segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sevilha

1º dia de Encontro




O dia começou cedo, era o 1º dia de encontro, para nós e adivinhava-se longo!
O pequeno almoço foi tipicamente Andaluz, com o pãozinho torrado com azeite e doce...que é uma delícia.Foi tudo preparado com muito carinho.E isso lhe deu sabor!








Aproveitamos o começo da manhã para conversar mais um pouco.Com calma.
Mas tínhamos que sair, para atravessar a cidade, para a outra ponta!





Depois da oração na paróquia, tínhamos de ir para o ensaio do coro, e assim foi, de mapas em punho, os GPS, começaram a trabalhar...




Alegria sempre presente!







Umas vezes com mapas, outras com indicações dos locais, lá nos fomos aproximando do sitio, onde seria o ensaio do coro..










Começar por descobrir a cidade a pé...foi agradável, ver a vida que corre nas ruas, e as pessoas.Há uma vida muito especial em qualquer canto da cidade.Todos saem para a rua, de bicicleta ou a pé, velhos ou novos...misturam-se na multidão e dão cor e fazem sentir a sua presença em tão belo cenário, como o de Sevilha, cheio de influências Árabes.








O coro era o que nos ocupava quase o dia todo, mas eram precisas vozes... e ver a cidade não era prioritário, aceitamos o convite e fomos para o coro, o que acabou por ser uma experiência fabulosa.
Sem o coro, aquelas orações seriam tão mais vazias.A maioria vai ao encontro, adora os cânticos, mas alguém tem que fazer esse trabalho...e este ano poucos se voluntariaram.
O ensaio era dirigido por uma Rapariga Portuguesa, que nos conseguiu elevar o canto ao mais alto nível, e sentir cada palavra que dizíamos.






Duas cantoras!









No fim do ensaio, lá foi a malta toda do coro a conviver pelas ruas até á oração.
Gente diferente, mas unida pelo mesmo ideal.
Não passávamos despercebidos, todos com chapéus de palha e mochila laranja...agitámos com cor e sorrisos as ruas!



E por onde quer que fossemos, não nos podíamos mesmo esquecer, que estávamos em Sevilha, onde a casa esquina as cores saltam á vista.


Também no coro a Helena, de Barcelona, que conheci na paróquia do encontro em Bruxelas!Foi uma alegria reencontrá-la.
Continua a mesma força da natureza!




E desta forma enchemos as praças...







Tradição, as cruzes de Maio, que passam pelas ruas, em andores suportados por cerca de 1o homens.





O traje de Domingo, em Sevilha, é este.E não, elas não iam para um casamento, vestem-se assim porque os Espanhóis são assim...cuidam demasiado da imagem, caindo ás vezes no exagero.





Os cavalos sempre presentes, no meio de qualquer avenida.



Um dia abafado, com gotas de chuva...para nos refrescar!Sevilha é uma cidade muito quente, e isso confere-lhe algumas características únicas, mesmo ao nível da arquitectura.




Eu e a Lu, na ponte, sobre o canal.




De regresso para o almoço, nos Maristas.






E eis o nosso "quartel", onde foi feito o acolhimento e as refeições.
Este é o fim da hora de almoço.





Lá fora chovia, mas o ambiente era bom, ali fez-se comunidade...






O almoço...hummm, delicia!




A Lu, a tentar pedir churros com chocolate quente!




E o meu Fa, que nos valeu em muitas situações!ahahah, Lu e Shed, só vocês sabem!





É o que dá, andar muito a pé, os pézinhos a ressentirem-se!






Quando o tempo apertava, lá apanhávamos um autocarro...











Apreciando a cidade...em todas as suas formas de ser e se mover!





A chegada á Catedral deu-se ainda o sol brilhava, para o ensaio antes da oração da noite.
Não posso deixar de dizer que a Catedral é linda.Património da Humanidade, o 4º templo Cristão, considerado o maior do mundo.É gigante!







A oração, foi um momento único e muito especial.Como sempre.
A celebração da luz, foi um ponto alto.
As orações, levaram-me até muitos lugares e pessoas, que estiveram ali.Bem presentes.
Muitas palavras que foram ditas me tocaram e fazem ainda eco, dentro de mim.







Estar no coro, fez-me viver este encontro de forma diferente, com um sentido de serviço.






Depois da oração, a Hermana Maria, foi ter connosco, para uma visita guiada pela parte velha.






Uma paragem para um Belisco...





Animação constante em torno da Catedral...

A torre da Catedral.




Fachadas iluminadas!





O regresso...a casa.
Cansadas mas felizes.







Um jantar preparado com Amor, com pizza, gaspacho, bocadilhos...tapas e muitas gargalhadas e partilha!






