terça-feira, 7 de julho de 2009


Telhal.Está tudo dito.























































Parece que me apaixonei.Por uma obra,por uma história, por uma casa, por rostos e vidas muito concretos.
E quanto a isso não há nada a fazer.
=)



News




Estou de volta...


O fim de semana, foi no Telhal...embrenhada em alegria e hospitalidade.Há muito a partilhar, mas sinto-me ainda a assimilar.


Muitos amigos, tantas descobertas, cansaço por não parar, mas paz interior.


E finalmente, chegou hoje o meu portátil, com uma nova memória e uma nova drive...

Estava bem mal, para 3 meses de uso.


Este blogue vai voltar á normalidade...e há coisas acomuladas para partilhar.


Há muita coisa boa a acontecer na minha vida, de repente...sinto-me feliz.

Aceito os caminhos que surgem e não me recuso a percorrê-los.

Afinal também eu sinto, que é por ali.


E muita paz, numa altura destas, é essencial.


Por tudo isto, apenas digo, Obrigado.
E deixo-me assim, abraçar por esta lua cheia...e pelo fresco da noite, certa, que o futuro é um lugar, bonito, mas o presente é onde realizo aos poucos os meus sonhos.


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Quando tudo se vai tornando familiar...





(IPO 2006)




Em gestos quase mecânicos, encaminho-me para o hospital.Um caminho igual todos os dias, com rostos que se repetem, com lugares e imagens sempre iguais.É, quando se cai numa rotina como esta, reparamos em coisas, que nunca antes fariam sentido para nós.Ás vezes, quando estou a caminhar por aqueles corredores, penso, na forma como o faço, com a mesma segurança, de saber onde estou e porque estou ali.Umas vezes, levo sem dúvida o semblante mais carregado, outras mais leve.Eu não me dou conta, mas há quem me veja por ali.Hoje a senhora das senhas, disse-me antes que eu abrisse a boca:"Já sei, piso 5, cama 12..." e eu esbocei um sorriso acenando que sim.Depois entro sempre no bar, para comprar uma garrafa de água fresca ou qualquer outra coisa, e só hoje reparei que senhor me cumprimentou como se eu fosse cliente habitual:"Olá, o que vai ser hoje?"

Ás vezes sinto que aquelas paredes, me conhecem.E eu não queria que fosse assim.

Mais á frente no corredor antes de chegar ao elevador, estava um senhor de andarilho, encostado a uma janela, a fumar o seu cigarro, olhando para as pessoas que passavam com sacos, a caminho da visita com os seus doentes.Ele estava ali sozinho, com um olhar abandonado...querendo distrair-se por certo.Disse-lhe boa tarde e sorri.Ele respondeu e senti a sua admiração, pois ali onde passa tanta gente as pessoas se limitam a olhar para ele, em pijama e debilitado.Olham,mas esquecem-se que um dia poderão ser elas ali, junto á janela.Eu sei o que é estar fechado num hospital e sei que qualquer brilho nos move...qualquer sorriso faz a diferença.

A visita de hoje, foi no entanto diferente.

Achei o meu pai muito agitado.Pedia-me para por a cama para cima, no comando electrónico, mas depois irritava-se porque afinal não era tanto assim.Depois quando punha para baixo, queria mais para cima.E quando pegava no comando, carregava nos botões errados, fazendo mover a cama em todas as direcções, menos naquela que queria.Quando veio o jantar, pediu para por o sal na sopa, como todos os dias.Coloquei e mexi, quando a provou disse que estava salgada.Depois penicou os hamburguers, que pareciam pastilha elástica e mal comeu o puré.Enquanto fazia isto, ia reclamando com a comida do hospital, que "os doentes não são cães.São pessoas"Quando retirei da mala fruta cozida, acalmou.

Acabou de comer e não quis lavar os dentes, como normal.Não insisti.Estive sempre pacientemente a ver qual a melhor forma de o agradar, fazer sentir-se melhor.Mas por várias vezes, estive para desabar e chorar ali mesmo.Dei uma voltinha ao corredor, respirei fundo...e voltei.Sentei-me mais 10 min, ao lado dele, vi as noticias a começar e depois vim para casa.

