quarta-feira, 14 de janeiro de 2009



Amesterdão


Amesterdão é daquelas cidades que sempre quis conhecer.Talvez pelo excesso de liberdade que ali se vive, talvez pelos seus canais que apaixonam e encantam.
Acordei ás portas de Amesterdão, depois de ter deixado para trás o frio de Paris.
Aproveitei o resto da viagem, para ler o Guião e saber quais os pontos de interesse, e eram muitos.














Os primeiros raios de sol dessa manhã iluminavam toda a gente, e a agitação já se sentia.





Mal coloquei os pés fora do autocarro, senti o cheiro a mar, e o frio era aterrador, muito pior que em Paris.Assim começamos a nossa jornada, pela central sation, onde deixámos que o Duarte se munisse de mapas e guias da cidade.
Uma cidade onde todos se movem de bicicleta, dos 8 aos 80, e não convém que nos atravessemos no seu caminho, pois circulam velozmente fazendo soar as suas campainhas, trim, trimmm...!
É notável, a descontracção de todos, ali há todos os estilos e formas de estar, mas ninguém olha com ar reprovador, e dos mais novos aos meus velhos, têm todos um olhar livre e despreocupado.Talvez até demais.






As ruas, apertadas, cheias de 1001 lojas diferentes, de tudo o que possamos imaginar.E gente, gente que é e não é dali...mas que descobre, que vagueia...como eu o fazia naquele momento.











E se há sítio onde a industria do sexo está presente é aqui.Porta sim porta não, em certas zonas, as lojas são de uma variedade enorme, como podem verificar.
A coisa choca mais, quando na montra em vez de manequins, se encontram mulheres verdadeiras.Esse é o bairro vermelho, que me deixou sem palavras.













Mas Amesterdão, tem tanto encanto, e é isso que fica.
A arquitectura é de uma beleza incrivel e única, aquelas casas, á beira dos canais, as tulipas nas janelas e os barcos a passar...ou ainda quem viva neles, os barcos casa, atracados á beira dos canais, a deitar fumo da chaminé, indicando vida e aquecendo os dias.







A meio da tarde decidimos que queriamos ver coisas diferentes e 2 a 2, apanhámos o mesmo autocarro, mas saimos em paragens diferentes.
Eu quis visitar a casa museu de Anne Frank, esse diário que li na adolescência vezes sem conta e que me despontou o gosto pela escrita.E outros, escolheram o museu Van Gogh, o meu pintor favorito, mas não se pode ter tudo.
E foi assim que depois de uma enorme fila, ali estava eu, dentro da casa onde viveu Anne Frank, a mesma, o anexo que ela descreveu ao detalhe...escuro, escondido, frio...onde os relatos nas paredes nos fazem sentir, o que é viver 2 anos escondidos, longe do mundo, sem poder sequer fazer barulho com a água...!

Foi pesado, mas senti o que foi o Holocausto, que não aconteceu só nos livros e nos jornais...
É arrepiante, mas vale a pena.
E este é o diário de Anne Frank, e a minha mão...á distância de um vidro=)















Amesterdão tem inumeros cafés, acolhedores, que convidam a entrar e a aquecer um pouco, com um chocolate quente, que foi dos melhores que já provei...E ali retemperámos forças e ficámos á conversa.













A noite caiu em Amesterdão e torna-se tudo mais frio, mas também, mais mágico.



E foi lá que encontrei a bicicleta dos meus sonhos...com luas e cogumelos...!








Cansados de um dia sempre a andar e muito frio, sentámo-nos para jantar mais um Kebbab!Para variar...









Amesterdão ainda nos reservava algumas horas e algumas surpresas...









Sim, fomos a uma coffeshop, e passámos um bom bocado todos juntos...fazendo tempo, para retornar á nossa casa, o autocarro, na manhã seguinte, estariamos em Bruxelas, para o encontro...













