quinta-feira, 11 de junho de 2009

Dia Azul





Azul de mar...azul de céu, azul de aroma.
E as cores que lhes queremos dar,brincam no céu desafiando o vento.








Uma praia longa, serena e uma música nossa, a embalar o resticío de dia...


Porque todos podemos voar, e alto no céu...basta que a vontade nos guie.
Porque a amizade tem momentos que se eternizam na areia...e á beira mar.





E a paz que fica, no fim de um dia em que a praia foi nossa, até ao anoitecer.






Uma luz que fica...



(Chegámos àquela altura do ano em que Lisboa fervilha, em que as ruas são estreitas para tanta gente, em que o cheiro a peixe grelhado deixa de ser incomodativo e passa a ser parte da festa, em que os feriados onde o sol brilha, são de romaria ás praias.
Eu já andava a desejar um solzinho na pele há uns dias valentes e não passou de hoje: depois da visita ao meu Pai pela hora de almoço.
Estava no seu cantinho, cheio de sono por não ter dormido nada.Um beijo doce e seguimos rumo ao sol...
Escolhemos a praia da Sereia, entre dunas e mar.Mas as pessoas, chegam á praia fartas de esperarem no trânsito de uma hora ou mais no pára arranca, depois é estacionar.
No final, e para compensar, sentámo-nos uma hora na esplanada, um martini com limão e mar sem fim, compensaram bem...
Depois foi espraiar a vista e os sentidos, em caminhadas e brincadeiras á beira mar.
Protagonistas de tudo isto...ora bem:
Um organista que toca na praia com a sua viola, quase dentro de água e molha todos á sua passagem , deixa as crianças felizes só por ouvirem música e brinca na água horas a fio.Um que dorme ao sol e está branco que nem leite, outro que não sossega com o rabo na toalha e quer dar voltas e mais voltas á praia e com uma mão me levanta da toalha cheio de genica.E ainda outro que oferece queques o dia todo e até chegar á portagem da ponte os apregoa pela janela do carro.
E por fim eu, encantada com as cores dos papagaios que brincam no céu, com as crianças que constroem castelos á beira mar, como eu na minha cabeça...
Eu, talvez refém do meu próprio castelo.Mas só o tempo cura certas dores.
A seu tempo...tudo fluirá como uma onda no mar.
Um pôr do sol, comtemplado em grupo e ao som da nossa voz e alma.
E uma noite ainda morna, a fazer-nos lembrar que o Verão, apesar de tudo, só começa daqui a uns dias.)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Some News about me...my life, my plans!













O meu Pai hoje, conheceu a Ana Lu.

Diga-se de passagem que foi um encontro muito bonito.

Eu sabia.Foi bonita, é bonita, a forma como as pessoas aos poucos vão conhecendo o meu pai, e ele as vai conhecendo.Embora sempre tenha ouvido falar delas.

Belo, como aquele cantinho no hospital, onde se encontra, é acolhedor, pela sua presença.Iluminado.

Hoje, voltei a deixá-lo com um sorriso brilhante e como isto me deixa tão feliz!

Segui para o Telhal, onde o recital de poesia correu muito bem, bem como as canções que livremente foram surgindo.Até eu, cantei, até o Alberto cantou...foi muito bom.

Alguém que não fala, poder exprimir-se á frente de um microfone a sorrir é uma pequena vitória.A alegria nasce do pouco mas muito que se faz.

O Luís e o Paulo apareceram e para o Paulo foi uma novidade conhecer o Telhal.Claro que levou logo um abraço de gigante do Deodato que faz amizade rapidamente.Uma realidade que nunca tinha tocado, mas á qual se abriu imediatamente e muito bem.É bom dar a conhecer este mundo que poucos querem tocar.Foi um momento de muita alegria,para todos.

Depois seguimos para um cafézinho na nossa "Zona única", perto da minha casa e o nosso mais recente refúgio.

Como é bom juntar á volta da mesa os amigos e deixar fluir aquilo que em nós há e saber que são o nosso suporte, como anjos da guarda.

Amanhã se o sol brilhar, teremos um dia de praia, senão um dia de passeio.

Bom feriado.

Aproveitem...




Sto.António!
Já cheira a santos Populares.
E como não podia deixar de ser, no Telhal vai haver festa.
Hoje, dia 9, pelas 20h, vai haver poesia e chá, no bazar.Apareçam.

No dia 12, véspera de sto.António, SEXTA FEIRA, na unidade de sto.António, a partir das 14h haverá jogos, ás 16h missa, depois lanche/Jantar.Animação é garantida.

Vou dançar com o Deodato até que me doam os pés e assim deixar que a alegria me invada...

Quem quiser aparecer, venha daí, depois seguimos para Lisboa.Noite de sto.António.

Espero ver-vos por lá!!!

