terça-feira, 14 de julho de 2009

O cúmplice e irrequieto silêncio entre nós.









É o mês dos regressos, como se todos fossem emigrantes em parte incerta.É o mês de os receber de braços abertos.
Por meados de Agosto já cá devo ter os amigos mais lindos, que estão espalhados pelo mundo.
O ano passa e o pensamento toca-os muitas vezes.Não resistem a este sol, a este calor, a esta luzBoa!A este ambiente de festa, a estes petiscos...Lá fora ganha-se dinheiro, abrem-se horizontes...mas é aqui que tudo sabe melhor!
Há saudade, há lembranças que fazem sorrir e ao mesmo tempo uma confiança que nos diz, que o tempo e a distância nada desfazem, mas tudo unem.
Há conversas que condensam tudo o que se viveu durante o ano, há aquela lágrima que esperava por nós, o abraço e por fim o sorriso que leva á loucura de rebolar na relva, num dia de sol, de atirar areia, de caminhar lado a lado, na certeza de que as partidas estão para breve, mas ficará sempre em porto seguro a nossa amizade, aquilo que se viveu...e ainda está para vir.
Não há nada melhor que partilhar com alguém que não víamos há tanto tempo, o que temos vivido bom e mau e o entusiasmo com que o fazemos...porque na verdade apenas não nos vimos durante largos meses, mas estivemos sempre lá e como isso se sente.
E entre o ver e o sentir, há grandes diferenças.
Há quem se veja todos os dias e não nos faz sentir absolutamente nada.
Há quem se veja, uma vez no ano, e todos os dias apenas de pensarmos nessas pessoas, tudo se remexe por dentro.
A simples existência de alguém é algo muito belo e que nos transcende de certa maneira.
As horas com vocês deviam esticar. . .

Phamie gow - War song


War Song




Porque me encanta sempre, escutá-la!

Porque desta Guerra vem uma enorme Paz!


Danças com História

















Danças com história, que me encantaram e me fizeram viajar muitos séculos atrás.

Foi deslumbrante...o cuidado e a forma como cada passo desta dança nos deixa presos...e nos remetem para um tempo em que todos os gestos tinham uma leitura diferente.

Os sinais eram outros...e aprendi muito, acerca disso, eu que leio sinais em todo o lado.

Os trajes são réplicas fiéis do que se vestia na altura...tal como penteados, expressões...modos de estar.É fabuloso.

Foi na excelente companhia da Lu, e dos seus pais, que fomos no Sábado até Montelavar e nos deslumbrámos com estes passos mágicos e sons quase divinos.

E mesmo que as noites estejam frias...e não nos façam sentir verão,momentos assim, vão sempre lembrar verões passados e viagens no tempo que já lá vão...mas marcaram.


Esta foi mais uma...sem tirar os pés do chão!

Do fim de semana e do Pai










O fim de semana, foi um tempo para mim, que mesmo cheio de outros e tempo para os outros, foi tempo para mim.

Dei comigo a contemplar um pôr do sol, ao qual já me habituei, ali no Telhal.Dei comigo a escutar o som da água a correr de olhos fechados e a sorrir, dei comigo a dançar por dentro.

Por várias vezes, me vi a reflectir e a pensar em cada passo que tenho dado e ainda quero dar.

Abraço projectos, entusiasmo-me com outros tantos.Abraço pessoas, e entusiasmo-me com todas elas...e quanto mais as conheço mais quero conhecer.

Vale tanto a pena, quando nos damos e quando arriscamos partir, ficando.Porque é quando se fica que se parte verdadeiramente.Descobri.




E ficar, tem sido aquilo que tenho feito, pelo meu pai, por mim.

Hoje, quando cheguei ao hospital,estava a comer.Comida,leia-se!Sólidos.Não comeu muito, mas já é muito bom.Assim não fica tão fraco.

Hoje estava também muito animado.Melhorou a olhos vistos...de repente.

Conversava, ria-se, queria falar muito.Assim o escutamos e acalentamos os sonhos que ainda tem e não perdeu.Que bom!

Entre muitos e bons saliento este:

Quer comprar uma cana de pesca, para ir para a barragem pescar e diz mesmo, que quando voltar a andar, será a 1a coisa que vai fazer, quando sair dali.