Eu sei, sei muito bem, que custa muito estar há quase 2 meses, preso a uma cama, dependente e sentir que a vida se vai, que já não se tem o controle sobre si mesmo...eu sei.Este estado de irritação é até um direito que lhe assiste, dadas as circunstâncias.

Mas mesmo assim, custa-me horrores, quando se zanga comigo, por coisas tão pequenas.

Regressei a casa, completamente alheada, da realidade,com vontade de voltar atrás e abraçar-me a ele.
Para sempre.


Bico de lacre no céu



Cá em casa, desde sempre, os únicos animais de estimação, foram pássaros.
Nunca me deixaram ter um cão...porque moramos no 3º andar e o animal ficaria preso aqui.Mas como nunca chegámos a ter um quintal, o cão também não chegou.Um dia vou ter um...ou dois.
Mas aqui houve histórias engraçadas, desde um periquito que assobiava o hino nacional,a uma piriquita que durou 7 anos e que passeava pela casa toda, e sabia ir para a gaiola sozinha.Um dia deixei a janela aberta e a porta da gaiola também, quando entrei na cozinha, do alto dos meus 9 anos, só a vi voar pela janela fora, rumo á liberdade.Chorei nesse dia como se não houvesse amanhã.Não esquecendo, um bico de lacre, que tivemos que cantava divinamente bem e se chamava Pavarotti e morreu no mesmo dia que o próprio cantor de ópera.Estranho.

Por fim tivemos 2 bicos de lacre, ela morreu há uns meses, com uma perna inchada, já nem se mexia.Ele, foi durando, a cantar aos saltos logo pela manhã, assim que me via entrar pela cozinha, mesmo que estivesse desgrenhada e pálida, ele cantava da mesma forma, com o mesmo entusiasmo.Era fiel sim senhora.Os humanos não são assim, ás vezes.

Ás vezes dava comigo a falar com ele, enquanto fazia coisas na cozinha e deixava-me rir.O som dele, passou a fazer parte esta casa, como o abrir a porta e ouvi-lo...

De há uns dias para cá, senti-o doente, muito paradinho, no fundo da gaiola, sem reagir aos meus insultos meigos...

Hoje, acabou por morrer, e está esticado no fundo da gaiola.Tenho que ir meter umas luvas e retirá-lo dali.

Não sei se isto tem a ver com a fase que estou a viver, mas senti-o como um presságio.

Espero que não.Mas costuma-se de dizer, que os animais sentem tudo primeiro do que nós...e ás vezes é neles que as coisas acontecem primeiro.

Seja como for, vou sentir falta daquele canto, a acordar a casa, logo que raiava o dia, ou dos saltos frenéticos quando me via...ele gostava de mim e eu também gostava dele.

Vou ver se compro outro bichinho diferente...aceitam-se sugestões.

(Oxalá eu me engane...e isto seja um crença popular, parva e sem fundamento.)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Hoje.


(Castelo de Porto de Mós, 2005)



Dia decisivo, em que se fechou uma porta em prol de outra.Mas a chave com que se fechou, tem coração...e abrirá ainda muitas portas,pela vida fora.
Isto de correr atrás de um sonho tem as suas implicações e escolhas.
Dia em que recebi uma confirmação...mas que não me vai fazer desistir.Pelo contrário.Fiz o caminho que fiz,entreguei-me como me entreguei, congelei a minha vida...e agora é esperar.
Se antes queria, agora quero a dobrar.Se antes lutava, agora luto ainda com mais força.E nem eu conheço a força que tenho.Mas tenho.
Eu nunca hei-de baixar os braços, pelos meus sonhos, por aquilo que em que acredito e pelos que amo.E para isso há coisas que ficam pelo caminho.
Mas como dizia alguém, a vida não são só rosas, ainda que eu teime em vê-la sempre, cor de rosa.Afinal, eu não escolhi dias cinzentos...ninguém os escolhe.Mas quando vêm, temos que os pintar das mais vivas cores e contrariar a escuridão.Desta vez tocam-me a mim, esses dias e eu olho o céu, anciosamente, esperando o sol.
E se não for por aqui, será por ali.Mas será.
Caminhos não faltam, quando a vontade é maior.
E eu sempre ouvi dizer, Deus fecha uma porta,mas abre sempre uma janela...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Madrugada que me acordou.