Brilliant!

É o próximo filme da minha lista.

E porque hoje a Lua também estava brilhante.

Tal como o sorriso do meu Pai,hoje.Brilhante.

Fica o Trailler e a música fabulosa.

domingo, 7 de junho de 2009


Dia e meio





O resto do dia de ontem foi um total inesperado...

A lua, vi-a nascer amarela no céu, cheia.Vinha ela por detrás do hospital no horizonte e eu a ir-me embora depois de consolar, satisfazer esta ou aquela vontade que o meu pai já não pode alcançar sozinho.


Bom, depois a noite foi para festejar o aniversário da Beta, que fez 30 anos...


Primeiro o jantar pelo Bairro alto, com muitas caras novas outras nem tanto e animação.


Valeu por ver a alegria da Beta, e como estava feliz, valeu por ter ido arejar...e me ter rido tanto, pela noite bonita que estava, pelas partilhas.


Mas tudo aquilo, música, luz, gente, me deixou um pouco estranha, o bairro é muito bonito, e tem muitos rostos, mas a realidade que vivo neste momento não me deixou alhear...e estar ali de corpo e alma.O corpo talvez estivesse...


Bom, depois do jantar, andamos um bocadito pelo bairro, a furar a multidão em busca de um cantinho onde se pudesse parar e conversar.Assim foi, com a luz da lua a reflectir-se nas fachadas de azulejos dos prédios...um reflexo que me levou muitas vezes para longe...















O dia de hoje, foi exercer o meu direito de voto e escolha.Esperando assim um futuro sempre melhor e mais equilibrado...para a nossa sociedade.

Depois lanchar e divagar em Belas, e a estrada para o Telhal estava tomada...os meus doentes á minha e á nossa espera e eu ansiosa pelo abraço deles...são lindos.São únicos,são belos, são puros.

No meio deles estou bem.Hoje o Sr.Domingos, que adora cantar o fado, passou o tempo a enfiar-me o pé de uma flor,na cara,nas covinhas e ria-se,feliz.Depois alguém chorava porque a mãe não ligava...um abraço de consolo, mas longe de ser o de uma mãe.Depois o castiço Deodato que fez anos no dia 4 de Junho, e eu não soube.Hoje porém, cantei-lhe os parabéns...cheia de alegria,pelo dom da sua vida.Uma vida que me enche de meiguice e doçura, apenas de pensar nele, o que muitas vidas próximas de todos os dias não conseguiram fazer.Há vidas que nos tiram tanta energia, que nos desiludem tanto...pelo desejo de perfeição.

Ali no Telhal a perfeição é relativa.Estar vivo uma dádiva.Não se corre para atingir os parâmetros da sociedade...

E como eu me sinto bem ali, na presença de Deus de uma forma simples.Muito simples.

E é isso que cá fora me rodeia, em muita gente, a falta de verdade e simplicidade...o querer parecer algo que na verdade não se é.

Sou o que sou pela graça de Deus.Cheguei até aqui pelo que aprendi...da vida.Com todo o amor e desamor que ela contém.E por fim faço a minha escolha pelo Amor.E o amor é sempre transparente.

Aprendo muito ali, de cada vez que entro no Telhal, já estou a aprender, com quadros que vejo...e ficam retidos nos olhos, mas vão direitos ao coração.Por lá ficam até que retire do que vi e senti a lição diária.

O segredo que cada dia traz...para a vida.





Boa semana.

sábado, 6 de junho de 2009

Meio dia














O dia já vai em meio, e eu já fiz e senti tantas coisas.
Já tomei banho, já saí para ir buscar os ditos chicharos a Telheiras, abracei a Carina e os Pais dela.
Tomei o pequeno almoço no Ikea, que estava cheio enquanto o céu lá fora ameaçava uma boa chuvada.
Haviam crianças e o dia a começar é sempre composto por elas...que nos olham com o seu ar feliz e surpreendido, quando tudo ainda é uma novidade.
Ao chegar a casa, a chuva caía e bem, o sol que eu pedi, não apareceu mas brilha de outra maneira dentro de mim...e pode ser que ainda espreite o dia.
Sento-me na cama depois de entrar em casa e toca o telefone, do outro lado bem do outro lado do mundo, de Timor, a voz doce da Renata.Que saudades...que novidades boas, que planos para as férias...e no meio de tudo isto, oiço os grilos a cantar do outro lado, como se estivessem já aqui.Sensação única esta.
Lá é hora de jantar e o dia acaba...aqui vai a meio.No meu coração ela está no mesmo lugar...
Agora é hora de arrumar o quarto e preparar o almoço.
Mais logo,estar com o meu pai e desejar que todos os dias sejam assim.Calmos e cheios de energia.Contando que, ainda não acabou.

