segunda-feira, 11 de maio de 2009





Sevilha


A viagem e a Chegada...






Pelas 5h da tarde de sexta feira, saímos nós de Lisboa.


Os Km eram muitos, mas o ânimo era maior.Partimos com confiança.Felizes.

No caminho, os diálogos surgiram profundos, as músicas embalavam-nos ou faziam-nos dançar, pensar, ficar longe, tão longe como a paisagem no horizonte.


Um encontro de Taizé, será sempre um acto de confiança, desde o momento em que partimos...nunca sabemos bem o que nos espera, como e por quem vamos ser acolhidos, mas uma mesma certeza nos une, e nos leva a partir uma e outra vez, com um sorriso no rosto.

Estamos juntos.


Shed, Eu, Lu.

Companheiras de caminho.










Tempo para descansar...












Para inventar...












A Lu, que conduziu 4h15, até Sevilha, sem tirar as mãos do volante, sem parar, sem hesitar, sempre com este sorriso.

Foi non stop.











Pôr do sol no caminho...já perto de Sevilha.











Munidas de mapas, e dois GPS, chamados Ana Lu e Selma, lá percorremos o centro de Sevilha, em Busca dos Maristas, o colégio que foi o "quartel general", destes dias.O acolhimento fantástico.

Depois de nos explicarem o caminho até casa, lá partimos á aventura, descobrindo que ali os nomes das ruas, ás vezes estão no meio das ruas, e não nas esquinas.

O que nos fez dar voltas e mais voltas na noite quente de Sevilha, á procura da nossa casa.

Por fim chegámos a casa, das Servas do sagrado coração de Jesus.

Uma comunidade onde vivem 3 irmãs que trabalham com a população local, na promoção da mulher, com toxicodependentes, emigrantes, na realidade daqueles bairros.
Hermana Maria, de 65 anos, Hermana Felicíssima de 86, e Hermana Dolores de 94 anos.
Esta última era um doce!Dava vontade de apertar.E trazer para casa.De tão meiga que era.
Mesmo sendo a mais velha, ainda visita doentes e idosos.Fantástico!

Amorosas.

Esperavam-nos desde as 19h, para jantar.
Numa ansiedade de quem espera alguém que não conhece, mas apesar disso quer muito acolher!










E pelas 00h30 chegámos nós.Á zona de Amate, nos arredores de Sevilha, a 10 min do centro de metro.De carro foi bem mais longe por irmos á descoberta!






Á nossa espera, tínhamos uma tortilha saborosa e uma salada fresquinha.O que soube muito bem depois de uma viagem.






Ficámos á conversa, até ás 2h da manhã.
Em exemplo de vida em comunidade, que recebemos e que dificilmente vamos esquecer.
Foram como mães, estes dias.Não deixaram que nada nos faltasse e a sua alegria quando nos viam entrar pela porta era, tão genúina.










Adormeci, ainda com o barulho das pessoas na rua, pois ali até tarde todos andam pela rua, cantam, batem palmas, e convivem nos seus pátios...havia ali uma alegria que me contagiou logo desde o início.
Ou não fossem as minhas raízes Andaluzes!
E estava assim, pronta a entrar de cabeça no encontro, com algumas perguntas na cabeça e muita vontade de viver tudo...principalmente o INESPERADO...

Back!


Cheguei por fim a uma Lisboa, chuvosa e bem mais fria, que a Sevilha que deixei para trás, solarenga e alegre.
Mas o meu coração mantém o calor, que lá encontrei.
O Inesperado que vivi.
Nas orações, no serviço de cantar, no caminhar durante horas, na beleza e cor daquele povo,nas ruas estreitas da judiaria, ou nas largas avenidas.Nos rostos que passavam felizes, ou até de relance, cizudos...mas fica sobretudo, o calor que me passaram, na comunidade onde fomos acolhidos...e com quem partilhei este encontro.
Lu e shed.
(E grande parte dos 2000 jovens que lá estavam e escolheram não fazer somente turismo, mas encontrar-se!)
Ainda sem descrição possível.
Em tudo, mesmo em tudo, eu vi um laivo de Amor.


E onde há amor...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ponto de luz.

Ponto de Luz






Para todos aqueles que são pontos de luz na minha vida, e porque sabem quem são, aqui fica, uma voz e uma alma bonita, como a da Sara.