É madrugada, eu acordei, depois de ter adormecido a ver um filme, que me tocou.

Não quis voltar para a cama, mas sim escrever.Aproveitei ter ainda o computador ligado, pois, é por estas horas que as palavras melhor se encaixam e fazem sentido.Há uma frescura nestes momentos que não sei explicar.

O fim de semana, teve de tudo.Tempo com o meu pai...e um olhar sobre a forma como vai perdendo capacidades e por isso, uma dor mais funda no meu peito.

Uma seca de café concerto, mas que foi abrilhantado pela presença dos amigos...e pelo que sempre nos faz sorrir, não importanto o local.Obrigado Lu,Shed e Quintão...pela vossa presença.

Um sábado cheio de coisas diferentes,onde me permiti ter tempo para mim...fui dançar e deixar que o inesperado tomasse conta do momento.Há muito tempo que não o fazia.E que bom foi partilhá-lo com o Luís.

Uma tarde de voluntariado, em que tento que estejamos todos a remar para o mesmo lado...para sermos mais fortes.O céu cinzento não ajudou...e deixou-nos a todos mais down.E isso sentia-se em nós e nos doentes sobretudo.Mas nada que as cordas de uma viola não acordem...não mexam.Nada que um abraço ou expressão do Deodato não resolva e anime, quando me diz:"oh Ita, miiiiga...!"

Hoje, um doente disse-me olhos nos olhos, que á noite quando se deita, lembra-se sempre de mim e do meu Pai e que vai continuar a fazê-lo,porque gosta muito de mim e quer que eu seja feliz a sorrir.

Eu fiquei mesmo a sorrir olhando para ele, agradeci com um abraço mudo, mas sentido.Ele deu-me a força que alguns amigos não dão, da forma mais simples que pode existir.

No Telhal as relações humanas, estreitam-se, os projectos existem e têm pernas para andar e isso dá-me fôlego.

Ao chegar a casa, tarde, sinto-a vazia.E reclamo a presença do meu pai.

Sinto que já não sei o que é estar em família, há tanto tempo.Estarmos juntos á mesa por exemplo.Os horários andam desfasados, passamos todo o tempo livre que temos no hospital em "turnos" diferentes e há um desgaste visível.E assim, inevitavelmente, fui ver um filme para a cama dos meus pais, agarrada á almofada do meu pai, que cheira bem e me faz senti-lo mais perto.Por algumas vezes senti as lágrimas quentes a rolarem pela face e a serem absorvidas pelo tecido...e deixei-me por ali ficar e adormecer.

Depois acordei, e foi quando o coração me pediu para escrever.E aqui estou eu, pronta a entrar num novo ciclo, que não sei bem como vai ser, por estar neste momento congelado,embora o gelo seja transparente e lá dentro de possa ler a palavra, SIM.Todos o podem ler em mim, até senti-lo, mas não o posso concretizar,ainda.

E quanto a isto, nada posso fazer, senão esperar,confiar e cumprir a minha missão neste momento.

Amar o meu pai, até ao fim.

E depois sim, Amar o Mundo e quem vier, até ao fim, de braços abertos e sorriso no rosto, por igual.






Boa semana.

sábado, 27 de junho de 2009

Telhal, Bons Momentos


(Domingo Passado)



Infelizmente, as fotos com os doentes, as mais bonitas não posso partilhar aqui.Expor o seu rosto é uma regra essencial de preservar a sua identidade e de os respeitar.


Ficam então os bons momentos de alegria entre os voluntários.


Numa ida ao café, debaixo de um calor abrasador, valeu-nos a água fresca, a 50 cênt, as minis a 70 cênt, e os cafés a para não adormecer, a 50 cênt e ainda a música do Jorge.Viver no campo é que é bom!


Sim, ás vezes precisamos de intervalos para desanuviar...














A alma Musical...










Um pôr do sol, fabuloso que eu pude tocar...












O Luís...











Jantar, retemperar forças e descompensar também!








O Jorge a cantar ainda mais animado, com um VINZINHO, para beber...