Esta noite, sonhou com sardinhas de água doce, porque um senhor lhe falou nisso e disse que eram muito boas, e o meu pai, á semelhança dos ditos chicharos, ficou a falar nisto.

Disse-me que as via a saltar prateadas e grandes.Quer comê-las com bastante cebola ou fritas!Imagine-se para o que lhe deu.De facto o meu pai, surpreende-me, porque tal como eu, estes desejos e pequenos sonhos tomam conta dele de um momento para o outro e ele vibra tanto com tudo, que contagia todos.Tenho impressão que todos os doentes do quarto estavam a querer comer sardinhas de água doce naquele momento e discutiam qual a melhor forma de as cozinhar.Mas também coitados, a comida ali é péssima, facilmente se sonha com um pitéu!

E é isso mesmo que vou fazer, procurar as ditas sardinhas de água doce, que vêm de uma barragem ao pé do Torrão no Alentejo, e cozinhá-las e levar-lhas.Nem que tenha que lá ir.

Já o conheço, sei que falará nelas a semana toda.

Por isso amigos, se souberem onde se vendem aqui em Lisboa, ou arredores, apitem...

São os últimos desejos que lhe posso satisfazer e vou ao cabo do mundo se for preciso!

Tudo o que quero é vê-lo sorrir.





Boa semana!


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pai


Faz hoje 4 dias, que o meu pai não come.Vomita tudo.
Forças para falar, também não são muitas.Cansa-se.As minhas visitas, têm tido mais presença e silêncio do que palavras.Fico ali a olhar para ele,vendo-o adormecer, ajeitando a almofada...dando água.Mas não há grandes diálogos.
Mas isso também é estar.Também é amar, ao passo que se sofre e se regressa a casa em numa espécie de mudez.
Hoje, vou para o Telhal, lá, onde os pensamentos se ordenam e a alma se acalma, alguma coisa encontram-me por lá.

Bom fim de semana.

quinta-feira, 9 de julho de 2009


O segredo está no Amor.









Se eu quisesse, não poderia enumerar o número de vezes em que me surpreendi nos últimos tempos e ao longo de toda a minha vida.Comigo, com os outros, com a humanidade mas sobretudo com as vezes que fui feliz.

Podia querer contar estas vezes, mas é tudo tão rápido e eu não estou realmente a tomar nota, por isso vai-me tudo passando subtilmente, mas profundamente. Não as surpresas, mas a sua contagem.

Tenho falado com algumas pessoas nos últimos tempos sobre o facto de se ser muito selectivo ou esquisito com aquilo que nos faz feliz.Quando se consegue ser tão feliz, com muito pouco.Tenho falado com pessoas que acham que já não merecem ser felizes ou que acham que não voltarão a sentir-se completas.Ou porque não têm o nivel de vida que queriam...e isso lá é felicidade?

Tenho encolhido os ombros quando penso sobre pessoas que buscam a felicidade, comparando o que têm agora com aquilo que um dia tiveram. Pessoas bonitas, inteligentes e independentes não deviam duvidar das suas qualidades e, muito menos, do seu direito a ser feliz.
Por estes dias, fizeram-me uma pergunta:" Como consegues, ser tão feliz, mesmo com tudo o que tens vivido e estás a viver?"
Segredo, não há segredo...eu não corro atrás da felicidade, mas vejo-a sempre, em tudo.Por pior que seja o cenário, há sempre algo bom...e o bom é o Amor, com que se dá, com que se diz, com que se olha, com que se deseja, com que se vive!

Procurem menos. Olhem para quem está à vossa volta, a resposta costuma estar subtilmente escondida por aí. Não escolham, deixem-se levar. Deixem-se convencer de que o que estão a fazer é uma loucura saudável. Não procurem, de todo. Deixem de idealizar. Deixem que vos amem e que vos adorem sem qualquer razão especial.Mas lutem pelo que acreditam ou podem perder tudo.Parados não chegamos a lado nenhum.Ao contrário morremos por dentro.

