terça-feira, 9 de junho de 2009

Some News about me...my life, my plans!













O meu Pai hoje, conheceu a Ana Lu.

Diga-se de passagem que foi um encontro muito bonito.

Eu sabia.Foi bonita, é bonita, a forma como as pessoas aos poucos vão conhecendo o meu pai, e ele as vai conhecendo.Embora sempre tenha ouvido falar delas.

Belo, como aquele cantinho no hospital, onde se encontra, é acolhedor, pela sua presença.Iluminado.

Hoje, voltei a deixá-lo com um sorriso brilhante e como isto me deixa tão feliz!

Segui para o Telhal, onde o recital de poesia correu muito bem, bem como as canções que livremente foram surgindo.Até eu, cantei, até o Alberto cantou...foi muito bom.

Alguém que não fala, poder exprimir-se á frente de um microfone a sorrir é uma pequena vitória.A alegria nasce do pouco mas muito que se faz.

O Luís e o Paulo apareceram e para o Paulo foi uma novidade conhecer o Telhal.Claro que levou logo um abraço de gigante do Deodato que faz amizade rapidamente.Uma realidade que nunca tinha tocado, mas á qual se abriu imediatamente e muito bem.É bom dar a conhecer este mundo que poucos querem tocar.Foi um momento de muita alegria,para todos.

Depois seguimos para um cafézinho na nossa "Zona única", perto da minha casa e o nosso mais recente refúgio.

Como é bom juntar á volta da mesa os amigos e deixar fluir aquilo que em nós há e saber que são o nosso suporte, como anjos da guarda.

Amanhã se o sol brilhar, teremos um dia de praia, senão um dia de passeio.

Bom feriado.

Aproveitem...




Sto.António!
Já cheira a santos Populares.
E como não podia deixar de ser, no Telhal vai haver festa.
Hoje, dia 9, pelas 20h, vai haver poesia e chá, no bazar.Apareçam.

No dia 12, véspera de sto.António, SEXTA FEIRA, na unidade de sto.António, a partir das 14h haverá jogos, ás 16h missa, depois lanche/Jantar.Animação é garantida.

Vou dançar com o Deodato até que me doam os pés e assim deixar que a alegria me invada...

Quem quiser aparecer, venha daí, depois seguimos para Lisboa.Noite de sto.António.

Espero ver-vos por lá!!!

Brilliant!

É o próximo filme da minha lista.

E porque hoje a Lua também estava brilhante.

Tal como o sorriso do meu Pai,hoje.Brilhante.

Fica o Trailler e a música fabulosa.

domingo, 7 de junho de 2009


Dia e meio





O resto do dia de ontem foi um total inesperado...

A lua, vi-a nascer amarela no céu, cheia.Vinha ela por detrás do hospital no horizonte e eu a ir-me embora depois de consolar, satisfazer esta ou aquela vontade que o meu pai já não pode alcançar sozinho.


Bom, depois a noite foi para festejar o aniversário da Beta, que fez 30 anos...


Primeiro o jantar pelo Bairro alto, com muitas caras novas outras nem tanto e animação.


Valeu por ver a alegria da Beta, e como estava feliz, valeu por ter ido arejar...e me ter rido tanto, pela noite bonita que estava, pelas partilhas.


Mas tudo aquilo, música, luz, gente, me deixou um pouco estranha, o bairro é muito bonito, e tem muitos rostos, mas a realidade que vivo neste momento não me deixou alhear...e estar ali de corpo e alma.O corpo talvez estivesse...


Bom, depois do jantar, andamos um bocadito pelo bairro, a furar a multidão em busca de um cantinho onde se pudesse parar e conversar.Assim foi, com a luz da lua a reflectir-se nas fachadas de azulejos dos prédios...um reflexo que me levou muitas vezes para longe...















O dia de hoje, foi exercer o meu direito de voto e escolha.Esperando assim um futuro sempre melhor e mais equilibrado...para a nossa sociedade.