Bom fim de semana.

sexta-feira, 5 de junho de 2009


Um dia comum,tem...














Tem,uma molha logo de manhã,sorrisos sinceros,amigos,Pai e muitos mimos,gargalhadas e multidão...o meu sossego ao chegar a casa e ao escrever estas palavras, boa música.

O dia começou chuvoso e acabou ameno.

A visita ao meu pai, começa a ser algo tão importante...sei que ele a espera tanto como eu.

Assim que cheguei notei logo que estava mais em baixo hoje, não da infecção, mas de ânimo.

Lá tive que o fazer rir e falar de outras coisas.Amanhã chegam a Lisboa os ditos, Chicharos...Obrigado a todos os que procuraram por eles e me esclareceram.

A Carina, da Freixianda, vai trazê-los já cozinhados e em sementes, para o meu pai dar ao meu tio, para plantar no Alentejo e para os comer e matar o desejo.

São pequenos gestos que fazem os outros felizes.Que me fazem feliz, por fazer feliz.

O meu pai nem vai acreditar quando vir os chicharos á sua frente.

Terminei o dia, rodeada de amigos, Alberto, Zé Paulo,Hercus,Luís,Bruno,João Nuno.Jantamos, e falamos de Timor, de tantas coisas.Quando saímos a lua ia alta no céu e os sorrisos pintavam-me por dentro.

Tenho que respirar mais vezes fundo, deixar-me ir, não agir apenas pela minha impulsividade...cuidar do bom e precioso que a vida me trouxe.Mantê-lo.

Amanhã começo cedo o dia...e alguns amigos vão visitar o meu pai.Vai fazer-lhe bem.

Espero que o sol brilhe...que o céu seja azul, profundo...isso ajudaria.



Boa noite.




Amanhã ao Pequeno Almoço...












Desperte connosco!
Venha tomar o pequeno-almoço à IKEA por apenas €1.
O pequeno almoço inclui:
*1 pão de sementes
*1 fatia de bolo
*1 fatia de queijo
*1 fatia de fiambre
*1 compota
*1 pacote de manteiga
*1 iogurte líquido
*1 café
Ou
*1 sumo
*1 salada de frutas
*1 pão de leite
*1 croissaint
*1 compota
*1 manteiga
*1 ovo mexido
*1 café
Poderá tomar o seu pequeno-almoço de 2ª feira a Sábado das 9h30 às 11h00, e aos Domingos e Feriados das 8h30 às 11h00.
Bom, amanhã vou lá...e depois quem sabe uma caminhada á beira mar, antes de almoço...
Chuva


Eu sempre gostei de em determinados momentos, andar á chuva...molhar-me.
Como isso me faz sentir livre e me lava a alma.
A água da chuva vem de longe, vem do céu e eu gosto de acreditar que mais do que tornar o dia cinzento e chato, esta água é vida...e nos coloca o mundo a brilhar.
Ping ping sem parar...mágico e de encantar.
Ouçam...



Eu não tenho que ser, nem por um dia, politicamente correcta.

1.Não é por ter 3ºs na visita com o meu pai, que vou parar de lhe fazer o que faço todos os dias.
São rotinas, que o deixam bem melhor ao fim de um dia na cama.Não entendo que tenha que parar...para dar atenção a uns minutos de visita que decidiram fazer.E por isso continuo a massajar as pernas e a cortar o bigode, e a cirandar em torno da cama, pedindo a quem se instalou que o permita e ainda perceber que se sentem incomodados.
Haja paciência!


2.Também não me parece bem, que alguém me convide para tomar café, para estar comigo e depois desista uns minutos antes porque se aborreceu e fez birra...amuou, com palavras que ouviu que não caíram bem.É um direito é certo, e cada pessoa é uma pessoa, mas é algo que a amizade supera...se ela existe!
Não tenho paciência para birras,adultas.Apenas de crianças...essas curo-as bem.
Estou um pouco farta de ver gente chatear-se por razões mesquinhas, quando a vida são dois dias e de um momento para o outro, lá caímos por exemplo no meio do oceano, dentro de um avião ou ficamos presos numa cama de hospital.
E aí, vale a pena continuar a chatearmo-nos e a amuar?
Não percamos tempo de vida...horas de felicidade.

3.Já que estou numa de reclamações, não acho bem, que coloquem autocarros gratuitos e frequentes, para os centros comerciais e para o hospital, um serviço público e necessário, passem de hora a hora, falhem por vezes e se pague o balúrdio que é, apenas para percorrer dentro da mesma cidade um percurso até curto, mas perigoso aos peões.
Ora, pessoas que fazem tratamentos e se deslocam lá todos os dias enfraquecidas, idosos, mães com bebes, precisam de mais apoios...visitas aos doentes, etc...estas pessoas sim, precisam de um autocarro gratuito.
Deixem-se lá de autocarros para os centros comerciais...afinal a crise existe mesmo?Eles não param de crescer...