Dêem tempo a tudo: às interrogações que vos vão assaltando, às fantasias e ao desejo se o sentirem a crescer, à vontade de mudar, à misteriosa sensação de que tudo pode estar a mudar. Enviem mails só para dizer, Gosto de ti, ou louvem o dia com uma canção...andem descalços na relva, tomem banhos de mar, com a roupa, abracem sem fim,olhem as cores do céu, andem á luz da lua, façam o que o vosso coração disser.

Não rejeitem o carinho de ninguém. Deixem-se apoiar. Aceitem convites para ver o sol pôr-se, lanches, passeios, fins de semana ou para 3 dedos de conversa e um café.

Encarem o sofrimento, e transformem-no em amor. Passem ao espelho o tempo suficiente para se sentirem radiosos. Não estranhem o brilho do vosso olhar. Convençam-se que as borboletas na barriga vieram para ficar. Suspirem o tempo todo. Ouçam a minha avó quando ela diz que, o que é nosso, às nossas mãos virá. Se tiverem vontade de dançar, pulem.
Não contem o tempo que demorou até serem felizes, mas agradeçam o que já foram e sonhem com o que ainda têm à vossa frente. Arrepiem-se com a música. Descubram poemas na vossa cabeça. Não estranhem se chorarem de alegria.E saibam chorar de tristeza e aliviar a alma, quando assim tiver que ser e nunca se envergonhem daquilo que são.

Às vezes, o amor chega e nós, destreinados e incrédulos, não percebemos.
Ser feliz também é deixar que nos amem. É arriscar mais um falhanço para descobrir o que nos faltava. E dizer sempre, sem pensar no que isso quererá dizer amanhã.Porque se tivermos coragem de seguir o nosso caminho e presseguir os nossos sonhos vamos perceber que...

O amor é e sempre foi aqui e agora.










(Atenção, eu, nada sei...sei apenas da minha alma ;)

O sal da Língua






«Escuta, escuta: tenho ainda uma coisa a dizer. Não é importante, eu sei, não vai salvar o mundo, não mudará a vida de ninguém (...)Escuta-me, não te demoro. É coisa pouca, como a chuvinha que vem vindo devagar. São três, quatro palavras, pouco mais. Palavras que te quero confiar, para que não se extinga o seu lume, o seu lume breve.
Palavras que muito amei, que talvez ame ainda. Elas são a casa, o sal da língua.»




Eugénio de Andrade

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Feira Medieval em Sintra



Chegou o verão e começam também, por todo o país as feiras medievais.
Cativam-me.
Lugar onde se pode encontrar, 1001 coisas únicas, que não se encontram com facilidade.
É curioso como reconheci um ou outro artesão, de outras feiras...e como os seus produtos, feitos á mão, são de facto de qualidade e ainda me duram nos pés, nas mãos, ou pendurados ao ombro.
Também os doces são únicos e conventuais, sem açucar adicionado, mas aproveitando o açucar, dos frutos.A ginginha em copo de chocolate também não faltou...a fogaça, o pão com chouriço, os doces de amêndoa...e estavam deliciosos.
Ali encontra-se sempre, aquela peça assim meio arcaica,imperfeita, mas por isso bela.Aquele som, remoto, mas tão forte que nos desperta.Ali dá vontade de bailar e deixar sair a energia...
Ali há sempre um cruzar de culturas e saberes que me apaixona...me enche de magia.As crianças correm, com coroas de flores na cabeça, mais parecendo fadas, os brilhos da lua reflectem-se nos lenços árabes e ouvem-se guizos por todo o lado.Há de tudo.E gente, muita gente.
Porque é verão, porque é tempo de celebrar a vida, mesmo com tudo aquilo que nos custa, eu estive lá...dei uma fugida, do Telhal, durante o fim de semana...e foi uma noite esplêndida, para acabar um dia cheio de coisas boas.
O sorriso não me deixa mentir...e a alma também não.






















Plim*

terça-feira, 7 de julho de 2009


Telhal.Está tudo dito.























































Parece que me apaixonei.Por uma obra,por uma história, por uma casa, por rostos e vidas muito concretos.
E quanto a isso não há nada a fazer.
=)



News




Estou de volta...


O fim de semana, foi no Telhal...embrenhada em alegria e hospitalidade.Há muito a partilhar, mas sinto-me ainda a assimilar.


Muitos amigos, tantas descobertas, cansaço por não parar, mas paz interior.