Depois lanchar e divagar em Belas, e a estrada para o Telhal estava tomada...os meus doentes á minha e á nossa espera e eu ansiosa pelo abraço deles...são lindos.São únicos,são belos, são puros.

No meio deles estou bem.Hoje o Sr.Domingos, que adora cantar o fado, passou o tempo a enfiar-me o pé de uma flor,na cara,nas covinhas e ria-se,feliz.Depois alguém chorava porque a mãe não ligava...um abraço de consolo, mas longe de ser o de uma mãe.Depois o castiço Deodato que fez anos no dia 4 de Junho, e eu não soube.Hoje porém, cantei-lhe os parabéns...cheia de alegria,pelo dom da sua vida.Uma vida que me enche de meiguice e doçura, apenas de pensar nele, o que muitas vidas próximas de todos os dias não conseguiram fazer.Há vidas que nos tiram tanta energia, que nos desiludem tanto...pelo desejo de perfeição.

Ali no Telhal a perfeição é relativa.Estar vivo uma dádiva.Não se corre para atingir os parâmetros da sociedade...

E como eu me sinto bem ali, na presença de Deus de uma forma simples.Muito simples.

E é isso que cá fora me rodeia, em muita gente, a falta de verdade e simplicidade...o querer parecer algo que na verdade não se é.

Sou o que sou pela graça de Deus.Cheguei até aqui pelo que aprendi...da vida.Com todo o amor e desamor que ela contém.E por fim faço a minha escolha pelo Amor.E o amor é sempre transparente.

Aprendo muito ali, de cada vez que entro no Telhal, já estou a aprender, com quadros que vejo...e ficam retidos nos olhos, mas vão direitos ao coração.Por lá ficam até que retire do que vi e senti a lição diária.

O segredo que cada dia traz...para a vida.





Boa semana.

sábado, 6 de junho de 2009

Meio dia














O dia já vai em meio, e eu já fiz e senti tantas coisas.
Já tomei banho, já saí para ir buscar os ditos chicharos a Telheiras, abracei a Carina e os Pais dela.
Tomei o pequeno almoço no Ikea, que estava cheio enquanto o céu lá fora ameaçava uma boa chuvada.
Haviam crianças e o dia a começar é sempre composto por elas...que nos olham com o seu ar feliz e surpreendido, quando tudo ainda é uma novidade.
Ao chegar a casa, a chuva caía e bem, o sol que eu pedi, não apareceu mas brilha de outra maneira dentro de mim...e pode ser que ainda espreite o dia.
Sento-me na cama depois de entrar em casa e toca o telefone, do outro lado bem do outro lado do mundo, de Timor, a voz doce da Renata.Que saudades...que novidades boas, que planos para as férias...e no meio de tudo isto, oiço os grilos a cantar do outro lado, como se estivessem já aqui.Sensação única esta.
Lá é hora de jantar e o dia acaba...aqui vai a meio.No meu coração ela está no mesmo lugar...
Agora é hora de arrumar o quarto e preparar o almoço.
Mais logo,estar com o meu pai e desejar que todos os dias sejam assim.Calmos e cheios de energia.Contando que, ainda não acabou.

Bom fim de semana.

sexta-feira, 5 de junho de 2009


Um dia comum,tem...














Tem,uma molha logo de manhã,sorrisos sinceros,amigos,Pai e muitos mimos,gargalhadas e multidão...o meu sossego ao chegar a casa e ao escrever estas palavras, boa música.

O dia começou chuvoso e acabou ameno.

A visita ao meu pai, começa a ser algo tão importante...sei que ele a espera tanto como eu.

Assim que cheguei notei logo que estava mais em baixo hoje, não da infecção, mas de ânimo.

Lá tive que o fazer rir e falar de outras coisas.Amanhã chegam a Lisboa os ditos, Chicharos...Obrigado a todos os que procuraram por eles e me esclareceram.