Eu, com o chapéu do Jorge e os óculos do Luís...já não estava muito boa, depois de um dia em cheio, precisamos brincar um pouco...rir.










O Telhal como uma casa...onde sempre nos vamos sentir assim, bem.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Comunicado







(Casa do Alentejo,2008)




Caros Amigos e seguidores deste blogue...


Venho por este meio informar, que estou sem Portátil.É verdade, uma excelente compra que eu fiz...que depois de 3 meses nas minhas mãos, não funciona.É de qualidade.

Ele até liga, mas não aparece nada no ecran.Nada.

Pois o sortudo, vai viajar até Espanha, ficar 15 dias ou mais longe de mim,numas férias merecidas na sede da HP...(snif,snif) e depois voltar para as minhas mãos, são e salvo.Espero.

Até lá, escrevo-vos de uma torradeira, que me enfeita a secretária e mal me deixa espaço para nada, um Pentium II, velho e lento, irritante, que leva 10 minutos a iniciar.Não é normal.

Mas melhor que nada.Impressionante como somos todos dependentes das tecnologias.Até me vai fazer bem assim uns tempos.Não virei tanto á net e nem vou escrever com a mesma frequência, porque isto é velho e não dá vontade.E assim até vou pegar naquele livro que não acabei e quem sabe voltar a escrever á mão, num bloco, por aí?

E para mim, escrever é tão importante, como matar a sede.Exercício de lucidez e massagem na alma.

Ainda assim darei noticias, ainda que sejam mais curtas.

No fim deste mês, ficarei mais livre fechando outra página,outra etapa...e em Julho, se tudo correr bem, estarei a viver em comunidade missionária, em Monforte, Portalegre, preparando-me para o futuro.



Até breve!


quinta-feira, 25 de junho de 2009


São Rosas...





(Veneza 2007)





Acordar e pensar, "Hoje o meu Pai faz anos!"



Apetecer-me gritar bem alto, que ele faz anos e é um Pai fantástico, uma alma sensivel e boa...e que não merecia estar assim, no seu aniversário, como em dia nenhum.



Abeirei-me da florista, devo ter ficado uns 5 min, a olhar para todas as flores...numa outra dimensão.Reparava nas cores, nas formas, no que me transmitiam ao passo que, o cheiro tomou conta dos meus sentidos."Se faz favor?Posso ajudar?"...acordei.



Acabei por escolher, rosas brancas,para levar paz, num arranjo simples, envolto em papel vermelho...estava bonito e alegre, para dar cor aquele quarto.



Depois de caminho, segui para a pastelaria, onde enchi uma caixa de miniaturas,para lhe adoçar a boca, apesar da minha mãe ter feito um bolo para levar.



E por fim passei no fotógrafo, para ampliar uma foto nossa, onde apenas dizia: PARABÉNS PAI, AMO-TE MUITO!"



E apenas isto, consegui dizer e consigo.Não haviam mais palavras em mim, para o dia de hoje, que passou.



O fotógrafo, perguntou, quem era o senhor, se era meu Pai, ao que disse que sim.No fim, depois de me entregar a impressão, despediu-se com um "Espero que tenham um bom resto de dia e que ele tenha muitos anos de vida, para aproveitar a filha que tem..."Não sei se foi um piropo, ou não,ele nem me conhece,mas fiquei fixada apenas nos "muitos anos de vida..."pensava como nestas alturas as palavras deviam ter poder e transformar os nossos desejos em realidade.



Era isso que pedia, muitos anos de vida, para o meu pai.



Depois fui para o Hospital, com o meu melhor sorriso, cá dentro.



Cheguei e os olhos do meu pai, fixaram-se nas flores.Abracei-o e cantei os parabéns baixinho enquanto o abraçava.Adorou aquele pedacinho de cor...que coloquei em água na janela.Depois arrumei os bolinhos na gaveta e por fim ele abriu o Postal.Sorriu e deu-me um beijinho emocionado.Aquele sorriso vale tanto.



Passámos a tarde a conversar.Era ali que queria estar, nenhum outro local do mundo seria melhor que aquele.Ainda que seja num hospital e com o quadro clínico que temos.



