terça-feira, 21 de julho de 2009

No Zoo, em missão, com as meninas de Assumar!

















Vieram de Assumar, Monforte, e saíram cedo para chegar a Lisboa ao 12h.
Eu levei menos de 40 min a por-me no zoo, como por magia, junto delas.
Hoje, passei lá o dia, com a malta do campo missionário e as meninas de Assumar.
Que bom foi rever toda a gente...que bom foi poder entrar ainda que por um dia, numa comunidade, que é a minha.
A minha noção de normalidade, muda radicalmente sempre que estou com estas meninas. Conseguimos fazer com elas o que queremos e ainda ficamos admirados porque nos surpreendem sempre.É verdade que nos cansam...puxam por nós e exigem atenção redobrada, mas são do mais belo que há.
Demos um pulo à alimentação dos leões marinhos, depois de almoçarmos, num dia quente sobre Lisboa.
Entre caminhar devagar,fico sempre fascinada pelos recantos infinitos e pelas cores chamativas das aves e dos macaquinhos de 1001 espécies e nomes diferentes.Ou pelos sons que nos fazem crer, que não estamos em pleno centro de Lisboa.
Chegadas de todos os lados, o Zoo, é inundado de crianças de olhos abertos e á descoberta.Assim estava eu, depois da milionésima vez lá, sempre me deixo surpreender, com tanta variedade de animais, cores, sons e cheiros também.
É passada uma mensagem, sempre com vista a sensibilizar, de preservar as espécies, a desflorestação, ecologia, para que não seja apenas uma visita, mas algo que fique.
Paz de espírito no oceanário do Zoo de Lisboa. Tudo muito azul, tudo muito simples, tudo muito natural acompanhado de música. O fascínio dos golfinhos e das focas que nos fazem sentir a liberdade da natureza. Todo um deleite para os sentidos, este espectáculo.
Passamos assim este dia, entre abraços saudosos que há muito queria dar e receber, a energia que dura e dura, das meninas e uma despedida que me custou muito.Por mim tinha ido escondida na bagageira do autocarro...só para poder continuar assim, na vossa presença que marca e encanta.A de todos, meninas, companheiras de caminho...todos.Mas estamos juntas.
Até pode não existir nada para festejar, por esta altura, mas os dias assim, são literalmente perfeitos e eu não me importo de os acabar pensativa e saudosa no sofá a ver uma tontice qualquer e tudo o resto perde a importância porque não me falta nada.Desde que possa dar.
Só pedia que pudesse repetir assim esta felicidade de me dar, em dias consecutivos, sem ter que esperar outra vez.
E foi logo a seguir, quando cheguei ao pé do meu pai cheia de boa energia.
É já amanhã e depois... e a cada minuto que me dou.

wwoowww!



Gran Torino Music Video




Your world Is nothing more


Than all The tiny things


You've left Behind


So tenderly Your story is Nothing more


Than what you see


Or What you've done


Or will become


Standing strong


Do you belong


In your skin J


ust wondering


Gentle now



A tender breeze Blows


Whispers through


The Gran Torino


Whistling another


Tired song


Engines humm And bitter dreams Grow


A heart locked In a Gran Torino


It beats


A lonely rhythm All night long...





Pai


Um bocadinho melhor, encontrei o meu pai.
Hoje, houve gelado, á sobremesa, porque achei que merecia.E no final da refeição, cafézinho (descafeinado), que lhe soube pela vida.
Que mais pode dar prazer e satisfação a uma pessoa que está permanentemente na cama, do que os cinco sentidos?
Faço de tudo, para os apurar mais, para os estimular.Mas admito que ao meu pai o que mais estimulo é o paladar.Tudo com conta, peso e medida.
Vim embora reconfortada, por vê-lo a sorrir...só isso, já me faz ganhar o dia.

Amanhã há mais...mimos!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Montanha Russa?















Afinal, o meu pai não vem a casa.

Tocou o telefone, pensando nós que seria a confirmação da alta, mas do outro lado apenas ouvimos que ele já não teria alta, porque piorou.

Agravou-se tudo, a febre voltou e a infecção deu sinais evidentes na urina, que não pode vir.

Estes altos e baixos, são normais da doença, mas são como uma montanha russa nas nossas emoções e certamente nas dele.Uma montanha russa, com loopings, e pior, sem poder prever o fim.

Eu que o esperava, como sempre anciosamente, que só faltou colocar flores no quarto dele...eu que só queria que ele não tivesse a passar por isto.Assim.