A Carina, da Freixianda, vai trazê-los já cozinhados e em sementes, para o meu pai dar ao meu tio, para plantar no Alentejo e para os comer e matar o desejo.

São pequenos gestos que fazem os outros felizes.Que me fazem feliz, por fazer feliz.

O meu pai nem vai acreditar quando vir os chicharos á sua frente.

Terminei o dia, rodeada de amigos, Alberto, Zé Paulo,Hercus,Luís,Bruno,João Nuno.Jantamos, e falamos de Timor, de tantas coisas.Quando saímos a lua ia alta no céu e os sorrisos pintavam-me por dentro.

Tenho que respirar mais vezes fundo, deixar-me ir, não agir apenas pela minha impulsividade...cuidar do bom e precioso que a vida me trouxe.Mantê-lo.

Amanhã começo cedo o dia...e alguns amigos vão visitar o meu pai.Vai fazer-lhe bem.

Espero que o sol brilhe...que o céu seja azul, profundo...isso ajudaria.



Boa noite.




Amanhã ao Pequeno Almoço...












Desperte connosco!
Venha tomar o pequeno-almoço à IKEA por apenas €1.
O pequeno almoço inclui:
*1 pão de sementes
*1 fatia de bolo
*1 fatia de queijo
*1 fatia de fiambre
*1 compota
*1 pacote de manteiga
*1 iogurte líquido
*1 café
Ou
*1 sumo
*1 salada de frutas
*1 pão de leite
*1 croissaint
*1 compota
*1 manteiga
*1 ovo mexido
*1 café
Poderá tomar o seu pequeno-almoço de 2ª feira a Sábado das 9h30 às 11h00, e aos Domingos e Feriados das 8h30 às 11h00.
Bom, amanhã vou lá...e depois quem sabe uma caminhada á beira mar, antes de almoço...
Chuva


Eu sempre gostei de em determinados momentos, andar á chuva...molhar-me.
Como isso me faz sentir livre e me lava a alma.
A água da chuva vem de longe, vem do céu e eu gosto de acreditar que mais do que tornar o dia cinzento e chato, esta água é vida...e nos coloca o mundo a brilhar.
Ping ping sem parar...mágico e de encantar.
Ouçam...



Eu não tenho que ser, nem por um dia, politicamente correcta.

1.Não é por ter 3ºs na visita com o meu pai, que vou parar de lhe fazer o que faço todos os dias.
São rotinas, que o deixam bem melhor ao fim de um dia na cama.Não entendo que tenha que parar...para dar atenção a uns minutos de visita que decidiram fazer.E por isso continuo a massajar as pernas e a cortar o bigode, e a cirandar em torno da cama, pedindo a quem se instalou que o permita e ainda perceber que se sentem incomodados.
Haja paciência!


2.Também não me parece bem, que alguém me convide para tomar café, para estar comigo e depois desista uns minutos antes porque se aborreceu e fez birra...amuou, com palavras que ouviu que não caíram bem.É um direito é certo, e cada pessoa é uma pessoa, mas é algo que a amizade supera...se ela existe!
Não tenho paciência para birras,adultas.Apenas de crianças...essas curo-as bem.
Estou um pouco farta de ver gente chatear-se por razões mesquinhas, quando a vida são dois dias e de um momento para o outro, lá caímos por exemplo no meio do oceano, dentro de um avião ou ficamos presos numa cama de hospital.
E aí, vale a pena continuar a chatearmo-nos e a amuar?
Não percamos tempo de vida...horas de felicidade.

3.Já que estou numa de reclamações, não acho bem, que coloquem autocarros gratuitos e frequentes, para os centros comerciais e para o hospital, um serviço público e necessário, passem de hora a hora, falhem por vezes e se pague o balúrdio que é, apenas para percorrer dentro da mesma cidade um percurso até curto, mas perigoso aos peões.
Ora, pessoas que fazem tratamentos e se deslocam lá todos os dias enfraquecidas, idosos, mães com bebes, precisam de mais apoios...visitas aos doentes, etc...estas pessoas sim, precisam de um autocarro gratuito.
Deixem-se lá de autocarros para os centros comerciais...afinal a crise existe mesmo?Eles não param de crescer...