As nossas hermanas, mimaram-nos muito!





Deleitada...!





O 1º dia tinha passado, adormeci com uma paz que só eu posso entender.
Há coisas que precisamos ver, senir, tocar, para entender.


Quem não nos conhece, recebe-nos assim, e diz-nos que o AMOR É UMA LINGUAGEM QUE TODOS ENTENDEM!
E se elas a sabem falar...




Sevilha


A viagem e a Chegada...






Pelas 5h da tarde de sexta feira, saímos nós de Lisboa.


Os Km eram muitos, mas o ânimo era maior.Partimos com confiança.Felizes.

No caminho, os diálogos surgiram profundos, as músicas embalavam-nos ou faziam-nos dançar, pensar, ficar longe, tão longe como a paisagem no horizonte.


Um encontro de Taizé, será sempre um acto de confiança, desde o momento em que partimos...nunca sabemos bem o que nos espera, como e por quem vamos ser acolhidos, mas uma mesma certeza nos une, e nos leva a partir uma e outra vez, com um sorriso no rosto.

Estamos juntos.


Shed, Eu, Lu.

Companheiras de caminho.










Tempo para descansar...












Para inventar...












A Lu, que conduziu 4h15, até Sevilha, sem tirar as mãos do volante, sem parar, sem hesitar, sempre com este sorriso.

Foi non stop.











Pôr do sol no caminho...já perto de Sevilha.











Munidas de mapas, e dois GPS, chamados Ana Lu e Selma, lá percorremos o centro de Sevilha, em Busca dos Maristas, o colégio que foi o "quartel general", destes dias.O acolhimento fantástico.

Depois de nos explicarem o caminho até casa, lá partimos á aventura, descobrindo que ali os nomes das ruas, ás vezes estão no meio das ruas, e não nas esquinas.

O que nos fez dar voltas e mais voltas na noite quente de Sevilha, á procura da nossa casa.

Por fim chegámos a casa, das Servas do sagrado coração de Jesus.

Uma comunidade onde vivem 3 irmãs que trabalham com a população local, na promoção da mulher, com toxicodependentes, emigrantes, na realidade daqueles bairros.
Hermana Maria, de 65 anos, Hermana Felicíssima de 86, e Hermana Dolores de 94 anos.
Esta última era um doce!Dava vontade de apertar.E trazer para casa.De tão meiga que era.
Mesmo sendo a mais velha, ainda visita doentes e idosos.Fantástico!

Amorosas.

Esperavam-nos desde as 19h, para jantar.
Numa ansiedade de quem espera alguém que não conhece, mas apesar disso quer muito acolher!










E pelas 00h30 chegámos nós.Á zona de Amate, nos arredores de Sevilha, a 10 min do centro de metro.De carro foi bem mais longe por irmos á descoberta!






Á nossa espera, tínhamos uma tortilha saborosa e uma salada fresquinha.O que soube muito bem depois de uma viagem.






Ficámos á conversa, até ás 2h da manhã.
Em exemplo de vida em comunidade, que recebemos e que dificilmente vamos esquecer.
Foram como mães, estes dias.Não deixaram que nada nos faltasse e a sua alegria quando nos viam entrar pela porta era, tão genúina.










Adormeci, ainda com o barulho das pessoas na rua, pois ali até tarde todos andam pela rua, cantam, batem palmas, e convivem nos seus pátios...havia ali uma alegria que me contagiou logo desde o início.
Ou não fossem as minhas raízes Andaluzes!
E estava assim, pronta a entrar de cabeça no encontro, com algumas perguntas na cabeça e muita vontade de viver tudo...principalmente o INESPERADO...

Back!


Cheguei por fim a uma Lisboa, chuvosa e bem mais fria, que a Sevilha que deixei para trás, solarenga e alegre.
Mas o meu coração mantém o calor, que lá encontrei.
O Inesperado que vivi.
Nas orações, no serviço de cantar, no caminhar durante horas, na beleza e cor daquele povo,nas ruas estreitas da judiaria, ou nas largas avenidas.Nos rostos que passavam felizes, ou até de relance, cizudos...mas fica sobretudo, o calor que me passaram, na comunidade onde fomos acolhidos...e com quem partilhei este encontro.
Lu e shed.
(E grande parte dos 2000 jovens que lá estavam e escolheram não fazer somente turismo, mas encontrar-se!)
Ainda sem descrição possível.
Em tudo, mesmo em tudo, eu vi um laivo de Amor.


E onde há amor...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ponto de luz.

Ponto de Luz






Para todos aqueles que são pontos de luz na minha vida, e porque sabem quem são, aqui fica, uma voz e uma alma bonita, como a da Sara.