Até um dia destes Amesterdão!
Paris


Voltar a Paris,é sempre encantador.O que não foi encantador este ano, foi o friooooooo.
Era a minha 3º vez, e nunca senti um frio tão duro e impossivel de suportar.Estavam -2º.Tudo em gelo.
Lembro-me que entrámos em tantos cafés quantos podiamos, para aquecer.Comemos o tradicional crepe ou Gauffre com chocolate quente.
A caminhada até ao Louvre, pelo jardim já escuro, onde outrora eu vi o sol descer entre as árvores.E aí, quisemos mudar de rumo, deixar a grande massa, e vaguear, por aquelas ruas que quase ninguém conhece.
Em busca do bairro de estudantes fomos nós.Éramos 3.
Lá chegámos por fim, depois de apanhar não sei quantos metros e perguntar a mais umas 500 pessoas.
O bairro dos estudantes, ou universitário, é de uma diversidade incrivel.
Adorei.As ruas cheias de gente, de luz, de festa, de culturas, restaurantes de todos os Países do mundo, cheiros e músicas á mistura,ali paredes meias.Ritmos, olhares, pressa, ou deambular.
Um espécie de bairro alto francês, mas sem subidas, sempre a direito.Ruas e mais ruas, sempre agitadas, gente que dança na rua, que canta.E nós também dançámos.
Por ali jantámos o famoso Kebbab...e continuámos a jornada até ao Notre Dame, gelados e acenando ás pessoas que passavam nos barcos do Sena iluminado, jantando, quentes e felizes por nos verem na ponte.
Era Natal para mim, assim,ainda e sempre.
Havia alegria nos rostos, esperança...e o mundo tinha acabado de celebrar o seu nascimento.Havia dentro de mim, razões para celebrar.
Talvez o voltar ali, o recordar, talvez o estar a caminho de uma peregrinação de confiança sobre a terra, talvez o partilharmos tudo, decisões, frio, ruas, refeições...rumos, destinos.Deus.
Á beira do Sena caminhámos, para encontrar uma exposição, que valeu bem a pena...arte comtemporânea, interessante.Sons,imagens e sempre frio.
Depois a torre Eiffel, sempre majestosa, a receber-nos, este ano de Azul e com as estrelas da união europeia...ali dançámos novamente a dança da torre Eiffel e ensinámos ao Samuel que não sabia.
Deitámo-nos num banco, mesmo por baixo da torre e ali ficámos a ver aquela estrutura que nos espanta.O burburinho ali é sempre o mesmo, quando ela pisca e acende as 1001 luzinhas, o "aaaaahhh!!", quando apaga o "ooooooohhh..."
Procurámos uma igreja para nos aquecermos, por dentro e por fora, mas estavam todas fechadas.Acabámos a noite sentados na porta de uma Loja cara, de nome, como 3 mendigos , com uma manta e a comer bolachas, esperando pela hora de regressar ao nosso autocarro, a nossa casa ambulante por 3 dias.E foi uma experiência, única, pois nunca tinha sentido o que pode sofrer um sem abrigo, na rua.O frio era de morte, e o medo que alguém nos faça mal, não nos deixa repousar.Ali fizémos uma partilha do dia...que foi tão bonito com vocês.E comemos mais bolachas.
E nós de novo ali, em Paris.Onde tudo fazia muito mais sentido.Onde os caminhos eram conhecidos e onde os carrocéis estavam no mesmo sitío, com a mesma música.E tanta coisa acontece na nossa vida entretanto.
E Paris no mesmo lugar.Grande, luminoso, com pessoas diferentes, longe e de lá.
Com o Sena silencioso.
O regresso ao autocarro foi feito com satisfação.Todos estavam agitados, principalmente aqueles que nunca tinham estado em Paris.Foi bom ouvir cada um, com um brilho nos olhos.
Depois toca a aquecer e a dormir, esticada no chão, só acordei na Holanda...ás portas de Amesterdão.Dormi que nem uma pedra,quente e só acordava para me virar no exíguo espaço, que me pareceu uma cama confortável.Já estou tão habituada...que consigo dizer que gosto, de olhar e ver 3 ou 4 pés por cima de mim, e botas espalhadas pelo chão, mapas e lanternas, garrafas de água...uma confusão humana, mas feliz.Mas o coração arrumado e sabendo bem por onde ir.E como.
Até amanhã.




Aaaaahhh Paris!










Os narizes e as bochechas queimados e vermelhos do frio...


Paris, com trânsito a toda a hora...nunca dorme.










Experiência de mendiga, sentada na porta da Gucci ou da Prada não me lembro.Algo que nos impressionou e nos levou a reflectir sobre isso ali, terminou numa oração.








Os 3 fantásticos do raid de Paris 2008.
Vou lembrar-me sempre.Paris tem o nosso nome escrito no chão e nas fachadas.