E muito mais teria para dizer, hoje, mas já é tarde...e isto não vai mudar grande coisa.
Apenas me vai aliviar.
O que já é bom.





Grrrrrr.....aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhh


quarta-feira, 3 de junho de 2009


Pai











Os dias deixam-me rodeada de amigos, com quem vou absorvendo a realidade externa a toda esta minha realidade interna.
Voltinha aqui, cafézinho acolá, chá aqui em casa, conversa pela noite dentro enquanto se conduz,(Obrigado Paulo), vai-se dizendo sem nos apercebermos o quanto de bom nos habita e nos faz recear, ou o que nos encoraja a seguir caminho.
E assim, vou rebentando a bolha onde ás vezes me vejo a flutuar, dormente.
Sobre o meu pai...hoje.
Que posso dizer mais?
Febre,desidratado,a infecção não cede nem por nada...mas bem disposto, apesar de tudo.
O mesmo ritual,massagem nas pernas e no braço, jantar,o mimo de um queque de maçã e lavar os dentes, adormecer, venho embora, mais reconfortada, por ter estado presente nesta rotina, com todo o meu amor.
Mas sobretudo por olhar para ele do mais profundo que sou, para o mais profundo que ele é.Em silêncio.
Ainda e sempre.



Daqui nada o sol vai voltar ao seu lugar, aqui, e é um novo dia que começa.

Até já.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Pai
















Os últimos dias, o meu pai tem estado com imensa instabilidade, a nível gástrico.
Cansado,leva ferro e transfusões.
Depois de um fim de semana agitado, onde recebeu muitas visitas, incluindo a do Deodato, que só ficou feliz, quando se viu sentado ao lado do pai da "Ita" a falar para ele.
O meu pai riu muito, e ver o sorriso dele...vale tanto, em dias como estes.E foi bom para os dois, que criaram uma amizade bonita.
Hoje, cheguei á visita e vi a cama vazia.O meu coração parou, congelou e o senhor da cama do lado, disse-me que tinha mudado de quarto.Imediatamente fui ter com a enfermeira e perguntei porque tinha mudado de quarto.
A verdade é o que eu receava, piorou.
O quarto mesmo em frente ao gabinete de enfermagem e dos médicos.Onde a observação é feita mais de perto.A infecção não cedeu ainda.
Curiosamente, ele pareceu-me muito melhor de ânimo, falava muito,ria-se, metia-se com as auxiliares e chegou a parecer-me que roçava ali o delírio, mas não quis dizer nada.
Hoje embicou, que havia de comer umas sementes que há em Santarém, que ele chama de chicharros.Se alguém souber o que é, por favor contacte-me pois ele fala nisso desesperadamente, com desejo.Vi-me mesmo forçada a ligar para a Catarrrina, que está em Santarém, para ver se arranja e traz os ditos Chicharros.Olha pus os dois ao telefone, foi uma animação.Naquele serviço, toda a gente já se ria, com o meu pai, que até de olhos fechados, falava nos chicharros com azeite e vinagre.
Bom, hoje pediu-me para lhe fazer a barba, assim fiz.Também uma massagem nas pernas, paradas na cama, e no braço mais preso.Fica sempre tão bem, depois disto, bonito e bem cheiroso.O jantar chegou e era peixe, comeu apenas a sopa e a pêra cozida, ainda bem que lhe levei um bolo de arroz...para compensar.
Depois lavar os dentes...com muita calma.Tarefa complicada para quem está na cama, mas possível.Acabo por entrar e sair,pedir luvas e recipientes, toalhas e resguardos, mas isto é o pouco que ainda posso fazer por ele.
Depois deixei-me ficar ali sentada, a conversar com o meu pai, a ver as notícias, enquanto o dia começava a cair lá fora e o ar fresco entrava pela janela.
Ouvia-se falar do avião da Air France que caiu.Tanta gente que perdeu a vida, assim, de um momento para o outro.Isto faz-me pensar, que para morrer, não é preciso muito...e isso faz-me dar ainda mais valor aquele momento, ali ao lado dele.
A hora de vir embora é a que custa mais.Pudesse eu nunca o deixar para trás, ali, pudesse eu pegar na sua mão e caminhar com ele, outra vez, pudesse eu tirar-lhe todas as dores.
Mas posso fazê-lo sentir-se amado.
E só isso, já valeu a pena.