É ali que está aquela pessoa linda, que me deu a vida...e fez com que eu me tornasse na Rita,que hoje sou.



Recebeu as visitas de todos os dias, e algumas extra...o fim do dia chegou depressa e voltei a casa meio dormente.Numa espécie de bolha, só minha, onde os sons, as cores, tudo é mais distante do mundo, lá fora.



Pela noite, saí para tomar café...e espairecer, mesmo que não fosse o meu ambiente, os meus amigos.Ás vezes, estar com quem não se conhece é o que precisamos, ouvir outra música, sentir outro pulsar e pensar que de facto o há dias em que o mundo será sempre pequeno, para cada um de nós.



25 Junho 2009



E hoje, a única coisa que consigo dizer...




PARABÉNS PAI!
Amo-te tanto!

terça-feira, 23 de junho de 2009


You have my bless










Em jeito de resumo.

Depois de um fim de semana agitado, por diversas razões, mas que acabou da forma mais especial que podia haver, a semana começa em força.

O Domingo, teve uma tarde de voluntariado especial, única, esplendorosa.E quando digo isto, falo pelo que vejo que os doentes sentem e eu sinto, e nós sentimos, numa sintonia tão cúmplice, que nos faz sentir vivos e com um carinho por cada um deles muito em especial.A força que eles me dão é essencial e já não saberia viver sem passar as tardes de Domingo ali.E a alegria que eles sentem por poderem contar connosco é imensa da mesma forma.Há sempre uma surpresa, uma lição.Cada vez sinto mais que o meu futuro passa por ali.É um imenso campo, á espera de ser trabalhado e semeado.E a terra muito fértil.

Os dias correm ao sabor da esperança, aquela que não morre, mas subsiste conformada, no que toca ao meu pai.

Passou ontem para enfermaria, e hoje já o pude aliviar nos pequenos cuidados que diariamente me habituei a fazer.Hoje teve muitas visitas e estava muito bem disposto.Está num piso diferente, com caras diferentes, tudo novo, (daqui a uns tempos, desconfio que vou conhecer todos os cantos ao hospital...).

Na quinta feira celebra 62 anos.E eu ainda não sei como vai ser e o que fazer, mas há-de surgir-me algo criativo, ainda que seja simples.Umas flores coloridas, para animar o quarto, um bolo pequenino mas personalizado, e muitos sorrisos e amor por perto.

Hoje quando saí do hospital, fui jantar fora com os meus tios e estivemos largas horas á conversa, sobre questões importantes, relativas ao futuro.E ambos concordamos que dar tudo pelos que amamos até ao fim, é indiscutivelmente necessário e uma forma de amor, que nunca devia ser negada, nem devia faltar á pessoa em questão, ainda para mais se o grau de parentesco for o de filha.

Eu, faria o que estou a fazer pelo meu pai, a qualquer pessoa que precisasse de mim, porque cedo me habituei a estender a mão, onde é preciso, quanto mais fazê-lo pelo meu pai.É claro que sim, como toda a dedicação.

O estender de mão que vem do alto de uma secretária, de um estatuto ou via telefone, pouco faz, ou vai mudar.E para gestos concretos, estamos nós a família.Não podemos contar com boas intenções, mas com gestos que mudam e ajudam a minimizar este sofrimento, físico e emocional do meu Pai.E do qual partilhamos.

Falar do futuro, implica imaginá-lo sem o meu pai e isso é algo que eu não quero fazer ainda, porque terei tempo para o sentir.

Não nego que penso nisso e apenas de o pensar os meus olhos se enchem de água que retorna ao local de onde veio, sem cair.Isso porque sei, que vai mudar muita coisa.Será uma página que se vira.E não é todos os dias que viramos páginas na nossa vida.

Mas enquanto há vida, faz-se pela vida,depois não adianta.Depois será sempre tarde...e aquele sentimento que podíamos ter feito mais, não tomará conta de mim, porque faço tudo o que está ao meu alcance.Iria ao fim do mundo por ele, mas ir ao fim do mundo não seria suficiente para o curar.

Por agora, quero aproveitar cada segundo e enchê-lo de sentimentos positivos.

Esse é o meu esforço e missão diários, que partem de pequenos gestos.