Porque alguém me ofereceu.E eu quis partilhar.

Amo-vos tanto.

Sevilha






E amanhã, 3 amigas se fazem á estrada.
Sevilha é o destino.
Econtro de jovens de Taizé.
Econtro,portanto, com Deus e com o mundo.
Rostos que vou abraçar, cânticos que vou entoar...e ruas que vou percorrer.
A força que encontro sempre.
Até Domingo.



quinta-feira, 7 de maio de 2009

Foi Deus...


Donna Maria- Foi Deus -




Foi Deus, que deu luz aos olhos, perfumou as rosas,deu ouro ao sol e prata ao luar, foi Deus, que me pôs no peito...

E pôs as estrelas no céu, e fez o espaço sem fim, deu luto ás andorinhas, ai, e deu-me esta "voz" a mim...

Deu voz ao vento, luz ao firmamento e deu o azul ás ondas do mar...fez poeta o rouxinol, pôs no campo o alecrim, deu as flores á primavera...e deu-me esta "voz" a mim...





Do fim de semana...




Eram estes os rostos, que se juntaram em Condeixa.

E não, não ficámos trancados e não rezamos apenas, como queremos fazer parecer na fotografia.

Antes tivemos, um encontro muito pessoal e espontâneo, connosco mesmos, uns com os outros por vezes, um encontro com o silêncio que nos conduziu á presença maior.


Aqui ficam os registos de alguns momentos, de silêncio, de alegria, de descoberta, como o pôr do sol nas Buracas do Casmilo, que foi o momento em culminamos o silêncio e não podia ser de melhor forma, em comunhão com uma natureza pura e de beleza rara!



Ouvi-me, Ouvi, Escutaram-me.



































































Ficam os olhares felizes e de paz, uma paz que saboreamos ainda...intensamente, porque perdurará.
Sempre.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Parabéns Helder!






(Lago do silêncio, Taizé 2006)




Hoje o Helder faz anos!
Mas está longe daqui.
Londres é agora o palco onde vive, e faz sorrir quem com ele se cruza.
Espero que pelo menos hoje, faça sol por aí!
Por isso deixo aqui, a lembrança feliz, de muitos bons momentos e aventuras...de uma amizade que não precisa de confirmações e presença.Ela existe.

Gosto muito de ti.
Até breve...


2000 seconds since you left...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Shooting dogs...

Este fim de semana vi um filme, num dos serões em Condeixa.

Mexeu comigo.E bom que tenha mexido, e despertado.

Isto é baseado em acontecimentos reais,aconteceu, e não foi assim há tanto tempo...1994!

Joe, parte por um ano da sua vida, para o Ruanda.É missionário.

Tiros em Ruanda é um filme que, na verdade, pergunta: o que tu arriscarias para fazer a diferença? Até onde estás disposto a ir?

Durante 30 anos, o governo da maioria Hutu perseguiu a minoria Tutsi.

Sob a pressão do ocidente, o presidente Hutu concordou em dividir o poder com os Tutsis.

6 de Abril de 1994: um genocídio inicia-se. Quase um milhão de pessoas são mortas em 100 dias, e apesar da indiferença da ONU, dois homens estavam dispostos a fazer a diferença.

Um padre inglês e o seu missionário, juntam forças e coragem para enfrentar armas e facões, tendo que fazer uma escolha: ficar junto da minoria ou fugir para a Europa.Durante os conflitos, continuam a passar a fé á multidão que se reune á volta da escola.

Como sempre a ONU, abandona o local.Os brancos, têm um lugar num camião para fugir, e até os seus cães...mas as crianças que pedem para ir, ninguém as deixa.

Joe não quer morrer, é novo, deu um ano de vida para ajudar e vai para a Europa.Deixando para trás tudo...mas o seu sorriso nunca mais foi o mesmo.O olhar assustado permaneceu sempre.

O padre Cristopher, morre com aquele povo, depois de 30 anos a viver com eles.Sente que eles são a sua causa, e a sua alma é ali que pertence, pois teme que se fugir nunca mais encontre Deus, em local algum.

E tu o que farias?

E eu o que faria?Seria capaz de me dar, num amor até ao fim?

O filme não poderia ser realizado sem a participação e generosidade dos sobreviventes do massacre.

Vou aqui (tentar) prestar uma homenagem a essas pessoas, não por humanismo, solidariedade nem nada que se pareça. O que pretendo mesmo é que percebam o que eles perderam e percebam o a mais que todos temos.

Euphrasie Mukarubibi - Perdeu o marido no genocídio, foi violada e infectada com HIV.

Jean Pierre Sagathu - Sobreviveu ao genocídio escondido numa fossa durante 14 semanas. Os pais, 3 irmãs e 4 irmãos foram mortos.