Porque alguém me ofereceu.E eu quis partilhar.

Amo-vos tanto.

Sevilha






E amanhã, 3 amigas se fazem á estrada.
Sevilha é o destino.
Econtro de jovens de Taizé.
Econtro,portanto, com Deus e com o mundo.
Rostos que vou abraçar, cânticos que vou entoar...e ruas que vou percorrer.
A força que encontro sempre.
Até Domingo.



quinta-feira, 7 de maio de 2009

Foi Deus...


Donna Maria- Foi Deus -




Foi Deus, que deu luz aos olhos, perfumou as rosas,deu ouro ao sol e prata ao luar, foi Deus, que me pôs no peito...

E pôs as estrelas no céu, e fez o espaço sem fim, deu luto ás andorinhas, ai, e deu-me esta "voz" a mim...

Deu voz ao vento, luz ao firmamento e deu o azul ás ondas do mar...fez poeta o rouxinol, pôs no campo o alecrim, deu as flores á primavera...e deu-me esta "voz" a mim...





Do fim de semana...




Eram estes os rostos, que se juntaram em Condeixa.

E não, não ficámos trancados e não rezamos apenas, como queremos fazer parecer na fotografia.

Antes tivemos, um encontro muito pessoal e espontâneo, connosco mesmos, uns com os outros por vezes, um encontro com o silêncio que nos conduziu á presença maior.


Aqui ficam os registos de alguns momentos, de silêncio, de alegria, de descoberta, como o pôr do sol nas Buracas do Casmilo, que foi o momento em culminamos o silêncio e não podia ser de melhor forma, em comunhão com uma natureza pura e de beleza rara!



Ouvi-me, Ouvi, Escutaram-me.



































































Ficam os olhares felizes e de paz, uma paz que saboreamos ainda...intensamente, porque perdurará.
Sempre.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Parabéns Helder!






(Lago do silêncio, Taizé 2006)




Hoje o Helder faz anos!
Mas está longe daqui.
Londres é agora o palco onde vive, e faz sorrir quem com ele se cruza.
Espero que pelo menos hoje, faça sol por aí!
Por isso deixo aqui, a lembrança feliz, de muitos bons momentos e aventuras...de uma amizade que não precisa de confirmações e presença.Ela existe.

Gosto muito de ti.
Até breve...


2000 seconds since you left...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Shooting dogs...

Este fim de semana vi um filme, num dos serões em Condeixa.

Mexeu comigo.E bom que tenha mexido, e despertado.

Isto é baseado em acontecimentos reais,aconteceu, e não foi assim há tanto tempo...1994!

Joe, parte por um ano da sua vida, para o Ruanda.É missionário.

Tiros em Ruanda é um filme que, na verdade, pergunta: o que tu arriscarias para fazer a diferença? Até onde estás disposto a ir?

Durante 30 anos, o governo da maioria Hutu perseguiu a minoria Tutsi.

Sob a pressão do ocidente, o presidente Hutu concordou em dividir o poder com os Tutsis.

6 de Abril de 1994: um genocídio inicia-se. Quase um milhão de pessoas são mortas em 100 dias, e apesar da indiferença da ONU, dois homens estavam dispostos a fazer a diferença.

Um padre inglês e o seu missionário, juntam forças e coragem para enfrentar armas e facões, tendo que fazer uma escolha: ficar junto da minoria ou fugir para a Europa.Durante os conflitos, continuam a passar a fé á multidão que se reune á volta da escola.

Como sempre a ONU, abandona o local.Os brancos, têm um lugar num camião para fugir, e até os seus cães...mas as crianças que pedem para ir, ninguém as deixa.

Joe não quer morrer, é novo, deu um ano de vida para ajudar e vai para a Europa.Deixando para trás tudo...mas o seu sorriso nunca mais foi o mesmo.O olhar assustado permaneceu sempre.

O padre Cristopher, morre com aquele povo, depois de 30 anos a viver com eles.Sente que eles são a sua causa, e a sua alma é ali que pertence, pois teme que se fugir nunca mais encontre Deus, em local algum.

E tu o que farias?

E eu o que faria?Seria capaz de me dar, num amor até ao fim?