E finalmente, chegou hoje o meu portátil, com uma nova memória e uma nova drive...

Estava bem mal, para 3 meses de uso.


Este blogue vai voltar á normalidade...e há coisas acomuladas para partilhar.


Há muita coisa boa a acontecer na minha vida, de repente...sinto-me feliz.

Aceito os caminhos que surgem e não me recuso a percorrê-los.

Afinal também eu sinto, que é por ali.


E muita paz, numa altura destas, é essencial.


Por tudo isto, apenas digo, Obrigado.
E deixo-me assim, abraçar por esta lua cheia...e pelo fresco da noite, certa, que o futuro é um lugar, bonito, mas o presente é onde realizo aos poucos os meus sonhos.


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Quando tudo se vai tornando familiar...





(IPO 2006)




Em gestos quase mecânicos, encaminho-me para o hospital.Um caminho igual todos os dias, com rostos que se repetem, com lugares e imagens sempre iguais.É, quando se cai numa rotina como esta, reparamos em coisas, que nunca antes fariam sentido para nós.Ás vezes, quando estou a caminhar por aqueles corredores, penso, na forma como o faço, com a mesma segurança, de saber onde estou e porque estou ali.Umas vezes, levo sem dúvida o semblante mais carregado, outras mais leve.Eu não me dou conta, mas há quem me veja por ali.Hoje a senhora das senhas, disse-me antes que eu abrisse a boca:"Já sei, piso 5, cama 12..." e eu esbocei um sorriso acenando que sim.Depois entro sempre no bar, para comprar uma garrafa de água fresca ou qualquer outra coisa, e só hoje reparei que senhor me cumprimentou como se eu fosse cliente habitual:"Olá, o que vai ser hoje?"

Ás vezes sinto que aquelas paredes, me conhecem.E eu não queria que fosse assim.

Mais á frente no corredor antes de chegar ao elevador, estava um senhor de andarilho, encostado a uma janela, a fumar o seu cigarro, olhando para as pessoas que passavam com sacos, a caminho da visita com os seus doentes.Ele estava ali sozinho, com um olhar abandonado...querendo distrair-se por certo.Disse-lhe boa tarde e sorri.Ele respondeu e senti a sua admiração, pois ali onde passa tanta gente as pessoas se limitam a olhar para ele, em pijama e debilitado.Olham,mas esquecem-se que um dia poderão ser elas ali, junto á janela.Eu sei o que é estar fechado num hospital e sei que qualquer brilho nos move...qualquer sorriso faz a diferença.

A visita de hoje, foi no entanto diferente.

Achei o meu pai muito agitado.Pedia-me para por a cama para cima, no comando electrónico, mas depois irritava-se porque afinal não era tanto assim.Depois quando punha para baixo, queria mais para cima.E quando pegava no comando, carregava nos botões errados, fazendo mover a cama em todas as direcções, menos naquela que queria.Quando veio o jantar, pediu para por o sal na sopa, como todos os dias.Coloquei e mexi, quando a provou disse que estava salgada.Depois penicou os hamburguers, que pareciam pastilha elástica e mal comeu o puré.Enquanto fazia isto, ia reclamando com a comida do hospital, que "os doentes não são cães.São pessoas"Quando retirei da mala fruta cozida, acalmou.

Acabou de comer e não quis lavar os dentes, como normal.Não insisti.Estive sempre pacientemente a ver qual a melhor forma de o agradar, fazer sentir-se melhor.Mas por várias vezes, estive para desabar e chorar ali mesmo.Dei uma voltinha ao corredor, respirei fundo...e voltei.Sentei-me mais 10 min, ao lado dele, vi as noticias a começar e depois vim para casa.

Eu sei, sei muito bem, que custa muito estar há quase 2 meses, preso a uma cama, dependente e sentir que a vida se vai, que já não se tem o controle sobre si mesmo...eu sei.Este estado de irritação é até um direito que lhe assiste, dadas as circunstâncias.

Mas mesmo assim, custa-me horrores, quando se zanga comigo, por coisas tão pequenas.

Regressei a casa, completamente alheada, da realidade,com vontade de voltar atrás e abraçar-me a ele.
Para sempre.


