sentimento é mais vivido.
O grupo era muito jovem, o que exigiu uma adaptação das actividades.
A alegria e energia próprias destas idades, foi sentida.
O Telhal, ganha nova vida, por estes dias.Quem lá mora, vibra.Quem deixa a casa, deseja voltar.Mas quem os anima e coordena, acaba cansado...com falta de dormir,mas feliz por ver o que sentiram e aprenderam com a experiência!
A última imagem que tenho, é de ver o Deodato a acenar-me ao fundo da Avenida, junto á igreja, depois de lhe dizer que me ia embora muito tempo.Acho que ele não percebeu...mas ficou a dizer adeus, até o carro desaparecer.Vou ter saudades.
Espero que todos os que ficam, continuem a espalhar Hospitalidade.
Eu fálo-ei, onde quer que vá.
Um até já...



E a um dia de partir...não tenho parado.Tanta coisa, me povoa o pensamento.
Estou de braços abertos...para o futuro.
No ano em que decidi partir para longe, faço vinte e nove anos e perdi o meu Pai, acho que tenho já alguma autoridade para falar sobre o crescimento. E sei que ele não é medido pelo número de casamentos, responsabilidades profissionais ou aumento da prole. Durante muito tempo recusei-me a crescer, ou pensava eu.
Mas cresci.A vida encarregou-se disso e muito bem.
Não cresci como estava pré-estabelecido, não como se esperava de mim, não como via os outros crescerem e fiquei pensando que talvez isso não me estivesse destinado.

Não me casei, não me tornei amarga e cinzenta, quis criar os meus próprios rituais. Não engravidei, não chegava cedo a casa e não respeitava os ideais do mundo . Não tinha um relacionamento longo e feliz que me prendesse os movimentos, porque sempre presei a liberdade.(aliás, sempre fui exímia a escolher as pessoas mais erradas), não me tinha tornado numa dona de casa exemplar e continuava a não querer crescer. Mas a verdade é que toda essa viagem, todo esse trajecto de aprendizagem em  aprendizagem, todos os dias em que fiz algo belo e ouvia o eco dos meus próprios pensamentos me estavam a transformar radicalmente, para melhor. Já tinha deixado de estar conformada para estar apenas decidida com a ideia determinista que uma vida anormal, e essa sim era para mim. E via os meus amigos a casarem e a terem filhos e a mudarem de casa e a investirem no seu futuro e eu nada, nicles, continuava no meu mundo, Utópico  e activista, sonhadora e empenhada nas causas sociais, que me apaixonam.Nasci para isso e hoje sei disso.Vou atrás disso.Sempre.

Aquilo que me fez crescer foi eu desejar o melhor para mim. Foi começar a pensar se era assim que eu queria continuar ou tornar-me daquelas pessoas que não são ilhas mas antes icebergues à deriva, incapazes de controlar o seu rumo e prestes a chocarem contra a costa. Foi começar a perceber que eu podia efectivamente mudar a minha vida, eu é que tinha o poder de alterar as coisas, de me envolver em actividades que me davam prazer, de abrir-me mais ao Mundo. E quando fiz isso, quando resolvi que quem manda aqui sou eu e dei esse metafórico murro na mesa, cresci. A questão não é ter dinheiro, nem é ter status nem sequer é encontrar quem nos preencha: é mudarmos a nossa vida com as nossas mãos, sem esperar que nos ajudem, nos aconselhem, nos incentivem. 
Tudo o resto muda a partir daí. Crescer é ter a vida em marcha, é perguntar a nós mesmos se é isto que queremos, é não ter medo de admitir que fizemos mal. E para este crescimento não são precisos aumentos nem viagens nem apartamentos novos. É só não acreditarmos que fomos destinados a ser um falhanço, especialmente quando há sempre algumas pessoas a quererem provar-nos o contrário.

E crescer é não recusar desafios. Se vêm aí 6 meses longe no desconhecido, não há melhor coisa a fazer que desejá-lo como loucos e sonhar com o dia em que o vamos mudar o meio onde nos envolvemos. Mesmo sabendo das dificuldades que aí vêm e das saudadese de todas as vezes em que não as poderemos matar. 
Crescer também é abraçar aquilo que a vida nos dá e usá-lo o melhor que podemos. Quem se preocupa com a idade que tem? quando, por dentro, ainda nos sentimos com os saudosos dezoito? Mesmo que o corpo já não o confirme... ;)
Daqui a um dia, parto...Feliz. 
O meu pai...ia gostar de ver-me partir, assim.
De uma forma ou de outra ele vai ver e celebrar comigo.
Não é Pai?