O filme não poderia ser realizado sem a participação e generosidade dos sobreviventes do massacre.

Vou aqui (tentar) prestar uma homenagem a essas pessoas, não por humanismo, solidariedade nem nada que se pareça. O que pretendo mesmo é que percebam o que eles perderam e percebam o a mais que todos temos.

Euphrasie Mukarubibi - Perdeu o marido no genocídio, foi violada e infectada com HIV.

Jean Pierre Sagathu - Sobreviveu ao genocídio escondido numa fossa durante 14 semanas. Os pais, 3 irmãs e 4 irmãos foram mortos.

Maggie Kenyana - Perdeu a irmã no genocídio. Ninguém sabe como morreu e Maggie ainda procura o seu corpo.

Mussa Mangara - Perdeu 30 membros da família materna. Christian Gatete - Perdeu 12 familiares.

Nathalie Rutabuzwa - Perdeu todos os irmãos e irmãs no genocídio.

Hasha Sugria - Perdeu 10 familiares no genocídio. Escapou ao massacre da escola e escondeu-se debaixo dos corpos da própria família.

Sabem o mais espetacular? Apareciam fotos deles enquanto a descrição e a maior parte tinha um sorriso de orelha a orelha.

Como é linda a vida :)

Não percam o filme se puderem.

domingo, 3 de maio de 2009

Do silêncio...





(Foi aqui, que Também vi a beleza do Amor, nas Buracas do Casmilo, Condeixa...)




Do silêncio trago, um passo acertado...ao ritmo do coração.O que é difícil, pois o meu coração corre, veloz, e os meus passos são lentos embora firmes.

Trago, o meu sorriso, com paz e um olhar brilhante, capaz de mover montanhas por esse Amor que é maior e mais importante que todas as coisas.

Vi muitas coisas, entre as quais um entardecer inesquecivél, num lugar partilhado e "secreto"...dos mais belos que vi, últimamente.Grutas e mais grutas, cravadas no verde.E ali muitas coisas se revelaram.

Falar com alguém, apenas com o olhar ou o sorriso é de uma intensidade única, que pude tocar.É assim que Deus nos fala.

Parar, assim, durante estes 4 dias, enquanto o mundo todo continua a correr, é um privilégio.Ser acompanhado por alguém que tem Deus de forma tão bonita e clara...é metade do caminho.

Nestes dias, eu coloquei um espelho diante de mim, e constantemente me confrontei com aquilo que sou.Com todas as imperfeições...e coisas boas.E sabem, estou feliz com aquilo que Deus fez e ainda faz em mim...sempre!

Sem máscaras e fugas.Não havia como, nem porquê fugir.

E quando nos deixamos levar assim, pela luz de um sol tão brilhante, que queima dentro, e pelo verde dos campos e o o azul limpo de um céu infinito, voamos, com os braços tão abertos que abraçam um Amor tão grande, que Deus nos tem por sermos assim.Precisamente, assim.

E é desta forma, que eu sou, que ele conta comigo, para a missão.Essa que me espera longe ou perto, agora ou amanhã...onde for, como for, com quem for.

Sei agora que será um Amor até ao fim.Daquele que não foge perante o primeiro som de perigo.

Dar a vida pelos outros não é só viver com eles, partilhar com eles, festejar com eles, caminhar com eles, é tudo isso sim, mas é mais.

É morrer com eles, se assim tiver que ser.


Grata.


Eu Agradeço.











Hoje agradeço a quem me fez por Amor e com Amor.A quem me transportou 8 meses, em si, como sendo a coisa mais preciosa que tinha.Que sofreu as dores do parto por mim e me aturou as birras, e se alegrou com cada vitória.
Agradeço a esta mãe, que teve medo de me perder, em dada altura.Foi ela que me apresentou aquele que viria a ser o meu melhor amigo, quando eu ainda estava dentro da sua barriga aconchegada.
É a minha mãe.
Tem olhos verdes e são lindos!