Até amanhã, Pai.

Paper Doll


Paper Doll - Rosie Thomas

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Hoje...













Feliz dia da Criança

Não percam nunca, aquela que vos habita!


=)






O mundo ao contrário?








Não sei se é de repente estarem trinta e tal graus sem eu ter percebido como. Não sei se são as ervas já torradas, secas a perderem o verde, interrompidas apenas pelas sombras tímidas das árvores à beira da estrada. Não sei se é por ter o peito quase a rebentar de coisas que não consigo dizer.
Os meus olhos um dia rebentam com este querer tão bem, os meus olhos um dia param de conter as lágrimas e é um oceano que aí vem, um oceano de ternura, de sonhos noutros olhos, um oceano cujo tamanho me ocupa toda por dentro.

As minhas mãos um dia não param, procuram a alma das coisas em intervalos cada vez mais curtos, as minhas mãos um dia falam e serão elas a entregar a mensagem, serão elas a oferecer o absoluto. As minhas mãos não me traem como me traem os lábios, que querem falar, querem gritar isto que sinto.

Dos meus lábios escapa a certeza a consumir-me sempre que se faz silêncio, escapa a realidade que acredito não merecer. E quando olho para trás, quando penso em mim há cinco anos atrás,antes de tudo, é como se eu tivesse sido toda uma outra pessoa, vazia de sentido, gravitando em volta de uma ideia remendada da felicidade.

Não sei se é desta tempestade de sentimentos, não sei se tudo acontece porque voltei a acreditar, mas também a aceitar a realidade dura do momento.

Mas esta calma,força e esta tranquilidade natural tem o seu preço.

Quando dei por mim, estava a chorar agarrada á almofada ou a empurrar os soluços para baixo em frente ao computador. Esta grandeza toda, do que tenho vivido, dá-me nós na garganta, baralha-me o discurso e faz-me estar deitada no escuro, simplesmente a sorrir ou a chorar com aquilo que me vai acontecendo.
Mas sempre a confiar.

Já não são só receios ou alegrias simples, são as centelhas que me escapam dos olhos por Deus me fazer assim feliz e abençoada, ainda que pelo sofrimento.
E sinto que está cada vez mais perto a minha entrega.


domingo, 31 de maio de 2009

Gnoma.





Porque há amores perfeitos!




















































