quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Ontem na Fnac...

Acordeões do Mundo.

Não tivessemos nós, chegado no final...mas ainda ouvimos alguns sons, ainda nos sentámos, bebemos um café e nos deixámos rodear pelo ambiente sempre apelativo da Fnac...cor,luz,som...pessoas.

Um gosto a Dazkarieh, não sei porquê...as mesmas chávenas, mesas e cadeiras.Tu.

O passado volta em pedaços e porquê?Uma nova página talvez, com tinta permanente...a deixar escritas as palavras mais guardadas.

Embala a noite.

Até amanhã.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

She have diamonds on the inside...










Hoje, quis parar por aqui...apesar de todo o trabalho que se acumula, neste mesmo computador, aqui mesmo na janela do lado.
O tempo é escasso.Sei que me tenho queixado de falta de tempo para escrever, nos últimos meses.Talvez não escreva mesmo por isso, porque acabo sempre por me lamentar das coisas e não o quero fazer.Não quero transformar isto, num muro de lamentações, ainda que este seja o lugar onde me habituei a gritar para o mundo...do fundo da minha alma.Sem vergonhas e porquês.
O trabalho aumenta, agora que tenho o projecto de sala para fazer.É um desafio.
Apesar de ás vezes achar que trabalhar 8 horas, com imenso gosto e entusiasmo, e correr para o hospital para ver o meu pai, voltar a casa cansada e com coisas para fazer, jantar, dizer um olá aos amigos, respirar e fazer o resumo do dia, que passou, não cabe tudo no mesmo coração de outrora.E por isso as palavras não fluem como antes, não que não surjam, mas tempo para as deixar sair?Os sentimentos esses, tão doces e profundos como sempre.Apenas, vivem e permanecem no silêncio dos dias.
No entanto, sei que a hora a que visito o meu pai, é a NOSSA hora, aquela em que mais ninguém vai aparecer, que o tempo é nosso e posso estar com ele enquanto janta, e depois disso um bocadinho,para que o possa aconchegar para mais uma noite longe de casa.
Apareço e sorrio da porta, como se ele já me esperasse.Sou a última visita do dia, sempre.A hora a que vou, é a hora que mais custa a passar dentro de um hospital, pois é normalmente á hora do jantar que todas as famílias se reúnem.Tenho saudades disso.Muitas.
O sono chega mais cedo agora, e preciso estar bem para uma enorme responsabilidade que tenho em mãos, vidas muito pequeninas...e a descobrir o mundo, também através de mim.Conheço cada um deles, pelo nome, pela forma de chorar e rir, de pedir colo, e mimos, sei o cheiro de cor e as personalidades distintas e vincadas, mesmo tão pequeninos...Sei também as dificuldades, que me esforço para com eles superar.Tal como tento superar as minhas também.Somos seres imperfeitos.
No meio de tudo isto...ainda vai sobrando de vez em quando um tempo, de loucura em que rumo até Sintra,converso no pateo do Saudade,(o meu spot preferido do momento) ao som de boa música, com as estrelas como pano de fundo e redescubro sorrisos, memórias, sabores e sinto o cheiro a Outono, que a noite traz.
Esta semana, fiz uma coisa, troquei de mp3 com o Duarte, ele com o meu e eu com o dele por aí, e assim, é uma nova cor, saber o que o outro tem dentro, o que ouve...e descobrir novos sons que vão marcar algum momento...outros que são um puro regresso.Sabe bem, no fim de um dia que se fez cinzento, e de trânsito lento...sabe mesmo muito bem, deixar-me surpreender por uma música que me inebria os sentidos e me faz evadir, da rotina.
Deixo-vos uma delas e um sorriso meu, como há muito eu não tinha.
Afinal, fazer missão aqui, tem muito mais encanto, do que podia imaginar*











E peço força,envolta numa boa dose de esperança, para os dias que se avizinham.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

E foi assim...
(Edinburgh, Escócia 2007)




Tantas emoções num só fim de semana.

Dormi pouco, andei sempre de um lado para o outro.

Fiz tudo o que queria, estive em tantos lugares, abracei muitas pessoas das quais sentia saudades,despedi-me da Catarina que foi para Timor, espalhar todo o seu amor e por isso também me senti mais perto de mim mesma.Foi um dia se sol, e muito calor, para a abraçar.Estive no concerto solidário e dancei e cantei como se não houvesse amanhã...senti mais uma vez,que passar pelo mundo sem fazer nada pelos os outros é quase, ser, estar e sentir em Vão.