No silêncio, também em ti pensei, Mãe.

quinta-feira, 30 de abril de 2009




Silêncio













Em silêncio...é como eu vou estar, nos próximos dias.Regresso a Lisboa, dia da mãe.
Amanhã rumo a Condeixa, perto de Coimbra para um retiro.Retiro, significa isso mesmo, retirar-me do meu ambiente, e parar.
Certamente, muitos diriam que não seriam capazes de o suportar, que o silêncio é uma seca, que cansa, mas ás vezes o que temos é medo de nos ouvir.
É uma paragem necessária para todos de vez em quando, e esta vai concerteza ser a cereja no topo do bolo, depois de todas as coisas que mudaram,que tenho vivido e sentido...
É também um bom momento para avaliar o caminho de formação missionária, feito até aqui.

Momento, para me encontrar com Deus e por isso mesmo, comigo.
Como um espelho.
E a verdade é que estou ansiosa por esse encontro.E feliz.
Não é que não nos tenhamos visto ultimamente, mas quando estamos sós, consigo perceber coisas, que nunca antes me tinha dado conta.
Vou de coração aberto e disposta a ouvir o que ele tem para me dizer...


...ssshhhh, sem barulho, porque ele a mim, escuta-me sempre.








Até Domingo!

Santiago de Compostela... Relembrar






Lembrei-me que qualquer caminho, exige esforço, mas também alegria.
E sobretudo confiança!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Desabafo






Este post só fará sentido para alguns.




Os dias variam entre o sol e a chuva...o sol que aquece e o vento que arrefece.
Mas as nossas relações humanas, não deviam seguir esta rotina...Ora bem, ora mal.
Mas parece que faz parte.
Embora saibamos, que gerir relações humanas é algo complicado, por vezes, devido aos diferentes pontos de vista, á forma como cada um vê e sente o mundo que o rodeia.
E cada um é um, e por isso, por mais semelhanças que possam existir a diferença tem e terá sempre lugar, e ainda bem.
Como quem olha para um quadro, todas as pessoas o vão intrepertar de forma diferente.
Assim acontece com todos os gestos e palavras que saem de nós, em direcção aos outros.
Nunca sabemos como isso vai resultar, mas ainda assim, devemos sempre deixar sair o que sentimos.A isso chama-se ser Genuíno.Espontâneo.Transparente.Sabendo é claro acarretar com as consequências dos nossos actos.
Nunca pretendi veicular opiniões que não as minhas e, portanto, desprovidas de qualquer comprovativo científico.
Não me interessa realmente o que outros pensam, se assim o quiserem impor, se não souberem ler aquilo que eu sou, o significado das minhas acções e muitas vezes até do que vou escrevendo aqui.
Nunca tive qualquer intenção de ser intelectual ou coisa parecida, para isso existem uns tantos nomes de escritores e pensadores,que cumprem esta função. Eu não sou intelectual nem sequer pseudo-intelectual: apenas gosto dos prazeres da vida, das pequenas coisas que nos são oferecidas todos os dias e às quais normalmente não prestamos qualquer atenção.E depois gosto de as partilhar, porque só assim fazem sentido.
Gosto das coisas claras, sem rodeios, sem jogos e segundas intenções e muito menos pressões.
Se há algo importante para mim, é a minha liberdade.
Eu nunca deixo de fazer o que penso, sinto ou quero, mas também não obrigo ninguém a fazer algo que não quer ou sente.No entanto emito a minha opinião e isso é um direito.Por isso o respeito é muito bonito.

Não creio que a forma como vivo é que é.Não sou autista o suficiente para pensar que a minha vida é que é boa, mas confesso que vejo por aí muito boa gente que morre aos bocadinhos.Que se arrasta, que não luta que não inova, que não se apaixona por coisa alguma e isso custa-me.Pois eu também já sofri e não foi pouco mas isso não me tornou amarga ou revoltada, pelo contrário.
Também encontro pessoas vibrantes, que me contagiam com a sua vontade e força sendo ás vezes limitados, mas não se acomodam e eu acalento esses laços.Porque me fazem bem.Porque me ensinam e quero estar perto de quem me pode ajudar a ser um ser melhor do que aquilo que sou.