Gestos que falam de Amor.

Amar-te, até ao fim.



segunda-feira, 22 de junho de 2009

Se uma gaivota viesse, voar no céu de Lisboa...

Que perfeito coração...no meu peito bateria.

A não perder...










Amanhã, terça, a RTP1 transmitirá uma reportagem
sobre o Centro
de Recuperação de Menores de Assumar,
após o Telejornal,
no
programa 30 minutos.
Este Centro, foi onde fiz o ano passado em Setembro, um campo missionário e é também o local onde vou viver um mês de missão em comunidade no mês de Julho, como preparação para a missão.
É uma casa que nos acolhe...e com crianças e jovens fabulosos, uma equipa que trabalha com eles, dedicada.
Deixam saudades sempre.Mas o regresso está para breve.
Não percam a reportagem.

Parabéns Duarte!







(Durham, Novembro de 2007)




Porque és das pessoas mais maravilhosas que conheço.Porque foi ao teu lado que vivi dos melhores momentos da minha vida.Porque contigo aprendi muito.
Porque nos atirámos por aí de cabeça e com o coração aberto, vezes sem conta.Confiando sempre.Acho que foi até uma das grandes aprendizagens que fiz, contigo, confiar.
Para ti estava sempre tudo bem, havia sempre de aparecer uma boleia ou um sitio onde dormir, nem que fosse montar a tenda num qualquer pinhal, perdido por aí.Porque tu vês o essencial, e apenas o essencial e para ti pouco importava não ter água e jantar sandes, desde que tivesses ao teu lado quem tu querias e o pôr do sol perfeito...desde que pudesses ver a lua e estrelas cadentes, pouco importava o lugar.E era assim que a paz tomava conta de nós, numa relação única com Deus e como o mundo.Era assim que nesta simplicidade, tudo se tornava perfeito e abençoado.
Havia lá coisa melhor do que andarmos descalços na relva, ou dançar os sons medievais...numa noite quente de verão ou ver um bom filme, num dia cinzento de inverno, enquanto a chuva caía forte lá fora.Nem aí deixámos nunca de viajar.Da tua sala para o mundo.
Todos os lugares onde estivemos, contam hoje essa história...e têm uma marca que nunca nada nem ninguém poderá apagar.Esses locais nunca mais serão os mesmos e é com um sorriso que ás vezes os piso e respiro esse som do ar, por nós deixado e diria mesmo, eternizado.
E é essa a nossa beleza, algo que em palavras tuas defines como, "mágico, singular, cósmico, interactivo, bom, transcendente, raro, nosso."
Esse é o tesouro que fica e perdura.É esse que hoje te agradeço e ao mesmo tempo te ofereço, no dia em que celebras o dom da tua vida.
Que ela seja sempre sinal de vida, naqueles com quem te cruzares e cujas vidas tocares.
Assim como tocaste a minha, e que desse toque, ainda eu sinto o efeito em cada gesto e palavra que faço, que digo.E será sempre assim.Porque há pessoas que nos marcam de tal forma, que nos correm no sangue...que estão até no sol, no mar, nas gaivotas, nas crianças, numa montanha, no nevoeiro, em Paris, na Escócia, em Amesterdão, em Bruxelas, numa rua do Luxemburgo em que rezamos, no Alentejo, nos Olhos de água e também nos da alma...
Por tudo isto e muito mais que não preciso dizer, porque tu sabes, Parabéns meu querido Duarte!


Um abraço em ti*



Tempo











Para tudo há um momento e um tempo para cada coisa que se deseja debaixo do céu:

tempo para nascer e tempo para morrer
tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou,
tempo para matar e tempo para curar,
tempo para destruir e tempo para edificar,
tempo para chorar e tempo para rir,
tempo para se lamentar e tempo para dançar,
tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar
tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço,
tempo para procurar e tempo para perder,
tempo para guardar e tempo para atirar fora,
tempo para rasgar e tempo para coser,
tempo para calar e tempo para falar,
tempo para amar e tempo para odiar,
tempo para guerra e tempo para paz
Portanto, tem paciência...



Da Bíblia Sagrada...

domingo, 21 de junho de 2009

Visita S.O











Acabei de chegar da visita do 12h, nos cuidados intensivos.