E muito mais teria para dizer, hoje, mas já é tarde...e isto não vai mudar grande coisa.
Apenas me vai aliviar.
O que já é bom.





Grrrrrr.....aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh


quarta-feira, 3 de junho de 2009


Pai











Os dias deixam-me rodeada de amigos, com quem vou absorvendo a realidade externa a toda esta minha realidade interna.
Voltinha aqui, cafézinho acolá, chá aqui em casa, conversa pela noite dentro enquanto se conduz,(Obrigado Paulo), vai-se dizendo sem nos apercebermos o quanto de bom nos habita e nos faz recear, ou o que nos encoraja a seguir caminho.
E assim, vou rebentando a bolha onde ás vezes me vejo a flutuar, dormente.
Sobre o meu pai...hoje.
Que posso dizer mais?
Febre,desidratado,a infecção não cede nem por nada...mas bem disposto, apesar de tudo.
O mesmo ritual,massagem nas pernas e no braço, jantar,o mimo de um queque de maçã e lavar os dentes, adormecer, venho embora, mais reconfortada, por ter estado presente nesta rotina, com todo o meu amor.
Mas sobretudo por olhar para ele do mais profundo que sou, para o mais profundo que ele é.Em silêncio.
Ainda e sempre.



Daqui nada o sol vai voltar ao seu lugar, aqui, e é um novo dia que começa.

Até já.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Pai
















Os últimos dias, o meu pai tem estado com imensa instabilidade, a nível gástrico.
Cansado,leva ferro e transfusões.
Depois de um fim de semana agitado, onde recebeu muitas visitas, incluindo a do Deodato, que só ficou feliz, quando se viu sentado ao lado do pai da "Ita" a falar para ele.
O meu pai riu muito, e ver o sorriso dele...vale tanto, em dias como estes.E foi bom para os dois, que criaram uma amizade bonita.
Hoje, cheguei á visita e vi a cama vazia.O meu coração parou, congelou e o senhor da cama do lado, disse-me que tinha mudado de quarto.Imediatamente fui ter com a enfermeira e perguntei porque tinha mudado de quarto.
A verdade é o que eu receava, piorou.
O quarto mesmo em frente ao gabinete de enfermagem e dos médicos.Onde a observação é feita mais de perto.A infecção não cedeu ainda.
Curiosamente, ele pareceu-me muito melhor de ânimo, falava muito,ria-se, metia-se com as auxiliares e chegou a parecer-me que roçava ali o delírio, mas não quis dizer nada.
Hoje embicou, que havia de comer umas sementes que há em Santarém, que ele chama de chicharros.Se alguém souber o que é, por favor contacte-me pois ele fala nisso desesperadamente, com desejo.Vi-me mesmo forçada a ligar para a Catarrrina, que está em Santarém, para ver se arranja e traz os ditos Chicharros.Olha pus os dois ao telefone, foi uma animação.Naquele serviço, toda a gente já se ria, com o meu pai, que até de olhos fechados, falava nos chicharros com azeite e vinagre.
Bom, hoje pediu-me para lhe fazer a barba, assim fiz.Também uma massagem nas pernas, paradas na cama, e no braço mais preso.Fica sempre tão bem, depois disto, bonito e bem cheiroso.O jantar chegou e era peixe, comeu apenas a sopa e a pêra cozida, ainda bem que lhe levei um bolo de arroz...para compensar.
Depois lavar os dentes...com muita calma.Tarefa complicada para quem está na cama, mas possível.Acabo por entrar e sair,pedir luvas e recipientes, toalhas e resguardos, mas isto é o pouco que ainda posso fazer por ele.
Depois deixei-me ficar ali sentada, a conversar com o meu pai, a ver as notícias, enquanto o dia começava a cair lá fora e o ar fresco entrava pela janela.
Ouvia-se falar do avião da Air France que caiu.Tanta gente que perdeu a vida, assim, de um momento para o outro.Isto faz-me pensar, que para morrer, não é preciso muito...e isso faz-me dar ainda mais valor aquele momento, ali ao lado dele.
A hora de vir embora é a que custa mais.Pudesse eu nunca o deixar para trás, ali, pudesse eu pegar na sua mão e caminhar com ele, outra vez, pudesse eu tirar-lhe todas as dores.
Mas posso fazê-lo sentir-se amado.
E só isso, já valeu a pena.





Até amanhã, Pai.

Paper Doll


Paper Doll - Rosie Thomas

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Hoje...













Feliz dia da Criança

Não percam nunca, aquela que vos habita!


=)






O mundo ao contrário?