Eu sei apenas de mim e disso até sei umas coisas: sei que viver fechada sobre mim, me sufocaria mas não acho que tenha que pedir desculpa por ter uma opinião diferente.
Há muitas pessoas que viveram coisas muito duras no passado, coisas que marcam e magoam, mas no entanto continuam a caminhar, não pararam a sua vida e estancaram os sonhos, mas lutam pela mudança e sentem alegria- a essas, o meu respeito e admiração. Às outras, que não sabem do que falo, nem lutam por elas mesmas a minha indiferença.
Outra coisa que não me preocupa minimamente é o que pensam da minha vida.
Não vivo, nem escrevo esperando qualquer validação dos meus actos ou das coisas que penso. Não penso inscrever as minhas atitudes na matriz cinzenta de quem se rege pelo que os outros pensam, de quem tem medo de se arriscar, de quem vive encolhido á espera do dia de amanhã para ser feliz, quando a felicidade é agora mesmo, neste momento em que dou ás teclas a vida que me habita a alma.

Não sou exemplo para ninguém, sou apenas mais uma e sei isso - não me sinto especial ou mais digna de nota. Sou como sou e não obrigo ninguém a vir ler o que escrevo todos os dias. Se o fazem é certamente porque querem. Esta é a minha forma de diário e não me apetece que o critiquem ou, pelo menos, espero que o façam abertamente.Pessoalmente.
Gosto de ler as opiniões dos outros sobre o que escrevo, é evidente. Mas só se o fizerem com a sua própria perspectiva. E só se perceberem que não o faço para mudar nenhuma vida, a não ser a minha.Essa é a única coisa que pretendo sempre renovar, a minha própria vida, escrita, desenhada e vivida por mim, com uma alegria maior que cada vez cresce mais, apesar das dificuldades do caminho.
E ainda se me apresentarem argumentos válidos/divertidos/inteligentes o suficiente para eu perder tempo/rir/debater-me com eles.Mas nem isso fazem.
A única coisa que espero das pessoas é que consigam compreender o que sou ou escrevo, se quiserem, e que consigam entender que existo para além destas linhas.Que a vida para mim é uma enorme festa, uma dádiva, que teimo em celebrar todos os dias...
Quem achar que me conhece o suficiente quando lê estes meus textos... Bem, a essas pessoas falta o essencial.Porque nunca conviveram de perto comigo...e ás vezes convivem e não chegam lá.
Já por várias vezes, demonstrei que eu não corro atrás de ninguém, nem corro na vida, o que faz com que muitos desapareçam do meu horizonte.Mas se souberem esperar, abrandar o passo, apreciar a beleza do caminho,pode ser que nos acompanhemos e aí sim, temos terreno fértil para construir uma amizade.

De qualquer maneira, espero que os outros continuem a presentar-me com a sua presença, porque vos amo e me são sim, essenciais. :)
A vida não passa por mim, como um comboio de alta velocidade, enquanto espero na estação com os cabelos ao vento, ao contrário, eu é que passo pela vida...deixando atrás de mim aquilo que também vou recolhendo, sol, sorrisos, sonho, abraços,magia, flores e o seu doce perfume...














*e não, não é um post amargo, apenas cansado.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Pretty dress...


Pretty Dress (Album Version) - Rosie Thomas

Eu já estive...



create your own visited country map




Ainda conheço muito pouco!
E o mundo é tão vasto...conheço o quintal á frente da porta, por assim dizer, com 14 países onde estive.
Com alguém dizia, há-que picar o ponto!ahahahah.

segunda-feira, 27 de abril de 2009


Um dia perfeito!
















Como descrever um dia tão perfeito, esperado por ambos, um dia diferente?
Acordei feliz, e preparei este dia com cuidado, para que nada falhasse.Ele merecia-o.
Quando cheguei ao Telhal, pelo 12h, o Deodato já estava pronto, mais que pronto, depois de ter passado a missa toda a sair a entrar da igreja, segundo me disseram, para ver se eu chegava.