Este fim de semana, senti-me em constante e viva missão.Porque de facto, as missões menos aclamadas, são estas as do dia á dia.As que permanecem no silêncio dos gestos.As que ninguém vê.Mas por isso valem muito.

E por isso,passei umas boas 4h com o meu pai no hospital, á conversa e fez-nos bem.

A situação mantém-se.Enquanto passeava pelo corredor, vi o quadro da sala de enfermagem, dei de caras com o nome do meu pai, e li, sem querer (ou por querer) a informação escrita.


"Doente oncológico, metastizado, com obstipação crónica."É isto.

Aproveitei estar ali, e dei um salto a peneumologia, para ver o Pai do meu melhor amigo, também com Cancro.É um momento em que mais do que nunca nos compreendemos.Fui para lhe dizer, que a luta é contínua e não se desiste nunca.Para lhe dar um sorriso e uma força...que sei ser fundamental nesta fase.Ali dentro, sei o que tenho a fazer e não perco tempo.Percorro todos os labirintos e arregaço as mangas.

Perante isto, eu digo que sou muito feliz, por partir todos os dias e ser enviada todos os dias, a quem de mim precisa.E são mais pessoas do que podia imaginar.

No trabalho, as coisas correm bem, embora sinta que há ali coisas que não podemos mudar, apenas conviver com elas, o melhor que conseguirmos.

Mas, não será esta a arte de viver?



Até amanhã, de uma Rita cheia de sono e com muitas saudades do tempo em que escrevia todos os dias.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O tempo voa!


Um fim de semana se aproxima, e cheio de coisas para fazer.

Amanhã é dia mundial da doença Mental, algo que aprendi a respeitar e a amar, no voluntariado.
Pois lá estarei, para animar com a minha voz, esses príncipes do Telhal.
De rajada vou ao envio da minha Catarina para Timor.
Mais tarde, concerto de 3º Margem na sede, com o meu Deodato...e muitos amigos.
Domingo, voluntariado no Telhal, onde fico a dormir estes dias, no meu recanto deste pedacinho de mundo.
Ainda nesse dia, testemunho na paróquia da Ana Lu, sobre um mundo melhor, com o qual sonho e luto para transformar.
E no meio disto tudo, abraço o meu pai, que continua internado.


Bom fim de semana!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

FMH em Condeixa!



Do fim de semana, guardo o sabor das nozes que apanhamos do chão e partimos com os pés, eu e mais vinte e tal meninos e meninas, muito especiais.
Guardo, o sol e uma quinta inteira por descobrir, brincadeiras e esconderijos, labirintos mágicos e lagos vazios que percorremos alegres e unidos.Guardo, a ansiedade e o entusiasmo que os pequeninos colocam em tudo o que fazem, e como levam a sério a mais simples brincadeira.Uma peça de teatro é uma verdadeira aventura e motivo de verdadeiro nervosismo.E assim encaram o mundo.Eles são no fundo, um espelho dos pais, e uma promessa para o amanhã.Uma boa e esperançosa promessa.
Algo que eu tenho o privilégio de acompanhar e que me é confiado.
Confesso que desta vez o cansaço físico se apoderou de mim, e de tanto cantar e gritar pelos nomes deles, fiquei sem voz, mas longe de tudo, rodeada de verde e de um bom espiríto de campo, acabei por descansar o coração e a mente, numa casa que conheço bem e me trás muito boas memórias.
Afinal, estive em missão.

É que no mundo, há muitas missões para abraçar, basta querer.


Boa semana a todos.



(Hoje o meu pai voltou ao hospital, esteve 5 dias em casa.Piorou.E é neste ir e vir que se esperam os próximos tempos.)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Fim de semana PROLOOOONGADOOOOO!









Depois de uma semana, que passou a correr por ser cheia, resume-se que:



É bom ter o meu pai de volta a casa.



É bom quando sentimos que conseguimos ser eficientes naquilo que fazemos.



É muito melhor ainda, quando nos sentimos realizados e possibilitamos com os nossos gestos que alguém possa crescer e sentir confiança nos passos que dá.



É bom, entrar em casa, ao fim de um dia de trabalho e sentir o aconchego do lar e descansar simplesmente.