Não sei se é de repente estarem trinta e tal graus sem eu ter percebido como. Não sei se são as ervas já torradas, secas a perderem o verde, interrompidas apenas pelas sombras tímidas das árvores à beira da estrada. Não sei se é por ter o peito quase a rebentar de coisas que não consigo dizer.
Os meus olhos um dia rebentam com este querer tão bem, os meus olhos um dia param de conter as lágrimas e é um oceano que aí vem, um oceano de ternura, de sonhos noutros olhos, um oceano cujo tamanho me ocupa toda por dentro.

As minhas mãos um dia não param, procuram a alma das coisas em intervalos cada vez mais curtos, as minhas mãos um dia falam e serão elas a entregar a mensagem, serão elas a oferecer o absoluto. As minhas mãos não me traem como me traem os lábios, que querem falar, querem gritar isto que sinto.

Dos meus lábios escapa a certeza a consumir-me sempre que se faz silêncio, escapa a realidade que acredito não merecer. E quando olho para trás, quando penso em mim há cinco anos atrás,antes de tudo, é como se eu tivesse sido toda uma outra pessoa, vazia de sentido, gravitando em volta de uma ideia remendada da felicidade.

Não sei se é desta tempestade de sentimentos, não sei se tudo acontece porque voltei a acreditar, mas também a aceitar a realidade dura do momento.

Mas esta calma,força e esta tranquilidade natural tem o seu preço.

Quando dei por mim, estava a chorar agarrada á almofada ou a empurrar os soluços para baixo em frente ao computador. Esta grandeza toda, do que tenho vivido, dá-me nós na garganta, baralha-me o discurso e faz-me estar deitada no escuro, simplesmente a sorrir ou a chorar com aquilo que me vai acontecendo.
Mas sempre a confiar.

Já não são só receios ou alegrias simples, são as centelhas que me escapam dos olhos por Deus me fazer assim feliz e abençoada, ainda que pelo sofrimento.
E sinto que está cada vez mais perto a minha entrega.


domingo, 31 de maio de 2009

Gnoma.





Porque há amores perfeitos!




















































Porque contigo os espaços ganham novos fôlegos e os passos também.
Porque conheces as minhas misérias e também os meus dons e cores como poucos neste mundo.
A tua presença traz sempre encanto e uma força que renasce sempre cada vez mais forte.
Sentamo-nos debaixo de uma árvore, e a sua sombra é tão poderosa como um raio de sol.
As palavras fluem, os sorrisos e olhares são por si palavras não proferidas, mas inscritas na alma para sempre, que se lêem tão bem.
Ontem, o dia foi para relembrar e voltar á presença uma da outra...para constatar a realidade dura e olhar para o futuro com confiança.Fazia tempo que não nos víamos.Mas nada mudou.Há coisas que nunca mudam.O mundo gira e gira apesar disso.
O teu abraço foi vida.
O teu olhar, vê,muito além do que quase todos vêem.
Cozinhar juntas, desesperar juntas, chorar juntas mas sobretudo rir, rir muito como nós não conseguimos não o fazer.É mais forte.
Tantos,locais, pessoas, aventuras...mas os anos não parecem passar por nós.
A alegria é a mesma, e o mundo espera sempre por nós, com uma bagageira cheia de tralha e estrada a não ter fim, todas as direcções serve bem para nós!ahahahha.
Como foi bom ver o sorriso do meu pai, quando te viu...depois de te esconderes atrás de mim.
Só por aquele sorriso valeu a pena, tudo.
Não esqueço as tuas lágrimas, quando te despediste dele, e ele te disse que sim que voltaria a cozinhar aqueles pratos para nós...como só ele sabe.Porque lhes punha amor.E isso muda o sabor das coisas.Relembro as manhãs preguiçosas no meu quarto, e a ida para a mesa em pijama e sem lavar a cara...eras e serás sempre da casa.
Agora já o dia te leva a caminho do Porto e eu volto a ficar em Lisboa, até ao dia em que me meto no comboio e vou ao teu encontro...assim que esta luta terminar e eu puder respirar fundo.
Porque há pessoas eternas e amores perfeitos também.



sexta-feira, 29 de maio de 2009




O meu coração...












"Eu adoro todas as coisas.
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite."



Álvaro de Campos












E isso é bom, mas também pode ser mau.

Não?

Metáfora bonita, esta do albergue...mas pena algumas portas custarem tanto a abrir, enferrujaram com o tempo...nada que não se resolva.

Afinal é neste coração albergue que nasce a fantasia.

E amanhã por aí a baixo vem a minha gnoma, a Clarinha.
Que saudades.
Vai ser muita conversa e muito sol...a amenizar a minha dor.
Até já!




Pai,pai,pai,pai,pai...

















A minha ida ao Hospital hoje foi uma aventura.Primeiro para chegar,depois para entrar e no fim como tive de sair.