Depois de eu ter a devida autorização do enfermeiro e a medicação, assim fomos nós.
Era dia de passar o portão de carro e não olhar para trás, era dia de o passar porque podia, e essa liberdade e alegria nele fez-se sentir, tal como em nós!
O caminho até minha casa, foi feito com música, que ele gosta de ouvir alto, o braço de fora da janela e no banco da frente lá ia vendo o mundo...as pessoas, que se moviam lá fora.
A chegada deu-se com ansiedade, chegou ao meu 3º andar, num instante, ao contrário de mim, e bateu á porta e entrou dando de caras com o meu pai, e foi logo um abraço daqueles calorosos, á Deodato!Acompanhado da pergunta:"Migo, então migo?ooh migo!estás bom?"
O meu pai emocionou-se logo, pelo carinho com que ele o fez, a forma doce e espontânea.
Depois, quis logo ajudar na cozinha, e chamava a minha mãe de mãe.Correu a casa toda, para ver tudo, desde as varandas á dispensa e dizia que era bonita, mas que a dele também era linda, e é.
O almoço começou por fim, e para ele tudo estava bom...muito bom!Comentava as noticias na televisão, fazia perguntas aos meus pais, rimos muito com a pureza dele, com a forma de estar, as expressões faciais...que tanto dizem do que sente.Ele é tão transparente.
Aquele almoço, soube-me muito bem, por ter o Deodato ali mesmo ao meu lado, por sentir que ele sentiu que éramos também a sua família, porque queremos.E para ele a mãe já era a mãe e o pai o pai.Todos amigos, porque sim.
Acabado o almoço, bebeu o seu café e quis ver muitas fotografias minhas quando era pequenina, e ria-se, porque eu era magra, segundo ele...e ali esteve com a minha mãe,os dois á conversa.
Uma conversa ou um diálogo que nem sempre se entende, que é breve, que é simples, mas que vale bem mais que muitos diálogos que temos, por aí, com palavras caras, elaborados...mas que espremendo, não tiramos nada.
Depois, resolvi pôr música, e foi a loucura, ele fartou-se de dançar no meu quarto, pelo corredor...e até falámos na net, pela web, com algumas pessoas, que estavam longe...foi uma festa!
No meio disto tudo, entrava 1000 x no quarto do meu pai, para lhe perguntar se estava bem?Depois voltava a sair, ia á cozinha e dizia: "Olá Mãe!!"...a minha mãe sorria e ele lá vinha para ao pé de mim.
Delirou, quando o meu pai lhe deu uma gravata, porque ele gosta muito, tirou logo a que trazia e pôs aquela, muito contente.
Depois pediu para ir dar um volta, pois quem corre o Telhal todos os dias, não gosta de estar fechado num andar, e lá decidimos ir até á praia grande arejar...e fomos.A despedida dos meus pais foi com emoção, que o adoraram.
A alegria dele era tanta, que bateu palmas quando viu o mar...surgir lá ao fundo.Ali ficámos, frente ao mar, a admirar a sua grandeza e a divagar...mas as 18h, aproximavam-se e tínhamos que voltar ao Telhal.
Assim se deu o regresso, sempre muito alegres, e o Deodato nas suas saídas únicas e genuínas.
Via nos seus olhos a alegria de um dia diferente.E por incrível que pareça, nenhuma tristeza por ter que voltar a sua casa, o que é bom, porque é feliz no Telhal.
Este dia, foi um dia de lições para mim, um dia de muita alegria e ver alguém feliz, fez outros tantos felizes.
















Alguém me dizia, uns dias antes...se não seria perigoso, tirá-lo do seu ambiente...e eu respondo, que o perigo está em todo o lado, menos numa alma como esta...pura.
Aprendi que a diferença não ocupa lugar se assim quisermos e transformarmos tudo isso em Amor.Que quero sempre estar rodeada de seres únicos, simples, verdadeiros...que me ensinam algo que nunca poderia aprender cá fora.E ensinam-no da forma mais simples, que existe.Com amor.Com o coração nas mãos.Sem grandes rodeios.Porque se assim fosse não faria sentido, como aliás nunca faz.
Obrigado ao Deodato, por ser quem é, como é, por nos desarmar no seu jeito doce.
Obrigado aos meus pais, por o acolherem e o tratarem com tanto carinho.Sinto que mexeu com os meus pais, quando os vi de lágrimas nos olhos a despedir-se do Deodato.Obrigado ao Bruno, que nos acompanhou e foi testemunha de tantos bons momentos deste dia, sem ele não seria tão perfeito...inesquecível.
Se pudesse, faria isto sempre, com mais doentes, mas de facto, não pode ser sempre e eles são muitos.Mas é bom para eles e para quem os recebe.No entanto o meu trabalho no Telhal continua, semana a semana.
Do nada ao pouco, prefiro fazer pouco, mas fazer algo!














Porque para Deus, uma Só alma, vale mais do que tudo o que existe...