É bom, sair inesperadamente para tomar um chá com aquele amigo que queríamos ver, fazia tempo.Ficar á conversa e rir ao passo que se recorda.



É bom ajudar.Sempre.Em todas e quaisquer situações.Sem fazer julgamentos.



E vai ser tão bom, 3 dias longe, em Condeixa, rodeada de pessoas bonitas e de crianças que esperam por mim, como eu espero por elas.



Vou só ali fazer a mala e volto já!



Bom fim de semana.





domingo, 27 de setembro de 2009


Tira a mão do queixo, não penses mais nisso...











Vou lembrar o ano de 2009 como o melhor e o pior da última década, posso já afirmá-lo.
Nunca estive tão em baixo, tão desamparada e perdida como neste ano. Mas, simultâneamente, nunca me senti tão empenhada, desejada, empolgada por estar a fazer coisas.
Basta pensar que há uns anos atrás,(antes de ficar doente) não tinha esta vontade e poder de decisão e estava completamente estagnada e tudo o que aconteceu a partir daí teve exactamente os mesmos efeitos de um tornado.
Entre mortes, doenças mais ou menos graves, internamentos e estados de saúde desconhecidos, aconteceu-me um pouco de tudo. Descobri que vou perder o meu pai e por isso tenho vivido para ele,confirmei que não gosto da sociedade da qual faço parte e que tento harmonizá-la o mais que posso,embora isso nem sempre seja bem entendido.
Descobri que sou emotiva de coração,embora não ceda ás lágrimas facilmente, este ano já chorei mais do que podia imaginar.Sei agora que nunca mas nunca devo misturar amizade com trabalho, que o mundo é um imenso mar de caminhos que ás vezes julgamos serem os nossos, mas não são.
Aprendi a relativizar, a respirar fundo, a dosear as quantidades de stress e indignação e aprendi também que, apesar de tudo, ainda me consigo enervar com facilidade.
Fui convidada para projectos empolgantes, que abracei sem sequer hesitar e levei-os a cabo, ultrapassei os meus próprios limites, criei os meus próprios espaços. E encontrei a mais preciosa e rara dádiva da minha vida, capaz de me elevar e surpreender sempre cada vez mais.A MISSÃO.
Mas isso implicou, a perda de alguns "amigos", familiares...que nunca o foram, concluo.Outros retornam lentamente, com passos de amizade inseguros e que acorda agora para um 2º caminho que não sabemos bem onde vai chegar?Outros ainda,alguns de sangue, sei que não têm retorno.
Devia estar a escrever este post em Dezembro, quando o ano estivesse prestes a acabar. Mas agora tenho tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo, que dei por mim perdida neste balanço.
O que eu aprendi verdadeiramente é que vai ficar tudo bem, a vida vai continuar, a sorte vai virar.Sempre me guiei por este pensamento.E resulta.
O meu pai apesar de estar a fazer progressos muito pequeninos, lá se vai aguentando,e que forte tem sido.Ele continua a ser a minha prioridade.Mas cansam-me os hospitais.
A minha vida está (muito lentamente) a chegar exactamente onde sonhei.Embora tivesse que adiar alguns projectos...e sonhos, eles resistem.Sinto-me capaz de começar do 0 uma vida a sós, longe daqui,noutro local, com outras pessoas, enfrentando todos os meus medos e contrapartidas implicadas nesse processo.A vida é demasiado curta e já o foi para mim.Este não é o meu lugar no futuro.
Formei-me para servir melhor, aprendi a amar a diferença que poucos encaram e isso mudou tudo.Abalou o meu mundo.Fortaleceu-me, deu-me cor...e fez-me lidar melhor com os meus limites.
E, mesmo que amanhã esta esperança toda venha por aí abaixo, eu hei-de voltar a este post e reler tudo o que escrevi para me lembrar que sim, a gente vai continuar.


Então e votou bem?






Gosto que me perguntem isto, como se houvesse apenas uma maneira certa de votar e todos soubéssemos exactamente o que quer dizer votar bem. Em todo o caso, o dever cívico está já cumprido.Pela primeira vez, levei a minha caneta de casa e tive que desinfectar as mãos com álcool e fi-lo com um certo sentimento de respeito.