Bom, daqui nada vou estar com ele.

Tentar amenizar o seu mau estar com um sorriso e alguns mimos.

=(









domingo, 19 de julho de 2009


É...do fim de semana!









Uma despedida.
Uma noite para comemorar e inesquecivél.
Muitas alegrias.Um olhar no futuro.

Um bom café, acompanhado de conversa da boa e demorada.

Uma ida á grande casa, onde há tantos amigos, daqueles que sentimos que nunca se vão cansar de nós.E eles também teêm dias maus, oh se teêm.

Mas ali há sempre o abraço, o sorriso, a alegria de nos ver chegar...e ás vezes as dores são grandes e o sofrimento enorme.Mas isso deixa de importar e por isso os nossos problemas também se deitam para trás das costas.

Calor convidativo e eu já só penso em partir por aí a fora á descoberta do verão deste País.Mas tenho que aguardar o melhor momento.

Amanhã o meu pai vem para casa, se tudo correr bem.

Na terça feira terei as gentes do Campo Missionário em Lisboa, para uma visita ao Zoo, o que me vai dar imenso gosto, estar com eles.

Ainda quero passar na medieval de Óbidos até domingo.

Em Agosto, começa o campo de férias mais aguardado...e eu mal posso esperar, ainda por cima, descobri hoje a piscina do Telhal, fantástica, fabulosa, só precisa de ser despejada, ser limpa e voltar a encher.Voluntários?
Ajuda precisa-se.Um dia fica feito.

E assim entro em mais uma semana, sentido que ninguém mais do que eu mesma e Deus, mexe as peças do meu puzzle.
E espero por mais que não queira, impaciente mas confiante, pelo rumo dos próximos tempos, que depende de tanta coisa.




Boa semana!






What a lovely story!

Sweet!

sábado, 18 de julho de 2009

La vie en Rose!

=)


Ontem, fizeste-me pensar que...















Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.

Arrepende-te, volta atrás, pede perdão.

Não te acostumes com o que não te faz feliz, revolta-te quando julgares necessário.

Alaga o teu coração de esperanças, mas não deixes que ele se afogue nelas.

Se achares que precisas voltar, volta.Se perceberes que precisas seguir, segue!

Se estiver tudo errado, começa novamente.

Se estiver tudo certo, continua.

Se sentires saudades, mata-as.

Se perderes um amor, não te percas.

Se o achares, segura-o!

=)

Fernando Pessoa

Sabes bem que sim.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

O meu pai,não veio.

=(


Amanhã ou talvez 2a feira.
Pai



Ao que tudo indica, este reanimar do meu pai, em começar a comer, inspirou a médica em dar-lhe alta por uns tempos.A sua vida nos últimos 2 meses, foi hospital.Não vê outra realidade.
Ele vem de facto a casa, vamos ver se é amanhã.
O filme volta a repetir-se na minha cabeça, a ultima vez que veio a casa, também foi numa sexta feira, mas sábado á tarde, estava a regressar ao hospital.
Por isso desta vez, não vou criar expectativas.Vem e fica o tempo que tiver que ficar, conforme o seu estado assim pedir.Estamos conscientes de que há coisas nele que não funcionam bem ou pararam.
Temos que estar atentos ao mínimo sinal.Pois isso pode fazer toda a diferença.
Será bem recebido.Hoje preparei uma gelatina de maçã, para poder comer depois das refeições, pois a gelatina hidrata, concentrando em si grandes quantidades de água.Um mimo.
Certifico-me de que tudo está no seu lugar e respiro fundo, para recomeçar a luta aqui por casa.
Uma luta que não é fácil acreditem, mas que travo, com o maior Amor.

quinta-feira, 16 de julho de 2009






"Viste como te levou Yahveh
O teu Deus e Senhor
Por todo o caminho que percorreste
Até chegar a este lugar
Permanece, permanece em Mim
Assim a atrairei e a levarei ao deserto
Falar-lhe-ei ao coração
Fora já dali eu lhe darei as suas vinhas
E o vale como porta da esperança
E lhe direi: "Tu és o meu povo"
Me responderá: "Tu, o meu Deus"

Permanece em Mim, Permanece em Mim"

Da Bíblia sagrada





Rita...destranca-me!











Imaginem-se em pleno Alentejo.Calor abrasador.Campo missionário.

Dão-vos 30 min para a sesta merecida.Aos 15 min, quando passam já pelas brasas, alguém vos bate na janela do quarto e diz:" Rita...Rita, destranca-me que tou aqui fora trancada!"

