Um dia n0 Alentejo...Ontem, assim que aqui cheguei, senti aquela quietude,que só o alentejo nos dá.
O meu Pai tinha vindo de manhã...e eu saí de Lisboa eram 18h, cheguei ás 21h.
Mal percorro a rua até casa dos meus tios, que já me esperavam, sinto o cheiro a pão e a bolos, tal como o cheiro das lareiras acesas, pois por aqui á noite o frio já aperta.
Entro em casa e o jantar ainda me espera na mesa.Outros sabores...
Posso-vos dizer que o meu Pai, estava com o olhar iluminado, de uma felicidade, ele adora isto, a tarde já a tinha passado na fazenda do meu tio, a apanhar algumas azeitonas, e a apanhar aquele ar que só o campo oferece.Ficou feliz de me ver e eu a ele.Não o dissemos, mas foi o "Já cá estamos!"
(Vista do castelo junto á barragem...)
Mas, desenganem-se aqueles que pensam que o alentejo é o local mais lento, onde nada se passa...
Um dia aqui rende e muito.Ora bem, hoje acordei a meio da manhã, com aquela paz...um pequeno almoço sem ser a correr, e o sol a entrar por todos os lados...Mas os meus primos já tinham feito imensas coisas, tinham ido ao mercado, já tinham andando a varrer o quintal, a regar as plantas, e o almoço não demorou a sair...ás 13h, almoçámos, e ás 14h30 estávamos a sair para ir beber café em Monsaraz, mas pelo caminho, desviámos e acabámos a beber café em frente ao alqueva, na marina da Amieira, um local agradável, recente, onde os barcos chegam e partem, das voltas por este imenso lago artificial...que trouxe vida e cor a este alentejo, quente e dourado.
(Imenso lago artificial do Alqueva...)
Dali, seguimos para Reguengos, ás compras, e tudo com calma.Chegámos a casa e depois de uma breve passagem pelo cabeleireiro,(foi mesmo breve, em 20 minutos, lavaram e arranjaram o cabelo á mimnha prima,lol), eu fiquei a olhar como imaginam, no meu cabelo não há muito a fazer...fomos até casa dos meus tios, mas o meu Pai e o meu tio, já tinham saído para a fazenda, parámos o carro junto ao portão, e já podia avistar o meu pai dentro do casão do monte, sentado na soleira da porta, com o chapéu na cabeça, com o ar mais feliz do mundo...ele no seu mundo.Deu-me tanto gosto vê-lo ali, depois de o ter visto preso a uma cama, sem sol, sem ar puro...Pela fazenda andava o meu tio, nas vinhas, ou de volta das oliveiras...lá ao fundo, com o seu chapéu branco.Dali vi o pôr do sol,respirei o entardecer sem fim, de braços abertos ao horizonte, depois de um dia ameno, em que pensamos, que só gostariamos de partilhar com todos aqueles que amamos, momentos assim.E foi isso que vim cá fazer, aperceber-me das pequenas coisas, das coisas que caracterizam um povo, o meu pai e também a mim.Aqui sinto-me em casa, uma imensa casa que nos acolhe...de tantas formas.Seguimos para jantar, onde as conversas voam entre gargalhadas e ficar á mesa é um acto cultural, também...o meu pai recordava episódiosde antigamente, pessoas, lugares que o fizeram hoje ser a extraordinária pessoa que é, e que já me ensinou tanto...
É por ele que aqui estou...e este reencontro com todos sabe bem...muito bem.A noite terminou, com os primos e a malta nova da terra, no Morango, o café mais movimentado de Mourão...ali estivémos á conversa, até que o sono chegasse.Depois vim sentar-me aqui e dar voz á alma.Amanhã, vamos passar o dia a Badajoz a 40 minutos daqui, pois é dia de mercado, um mega mercado, que tem de tudo...espero um dia de sol e ameno como hoje...Gostava de encontrar nesse mercado que tem de tudo, o que procuro, embora saiba que nem tudo o que procuramos na vida, vamos encontrar.No entanto sei, que aqui o meu pai vai encontrar ânimo e forças para os tempos que se avizinham.Eu por agora vou descansar, mas antes passo n0 quintal para ver as estrelas e ouvir os grilos cantar para mim!
(Apresento-vos o cão dos meus primos, o Nico, o dálmata mais simpático de todo o alentejo...)
Até amanhã.