Porque contigo os espaços ganham novos fôlegos e os passos também.
Porque conheces as minhas misérias e também os meus dons e cores como poucos neste mundo.
A tua presença traz sempre encanto e uma força que renasce sempre cada vez mais forte.
Sentamo-nos debaixo de uma árvore, e a sua sombra é tão poderosa como um raio de sol.
As palavras fluem, os sorrisos e olhares são por si palavras não proferidas, mas inscritas na alma para sempre, que se lêem tão bem.
Ontem, o dia foi para relembrar e voltar á presença uma da outra...para constatar a realidade dura e olhar para o futuro com confiança.Fazia tempo que não nos víamos.Mas nada mudou.Há coisas que nunca mudam.O mundo gira e gira apesar disso.
O teu abraço foi vida.
O teu olhar, vê,muito além do que quase todos vêem.
Cozinhar juntas, desesperar juntas, chorar juntas mas sobretudo rir, rir muito como nós não conseguimos não o fazer.É mais forte.
Tantos,locais, pessoas, aventuras...mas os anos não parecem passar por nós.
A alegria é a mesma, e o mundo espera sempre por nós, com uma bagageira cheia de tralha e estrada a não ter fim, todas as direcções serve bem para nós!ahahahha.
Como foi bom ver o sorriso do meu pai, quando te viu...depois de te esconderes atrás de mim.
Só por aquele sorriso valeu a pena, tudo.
Não esqueço as tuas lágrimas, quando te despediste dele, e ele te disse que sim que voltaria a cozinhar aqueles pratos para nós...como só ele sabe.Porque lhes punha amor.E isso muda o sabor das coisas.Relembro as manhãs preguiçosas no meu quarto, e a ida para a mesa em pijama e sem lavar a cara...eras e serás sempre da casa.
Agora já o dia te leva a caminho do Porto e eu volto a ficar em Lisboa, até ao dia em que me meto no comboio e vou ao teu encontro...assim que esta luta terminar e eu puder respirar fundo.
Porque há pessoas eternas e amores perfeitos também.



sexta-feira, 29 de maio de 2009




O meu coração...












"Eu adoro todas as coisas.
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite."



Álvaro de Campos












E isso é bom, mas também pode ser mau.

Não?

Metáfora bonita, esta do albergue...mas pena algumas portas custarem tanto a abrir, enferrujaram com o tempo...nada que não se resolva.

Afinal é neste coração albergue que nasce a fantasia.

E amanhã por aí a baixo vem a minha gnoma, a Clarinha.
Que saudades.
Vai ser muita conversa e muito sol...a amenizar a minha dor.
Até já!




Pai,pai,pai,pai,pai...

















A minha ida ao Hospital hoje foi uma aventura.Primeiro para chegar,depois para entrar e no fim como tive de sair.

Cheguei tarde.Mas mesmo assim fui, sabendo que corria o risco de não o ver.Não me queriam deixar entrar, eram 19h35, por 5 min.Olhei para o segurança muito séria e disse, olhe faça como quiser, mas eu vou entrar de qualquer maneira.



Ele deixou.Acho que o intimidei não sei como?Talvez por saber que nada neste mundo me pode impedir de estar com o meu pai, no estado em que ele está.Sei que regras são regras, mas hoje mandei-as á fava.A vida fala mais alto do que tudo isso,ou não?



Subi, ia com o coração apertado, porque ontem ele não estava muito bem.Quando me abeirei da porta do quarto, encontrei o meu pai, prostrado, os olhos fechados, com ferro a correr para a veia, e muitos sacos a sair da barriga.Abriu os olhos, mal falou, sentei-me depois do beijo de sempre, pelo qual espero, o dia inteiro.Hoje custou vê-lo assim, hoje fez dor ao olhar.



Sei que não dormiu bem, estava com os olhos inchados e ar exausto.Daí a 30 min, ia fazer uma transfusão de sangue, para ganhar forças.



Hoje, pelo que me disse, recusou fazer fisioterapia porque não tinha forças.



Já tinha jantado pouco, foi a auxiliar que lhe deu o jantar.Depois, deixei-o dormir, descansar, e permaneci ali mais 10 min, de mão dada com ele, a olhar para ele e a sentir, que cada vez o vejo pior...mais fraco, mais longe da vida, do mundo.

Mas não de mim.



Sei que de uma forma ou de outra, estamos e estaremos juntos, numa ligação bela que nunca ninguém poderá romper, afinal, pai é pai.



E um pai como este...





(Acabei por ter que descer, mais cedo, porque o senhor da cama do lado, pediu para entregar um cheque á filha que estava no átrio, pois não pode subir, e eu como nunca deixo de ajudar e vi a aflição deles, já não me deixaram subir de novo...)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A vida também é feita de partidas... e ausências.








(Eu, no passado...)






Recebi um email hoje, a relembrar que...

Faz hoje,anos que um acidente de mota te tirou a vida.