Este ano não fui votar acompanhada do meu pai. É como se agora estivesse mais desamparada e esse sentimento apenas cresceu quando disseram o meu nome em voz alta na secção de voto, depois de passar pelos meninos escuteiros que tentavam vender canetas à porta. E posso assegurar que, é bom ver muita gente a votar.Um direito que nem sempre tivemos.E então eu, no meio daquela gente toda, senti-me deslocada porque não é aquele o meu ambiente, não é familiar e tive necessidade de sentir que a maior parte das pessoas que votavam ao mesmo tempo que eu são sonhadoras e vivem bem sem politica.Confesso que, como tantas outras pessoas, não gosto nem percebo a política.Mas sei o suficiente, para saber o fio condutor que quero seguir. Tenho muitas vezes a tendência a pensar que não existem nenhumas diferenças entre os que estão no poder e os que se seguirão e acho que quem ingressa na política ao mais alto nível acaba sempre corrompido.
(Lembrei-me, enquanto visitava o meu pai e via como seguia atento a TV, a vontade que também ele teve em ir votar.Mas não o pode fazer.Acho que deviam de haver urnas móveis, nos hospitais, afinal seriam mais umas centenas ou milhares de votos.E as pessoas que estão lúcidas, merecem esse respeito.)

Mas nestes dias de eleições sinto-me motivada por fazer parte de algo muito maior do que apenas um partido político: sempre que votei senti-me com o poder de mudar o futuro, mesmo correndo o risco de escolher mal, ou sair de lá achando que nada ia mudar.

E hoje, impressionada com a afluência a algumas mesas de voto, fico contente por ver que ainda há quem se importe.E todos, um a um mudamos, sim.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Kirikou

Terminei o dia, da melhor forma possivel...o último dia de verão.

Pude apanhar ainda alguns raios de sol...ouvir Phamie Gow, no caminho para um lanche que se tornou jantar.

Pão de alho, para a entrada, pizza de espinafres e mozarella, regado com minis, e boa conversa, para terminar batata doce assada.

Depois acabámos no sofá, a ver KIRIKOU, com mantas e gatos a fazer companhia, que para os lados de sintra faz frio...mesmo dentro de casa.

Um dos filmes de animação, mais bonitos e com uma mensagem mais forte, que já vi.

O pequeno KIRIKOU,ajuda, salva, perdoa, enche-se de coragem, luta, não desiste, apesar de ser tão pequenino.

Um exemplo a seguir...um filme a não perder.

Se um dia pudesse, chamava um dos meus filhos de KIRIKOU, no minimo pensariam que enlouqueci.Não é um nome, comum, nem apelativo, não soa bem...mas só eu sei o significado que tem!

E ter um filho assim, seria uma benção.

Obrigado por esta noite e pela partilha.

( O meu pai continua internado e não se prevê data de saída.Recomeçam as visitas ao hospital.)

domingo, 20 de setembro de 2009

Pai.








Depois de um longo tempo em casa, a recuperar a forma física, o meu pai voltou hoje para o hospital.


Eram visíveis a sua palidez, fraqueza, febres altas.


Logo agora que percorria a casa devagarinho e com a ajuda da fisioterapia.Agora que nos parecia tão bem dentro de tudo o que já passou.Agora que comia sentado, que fazia a barba com a sua mão, sem precisar da minha.


Mas eu já devia estar preparada, mas nunca se está, verdadeiramente.


A cada vitória uma lufada de esperança.


Mas e depois há a realidade, que nos acorda numa manhã de domingo, assim.





Boa semana a todos.








(Obrigado ao D. pelas 3 horas de conversa ao telefone, em que voltamos a dar literalmente corda ás palavras.Foi tão bom, voltar a todos os locais, rir da mesma forma, e recordar o que se viveu e a forma como nos construiu.Hoje, foram vida.)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Quadro de fim de tarde







Hoje, ainda não houve tempo para mim, a não ser um banho prolongado e quente depois de deixar o vento lá fora, mas em contrapartida alguns dias foram bem melhores e a força aos poucos regressa.Vejo todos os dias o pôr do sol pela janela do autocarro.Hoje enquanto o admirava, recebi o telefonema de alguém que o via também de uma praia...esta sintonia, fez-me bem, aconchegou-me, podia ouvir o mar. O vento só não está demasiado frio porque estamos recém saídos do mês de Agosto - sente-se que o Outono está impaciente por chegar.


No caminho para casa, vejo no jardim pessoas que não correm, apenas caminham por ali, conversando calmamente. Um senhor com ancas de senhora ensaia os primeiros passos antes de atacar a corrida. Um ou dois casais de namorados resistem ainda à barreira das sete da tarde.