Uma pessoa pensa que está a sonhar, e vira-se para o outro lado, pensando que ninguém normal, fica trancado do lado de fora de uma casa.Lá me decidi a levantar e a abrir a porta, pensando enquanto dava os passos, que não ia encontrar ninguém do outro lado da porta.Mas estava, ela de facto ficou trancada para lá das extensas planicíes alentejanas.É possivel.

Foi a risada total.Na casa toda.Contagiando-se pelo País,Jh e imagine-se por duas lindas Missionárias que estão em Moçambique e vão ler isto amanhã ao acordar.
E assim ficou eternizado o "Destranca-me" neste grupo de formação missionária.Todos o usam, e sabem porquê.

E agora?

Quem vai destrancar esta rapariga, lá para os lados do Alentejo, se eu não estou lá?

Saudades.




(Eis as protagonistas, (Susana,Eu,Catarrina,Leonor) deste episódio único e marcante...com ar de psico's e decerto com patologia grave!)
Fujam!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

PARABÉNS a esta menina!








Hoje estou longe, mas continuas a fazer-me sorrir na tua inocência.
Continuo a sentir a expectativa que criavas só de saber que começava mais um dia cheio de brincadeiras novas, que esperavas de mim.Como se eu tivesse uma caixinha mágica onde guardava segredos que todos os dias desvendava para ti...e para as princesas desse teu castelo.Sabes ainda hoje, acho que transporto comigo essa tal caixinha de pequenas magias, que me ajudam a pintar os dias, com palavras "bordadas a purpurina".E foste também tu, do alto dos teus 13 anos, que me ensinaste a fazê-lo.
Na tua bolinha de sabão, que ninguém pode compreender, és feliz.
E é por isso que eu, te admiro tanto e nunca te esqueço.
Um dia muito feliz minha querida.
Em breve abraço-te, nesse teu mundo...

Este Projecto tem Coração










É bom quando se vê um projecto crescer, um projecto que á partida morreria na praia, se não tivéssemos pegado nele, acreditado e movido esforços para o levantar, manter de pé e fazê-lo perdurar, quem sabe por muitos anos!
Na verdade é por contagio que isto se vai alargando...de forma bonita.Antes não tinha ninguém, agora não param de cair emails a oferecer mãos e muito coração, e eu já tenho que recusar, pois não podemos ser mais do que os visados do projecto.
Este é o inicio de algo...que vejo nascer e me emociona, pela forma como está a acontecer e como aqueles que comigo o quiseram agarrar se empenham.
Tudo é novo e não sabemos bem como vai ser...mas confiamos e vontade não nos falta (á grande maioria pelo menos ;).
Agora é continuar a unir ideias e esforços para que tudo resulte.
Se fosse eu,a criança,o jovem ou mesmo o adulto, gostava, que alguém se entregasse por mim desta forma, e me fizesse ter as melhores férias que algum dia tive...só porque sim, porque todos têm direito a férias, a liberdade, a cor, com cheiro a verão.E a minha cor só existe, quando a vejo reflectida nos outros também.

Obrigado, por CoNTAgIAr.Te!

terça-feira, 14 de julho de 2009

O cúmplice e irrequieto silêncio entre nós.









É o mês dos regressos, como se todos fossem emigrantes em parte incerta.É o mês de os receber de braços abertos.
Por meados de Agosto já cá devo ter os amigos mais lindos, que estão espalhados pelo mundo.
O ano passa e o pensamento toca-os muitas vezes.Não resistem a este sol, a este calor, a esta luzBoa!A este ambiente de festa, a estes petiscos...Lá fora ganha-se dinheiro, abrem-se horizontes...mas é aqui que tudo sabe melhor!
Há saudade, há lembranças que fazem sorrir e ao mesmo tempo uma confiança que nos diz, que o tempo e a distância nada desfazem, mas tudo unem.
Há conversas que condensam tudo o que se viveu durante o ano, há aquela lágrima que esperava por nós, o abraço e por fim o sorriso que leva á loucura de rebolar na relva, num dia de sol, de atirar areia, de caminhar lado a lado, na certeza de que as partidas estão para breve, mas ficará sempre em porto seguro a nossa amizade, aquilo que se viveu...e ainda está para vir.
Não há nada melhor que partilhar com alguém que não víamos há tanto tempo, o que temos vivido bom e mau e o entusiasmo com que o fazemos...porque na verdade apenas não nos vimos durante largos meses, mas estivemos sempre lá e como isso se sente.
E entre o ver e o sentir, há grandes diferenças.
Há quem se veja todos os dias e não nos faz sentir absolutamente nada.
Há quem se veja, uma vez no ano, e todos os dias apenas de pensarmos nessas pessoas, tudo se remexe por dentro.
A simples existência de alguém é algo muito belo e que nos transcende de certa maneira.
As horas com vocês deviam esticar. . .