Entra 1 pessoa, durante 1h, que nos é roubada pelos 15 minutos que levam a organizar a visita e pelos outros 15r minutos que nos mandam sair mais cedo.Logo, são 30 minutos, que temos.

Em 30 minutos, falei com ele, dei-lhe uma sopa e fruta cozida, falei com a médica de banco.

Ele não está nada bem, a infecção voltou em força, a febre, a tensão muito alta...a barriga muito dura, parece prestes a explodir.Perguntei-lhe se a colega que deu alta ao meu Pai,na sexta feira, estava consciente daquilo que fez?Ela encolheu os ombros.Pois é, encolhe-se os ombros e ninguém se responsabiliza...andamos aqui todos aos tombos.Não pode ser!

Em 30 minutos, percebi que está novamente assustado.Não é para menos.

Qual de nós, no lugar dele, não sentiria medo?

Medo de morrer, de sofrer.Deve ser tão duro, perceber que o nosso corpo, aquele que nos permitiu viver durante anos, quer finalmente parar para sempre.

O que não pára nunca e se mantém além do tempo, é a memória que se deixa aqueles que se ama, herança eterna, cravada na nossa personalidade, jeito de ser e objectivos.

É isso que já sinto em mim, desde sempre e creio que vou sentir mais...



Mariza










A Mariza é uma artista e pessoa, maravilhosa e nem sei se saberei dizer tudo o que nos faz sentir, assim que pisa o palco.
A noite estava quente e o mar brando.A baía ia enchendo de pessoas lentamente...de poucas passamos a ser uma multidão ávida de escutar uma voz Portuguesa e da qual muito nos orgulhamos.
Para quem esperava vê-la surgir do palco, surgiu do mar, num barco branco destacado por holofotes que o seguiam até ao palco...foi mágico e inesperado.
Ela consegue cantar-nos...a todos.A Alma Portuguesa de forma extraordinária.
A noite ajudou-me a não pensar no dia de hoje...e assim "fugi" por instantes á realidade e que bem me fez.Ia sem grande vontade de estar ali, pensava no meu Pai, mas a Mariza conquistou-me de tal forma sem o saber.Ela, o mar, o céu estrelado, o calor, os amigos.Tudo isso me embalou.
Acabei por dançar, por cantar a plenos pulmões, as letras que sei de cor e marcaram tantos momentos da minha vida...acabei mais uma vez por sentir-me muito feliz por ser Portuguesa e ter esta identidade, tão nossa, saber o que significa Saudade...no verdadeiro sentido da palavra.
Entre a chuva, o Sr.Vinho, a Rosa Branca, o Barco Negro e a Feira de Castro, ainda houve tempo para cantar Florbela Espanca...e no fim, veio em jeito de agradecimento, Oh gente da minha terra...que nos fez sentir amados e queridos, por entre os muitos públicos que ela vai tendo pelo mundo.
Mariza não canta apenas com a voz, mas com o corpo, a alma e uma garra que lhe vem não sei de onde.Pára, suspira, fecha os olhos e prolonga os vocábulos.Tem charme e um glamour muito distinto.Na cara, olhos brilhantes e sinceros e sempre um sorriso esboçado.
O aroma do mar abraçava a multidão,o jogo de luzes era perfeito e ritmado de tal forma que despertou em mim, muitos sentimentos.Talvez estivesse mais sensível a isso, no dia de hoje.
Especial, foi a história que ela contou sobre como o fado entrou na sua vida, aos 4 anos...e a forma como falou e dedicou a música ao seu Pai.Doce.Sentida.Eterna.
Sei que depois de Amália, só mesmo Mariza.Mais ninguém.
Bom, agora vou dormir e deixar que as suas palavras ecoem bem dentro de mim...pelos dias fora.

sábado, 20 de junho de 2009

O que é bom acaba depressa...