Colega de turma, amigo, uma das primeiras paixões e de quem não nos esquecemos.


Não tenho nenhuma fotografia tua, apenas minha desse tempo.


Para o Nuno, onde quer que esteja.







Eu tinha uma mochila da Monte Campo e um casaco Encarnado. Usava o cabelo muito comprido e encaracolado, preso com dois ganchos e esperava na entrada da escola para te ver chegar.

Tu vinhas de Vespa, preta como o teu capacete. Guardava sempre o meu melhor sorriso para quando tiravas esse capacete e, sacudindo o teu cabelo louro, olhavas para mim. Sabias que eu estava ali mesmo antes de parares, e vinhas sempre dizer-me olá. Sabias também que eu o esperava.

Às vezes ia assistir aos treinos da equipa de volley da escola com alguma amiga e fingia que olhava para os outros rapazes mais velhos. Um dia a bola foi parar perto de mim e quando a foste buscar disseste-me "sei que é a mim que vens ver, porque não mo dizes?".A resposta foi uma careta a desdenhar a tua afirmação, e o rubor a surgir na minha face. "Não ligo a miúdos", disse, e tu piscaste-me o olho e sorriste, antes de voltar para o treino.

Cadernos pautados, livros e folhas quadriculadas faziam parte dos meus dias.Calças á boca de sino,sonhos e as fugas aos almoços horríveis na cantina da escola.As tardes de estudo, todos juntos na biblioteca, e os lanches de panikes, cheios de gordura e chocolate.Os Torneios de cartas nos intervalos das aulas adiados por conversas e brincadeiras.

Um dia Ficámos no mesmo grupo, para um trabalho de Português, o que provocou primeiro o teu riso mas depois uma surpresa com a qual eu não contava. A composição que tinha sido pedida era difícil e eu queria contar com a tua ajuda, além da tua companhia. E como me ajudou o teu sorriso, como me inspirou a tua pele morena, o teu fresco odor adolescente. Quando me beijaste perguntaste-me ao ouvido se eu já ligava a miúdos, e rimos ambos, um riso que por vezes ouço, um ricochete de felicidade nas paredes intemporais da vida adolescente.
Não sabia nessa altura que a primavera dura apenas um segundo.
Mostrei-te o trabalho final antes de o entregar, afinal tinha-o escrito por e para ti. Eu sabia que estava bom, mas o meu entusiasmo só apareceu depois de ver o teu. Não queria ter uma boa nota, nem queria louvores da professora, queria apenas contar-te a história mais bonita do mundo. Disseste-me que não deixasse de escrever nunca,porque escrevia bem.


Se tu soubesses, ainda hoje faço dançar a tinta negra de uma caneta, que desenha no papel formas do alfabeto e nessa dança aparecem as palavras que já lá estavam antes da tinta as revelar. Ainda hoje abro um ficheiro de Word e primo as teclas que comandam o aparecimento de caracteres nos cristais líquidos do écran. Ainda hoje, tanto tempo depois de teres desaparecido.

E sempre que o faço lembro-me das palavras que disseste nessa tarde antiga, lembro-me que um dia te quis contar a história mais bonita do mundo.


Um beijo cheio de saudades...