Phamie gow - War song


War Song




Porque me encanta sempre, escutá-la!

Porque desta Guerra vem uma enorme Paz!


Danças com História

















Danças com história, que me encantaram e me fizeram viajar muitos séculos atrás.

Foi deslumbrante...o cuidado e a forma como cada passo desta dança nos deixa presos...e nos remetem para um tempo em que todos os gestos tinham uma leitura diferente.

Os sinais eram outros...e aprendi muito, acerca disso, eu que leio sinais em todo o lado.

Os trajes são réplicas fiéis do que se vestia na altura...tal como penteados, expressões...modos de estar.É fabuloso.

Foi na excelente companhia da Lu, e dos seus pais, que fomos no Sábado até Montelavar e nos deslumbrámos com estes passos mágicos e sons quase divinos.

E mesmo que as noites estejam frias...e não nos façam sentir verão,momentos assim, vão sempre lembrar verões passados e viagens no tempo que já lá vão...mas marcaram.


Esta foi mais uma...sem tirar os pés do chão!

Do fim de semana e do Pai










O fim de semana, foi um tempo para mim, que mesmo cheio de outros e tempo para os outros, foi tempo para mim.

Dei comigo a contemplar um pôr do sol, ao qual já me habituei, ali no Telhal.Dei comigo a escutar o som da água a correr de olhos fechados e a sorrir, dei comigo a dançar por dentro.

Por várias vezes, me vi a reflectir e a pensar em cada passo que tenho dado e ainda quero dar.

Abraço projectos, entusiasmo-me com outros tantos.Abraço pessoas, e entusiasmo-me com todas elas...e quanto mais as conheço mais quero conhecer.

Vale tanto a pena, quando nos damos e quando arriscamos partir, ficando.Porque é quando se fica que se parte verdadeiramente.Descobri.




E ficar, tem sido aquilo que tenho feito, pelo meu pai, por mim.

Hoje, quando cheguei ao hospital,estava a comer.Comida,leia-se!Sólidos.Não comeu muito, mas já é muito bom.Assim não fica tão fraco.

Hoje estava também muito animado.Melhorou a olhos vistos...de repente.

Conversava, ria-se, queria falar muito.Assim o escutamos e acalentamos os sonhos que ainda tem e não perdeu.Que bom!

Entre muitos e bons saliento este:

Quer comprar uma cana de pesca, para ir para a barragem pescar e diz mesmo, que quando voltar a andar, será a 1a coisa que vai fazer, quando sair dali.

Esta noite, sonhou com sardinhas de água doce, porque um senhor lhe falou nisso e disse que eram muito boas, e o meu pai, á semelhança dos ditos chicharos, ficou a falar nisto.

Disse-me que as via a saltar prateadas e grandes.Quer comê-las com bastante cebola ou fritas!Imagine-se para o que lhe deu.De facto o meu pai, surpreende-me, porque tal como eu, estes desejos e pequenos sonhos tomam conta dele de um momento para o outro e ele vibra tanto com tudo, que contagia todos.Tenho impressão que todos os doentes do quarto estavam a querer comer sardinhas de água doce naquele momento e discutiam qual a melhor forma de as cozinhar.Mas também coitados, a comida ali é péssima, facilmente se sonha com um pitéu!

E é isso mesmo que vou fazer, procurar as ditas sardinhas de água doce, que vêm de uma barragem ao pé do Torrão no Alentejo, e cozinhá-las e levar-lhas.Nem que tenha que lá ir.

Já o conheço, sei que falará nelas a semana toda.

Por isso amigos, se souberem onde se vendem aqui em Lisboa, ou arredores, apitem...

São os últimos desejos que lhe posso satisfazer e vou ao cabo do mundo se for preciso!

Tudo o que quero é vê-lo sorrir.





Boa semana!