Cheguei tarde.Mas mesmo assim fui, sabendo que corria o risco de não o ver.Não me queriam deixar entrar, eram 19h35, por 5 min.Olhei para o segurança muito séria e disse, olhe faça como quiser, mas eu vou entrar de qualquer maneira.



Ele deixou.Acho que o intimidei não sei como?Talvez por saber que nada neste mundo me pode impedir de estar com o meu pai, no estado em que ele está.Sei que regras são regras, mas hoje mandei-as á fava.A vida fala mais alto do que tudo isso,ou não?



Subi, ia com o coração apertado, porque ontem ele não estava muito bem.Quando me abeirei da porta do quarto, encontrei o meu pai, prostrado, os olhos fechados, com ferro a correr para a veia, e muitos sacos a sair da barriga.Abriu os olhos, mal falou, sentei-me depois do beijo de sempre, pelo qual espero, o dia inteiro.Hoje custou vê-lo assim, hoje fez dor ao olhar.



Sei que não dormiu bem, estava com os olhos inchados e ar exausto.Daí a 30 min, ia fazer uma transfusão de sangue, para ganhar forças.



Hoje, pelo que me disse, recusou fazer fisioterapia porque não tinha forças.



Já tinha jantado pouco, foi a auxiliar que lhe deu o jantar.Depois, deixei-o dormir, descansar, e permaneci ali mais 10 min, de mão dada com ele, a olhar para ele e a sentir, que cada vez o vejo pior...mais fraco, mais longe da vida, do mundo.

Mas não de mim.



Sei que de uma forma ou de outra, estamos e estaremos juntos, numa ligação bela que nunca ninguém poderá romper, afinal, pai é pai.



E um pai como este...





(Acabei por ter que descer, mais cedo, porque o senhor da cama do lado, pediu para entregar um cheque á filha que estava no átrio, pois não pode subir, e eu como nunca deixo de ajudar e vi a aflição deles, já não me deixaram subir de novo...)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A vida também é feita de partidas... e ausências.








(Eu, no passado...)






Recebi um email hoje, a relembrar que...

Faz hoje,anos que um acidente de mota te tirou a vida.


Colega de turma, amigo, uma das primeiras paixões e de quem não nos esquecemos.


Não tenho nenhuma fotografia tua, apenas minha desse tempo.


Para o Nuno, onde quer que esteja.







Eu tinha uma mochila da Monte Campo e um casaco Encarnado. Usava o cabelo muito comprido e encaracolado, preso com dois ganchos e esperava na entrada da escola para te ver chegar.

Tu vinhas de Vespa, preta como o teu capacete. Guardava sempre o meu melhor sorriso para quando tiravas esse capacete e, sacudindo o teu cabelo louro, olhavas para mim. Sabias que eu estava ali mesmo antes de parares, e vinhas sempre dizer-me olá. Sabias também que eu o esperava.

Às vezes ia assistir aos treinos da equipa de volley da escola com alguma amiga e fingia que olhava para os outros rapazes mais velhos. Um dia a bola foi parar perto de mim e quando a foste buscar disseste-me "sei que é a mim que vens ver, porque não mo dizes?".A resposta foi uma careta a desdenhar a tua afirmação, e o rubor a surgir na minha face. "Não ligo a miúdos", disse, e tu piscaste-me o olho e sorriste, antes de voltar para o treino.

Cadernos pautados, livros e folhas quadriculadas faziam parte dos meus dias.Calças á boca de sino,sonhos e as fugas aos almoços horríveis na cantina da escola.As tardes de estudo, todos juntos na biblioteca, e os lanches de panikes, cheios de gordura e chocolate.Os Torneios de cartas nos intervalos das aulas adiados por conversas e brincadeiras.

Um dia Ficámos no mesmo grupo, para um trabalho de Português, o que provocou primeiro o teu riso mas depois uma surpresa com a qual eu não contava. A composição que tinha sido pedida era difícil e eu queria contar com a tua ajuda, além da tua companhia. E como me ajudou o teu sorriso, como me inspirou a tua pele morena, o teu fresco odor adolescente. Quando me beijaste perguntaste-me ao ouvido se eu já ligava a miúdos, e rimos ambos, um riso que por vezes ouço, um ricochete de felicidade nas paredes intemporais da vida adolescente.
Não sabia nessa altura que a primavera dura apenas um segundo.
Mostrei-te o trabalho final antes de o entregar, afinal tinha-o escrito por e para ti. Eu sabia que estava bom, mas o meu entusiasmo só apareceu depois de ver o teu. Não queria ter uma boa nota, nem queria louvores da professora, queria apenas contar-te a história mais bonita do mundo. Disseste-me que não deixasse de escrever nunca,porque escrevia bem.