Maggie Kenyana - Perdeu a irmã no genocídio. Ninguém sabe como morreu e Maggie ainda procura o seu corpo.

Mussa Mangara - Perdeu 30 membros da família materna. Christian Gatete - Perdeu 12 familiares.

Nathalie Rutabuzwa - Perdeu todos os irmãos e irmãs no genocídio.

Hasha Sugria - Perdeu 10 familiares no genocídio. Escapou ao massacre da escola e escondeu-se debaixo dos corpos da própria família.

Sabem o mais espetacular? Apareciam fotos deles enquanto a descrição e a maior parte tinha um sorriso de orelha a orelha.

Como é linda a vida :)

Não percam o filme se puderem.

domingo, 3 de maio de 2009

Do silêncio...





(Foi aqui, que Também vi a beleza do Amor, nas Buracas do Casmilo, Condeixa...)




Do silêncio trago, um passo acertado...ao ritmo do coração.O que é difícil, pois o meu coração corre, veloz, e os meus passos são lentos embora firmes.

Trago, o meu sorriso, com paz e um olhar brilhante, capaz de mover montanhas por esse Amor que é maior e mais importante que todas as coisas.

Vi muitas coisas, entre as quais um entardecer inesquecivél, num lugar partilhado e "secreto"...dos mais belos que vi, últimamente.Grutas e mais grutas, cravadas no verde.E ali muitas coisas se revelaram.

Falar com alguém, apenas com o olhar ou o sorriso é de uma intensidade única, que pude tocar.É assim que Deus nos fala.

Parar, assim, durante estes 4 dias, enquanto o mundo todo continua a correr, é um privilégio.Ser acompanhado por alguém que tem Deus de forma tão bonita e clara...é metade do caminho.

Nestes dias, eu coloquei um espelho diante de mim, e constantemente me confrontei com aquilo que sou.Com todas as imperfeições...e coisas boas.E sabem, estou feliz com aquilo que Deus fez e ainda faz em mim...sempre!

Sem máscaras e fugas.Não havia como, nem porquê fugir.

E quando nos deixamos levar assim, pela luz de um sol tão brilhante, que queima dentro, e pelo verde dos campos e o o azul limpo de um céu infinito, voamos, com os braços tão abertos que abraçam um Amor tão grande, que Deus nos tem por sermos assim.Precisamente, assim.

E é desta forma, que eu sou, que ele conta comigo, para a missão.Essa que me espera longe ou perto, agora ou amanhã...onde for, como for, com quem for.

Sei agora que será um Amor até ao fim.Daquele que não foge perante o primeiro som de perigo.

Dar a vida pelos outros não é só viver com eles, partilhar com eles, festejar com eles, caminhar com eles, é tudo isso sim, mas é mais.

É morrer com eles, se assim tiver que ser.


Grata.


Eu Agradeço.











Hoje agradeço a quem me fez por Amor e com Amor.A quem me transportou 8 meses, em si, como sendo a coisa mais preciosa que tinha.Que sofreu as dores do parto por mim e me aturou as birras, e se alegrou com cada vitória.
Agradeço a esta mãe, que teve medo de me perder, em dada altura.Foi ela que me apresentou aquele que viria a ser o meu melhor amigo, quando eu ainda estava dentro da sua barriga aconchegada.
É a minha mãe.
Tem olhos verdes e são lindos!




No silêncio, também em ti pensei, Mãe.

quinta-feira, 30 de abril de 2009




Silêncio













Em silêncio...é como eu vou estar, nos próximos dias.Regresso a Lisboa, dia da mãe.
Amanhã rumo a Condeixa, perto de Coimbra para um retiro.Retiro, significa isso mesmo, retirar-me do meu ambiente, e parar.
Certamente, muitos diriam que não seriam capazes de o suportar, que o silêncio é uma seca, que cansa, mas ás vezes o que temos é medo de nos ouvir.
É uma paragem necessária para todos de vez em quando, e esta vai concerteza ser a cereja no topo do bolo, depois de todas as coisas que mudaram,que tenho vivido e sentido...
É também um bom momento para avaliar o caminho de formação missionária, feito até aqui.

Momento, para me encontrar com Deus e por isso mesmo, comigo.
Como um espelho.
E a verdade é que estou ansiosa por esse encontro.E feliz.
Não é que não nos tenhamos visto ultimamente, mas quando estamos sós, consigo perceber coisas, que nunca antes me tinha dado conta.
Vou de coração aberto e disposta a ouvir o que ele tem para me dizer...


...ssshhhh, sem barulho, porque ele a mim, escuta-me sempre.








Até Domingo!