Momentos de Luz, pelos olhos do Luís.






Arder...até ao fim.




O Duarte, num momento de oração...a sós.

Acenderam-se dentro de mim...




Se fechar os olhos ainda vejo este arco-íris!




Aqui, está o Luís, vestido com um saco do Lixo, o nosso trabalho no encontro de Bruxelas.
Obrigado pelo teu sorriso.Paz.E alegria.
(E pela música de ontem...)



Saudades destes dias.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Formação











Sim, posso dizer que aprendi.Há tanta coisa que eu não sei, e descobri,lá.Conheci pessoas "bonitas", que já partiram um dia, que querem voltar, outras que como eu ainda não partiram, outras que apesar da idade avançada, querem dar o tempo restante das suas vidas.Descobri com os outros em pequenas partilhas pela noite fora, descobri em palestras, descobri fazendo, tentando.Há coisas que não são fáceis, mas...fazendo se aprende.E não estamos sós.

Fazer missão, é bem mais do que ir, do que ficar lá e animar, ajudar, estar.É bem mais do que isso, embora tudo isto seja importante.Há mais, bem mais.

E é aqui que se começa a preparar a terra, a semear, muitas vezes para ver resultados no prazo de 4 a 5 anos,pelos quais fomos responsáveis numa infima parte.Mas fomos.

Somos apenas parte desse processo, não vamos nós, salvar o mundo, sozinhos como heróis, seremos sim, pequenas gotinhas de um enorme e vasto oceano, mas que bom que é fazer parte de uma corrente que arrasta, que muda, que renova, que quer ir.

Antes de nós há já feito, um grande e precioso trabalho.Saibamos nós dar-lhe continuidade e não o parar ou estragar.Saibamos nós acrescentar-lhe valor.

Não vamos para prestar assistência, mas para atacar as causas desde a raíz, aquelas que provocam o mal.Se formos apenas para assistir, naquele instante concreto, então não fizemos nada, porque quando regressarmos ao nosso mundo confortável, as razões dos problemas,lá onde fomos ser heróis não sei de quê,voltam a atacar e tudo fica na mesma.

Não quero dar o peixe.Mas quero ensinar a pescar, como estes dias aprendi.E depois poderei eu ensinar.E é este efeito multiplicador que pode ajudar e ser missão.

Mãos á obra.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Encontro de Formação








O frio aperta...mas hoje bebi do sol de Lisboa, do seu, tão seu, céu azul, limpo.
Tive um reencontro que me deixou muito feliz, o Domingos, da Consolata.Estivemos um pouco á conversa.Como não poderia eu reconhecer aquele rosto no meio das ruas da cidade, saltou-me á vista.Alguém que deixou em mim o bichinho da missão e me marcou muito.Alguém que continua a mudar o mundo, á sua passagem.




Desci calmamente contigo, até ao cais das colunas, que voltou a ser o que era. Gaivotas planavam por todo o lado, fazendo alarido...livres como elas só.A cada barco que saía, imaginavas como seria, se tu tivesses um e eu navegasse contigo pelo mundo.E eu pergunto-te, se já não o fazemos?Sinto que sim, que estamos no mesmo barco...
E ali a luz tocou-nos como nenhuma outra neste dia.




Amanhã começa o fim de semana de formação missionária em Fátima, regresso Domingo, um bocadinho mais perto daquilo que ainda não sei, mas quero tanto aprender.






Bom fim de semana e agasalhem-se bem, que está agreste.



quarta-feira, 7 de janeiro de 2009



New years day, and our Family, Frank's House!




O nosso dia de Ano novo, foi passado em família.Com aquela que nos calhou, neste dia, neste encontro.
Foi um dia calmo, frio, mas de paragem, depois de dias sempre a andar e a cumprir o programa, hoje era tempo de olhar para o novo ano que começava...de forma mais calma.
Depois da missa na parte da manhã, foi tempo de ir para casa e ajudar o Frank, a preparar o almoço para 10 pessoas!



















E assim, distribuimo-nos pela cozinha e pela sala, e tudo se fez num instante...havia no ar um espírito de entreajuda e o Frank, sabe receber de uma forma que a todos nos surpreendeu...