E as folhas prestes a sucumbirem à passagem das estações enchem o jardim de uma outonal melancolia.




(às vezes o mundo explode, o meu interior encolhe-se, fecha-se sobre si mesmo. às vezes sou toda agressão e as palavras falham-me. Falha-me também a doçura no coração, escapam-se-me os vocábulos da ternura e é tudo amargo por dentro.Tento imaginar até quando vou viver com o coração na boca, até quando serei onda de fúria irracional mas não consigo prever-lhe o fim.É uma experiência fora-de-corpo, a língua querendo furar a muralha de silêncio que também me imponho.


Mas, noutros dias, compreendo como tudo o que me foi dado é a maior das bençãos e que o que vejo de fora chama-se mesmo amor.)






quarta-feira, 16 de setembro de 2009


All the People, many people...










A verdade é que, debaixo deste sorriso que sempre desencanto e destes sonhos todos, se esconde alguém que oscila cada vez mais nos sentimentos em relação às pessoas. Acho que nesta matéria chego a ser muito criteriosa, tais são as variações entre os dois pólos das minhas relações com os outros.As pessoas, eu sempre acreditei nas pessoas como seres humanos capazes de proezas simples...mas a verdade é que são capazes de proezas maléficas.

Por um lado, consigo sempre de alguma forma deslumbrar-me com a generosidade e princípios de algumas pessoas, com a genuína vontade de fazer bem sem esperar nada em troca. Mas por outro, e garanto que estes últimos dias não têm sido nada fáceis, há muito que sinto que a maioria das pessoas não merece a importância que me vejo obrigada a dar-lhes: as pessoas que não mexem uma palha para conseguirem o que lhes faz falta, as pessoas que cruzam os braços à menor dificuldade, as pessoas que desistem ao primeiro contratempo, as pessoas que arranjam subterfúgios e bodes expiatórios para fugirem às suas responsabilidades, as pessoas que nos descartam quando se fartam de nós ou quando já não lhes fazemos falta, as pessoas que usam outras e abusam da sua ingenuidade, as pessoas que nos tossem para cima literalmente e por fim as pessoas que julgam que o seu pequeno mundo é o único existente e válido.

Eu respiro fundo, juro que respiro, mas não tem sido fácil nestes últimos dias. Não é fácil impingir rectidão a quem não tem espinha e é impossível pedir a alguém que respeite os princípios em que não acredita. Felizmente, ainda não me conseguiram acabar com o optimismo e com a ideia de que há pessoas genuinamente boas, dificilmente corrompíveis, empenhadas em fazer deste um mundo melhor. Eu já VI estas pessoas. Falo com algumas todos os dias e sei que são muito mais do que apenas ingénuas. Mas estas pessoas são muitas vezes como as pedras naqueles jardins orientais: submersas, escondidas pelas águas paradas mas firmes na sua ligação ao outro lado. Eu batalho para estar também deste lado das trincheiras e tentar ser um exemplo de cidadania. Mesmo que me digam que o mundo é dos espertos.
Eu sei que é muito mais dos sensivéis e inteligentes,pois o mundo por eles respira.

sábado, 12 de setembro de 2009

Respiro fundo e lembro-me da força!












E chegado o fim de semana, é tempo de fazer um resumo do que foram estes dias.
De como eu estou e me sinto.


Esta semana, a Renata, voltou para Timor, e amanhã de lá também, chega a Flor.


Foi a semana em que percebi que há dias muito maus, e em que confirmei que eu não nasci para viver numa cidade o resto da vida, nem isto me diz coisa alguma, este stress constante, de apanhar transportes, de picar o ponto, de passar á frente dos outros em tudo, de tratar mal seja quem for, por um lugar no autocarro.


As pessoas estão descontroladas, perderam as estribeiras e não olham a meios para atingir os fins.


