sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Recortes


Campo Missionário - Portalegre





Embora já tenha passado algum tempo, só agora tive acesso a todas as fotos, e também só agora é que estou mais livre para dar atenção a este cantinho e de uma forma mais calma, poder partilhar o quanto foi especial, viver este campo.Com as pessoas que foram, no local que foi.
Por isso aqui ficam alguns momentos, daqueles que nos marcam para o resto da vida.(As fotos que estão modificadas, são para que o rosto das nossas meninas, não possa ser identificado, de modo a respeitar a sua privacidade, uma regra importante!)

O dia no Badoka parque e a surpresa de pintar com muitas cores, as camisolas que são um símbolo bonito do que foram estes dias!
Fazer alguém feliz, ver a alegria nos olhos do outro, respirar o que o mundo nos dá, proporcionar momentos únicos...são coisas que quero sempre, mas sempre fazer.
Mesmo que não faça mais nada.E quando me perguntarem o que estou eu a fazer, neste momento?
Eu vou querer dizer: A AMAR.
Porque ás vezes acho que é isso que sei fazer melhor,embora tenha muito a aprender, entre ser um grande cérebro e ser um coração, sou antes e sempre um coração.







1.Dia no Badoka Parque



O dia começou cedo, e a agitação logo se fez sentir, a mesma agitação dos dias anteriores, sempre que se falava no passeio.
Eu confesso que também estava um pouco anciosa, mas tudo correu muito bem, e as imagens falam por si.
Foi um dia tão bem passado, tão cheio de sol, e da luz, aquela luz que estas meninas possuem.



Nós bem cedo já estávamos cheias de energia!







No autocarro, foi uma animação, cantar, conversar, rir, uma viagem de 2h30, até perto de Sines, para um dia de Safari!





Cada vez que me lembro desta viagem, só me ocorre chamar-lhe, Viagem dos Afectos!
Uma viagem que acabou por ser uma grande descoberta para mim.Que me fez ficar mais perto deste mundo, que é tudo, menos diferente ou á parte.







A chegada ao parque, na fila para a bilheteira, éramos um grande grupo!












Mal podiamos esperar para entrar!












Wc, meninas e meninos, com dois bonecos Africanos, que ali ficavam mesmo bem!




No restaurante do Badoka, onde á nossa espera estava reservado um espaço e a ementa, pronta a servir.Um espaço muito agradável, que se tornou ainda mais divertido com a presença das nossas meninas!
Depois do almoço, uma pequena caminhada, até ao ponto de partida para o grande momento, o safari!Pelo caminho, uma natureza que convidava a estar ali, juntamente com o sol alentejano, quente e soalheiro, pelo caminho também surpresas que ora assustavam, ora surpreendiam!
A Ir.Noémia, que neste dia se dedicou especialmente a esta menina, muito querida mas muito, muito mexida!
Chegadas ao local da partida, ainda tivemos que esperar um bocadinho que chegasse toda a gente, de modo a encher o tractor, que nos levaria pela "Savana".







Por fim lá arrancámos...foi uma alegria, naquela parte de trás do tractor!











Os animais são muito amigáveis, aproximam-se de nós, e podem chamar-lhe tudo, menos selvagens!Acho que os milhares de pessoas, que já passaram pelo parque, conseguiram pelo menos, que eles estabeleçam esta proximidade que encanta e faz as delicias dos que lá passam!








Tudo ás riscas!





Afectos em dois mundos...






Estes amigos, comem o dia inteiro...










Ás vezes tinhamos que nos pôr em pé,para ver melhor, mas eram apenas segundos, pois os solavancos, mandavam-nos logo sentar!








A grande agitação, veio, quando nos deparámos com ele, o próprio BADOCA, uma girafa enorme, linda e muito simpática, quase entrou dentro do tractor e dava uma dentada na Leonor, que nem se mexia!

Aqui está ela com o ar mais meigo do mundo, do cimo dos seus 17 metros, e a Leonor quase a gritar!!




Entre muitos animais que vimos, há sempre aqueles com quem simpatizamos mais, por alguma razão!E o badoca é muito especial...











A Leonor nem olhava para trás!




















A avestruz, que queria comer um botão das calças da Catarina, muito meiguinha também, cada vez que um animal se aproximava era a loucura!









E mais uma vez a Leonor em apuros, quando a avestruz procurava ávida por um botãozinho onde se agarrar e começou a correr atrás do tractor!AHAHAHA!










A Catarina aqui ia destrancada, á sua vontade...=)

Depois da volta pelo parque, ainda por ali andámos, debaixo da chuva tropical e a comer um geladinho no pinhal!
Houve tempo para visitar a loja e comprar recordações!
E ainda conseguimos entrar na casa destas aves lindissímas, que nem se mexeram á nossa passagem!
No regresso ao autocarro, o cansaço fazia-se sentir mas a alegria que eu sentia nas meninas era fantástica!