P.s.Ainda por cima, hoje tive uma surpresa da Renata,entrei em casa dela para jantar e despedir-me dos pais, entrei no seu quarto para pousar a mala e quando olhei , estava ali sentada e a sorrir!! e é ela que me vai deixar no aeroporto ás 5h da manhã...e ver-me partir.
Despedi-me de toda a gente que Amo...de forma mágica.Agora só faltam acabar as malas e voar!


segunda-feira, 5 de abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

O meu dia...




O meu dia começou cedo.Deixei de ter ordem para fazer as coisas.Faço-as simplesmente.
Almoçar com um Amigo, que me pôs em contacto com uma pessoa de Bucareste.Ligada á Cáritas, dois filhos jovens, casada com um Americano, vive em Bucareste centro, tem uma casa a 200km da cidade e combinamos encontrar-nos 2 semanas depois da minha chegada.É bom ter um contacto assim por perto.
Falei também com o João, um rapaz de Guimarães, que esteve em Bucareste em voluntariado, com crianças deficientes e me partilhou um bocadinho da sua experiência.Importante, receber estas luzes.
Dia 27 ele está por lá e vamos encontrar-nos.Espreitem o blog dele, muito giro.
www.johnyandasvoltas.blogspot.com

Aos poucos vou estabelecendo contactos.
Já recebi o programa do 1º mês na Roménia.Entre uma formação de alguns dias em Basov, nas montanhas.Depois entre estudo da língua e visita local, há muito por fazer.
Hoje foi abraçar o Duarte pela última vez, ele vai para Lyon passar a Páscoa,depois apanhar a Liliana no terminal dos expressos, entrar no Ipo, abraçar a minha médica...ir ás compras, preparar o jantar, falar com Timor, via telefone e cantar...Arrumar a mala para a Páscoa e tentar arumar a mala da Roménia.
Estar agora aqui a falar até ás tantas...sobre tantas coisas e a escrever isto.
Resumindo, ando a sentir tudo intensamente como sempre...faltam 7 dias.
7. 

segunda-feira, 29 de março de 2010

Formação Pré-Partida, SVE





Estou de volta.
Foi uma formação, importante, esclarecedora e rica.Conheci algumas pessoas, que valem a pena e nutrem motivações muito válidas para partir, tal como eu.Pessoas que não valorizam o dinheiro, o luxo, e conseguem viver com pouco.Tornar o mundo melhor, é algo que nos une e para o fazer é começar logo aqui, onde quer se esteja.Não podemos mudar o mundo lá fora quando aqui não o conseguimos fazer.
O local escolhido, foi a pousada de juventude de Almada, com uma vista que nos marcou a todos, pela sua grandeza e beleza.Foi uma forma bonita de poder olhar a minha cidade pela última vez, nestes próximos tempos.Olhei-a com a calma doce, de quem ama o que tem, mas mesmo assim quer amar aquilo que ainda não conhece.
Aprender.Exprimir.Trocar experiências.Medos.Alegria.Desafios.Metas.União.
Muita coisa se partilhou ali e partimos agora sim, mais seguros...mais confiantes,sabendo agora dos nossos direitos e deveres como voluntários.Quem nos envia, acabamos por ser nós mesmos...cada um deve enviar-se com aquilo que é.
Macedónia, Cabo Verde, Argentina, Galiza, México, Itália...os destinos eram muitos e os projectos interessantes e muito diferentes.Desejo aos meus companheiros de formação, o melhor,visitem-me ou irei eu visitar-vos...somewhere.
Estes dias têm sido de uma intensidade, nem há tempo para escrever...apenas para agir.
Na 4a estou de partida novamente, para o Telhal, Páscoa Hospitaleira...volto no Domingo de Páscoa.
E dia 7...lá vou eu, rumo a um futuro que espero cheio de luz!
Até lá há muito por fazer.