O pior dia da minha semana, foi 3a feira, quando saí de casa e apanhei logo uma molha, debaixo de uma trovoada imensa.Só se viam pessoas a fugir,ainda de sandálias e roupa de verão.A primeira chuva de Setembro, veio brindar-nos forte e feio.Eu encharcada lá segui o meu percurso.No regresso a casa, depois de um dia cheio, os autocarros não passaram durante 2h, devido a um acidente.E quando vieram, fui obrigada a assistir a uma discussão sem nexo, e mais tarde a violência entre algumas pessoas, que apenas estavam cansadas e sob pressão.Foi horrível...no pára arranca, a noite a cair e eu dentro de um autocarro, em plena zona industrial, a ouvir uma pequena guerra.Isto é tudo o que não quero, isto é tudo o que não vou aguentar muito mais tempo, isto não faz parte do meu projecto de vida e vou lutar para mudar isto, dentro em breve.Por agora tem de ser assim...porque tenho que me manter perto de casa e da minha família.


Mas neste mesmo dia, confirmei, que de facto ando ao contrário do mundo, das massas e da maré.E que bom é, ser assim, sentir assim, viver assim.


Saber que o menos procurado é o melhor, que o menos visto e falado, é no fundo a melhor escolha.
Ontem foi noite de sair do trabalho e ir directamente para casa da Lu e jantar uns legumes divinais feitos no WOK, e depois conversa no saudade, aquele lugar que me vai conhecendo também.Soube-me a pouco mas foi relaxante.Acabei por constatar, que não me sinto parte desta sociedade tal como ela é...mas sim de uma sociedade remota, que desconheço e que vive num ritmo bem mais lento e harmonioso, com pessoas mais simples .Chamem-lhe utopia, o que quiserem,mas sei que existe e que me espera.Essa é a minha certeza.E que pode inclusive, resgatar-me para toda a vida...como quem arrebata um coração eternamente.



Não sinto que seja minha opção,não ter tempo para ler um livro, porque estou cansada e que chegar a casa, tomar banho, jantar e dormir seja também uma forma saudável de viver.Eu que sempre dei valor ao lado mais humano e ao tocar e ser tocada pelas vidas dos que amo.


Vejo os amigos de semana a semana, e alguns não vejo há 2 semanas.E aguento-me sim, pois que remédio, mas isso não impede que me queixe e reclame á vontade.


Este mesmo blog, a quem visitava todos os dias, como um bálsamo regenerador, agora visito 1 x por semana, ao fim de semana, porque só aí tenho tempo e vontade para escrever algo com cabeça...e coração.


Mas apenas para dizer, que os olhos da alma, continuam abertos e a funcionar, a captar o mundo e a senti-lo de forma intensa e profunda, só que a paisagem mudou um pouco ou um bom bocado e eu não posso transmitir nunca aquilo que não vejo.


Os olhos são afinal um espelho do que somos...e é através deles,que eu "vomito" o mundo, esta cidade, esta realidade e condição...neste momento.


E acreditem que isto não é nada bom de sentir, traz desconforto e ansiedade...aquela que me acorda antes do despertador tocar todos os dias e me faz suspirar enquanto espero o autocarro, ou olhar pelo vidro em andamento e perder-me em pensamentos, acompanhada pela banda sonora da minha vida.


É que o mundo é tão grande e vasto e há tantas pessoas a quem gostava de dar o meu abraço e alegria, pois precisam deles e depois, viver entre aquelas que não o conhecem e não sabem o que significa dar mas apenas ter, nunca poderão compreender isto, é no mínimo castrador.


Este não está a ser o melhor ano decididamente,é que ninguém me preparou para a quantidade de imprevistos e desvios que tive pela frente, mas o ano ainda não acabou...e o futuro é um segredo iluminado.Creio.






domingo, 6 de setembro de 2009


Evolução, constatação.







Não é impressão, é mesmo verdade, o tempo para escrever tem sido escasso...já a vontade muita, como é habitual.Com os dias mais ocupados agora e a chegar a casa sempre depois das 19h30...posso dar-me como feliz e sortuda, mas nada é perfeito.A minha necessidade de escrever diariamente é a mesma, e por isso mesmo os dias têm parecido mais vazios.Mas o sono é tanto, que já nem me debato com o computador.

Há acontecimentos únicos, acerca do meu pai.Ele está em casa, e continua a fundo com a fisioterapia, o facto de ter emagrecido muito, fere a vista, mas ajuda a que o levantar e o andar sejam mais simples.

Foi na sexta feira e eu vi, levantou-se agarrado ao andarilho e deu 4 passos até á cómoda, e voltou para trás.

Esta é uma grande vitória, ver o meu pai novamente em pé.E quem sabe daqui a umas semanas a andar muito lentamente, e com ajuda, mas a andar.