Bico de lacre no céu



Cá em casa, desde sempre, os únicos animais de estimação, foram pássaros.
Nunca me deixaram ter um cão...porque moramos no 3º andar e o animal ficaria preso aqui.Mas como nunca chegámos a ter um quintal, o cão também não chegou.Um dia vou ter um...ou dois.
Mas aqui houve histórias engraçadas, desde um periquito que assobiava o hino nacional,a uma piriquita que durou 7 anos e que passeava pela casa toda, e sabia ir para a gaiola sozinha.Um dia deixei a janela aberta e a porta da gaiola também, quando entrei na cozinha, do alto dos meus 9 anos, só a vi voar pela janela fora, rumo á liberdade.Chorei nesse dia como se não houvesse amanhã.Não esquecendo, um bico de lacre, que tivemos que cantava divinamente bem e se chamava Pavarotti e morreu no mesmo dia que o próprio cantor de ópera.Estranho.

Por fim tivemos 2 bicos de lacre, ela morreu há uns meses, com uma perna inchada, já nem se mexia.Ele, foi durando, a cantar aos saltos logo pela manhã, assim que me via entrar pela cozinha, mesmo que estivesse desgrenhada e pálida, ele cantava da mesma forma, com o mesmo entusiasmo.Era fiel sim senhora.Os humanos não são assim, ás vezes.

Ás vezes dava comigo a falar com ele, enquanto fazia coisas na cozinha e deixava-me rir.O som dele, passou a fazer parte esta casa, como o abrir a porta e ouvi-lo...

De há uns dias para cá, senti-o doente, muito paradinho, no fundo da gaiola, sem reagir aos meus insultos meigos...

Hoje, acabou por morrer, e está esticado no fundo da gaiola.Tenho que ir meter umas luvas e retirá-lo dali.

Não sei se isto tem a ver com a fase que estou a viver, mas senti-o como um presságio.

Espero que não.Mas costuma-se de dizer, que os animais sentem tudo primeiro do que nós...e ás vezes é neles que as coisas acontecem primeiro.

Seja como for, vou sentir falta daquele canto, a acordar a casa, logo que raiava o dia, ou dos saltos frenéticos quando me via...ele gostava de mim e eu também gostava dele.

Vou ver se compro outro bichinho diferente...aceitam-se sugestões.

(Oxalá eu me engane...e isto seja um crença popular, parva e sem fundamento.)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Hoje.


(Castelo de Porto de Mós, 2005)



Dia decisivo, em que se fechou uma porta em prol de outra.Mas a chave com que se fechou, tem coração...e abrirá ainda muitas portas,pela vida fora.
Isto de correr atrás de um sonho tem as suas implicações e escolhas.
Dia em que recebi uma confirmação...mas que não me vai fazer desistir.Pelo contrário.Fiz o caminho que fiz,entreguei-me como me entreguei, congelei a minha vida...e agora é esperar.
Se antes queria, agora quero a dobrar.Se antes lutava, agora luto ainda com mais força.E nem eu conheço a força que tenho.Mas tenho.
Eu nunca hei-de baixar os braços, pelos meus sonhos, por aquilo que em que acredito e pelos que amo.E para isso há coisas que ficam pelo caminho.
Mas como dizia alguém, a vida não são só rosas, ainda que eu teime em vê-la sempre, cor de rosa.Afinal, eu não escolhi dias cinzentos...ninguém os escolhe.Mas quando vêm, temos que os pintar das mais vivas cores e contrariar a escuridão.Desta vez tocam-me a mim, esses dias e eu olho o céu, anciosamente, esperando o sol.
E se não for por aqui, será por ali.Mas será.
Caminhos não faltam, quando a vontade é maior.
E eu sempre ouvi dizer, Deus fecha uma porta,mas abre sempre uma janela...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Madrugada que me acordou.








É madrugada, eu acordei, depois de ter adormecido a ver um filme, que me tocou.

Não quis voltar para a cama, mas sim escrever.Aproveitei ter ainda o computador ligado, pois, é por estas horas que as palavras melhor se encaixam e fazem sentido.Há uma frescura nestes momentos que não sei explicar.

O fim de semana, teve de tudo.Tempo com o meu pai...e um olhar sobre a forma como vai perdendo capacidades e por isso, uma dor mais funda no meu peito.