Se tu soubesses, ainda hoje faço dançar a tinta negra de uma caneta, que desenha no papel formas do alfabeto e nessa dança aparecem as palavras que já lá estavam antes da tinta as revelar. Ainda hoje abro um ficheiro de Word e primo as teclas que comandam o aparecimento de caracteres nos cristais líquidos do écran. Ainda hoje, tanto tempo depois de teres desaparecido.

E sempre que o faço lembro-me das palavras que disseste nessa tarde antiga, lembro-me que um dia te quis contar a história mais bonita do mundo.


Um beijo cheio de saudades...


Pai







Não trago boas noticias.
Saí do trabalho, e passei na pastelaria, comprei uns pastéis de nata, quentinhos, ia feliz só de imaginar a cara dele ao comer um.
Entrei no quarto e encontrei o meu pai, com um ar esgotado...quase a dormir.
Suavemente, sentei-me ao seu lado e ele deu logo pela minha presença.E então pude dar-lhe um beijo.Perguntei como se sentia hoje, disse-me que não muito bem.Com dores.E a sua expressão mostrava isso mesmo.Ele está a tomar ferro, e isso provoca alguma paragem no trânsito intestinal, o que não permitiu que pudesse jantar.Reparei pelo saco transparente que a quantidade de pus na urina aumentou novamente.Mesmo com todos os antibióticos...
Um dia andamos um passo para a frente e outro recuamos.Ou não soubesse eu que é assim...
Mas custa.Ainda pediu uma massagem nas pernas e ginástica, tinha os pés inchados.Hoje com os fisioterapeutas conseguiu sentar-se algumas horas no cadeirão ao lado da cama, mas isso cansou-o muito, porque não tem força.Mas a intenção é boa, é que não fique parado sempre na mesma cama.
Enquanto me contava isto,consegui que comesse a laranja, algumas cerejas, e um pastel de nata.No fim água e este foi o seu jantar.
O coelho á caçador ficou no prato...a olhar para ele.
Reparei que estava adormecido e por isso a visita não durou muito hoje, foi ele que pediu para descansar.E assim fiz.
Vim embora.
Desejosa de chegar a casa como todos estes dias, onde me sinto sempre protegida e onde repouso de um dia cheio e das idas ao Hospital.
Tudo isto também desgasta...o corpo.O coração, esse, vai-se aguentando bem.~
Um banho, uma música que gosto, jantar e depois sento-me aqui com aquela sensação de dever cumprido e respirando calma,preparo-me para contar ao mundo, esta minha e esta nossa história.Da Rita e do seu Pai.
E como me alivia fazê-lo.
Até amanhã.



quarta-feira, 27 de maio de 2009


Pai, hoje sento-me contigo na Lua...




Cansada e pronta para aterrar num sono bom e profundo.No céu uma lua brilhante e fina, onde me sento hoje, bem alto para te ver dormir, Pai.
Os dias, correm e eu só penso na hora de chegar ao Hospital, e estar com o meu Pai mais um pouco.Ontem não consegui entrar, mas hoje eram 19h estava a chegar.E tudo porque um senhor caridoso, forçou a porta do comboio para eu entrar...ou tinha-o perdido e chegado muito mais tarde.
Assim que cheguei, foi fazer a Barba pois o jantar estava a chegar.Foi uma aventura, apenas com um copo de plástico e água quente...e espuma por todo o lado.
Ficou outro...outra cara, outra disposição.Ajuda muito, quando se está doente, que nos arranjemos e sintamos bem.
Estava o meu primo de Sesimbra, que lhe fez imensa ginástica ás pernas...pois ele está sempre na cama.Ele saiu e eu fiquei.
Depois foi dar-lhe o jantar e ficar na conversa com ele, mais uma massagem no braço, outra coisa aqui e ali...tudo, mas mesmo tudo para que fique bem.
Sentei-me por fim e deitei a cabeça na beira da cama, estava cansada e hoje estou muito.Estivemos a falar sobre tantas coisas, ora ele se emocionava, ora se ria...anda assim com picos, talvez não seja o único...
Deixei-o com um abraço longo e beijinhos na testa.
Lá fora o sol punha-se de forma bonita, e não hesitei em ir admirá-lo antes de entrar no elevador para regressar a casa...ali do 6º piso a vista é melhor, via os carros apressados na Ic 19, via as pessoas que deixavam o átrio do hospital...imaginava quantas vidas ali dentro a sofrer, outras a nascer...um mundo ali.O meu pai, ali.Eu, ali.
Pelas ruas da minha cidade, desertas, hora do lusco fusco, subia eu no meu passo calmo, tudo a recolher.E eu ali, caminhava na minha solidão de fim de dia, enquanto espreitava as janelas abertas das casas, onde uma e outra família, comia reunida á mesa...e isso fez-me pensar na minha família.Muito.
Eram 21h30 estava a entrar em casa, exausta.Corri para o banho e jantei.O computador não ligava nem por nada e por momentos pensei estar bem arranjada com isto, mas depois de muito tentar ás 22h30, ligou-se!
Na janela, vejo uma lua, fina e brilhante que me chama, e eu subo até ela, sento-me lá, contigo, Pai.Vamos ver o mundo esta noite...olha tantas luzinhas lá em baixo.
Boa noite.