Ainda se sente tonto e se cansa ao minímo movimento.Mas sempre a acompanhá-lo e a encorajá-lo, estamos nós.Eu,a minha Mãe e o meu tio.

As sessões são muito caras,em 7 sessões,já lá vão 400 euros, (há quem ache um exagero, e apenas venha a casa para criticar esse valor,mas quando se compra um tapete de 150 euros nas ruas de Marrocos, só porque sim, também se dá uma ajuda ao Pai para os tratamentos...é mais do que justo).É claro que não compensa a presença que não houve e não há, a atenção e acompanhamento...mas é sempre uma ajuda.Ainda que todo o dinheiro do mundo não pague nunca o amor que não se deu.

Neste momento em que escrevo o meu pai come sentado na cama, e a liberdade que perdeu de movimentos, é subtilmente conquistada.

Isto é de uma felicidade imensa para mim, apesar de saber que o seu estado não é animador, mas estável, não sabemos por quanto tempo.Pelo menos está em casa, longe da pandemia da gripe A, e dos hospitais.E eu só espero não apanhar gripe A, com os meus bebés, o que será quase certo, porque não poderei vir para casa, ou irei contagiar o meu pai, que está enfraquecido.

A gripe em si, não me assusta, cura-se com benuron e 7 dias de cama.

Posto isto, resta-nos viver cada dia na confiança de que tudo correrá bem e se não correr, é dar a volta por cima o mais rápido possível.

Afinal estamos todos no mesmo barco e o bem que fizermos hoje, colheremos um dia...ajudar nunca será demais.



You

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Guerreira??








Em tempos diziam-me e eu sentia, que tinha uma alma de guerreira.
As coisas passavam por mim, e eu combatia o bom combate, a maior parte das vezes, com um sorriso na cara ou porque não, entre uma lágrima e outra, á qual também tinha direito.
Hoje mais do que nunca, sei que essa alma existe...mas ás vezes, procuro-a porque não a encontro com outrora de imediato á flor de mim.
Hoje, senti o mundo a acordar de umas férias, o trânsito, as multidões, o regresso á rotina diária, que nos mantém completos, vivos, realizados.Mas senti também a pouca vontade com que todos o faziam...as criticas que traziam dentro...a insatisfação eterna, de uma sociedade que não sabe bem para onde caminha, nem como o faz.
E porque hoje, eu fiz parte dessa massa, e me misturei nela, fui inevitavelmente assolada repentinamente por um sentimento de solidão , embora saiba bem para onde ir e como ir, mas ainda há caminho a percorrer.Um caminho nem sempre fácil, doloroso, com algumas perdas ás vezes essenciais, cansativo, com que me deparo, mas também, fortalecedor, repleto de surpresas e único porque é o meu caminho.Traçado a pensar em mim...
E hoje apenas, regressei a casa a precisar de um abraço, de um colo de mãe e de pai, como aquele que eu dou aqueles que ajudo a crescer.
Hoje, a caminho de casa, sentia-me tudo, menos uma guerreira, primeiro porque duvidava de mim, segundo porque o cansaço se apoderava do meu corpo e terceiro porque só me apetecia chorar.(Entendo-o como uma depressão pós férias...)
Ser humana tem destas coisas...tem interrogações pelo caminho e tem também um sabor a vitória, quando chegamos ao fim e olhamos atrás com a sensação de ter cumprido a nossa missão, seja ela qual for no momento presente...onde é preciso.
Certamente, este ano lectivo, reserva-me algumas missões que agora julgo não ser capaz de abarcar...e me fazem confusão só de pensar nelas,mas nada que uma noite de sono não resolva e um "gosto de ti" vindo deste ou daquele amigo, não repare e me faça perceber ou relembrar que o valor de cada pessoa é imenso...apesar de tudo.
Guerreira ou não,vou até... onde Deus me levar.

domingo, 30 de agosto de 2009

Já cheira...







Feijoada de Marisco, para uma convidada especial.

Cá em casa, é dia de almoçar com a Renata.

Os últimos dias, têm sido para aproveitar a sua companhia, antes de partir para Timor.

Passámos pela taverna dos trovadores em Sintra, com a Ana Lu, e ao som de música bem portuguesa, bebemos um copo, o que me soube muito bem depois de um dia passado entre centro de saúde para actualizar as vacinas, finanças, segurança social e loja do cidadão...a noite não podia ser melhor, para descontrair.