Ontem pelas 17h, o meu pai chegou a casa.Foi bom recebê-lo, tê-lo aqui de novo.
Foi bom acordar novamente com a voz dele a chamar por mim.Sentir que dormiu horas seguidas sem acordar, estava a precisar.Dar-lhe o almoço á boca com jeitinho, perceber se precisava de algo, se queria mais uma almofada, se a TV estava muito alta.Foi bom vê-lo poder virar-se na cama, pois a cama do hospital era estreita...foi bom, sentir apenas a sua presença já ali ao lado...enfim.
Mas desde ontem, que o meu pai não urina.Bexiga e rins parecem mesmo querer parar.Depois de 13h sem urinar, decidimos levá-lo novamente para o hospital, de onde está a caminho novamente.
Porque é que tinha que durar tão pouco?Isto torna-se desgastante...
Será que fiz mal em insistir que viesse passar o aniversário?Mas se sabiam que era um risco porque não me disseram logo que não??
A minha intenção era que mudasse de ambiente e estivesse mais á vontade junto dos seus e das suas coisas.Embora isso não o fosse curar, ia ajudar a passar este mau bocado da sua vida.

Uma vida, que parece cada vez mais querer chegar ao fim.

Eu vou...









Acho que já todos sabem...que ela vai tocar em cascais.
Naquela baía fabulosa, lindíssima, inspiradora.
Se a noite estiver quente, perfeito.
Só falta mesmo que a companhia seja boa.
A avaliar pela entrada gratuita, vai estar a abarrotar de gente...e depois não me venham dizer ainda ao começo da noite que não gostam de confusão...e de multidão.
Organizemo-nos, porque quero que seja uma noite de Paz e muita música a entrar em mim.
E se há coisa que gosto é de um bom banho de multidão em festa.
Vemo-nos por lá.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Pai Aqui.













Pelo começo da tarde, comecei a espreitar a janela, de 10 em 10 minutos para ver se o meu Pai, chegava.Ansiosa como uma criança a quem prometeram algo...e ela o espera faz tempo.
Cheguei ao ponto de abrir a porta da rua, para perceber se o barulho na escada eram eles?


Mas como sempre as coisas que ansiamos muito,chegam quando menos esperamos.Lá tocaram á campainha, quando estava já a divagar, nas minhas pequenas magias diárias.

Esperei muito este momento e cheguei a pensar que já não seria possível devido ao seu estado.

Aproxima-se o seu aniversário, dia 25.Mas dia 26, terá que voltar ao hospital...para fazer análises e provavelmente ficar internado.

Há muita coisa nele, que não funciona, ou porque parou ou começa a dar sinais de querer parar.E no estado dele, estar em casa, sem cuidados médicos é muito complicado.

Mas enquanto há vida, há que lutar para esta seja o mais digna possível.

E dignidade não é apenas conforto e necessidades básicas é bem mais do que isso...é sobretudo estar bem psicologicamente e se estar em casa é melhor, pois que seja.
A médica falou numa unidade de cuidados continuados, mas prefiro que os cuidados venham a casa.E só se as coisas se complicarem muito, tomaremos essa opção.

São essas necessidades que eu tenho procurado olhar e colmatar.

Por agora, gozo a sua presença, aqui.Pertinho de mim.





Ponto de Luz.Novamente.


Sara Tavares - Ponto de Luz -






Respiro fundo...

quarta-feira, 17 de junho de 2009



Amerika en Kombi











Juntaram cerca de mil livros, arrumaram o material na parte de trás de uma carrinha Kombi de 1982, e partiram estrada fora à descoberta das aldeias perdidas da América Latina.

Chamam-se Martina Etcheverry e Juan Martín Mondini são argentinos, professores e viajantes. Com o projecto "Amerika en Kombi" decidiram levar às escolas mais remotas da América do Sul uma pequena biblioteca infantil ambulante e organizar, em cada paragem, pequenos ateliers com as crianças.


Martina e Juan partiram de Buenos Aires há alguns meses e durante os próximos dois anos propõem-se passar por mais de uma dezena de países.
Não negam que o fazem pelo prazer de viajar, mas também com o objectivo de "redescubrir a América Latina y unir realidades a través de la literatura y la lectura" (palavras de Juan Martín).

Se algum dia alguém quiser ir comigo em iniciativa semelhante, é favor acusar-se!
=)

Com um carocha servia bem!?




Esta bela aventura pode ser seguida em http://www.amerikaenkombi.com.ar/.