Uma seca de café concerto, mas que foi abrilhantado pela presença dos amigos...e pelo que sempre nos faz sorrir, não importanto o local.Obrigado Lu,Shed e Quintão...pela vossa presença.

Um sábado cheio de coisas diferentes,onde me permiti ter tempo para mim...fui dançar e deixar que o inesperado tomasse conta do momento.Há muito tempo que não o fazia.E que bom foi partilhá-lo com o Luís.

Uma tarde de voluntariado, em que tento que estejamos todos a remar para o mesmo lado...para sermos mais fortes.O céu cinzento não ajudou...e deixou-nos a todos mais down.E isso sentia-se em nós e nos doentes sobretudo.Mas nada que as cordas de uma viola não acordem...não mexam.Nada que um abraço ou expressão do Deodato não resolva e anime, quando me diz:"oh Ita, miiiiga...!"

Hoje, um doente disse-me olhos nos olhos, que á noite quando se deita, lembra-se sempre de mim e do meu Pai e que vai continuar a fazê-lo,porque gosta muito de mim e quer que eu seja feliz a sorrir.

Eu fiquei mesmo a sorrir olhando para ele, agradeci com um abraço mudo, mas sentido.Ele deu-me a força que alguns amigos não dão, da forma mais simples que pode existir.

No Telhal as relações humanas, estreitam-se, os projectos existem e têm pernas para andar e isso dá-me fôlego.

Ao chegar a casa, tarde, sinto-a vazia.E reclamo a presença do meu pai.

Sinto que já não sei o que é estar em família, há tanto tempo.Estarmos juntos á mesa por exemplo.Os horários andam desfasados, passamos todo o tempo livre que temos no hospital em "turnos" diferentes e há um desgaste visível.E assim, inevitavelmente, fui ver um filme para a cama dos meus pais, agarrada á almofada do meu pai, que cheira bem e me faz senti-lo mais perto.Por algumas vezes senti as lágrimas quentes a rolarem pela face e a serem absorvidas pelo tecido...e deixei-me por ali ficar e adormecer.

Depois acordei, e foi quando o coração me pediu para escrever.E aqui estou eu, pronta a entrar num novo ciclo, que não sei bem como vai ser, por estar neste momento congelado,embora o gelo seja transparente e lá dentro de possa ler a palavra, SIM.Todos o podem ler em mim, até senti-lo, mas não o posso concretizar,ainda.

E quanto a isto, nada posso fazer, senão esperar,confiar e cumprir a minha missão neste momento.

Amar o meu pai, até ao fim.

E depois sim, Amar o Mundo e quem vier, até ao fim, de braços abertos e sorriso no rosto, por igual.






Boa semana.

sábado, 27 de junho de 2009

Telhal, Bons Momentos


(Domingo Passado)



Infelizmente, as fotos com os doentes, as mais bonitas não posso partilhar aqui.Expor o seu rosto é uma regra essencial de preservar a sua identidade e de os respeitar.


Ficam então os bons momentos de alegria entre os voluntários.


Numa ida ao café, debaixo de um calor abrasador, valeu-nos a água fresca, a 50 cênt, as minis a 70 cênt, e os cafés a para não adormecer, a 50 cênt e ainda a música do Jorge.Viver no campo é que é bom!


Sim, ás vezes precisamos de intervalos para desanuviar...














A alma Musical...










Um pôr do sol, fabuloso que eu pude tocar...












O Luís...











Jantar, retemperar forças e descompensar também!








O Jorge a cantar ainda mais animado, com um VINZINHO, para beber...










Eu, com o chapéu do Jorge e os óculos do Luís...já não estava muito boa, depois de um dia em cheio, precisamos brincar um pouco...rir.










O Telhal como uma casa...onde sempre nos vamos sentir assim, bem.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Comunicado







(Casa do Alentejo,2008)




Caros Amigos e seguidores deste blogue...


Venho por este meio informar, que estou sem Portátil.É verdade, uma excelente compra que eu fiz...que depois de 3 meses nas minhas mãos, não funciona.É de qualidade.

Ele até liga, mas não aparece nada no ecran.Nada.

Pois o sortudo, vai viajar até Espanha, ficar 15 dias ou mais longe de mim,numas férias merecidas na sede da HP...(snif,snif) e depois voltar para as minhas mãos, são e salvo.Espero.