Tudo estava preparado para este almoço de dia 1, de forma demorada e calmamente á mesa, podemos conhecer melhor, este Frank que nos acolheu...de braços abertos, sem nos conhecer.
O Frank que já foi comunicador, que já foi educador de infância, que agora é enfermeiro, que tem 5 filhos, e o 6º é adoptado, o frank que se retira para a montanha para reflectir num mosteiro e que partilha connosco as histórias mais belas que ouvimos atentamente.O frank que está sempre a aprender e que tanto nos cativou.




Eu sentia-me quente por dentro, e pensava também na minha família, neste dia, o primeiro de um ano que nos vai trazer tantas coisas...tantas vivências, sentimentos, caminhos.Cada novo ano é uma promessa...um desafio por vencer...mas que nos faz pensar.








Brindámos á vida, e eu em segredo á amizade, á união entre os povos, a todos os desejos no meu coração.






Foi um dia tão bem passado entre todos, que nos sentimos em casa.







Lá fora impacientes, estes 2 tentavam entrar...agitados.Mas ao que parece a regra é que eles não podem entrar, mesmo assim numa das noites frias, um de nós compadeceu-se do gato e lá o foi buscar para dentro, para dormir com ele.











A relva no jardim acomulava gelo, e houve quem andasse de havaianas...







E este jardim, tinha também uma casinha de duendes, ao fundo...
Logo após o almoço e depois de arrumar a cozinha, foi tempo de descontrair, de ficar á conversa, de cantar, de saltar no trampolim...sentir o cheiro do dia, e a calmaria que ali se sentia.


















O André, encantado...






Uma imagem que nos transmitiu tanta paz...estes dias.Sobretudo neste dia.








E longe do frio, ali estivemos quase a dormir a sesta, depois a cantar e por fim a partilhar tantas coisas com o Frank.










E das duas uma, ou ele nos queria por a dormir, ou alegres, pois não parava de nos servir vinhos e licores que gentilmente tinhamos que aceitar...e que nos fez ficar moles, e com vontade de dormir.Alguns dormiram uma pequena sesta, pois o cansaço acomulado fazia-se sentir, outros como eu, deixaram-se ficar, pois dormir, para mim seria perder tempo, palavras, as horas deste primeiro dia...do ano de 2009, em tão boa companhia.










Os resistentes!






O Luís dando-nos música...







Foram estes rostos, que sabem tão bem como eu, como foi importante esta experiência...
O dia escurecia e a oração e o jantar na Expo, com os 40.000 esperava-nos a última do encontro...e mais uma vez, nos fizemos ao caminho juntamente com a multidão.





Primeiro percorrer o longo caminho com o Atómio...sempre em vista.


E depois do jantar, finalmente, parar, pela última vez neste encontro e ouvir Deus, estar com ele, agradecer-lhe...
Lembro que ali ficámos em silêncio largos minutos depois da oração terminar.E este silêncio era tão bom de sentir.Fui á cruz, estava pouca gente, sentei-me junto dela...e aquele calor, invadiu-me, revelou-me...essa força que trago comigo, que se contagia.















Depois da oração da noite, combinámos com o Frank, beber um chocolate quente, na baixa da cidade.O que acabou também por ser uma mini visita guiada ao centro histórico de Bruxelas...









Eis o famoso, e pequenissimo Manacan Pis...








Cores...em mim.








O chocolate quente na Maison des Crêpes, uma casa com mais de 100 anos...








O sentidos do Duarte...








E esta é a Irmã do Manacan Pis...na outra esquina...








O frio era demasiado...mas cedo regressámos a casa, onde ficámos á conversa...na cozinha.




O dia seguinte era o dia da partida.







Desde que participo nos encontros europeus, já pude experimentar tudo, desde dormir no chão, partilhar o espaço com 20 pessoas, ter um chuveiro para os 20, já fiquei longe de tudo, já fiquei perto, já partilhei de tudo, e nestas coisas, vou aprendendo que independentemente, das condições que possamos encontrar, quem acolhe acaba sempre por dar tudo e o melhor que tem, assim acontece connosco que chegamos, tentamos dar o melhor e tudo o que somos, a quem nos recebe.
Pouco importa como e onde vamos ficar, se sabemos que quem nos espera, confia como nós confiamos desde o momento em que deixámos a nossa casa e o nosso País, que o que fica deste encontro com o outro, o Deus que nos une e a sua cultura, é uma ligação bela e que em tudo transpira, PAZ.