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pai


Faz hoje 4 dias, que o meu pai não come.Vomita tudo.
Forças para falar, também não são muitas.Cansa-se.As minhas visitas, têm tido mais presença e silêncio do que palavras.Fico ali a olhar para ele,vendo-o adormecer, ajeitando a almofada...dando água.Mas não há grandes diálogos.
Mas isso também é estar.Também é amar, ao passo que se sofre e se regressa a casa em numa espécie de mudez.
Hoje, vou para o Telhal, lá, onde os pensamentos se ordenam e a alma se acalma, alguma coisa encontram-me por lá.

Bom fim de semana.

quinta-feira, 9 de julho de 2009


O segredo está no Amor.









Se eu quisesse, não poderia enumerar o número de vezes em que me surpreendi nos últimos tempos e ao longo de toda a minha vida.Comigo, com os outros, com a humanidade mas sobretudo com as vezes que fui feliz.

Podia querer contar estas vezes, mas é tudo tão rápido e eu não estou realmente a tomar nota, por isso vai-me tudo passando subtilmente, mas profundamente. Não as surpresas, mas a sua contagem.

Tenho falado com algumas pessoas nos últimos tempos sobre o facto de se ser muito selectivo ou esquisito com aquilo que nos faz feliz.Quando se consegue ser tão feliz, com muito pouco.Tenho falado com pessoas que acham que já não merecem ser felizes ou que acham que não voltarão a sentir-se completas.Ou porque não têm o nivel de vida que queriam...e isso lá é felicidade?

Tenho encolhido os ombros quando penso sobre pessoas que buscam a felicidade, comparando o que têm agora com aquilo que um dia tiveram. Pessoas bonitas, inteligentes e independentes não deviam duvidar das suas qualidades e, muito menos, do seu direito a ser feliz.
Por estes dias, fizeram-me uma pergunta:" Como consegues, ser tão feliz, mesmo com tudo o que tens vivido e estás a viver?"
Segredo, não há segredo...eu não corro atrás da felicidade, mas vejo-a sempre, em tudo.Por pior que seja o cenário, há sempre algo bom...e o bom é o Amor, com que se dá, com que se diz, com que se olha, com que se deseja, com que se vive!

Procurem menos. Olhem para quem está à vossa volta, a resposta costuma estar subtilmente escondida por aí. Não escolham, deixem-se levar. Deixem-se convencer de que o que estão a fazer é uma loucura saudável. Não procurem, de todo. Deixem de idealizar. Deixem que vos amem e que vos adorem sem qualquer razão especial.Mas lutem pelo que acreditam ou podem perder tudo.Parados não chegamos a lado nenhum.Ao contrário morremos por dentro.

Dêem tempo a tudo: às interrogações que vos vão assaltando, às fantasias e ao desejo se o sentirem a crescer, à vontade de mudar, à misteriosa sensação de que tudo pode estar a mudar. Enviem mails só para dizer, Gosto de ti, ou louvem o dia com uma canção...andem descalços na relva, tomem banhos de mar, com a roupa, abracem sem fim,olhem as cores do céu, andem á luz da lua, façam o que o vosso coração disser.

Não rejeitem o carinho de ninguém. Deixem-se apoiar. Aceitem convites para ver o sol pôr-se, lanches, passeios, fins de semana ou para 3 dedos de conversa e um café.

Encarem o sofrimento, e transformem-no em amor. Passem ao espelho o tempo suficiente para se sentirem radiosos. Não estranhem o brilho do vosso olhar. Convençam-se que as borboletas na barriga vieram para ficar. Suspirem o tempo todo. Ouçam a minha avó quando ela diz que, o que é nosso, às nossas mãos virá. Se tiverem vontade de dançar, pulem.
Não contem o tempo que demorou até serem felizes, mas agradeçam o que já foram e sonhem com o que ainda têm à vossa frente. Arrepiem-se com a música. Descubram poemas na vossa cabeça. Não estranhem se chorarem de alegria.E saibam chorar de tristeza e aliviar a alma, quando assim tiver que ser e nunca se envergonhem daquilo que são.

Às vezes, o amor chega e nós, destreinados e incrédulos, não percebemos.
Ser feliz também é deixar que nos amem. É arriscar mais um falhanço para descobrir o que nos faltava. E dizer sempre, sem pensar no que isso quererá dizer amanhã.Porque se tivermos coragem de seguir o nosso caminho e presseguir os nossos sonhos vamos perceber que...

O amor é e sempre foi aqui e agora.