Pai







Não trago boas noticias.
Saí do trabalho, e passei na pastelaria, comprei uns pastéis de nata, quentinhos, ia feliz só de imaginar a cara dele ao comer um.
Entrei no quarto e encontrei o meu pai, com um ar esgotado...quase a dormir.
Suavemente, sentei-me ao seu lado e ele deu logo pela minha presença.E então pude dar-lhe um beijo.Perguntei como se sentia hoje, disse-me que não muito bem.Com dores.E a sua expressão mostrava isso mesmo.Ele está a tomar ferro, e isso provoca alguma paragem no trânsito intestinal, o que não permitiu que pudesse jantar.Reparei pelo saco transparente que a quantidade de pus na urina aumentou novamente.Mesmo com todos os antibióticos...
Um dia andamos um passo para a frente e outro recuamos.Ou não soubesse eu que é assim...
Mas custa.Ainda pediu uma massagem nas pernas e ginástica, tinha os pés inchados.Hoje com os fisioterapeutas conseguiu sentar-se algumas horas no cadeirão ao lado da cama, mas isso cansou-o muito, porque não tem força.Mas a intenção é boa, é que não fique parado sempre na mesma cama.
Enquanto me contava isto,consegui que comesse a laranja, algumas cerejas, e um pastel de nata.No fim água e este foi o seu jantar.
O coelho á caçador ficou no prato...a olhar para ele.
Reparei que estava adormecido e por isso a visita não durou muito hoje, foi ele que pediu para descansar.E assim fiz.
Vim embora.
Desejosa de chegar a casa como todos estes dias, onde me sinto sempre protegida e onde repouso de um dia cheio e das idas ao Hospital.
Tudo isto também desgasta...o corpo.O coração, esse, vai-se aguentando bem.~
Um banho, uma música que gosto, jantar e depois sento-me aqui com aquela sensação de dever cumprido e respirando calma,preparo-me para contar ao mundo, esta minha e esta nossa história.Da Rita e do seu Pai.
E como me alivia fazê-lo.
Até amanhã.



quarta-feira, 27 de maio de 2009


Pai, hoje sento-me contigo na Lua...




Cansada e pronta para aterrar num sono bom e profundo.No céu uma lua brilhante e fina, onde me sento hoje, bem alto para te ver dormir, Pai.
Os dias, correm e eu só penso na hora de chegar ao Hospital, e estar com o meu Pai mais um pouco.Ontem não consegui entrar, mas hoje eram 19h estava a chegar.E tudo porque um senhor caridoso, forçou a porta do comboio para eu entrar...ou tinha-o perdido e chegado muito mais tarde.
Assim que cheguei, foi fazer a Barba pois o jantar estava a chegar.Foi uma aventura, apenas com um copo de plástico e água quente...e espuma por todo o lado.
Ficou outro...outra cara, outra disposição.Ajuda muito, quando se está doente, que nos arranjemos e sintamos bem.
Estava o meu primo de Sesimbra, que lhe fez imensa ginástica ás pernas...pois ele está sempre na cama.Ele saiu e eu fiquei.
Depois foi dar-lhe o jantar e ficar na conversa com ele, mais uma massagem no braço, outra coisa aqui e ali...tudo, mas mesmo tudo para que fique bem.
Sentei-me por fim e deitei a cabeça na beira da cama, estava cansada e hoje estou muito.Estivemos a falar sobre tantas coisas, ora ele se emocionava, ora se ria...anda assim com picos, talvez não seja o único...
Deixei-o com um abraço longo e beijinhos na testa.
Lá fora o sol punha-se de forma bonita, e não hesitei em ir admirá-lo antes de entrar no elevador para regressar a casa...ali do 6º piso a vista é melhor, via os carros apressados na Ic 19, via as pessoas que deixavam o átrio do hospital...imaginava quantas vidas ali dentro a sofrer, outras a nascer...um mundo ali.O meu pai, ali.Eu, ali.
Pelas ruas da minha cidade, desertas, hora do lusco fusco, subia eu no meu passo calmo, tudo a recolher.E eu ali, caminhava na minha solidão de fim de dia, enquanto espreitava as janelas abertas das casas, onde uma e outra família, comia reunida á mesa...e isso fez-me pensar na minha família.Muito.
Eram 21h30 estava a entrar em casa, exausta.Corri para o banho e jantei.O computador não ligava nem por nada e por momentos pensei estar bem arranjada com isto, mas depois de muito tentar ás 22h30, ligou-se!
Na janela, vejo uma lua, fina e brilhante que me chama, e eu subo até ela, sento-me lá, contigo, Pai.Vamos ver o mundo esta noite...olha tantas luzinhas lá em baixo.
Boa noite.