I don't know...



I Don't Know from ATO Records on Vimeo

Palavras que guardei.












Acerca de um dia que já passou, em que choveu...e em que as palavras ficaram guardadas,num caderno de mala, mas não podem mais esperar.



Sejam elas livres...e gritem de si.





Os dias escuros abatem-se sobre esta cidade ás vezes, o dia na sua luz que resta é apenas a que, a espaços, surge entre os prédios. Com o entardecer, pouco a pouco, a chuva miudinha transforma-se em noite. Penso em ti, mas não estou contigo. Penso em ti e estou com outra pessoa, mas na minha mente és tu quem aparece, saído da prateada chuva vespertina, e sinto-te tão perto que consigo cheirar o teu perfume.


De quem é o corpo que toco? De quem é a respiração que ouço tão perto do meu ouvido? E este corpo procura-me, fala-me, pede-me que o tome e esqueça tudo o que está fora desta sala, que deixe que o passado caia no esquecimento de um beijo.


E então compreendo que a distância é um conceito que não é compreensível para mim. Sinto-te tão perto e estás tão longe, tenho-o aqui e sinto-o a mil milhas de mim. A vida expande-se silenciosamente para além das grandes janelas molhadas, e as leis da física não são mais do que enunciados teóricos diluídos nas gotas destas janelas. Gotas que passeiam a grande velocidade nos vidros, e desagregam em tons e formas o sorriso que vejo à minha frente e os braços que me cingem para criar o som de outro riso e a luz de outro olhar.


Observo o semblante que tenho diante de mim, e ouço as tuas palavras entrecortadas que me sussurram ainda, hoje só há duas coisas no mundo para mim, tu e a chuva. Não respondo e fecho os olhos, porque não sei mais o que fazer ou dizer.

A chuva impetuosa cai cada vez mais forte, como se acometesse por todas as partes, anulando todas as distâncias, e imagino os nossos corações tocando-se, nós sob um chapéu de chuva que mal nos protege da intempérie,ou mesmo á chuva saltando as poças de água numa rua qualquer. Saio para a rua e penso que só a chuva pode levar consigo o que trouxe, e só me resta esperar por dias de sol em que saiba aproveitar o que tenho ao alcance das minhas mãos.

As luzes dos candeeiros já se acendem e caminho sob a chuva crepuscular, cai a noite e apesar da escuridão e do frio este é para mim um doce entardecer, pois transformou-se na perfeição da tua lembrança.




Escrito no miradouro da Polux em Lisboa...

terça-feira, 26 de maio de 2009



Esta luz pequenina, vou deixá-la brilhar...












Atrasos e mais atrasos, comboios perdidos, passos lentos, os meus.Como ás vezes sinto saudades de andar depressa e correr.


Acabei por chegar ao hospital ás 19h40, e já não me deixaram subir.
A partir das 19h30, ninguém sobe...E por mais que implorasse, não recebi um sim.


Hoje, não vi o meu pai.Hoje ia fazer-lhe a barba.Não fiz.


Hoje durmo com o coração mais apertado.E sei que ele também.


Mas pelo que disse a minha mãe, ele está na mesma.Calmo.


Mas os meus olhos vêm coisas que a minha mãe não vê...e vêlo é sempre diferente.


Amanhã, vamos ver se consigo, esta semana a sair ás 18h, termina na sexta.
Se lá chegar, faço uma festa...


Agora, com a vossa licença, que vou a um banho, que já estou a precisar, depois jantar e sossegar.


Aqui no meu cantinho, onde me sinto tão segura...

Olhando atrás












Em algum momento conhecemos as pessoas que nos marcam para sempre, e quando sabemos que as vamos perder é como se gravássemos na memória o máximo de informação possível, para que nunca desapareçam verdadeiramente.


Depois vieram os copos, os brindes, as canções, as mentiras que dissemos entre todos... porque nestas ocasiões os amigos mentem acreditando que dizem a verdade. Com cada adeus a sensação é a mesma, passam meses e anos, e as noites são como poços de esperança de encontrar quem já passou, e as tardes nada mais que caminhos cheios de ausências.
Mas há que dormir nessas noites e caminhar nesses caminhos e encontrar a força nos abraços, e ter a certeza definitiva de que estivemos juntos alguma vez, cruzando esse mundo e sendo felizes.




Parallelostory



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