(Atenção, eu, nada sei...sei apenas da minha alma ;)

O sal da Língua






«Escuta, escuta: tenho ainda uma coisa a dizer. Não é importante, eu sei, não vai salvar o mundo, não mudará a vida de ninguém (...)Escuta-me, não te demoro. É coisa pouca, como a chuvinha que vem vindo devagar. São três, quatro palavras, pouco mais. Palavras que te quero confiar, para que não se extinga o seu lume, o seu lume breve.
Palavras que muito amei, que talvez ame ainda. Elas são a casa, o sal da língua.»




Eugénio de Andrade

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Feira Medieval em Sintra



Chegou o verão e começam também, por todo o país as feiras medievais.
Cativam-me.
Lugar onde se pode encontrar, 1001 coisas únicas, que não se encontram com facilidade.
É curioso como reconheci um ou outro artesão, de outras feiras...e como os seus produtos, feitos á mão, são de facto de qualidade e ainda me duram nos pés, nas mãos, ou pendurados ao ombro.
Também os doces são únicos e conventuais, sem açucar adicionado, mas aproveitando o açucar, dos frutos.A ginginha em copo de chocolate também não faltou...a fogaça, o pão com chouriço, os doces de amêndoa...e estavam deliciosos.
Ali encontra-se sempre, aquela peça assim meio arcaica,imperfeita, mas por isso bela.Aquele som, remoto, mas tão forte que nos desperta.Ali dá vontade de bailar e deixar sair a energia...
Ali há sempre um cruzar de culturas e saberes que me apaixona...me enche de magia.As crianças correm, com coroas de flores na cabeça, mais parecendo fadas, os brilhos da lua reflectem-se nos lenços árabes e ouvem-se guizos por todo o lado.Há de tudo.E gente, muita gente.
Porque é verão, porque é tempo de celebrar a vida, mesmo com tudo aquilo que nos custa, eu estive lá...dei uma fugida, do Telhal, durante o fim de semana...e foi uma noite esplêndida, para acabar um dia cheio de coisas boas.
O sorriso não me deixa mentir...e a alma também não.






















Plim*

terça-feira, 7 de julho de 2009


Telhal.Está tudo dito.























































Parece que me apaixonei.Por uma obra,por uma história, por uma casa, por rostos e vidas muito concretos.
E quanto a isso não há nada a fazer.
=)



News




Estou de volta...


O fim de semana, foi no Telhal...embrenhada em alegria e hospitalidade.Há muito a partilhar, mas sinto-me ainda a assimilar.


Muitos amigos, tantas descobertas, cansaço por não parar, mas paz interior.


E finalmente, chegou hoje o meu portátil, com uma nova memória e uma nova drive...

Estava bem mal, para 3 meses de uso.


Este blogue vai voltar á normalidade...e há coisas acomuladas para partilhar.


Há muita coisa boa a acontecer na minha vida, de repente...sinto-me feliz.

Aceito os caminhos que surgem e não me recuso a percorrê-los.

Afinal também eu sinto, que é por ali.


E muita paz, numa altura destas, é essencial.


Por tudo isto, apenas digo, Obrigado.
E deixo-me assim, abraçar por esta lua cheia...e pelo fresco da noite, certa, que o futuro é um lugar, bonito, mas o presente é onde realizo aos poucos os meus sonhos.


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Quando tudo se vai tornando familiar...





(IPO 2006)




Em gestos quase mecânicos, encaminho-me para o hospital.Um caminho igual todos os dias, com rostos que se repetem, com lugares e imagens sempre iguais.É, quando se cai numa rotina como esta, reparamos em coisas, que nunca antes fariam sentido para nós.Ás vezes, quando estou a caminhar por aqueles corredores, penso, na forma como o faço, com a mesma segurança, de saber onde estou e porque estou ali.Umas vezes, levo sem dúvida o semblante mais carregado, outras mais leve.Eu não me dou conta, mas há quem me veja por ali.Hoje a senhora das senhas, disse-me antes que eu abrisse a boca:"Já sei, piso 5, cama 12..." e eu esbocei um sorriso acenando que sim.Depois entro sempre no bar, para comprar uma garrafa de água fresca ou qualquer outra coisa, e só hoje reparei que senhor me cumprimentou como se eu fosse cliente habitual:"Olá, o que vai ser hoje?"

Ás vezes sinto que aquelas paredes, me conhecem.E eu não queria que fosse assim.

Mais á frente no corredor antes de chegar ao elevador, estava um senhor de andarilho, encostado a uma janela, a fumar o seu cigarro, olhando para as pessoas que passavam com sacos, a caminho da visita com os seus doentes.Ele estava ali sozinho, com um olhar abandonado...querendo distrair-se por certo.Disse-lhe boa tarde e sorri.Ele respondeu e senti a sua admiração, pois ali onde passa tanta gente as pessoas se limitam a olhar para ele, em pijama e debilitado.Olham,mas esquecem-se que um dia poderão ser elas ali, junto á janela.Eu sei o que é estar fechado num hospital e sei que qualquer brilho nos move...qualquer sorriso faz a diferença.