E o que nos temos rido juntas ao recordar velhos tempos.Voltamos aos lugares de sempre, descobrimos outros tantos...

Que bom ter uma mana assim, sempre presente, mesmo quando está do outro lado do mundo!

Hoje gozo o meu último dia de férias oficial, embora os fins de semana ainda reservem algumas aventuras para breve.

Hoje,dá-se também o regresso ao meu Telhal, aos meus doentes, que saudades...mais logo em Cascais Rui Veloso embala a noite, nas festas do mar e eu vou ouvi-lo!

Bom domingo!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Moby - Pale horses


O Regresso, passo a passo.





















O regresso tem sido feito, aos poucos.
A minha realidade, mudou um pouco...aqui por casa, cruzo-me com um fisioterapeuta, mais do que habituado ao meu pai e o meu pai a ele.Já se senta na cama, agarrado ao andarilho.Fiquei estupefacta, mas se o seu tempo de vida, for com alguma qualidade, não há dinheiro no mundo que pague essa evolução.Por cada sessão, de 1h aqui em casa, são 50 euros.A intenção é colocar o meu pai a andar de novo, agarrado ao andarilho.O que vai levar meses, na opinião do fisioterapeuta.O meu pai, estabilizou, come bem, toma carradas de medicação e continua fraquito, mas com vontade de dar a volta a algo que ele sabe que é possível, contra todas as sentenças que já foram ditas...que ele não ouviu, mas se apercebe.Ainda assim, vejo a sua alma de guerreiro a surgir...como se andar, fosse a última coisa que gostaria de voltar a fazer.
Não pensamos nisso, que existe e evolui, e é mais do que verdade, mas sim, celebramos cada pequena vitória do dia á dia.
Volto aos locais de sempre, aos meus recantos e amigos.
Já na próxima 2a feira,faz-se o regresso ao trabalho e á normalidade de uma rotina, dando assim prioridade á minha família e a mim, nesta realidade...neste tempo.
Tudo com muita calma, e nunca esquecendo que nascemos para ser felizes...e ainda mais se pusermos a render os nossos dons naturais, é nesses que confio.
Guardo num entanto, todos os sonhos, que dormem aqui dentro, para o dia em que poderão voar, e assim só terão mais tempo de crescer e ficarem ainda mais belos.
As férias foram boas, com um pouco de tudo...mas agora mal posso esperar por ter nos braços, vidas tão pequeninas a rebentar para o mundo.E eu com elas.
Bom regresso a todos.


domingo, 23 de agosto de 2009

Último dia no Algarve!




Leonardo...





Madalena...




Praia Grande em Ferragudo...pela noite...



























Amanhã, é dia de partir.
Já sinto saudades desta casa cheia, da areia por todo o lado, dos chinelos, das toalhas aqui e ali, do cheiro a grelhados do terraço, da sangria única que aqui nasceu, da partilha de tudo...
Hoje o dia foi para visitar, os mais pequenos, abraçar quem já não via, fazia tempo, e andei todo o dia ás voltas.
O fim da tarde, foi na praia do Carvalho,aquela praia que já me ficou no coração.
Depois de ver partir mais 4 membros desta nossa "comunidade de verão",(incluíndo a gata pintas...) ficamos eu e a Ana, que nos acolheu tão bem, e fez da sua a nossa casa.
E numa noite mais livre, fui até á calmaria de Ferragudo, que até no verão é pacífico.Ali onde o rio Arade se mistura no mar.
Ficámos á conversa cá fora, num sofá que pedia sono, e nos embalava os sentidos, com Portimão como vista de fundo, do outro lado do Rio...e uma música suave que ia entrando.Velas aqui e ali, cravadas nas rocha, davam aquele toque de magia.Os pés descalços e o calor, fizeram o resto.
Há nomes que na minha boca se repetem, há histórias que são sempre recontadas e me fazem bater o coração, de as lembrar, pela força que a Amizade tem.
Agora é tempo de deixar o Algarve e agradecer os dias mágnificos que vivi, com pessoas igualmente fantásticas e simples.
Amanhã depois de um mergulho matinal de despedida, nestas águas quentes e calmas, está previsto arrancar para Lisboa ao começo da tarde, em boa companhia, que a estrada é longa, mas com o peito cheio de boas recordações...o que pode haver de melhor?
Até muito breve.