Até lá, escrevo-vos de uma torradeira, que me enfeita a secretária e mal me deixa espaço para nada, um Pentium II, velho e lento, irritante, que leva 10 minutos a iniciar.Não é normal.

Mas melhor que nada.Impressionante como somos todos dependentes das tecnologias.Até me vai fazer bem assim uns tempos.Não virei tanto á net e nem vou escrever com a mesma frequência, porque isto é velho e não dá vontade.E assim até vou pegar naquele livro que não acabei e quem sabe voltar a escrever á mão, num bloco, por aí?

E para mim, escrever é tão importante, como matar a sede.Exercício de lucidez e massagem na alma.

Ainda assim darei noticias, ainda que sejam mais curtas.

No fim deste mês, ficarei mais livre fechando outra página,outra etapa...e em Julho, se tudo correr bem, estarei a viver em comunidade missionária, em Monforte, Portalegre, preparando-me para o futuro.



Até breve!


quinta-feira, 25 de junho de 2009


São Rosas...





(Veneza 2007)





Acordar e pensar, "Hoje o meu Pai faz anos!"



Apetecer-me gritar bem alto, que ele faz anos e é um Pai fantástico, uma alma sensivel e boa...e que não merecia estar assim, no seu aniversário, como em dia nenhum.



Abeirei-me da florista, devo ter ficado uns 5 min, a olhar para todas as flores...numa outra dimensão.Reparava nas cores, nas formas, no que me transmitiam ao passo que, o cheiro tomou conta dos meus sentidos."Se faz favor?Posso ajudar?"...acordei.



Acabei por escolher, rosas brancas,para levar paz, num arranjo simples, envolto em papel vermelho...estava bonito e alegre, para dar cor aquele quarto.



Depois de caminho, segui para a pastelaria, onde enchi uma caixa de miniaturas,para lhe adoçar a boca, apesar da minha mãe ter feito um bolo para levar.



E por fim passei no fotógrafo, para ampliar uma foto nossa, onde apenas dizia: PARABÉNS PAI, AMO-TE MUITO!"



E apenas isto, consegui dizer e consigo.Não haviam mais palavras em mim, para o dia de hoje, que passou.



O fotógrafo, perguntou, quem era o senhor, se era meu Pai, ao que disse que sim.No fim, depois de me entregar a impressão, despediu-se com um "Espero que tenham um bom resto de dia e que ele tenha muitos anos de vida, para aproveitar a filha que tem..."Não sei se foi um piropo, ou não,ele nem me conhece,mas fiquei fixada apenas nos "muitos anos de vida..."pensava como nestas alturas as palavras deviam ter poder e transformar os nossos desejos em realidade.



Era isso que pedia, muitos anos de vida, para o meu pai.



Depois fui para o Hospital, com o meu melhor sorriso, cá dentro.



Cheguei e os olhos do meu pai, fixaram-se nas flores.Abracei-o e cantei os parabéns baixinho enquanto o abraçava.Adorou aquele pedacinho de cor...que coloquei em água na janela.Depois arrumei os bolinhos na gaveta e por fim ele abriu o Postal.Sorriu e deu-me um beijinho emocionado.Aquele sorriso vale tanto.



Passámos a tarde a conversar.Era ali que queria estar, nenhum outro local do mundo seria melhor que aquele.Ainda que seja num hospital e com o quadro clínico que temos.



É ali que está aquela pessoa linda, que me deu a vida...e fez com que eu me tornasse na Rita,que hoje sou.



Recebeu as visitas de todos os dias, e algumas extra...o fim do dia chegou depressa e voltei a casa meio dormente.Numa espécie de bolha, só minha, onde os sons, as cores, tudo é mais distante do mundo, lá fora.



Pela noite, saí para tomar café...e espairecer, mesmo que não fosse o meu ambiente, os meus amigos.Ás vezes, estar com quem não se conhece é o que precisamos, ouvir outra música, sentir outro pulsar e pensar que de facto o há dias em que o mundo será sempre pequeno, para cada um de nós.



25 Junho 2009



E hoje, a única coisa que consigo dizer...




PARABÉNS PAI!
Amo-te tanto!