A visita de hoje, foi no entanto diferente.

Achei o meu pai muito agitado.Pedia-me para por a cama para cima, no comando electrónico, mas depois irritava-se porque afinal não era tanto assim.Depois quando punha para baixo, queria mais para cima.E quando pegava no comando, carregava nos botões errados, fazendo mover a cama em todas as direcções, menos naquela que queria.Quando veio o jantar, pediu para por o sal na sopa, como todos os dias.Coloquei e mexi, quando a provou disse que estava salgada.Depois penicou os hamburguers, que pareciam pastilha elástica e mal comeu o puré.Enquanto fazia isto, ia reclamando com a comida do hospital, que "os doentes não são cães.São pessoas"Quando retirei da mala fruta cozida, acalmou.

Acabou de comer e não quis lavar os dentes, como normal.Não insisti.Estive sempre pacientemente a ver qual a melhor forma de o agradar, fazer sentir-se melhor.Mas por várias vezes, estive para desabar e chorar ali mesmo.Dei uma voltinha ao corredor, respirei fundo...e voltei.Sentei-me mais 10 min, ao lado dele, vi as noticias a começar e depois vim para casa.

Eu sei, sei muito bem, que custa muito estar há quase 2 meses, preso a uma cama, dependente e sentir que a vida se vai, que já não se tem o controle sobre si mesmo...eu sei.Este estado de irritação é até um direito que lhe assiste, dadas as circunstâncias.

Mas mesmo assim, custa-me horrores, quando se zanga comigo, por coisas tão pequenas.

Regressei a casa, completamente alheada, da realidade,com vontade de voltar atrás e abraçar-me a ele.
Para sempre.


Bico de lacre no céu



Cá em casa, desde sempre, os únicos animais de estimação, foram pássaros.
Nunca me deixaram ter um cão...porque moramos no 3º andar e o animal ficaria preso aqui.Mas como nunca chegámos a ter um quintal, o cão também não chegou.Um dia vou ter um...ou dois.
Mas aqui houve histórias engraçadas, desde um periquito que assobiava o hino nacional,a uma piriquita que durou 7 anos e que passeava pela casa toda, e sabia ir para a gaiola sozinha.Um dia deixei a janela aberta e a porta da gaiola também, quando entrei na cozinha, do alto dos meus 9 anos, só a vi voar pela janela fora, rumo á liberdade.Chorei nesse dia como se não houvesse amanhã.Não esquecendo, um bico de lacre, que tivemos que cantava divinamente bem e se chamava Pavarotti e morreu no mesmo dia que o próprio cantor de ópera.Estranho.

Por fim tivemos 2 bicos de lacre, ela morreu há uns meses, com uma perna inchada, já nem se mexia.Ele, foi durando, a cantar aos saltos logo pela manhã, assim que me via entrar pela cozinha, mesmo que estivesse desgrenhada e pálida, ele cantava da mesma forma, com o mesmo entusiasmo.Era fiel sim senhora.Os humanos não são assim, ás vezes.

Ás vezes dava comigo a falar com ele, enquanto fazia coisas na cozinha e deixava-me rir.O som dele, passou a fazer parte esta casa, como o abrir a porta e ouvi-lo...

De há uns dias para cá, senti-o doente, muito paradinho, no fundo da gaiola, sem reagir aos meus insultos meigos...

Hoje, acabou por morrer, e está esticado no fundo da gaiola.Tenho que ir meter umas luvas e retirá-lo dali.

Não sei se isto tem a ver com a fase que estou a viver, mas senti-o como um presságio.

Espero que não.Mas costuma-se de dizer, que os animais sentem tudo primeiro do que nós...e ás vezes é neles que as coisas acontecem primeiro.

Seja como for, vou sentir falta daquele canto, a acordar a casa, logo que raiava o dia, ou dos saltos frenéticos quando me via...ele gostava de mim e eu também gostava dele.

Vou ver se compro outro bichinho diferente...aceitam-se sugestões.

(Oxalá eu me engane...e isto seja um crença popular, parva e sem fundamento.)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Hoje.


(Castelo de Porto de Mós, 2005)



Dia decisivo, em que se fechou uma porta em prol de outra.Mas a chave com que se fechou, tem coração...e abrirá ainda muitas portas,pela vida fora.
Isto de correr atrás de um sonho tem as suas implicações e escolhas.
Dia em que recebi uma confirmação...mas que não me vai fazer desistir.Pelo contrário.Fiz o caminho que fiz,entreguei-me como me entreguei, congelei a minha vida...e agora é esperar.
Se antes queria, agora quero a dobrar.Se antes lutava, agora luto ainda com mais força.E nem eu conheço a força que tenho.Mas tenho.
Eu nunca hei-de baixar os braços, pelos meus sonhos, por aquilo que em que acredito e pelos que amo.E para isso há coisas que ficam pelo caminho.
Mas como dizia alguém, a vida não são só rosas, ainda que eu teime em vê-la sempre, cor de rosa.Afinal, eu não escolhi dias cinzentos...ninguém os escolhe.Mas quando vêm, temos que os pintar das mais vivas cores e contrariar a escuridão.Desta vez tocam-me a mim, esses dias e eu olho o céu, anciosamente, esperando o sol.
E se não for por aqui, será por ali.Mas será.
Caminhos não faltam, quando a vontade é maior.
E eu sempre ouvi dizer, Deus fecha uma porta,mas abre sempre uma janela...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Madrugada que me acordou.








É madrugada, eu acordei, depois de ter adormecido a ver um filme, que me tocou.

Não quis voltar para a cama, mas sim escrever.Aproveitei ter ainda o computador ligado, pois, é por estas horas que as palavras melhor se encaixam e fazem sentido.Há uma frescura nestes momentos que não sei explicar.

O fim de semana, teve de tudo.Tempo com o meu pai...e um olhar sobre a forma como vai perdendo capacidades e por isso, uma dor mais funda no meu peito.

Uma seca de café concerto, mas que foi abrilhantado pela presença dos amigos...e pelo que sempre nos faz sorrir, não importanto o local.Obrigado Lu,Shed e Quintão...pela vossa presença.

Um sábado cheio de coisas diferentes,onde me permiti ter tempo para mim...fui dançar e deixar que o inesperado tomasse conta do momento.Há muito tempo que não o fazia.E que bom foi partilhá-lo com o Luís.

Uma tarde de voluntariado, em que tento que estejamos todos a remar para o mesmo lado...para sermos mais fortes.O céu cinzento não ajudou...e deixou-nos a todos mais down.E isso sentia-se em nós e nos doentes sobretudo.Mas nada que as cordas de uma viola não acordem...não mexam.Nada que um abraço ou expressão do Deodato não resolva e anime, quando me diz:"oh Ita, miiiiga...!"

Hoje, um doente disse-me olhos nos olhos, que á noite quando se deita, lembra-se sempre de mim e do meu Pai e que vai continuar a fazê-lo,porque gosta muito de mim e quer que eu seja feliz a sorrir.

Eu fiquei mesmo a sorrir olhando para ele, agradeci com um abraço mudo, mas sentido.Ele deu-me a força que alguns amigos não dão, da forma mais simples que pode existir.

No Telhal as relações humanas, estreitam-se, os projectos existem e têm pernas para andar e isso dá-me fôlego.

Ao chegar a casa, tarde, sinto-a vazia.E reclamo a presença do meu pai.

Sinto que já não sei o que é estar em família, há tanto tempo.Estarmos juntos á mesa por exemplo.Os horários andam desfasados, passamos todo o tempo livre que temos no hospital em "turnos" diferentes e há um desgaste visível.E assim, inevitavelmente, fui ver um filme para a cama dos meus pais, agarrada á almofada do meu pai, que cheira bem e me faz senti-lo mais perto.Por algumas vezes senti as lágrimas quentes a rolarem pela face e a serem absorvidas pelo tecido...e deixei-me por ali ficar e adormecer.

Depois acordei, e foi quando o coração me pediu para escrever.E aqui estou eu, pronta a entrar num novo ciclo, que não sei bem como vai ser, por estar neste momento congelado,embora o gelo seja transparente e lá dentro de possa ler a palavra, SIM.Todos o podem ler em mim, até senti-lo, mas não o posso concretizar,ainda.

E quanto a isto, nada posso fazer, senão esperar,confiar e cumprir a minha missão neste momento.

Amar o meu pai, até ao fim.

E depois sim, Amar o Mundo e quem vier, até ao fim, de braços abertos e sorriso no rosto, por igual.






Boa semana.