A catarina, estava já a começar com sintomas de se sentir Trancada, mas as coisas pioraram...muito!








A Catarina começou mesmo a ficar trancada do lado de fora o que é dificil, mas ela lá consegue, e a aflição foi tal, que eu tive que a ir salvar!Destrancá-la...

RRRRIIIIIITAAAAAAA...DESTRANCA-ME!!!

E aqui depois da operação de salvamento, o seu ar feliz e livre!



No caminho de regresso, a viagem dos afectos!

Não há abraços como estes.Que são cheios e sentidos de uma forma que não posso descrever!


Lá fora o sol começava a despedir-se deste dia, que foi maravilhoso!E eu olháva para ele, durante alguns Km, perdida em pensamentos.





Á chegada a casa, há sempre uma mão pronta a ajudar!

Tinha chegado ao fim o nosso passeio, mas tenho a certeza que as meninas adoraram, pois no dia seguinte não se falava noutra coisa, eu fiquei muito feliz por poder levá-las assim pela mão a conhecer um pouco mais do mundo, que é tão grande.Mas fiquei feliz sobretudo, por ter aprendido tantas coisas com elas, tão lógicas, mas que nunca as tinha visto desta forma.

Obrigado!










2.Pintar com as cores do AMOR






Esta foi uma surpresa que nos deus muito gosto preparar, para a Susana e a Leonor que vão partir já no dia 15, para Moçambique.Eu a Catarina juntamo-nos numa sala, e aquilo é que foi dar ao dedo!
Foi também complicado, esconder-lhes fosse o que fosse, pois eu esquecia-me e "espalhava tinta por todo o lado".
Não as podiamos deixar partir, sem uma marca destes dias, para além das marcas que concerteza levam interiormente, esta camisola, simboliza as meninas desta casa, que ali colocaram o seu dedo, em 1000 cores.
Estas cores que pretendem enviar e acompanhar a sua missão, no Amor.









Claro que a actividade terminou com algumas caras pintadas, e narizes...mas sem isso, também não nos teriamos divertido tanto!








O resultado...=)





Ás tantas, quem já não nos podia ouvir era a Ir.Noémia, mas a nossa energia parecia que brotava mais ao fim do dia...reparem no seu ar de sofrimento, o que estes jovens lhe fazem!Não há direito.









Bom e os dias chegavam ao fim, sempre com muita alegria, depois da oração da noite de um chá e de boas noites como esta, em que eu estrafego, a Catarina, o sono vinha sem esforço, e o dia a seguir era cheio de novas surpresas e aprendizagens importantes!




Estas 4, formam mesmo um quarteto fantástico!




Com vocês, também aprendi muito.
A missão aconteceu ali, naqueles dias e momentos concretos, porque a missão acontece onde nós quisermos.Bastam gestos muito simples.Quase invisivéis, mas que valem muito.
Com vocês eu parto com o coração.
Até Breve, Leonor e Susana.
Eu e a Catarina por cá ficamos, caminhando.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Imortais - Mafalda Veiga

Imortais - Mafalda Veiga







E esta, vai inteirinha para o meu Pai.

"Eu sei que ainda somos imortais, se nos olhamos tão fundo e de frente...

É que eu quero-te tanto, não saberia não te ter.

É que eu quero-te tanto.

É sempre mais do que eu te sei dizer, mil vezes mais do que eu te sei dizer."

segunda-feira, 6 de outubro de 2008




Regresso, merecido, a casa!



















Depois de um mês internado, amanhã o meu pai regressa a casa.

Um regresso merecido, depois de tanto sofrimento, dele e nosso.
Depois de eu desejar tantas vezes, ouvir a sua voz, o seu ressonar á noite a ecoar pela casa, depois de o desejar sentado na mesa, ao meu lado a jantar e a comentar as notícias, depois de o desejar aqui, simplesmente.Depois de ele desejar o seu mundo, e ficar sem dores, certamente.

A sua alegria em vir para casa, é tanta...que hoje quis ir sentar-se na sala, para ver as pessoas a passar, fui com ele, ele apenas olhava lá para fora, para o mundo, que para ele parou por uns dias, não sabe sequer como está a temperatura ou que o tempo mudou.

Conheço bem esta sensação de se estar fechado e ancioso por voltar á realidade.À nossa pelo menos.

Hoje também o vi comer a primeira refeição de sólidos, com direito a sopa, arroz, legumes, e costoletas grelhadas, e para terminar pêssego.

E eu só sorria a vê-lo comer.Tudo funciona normalmente, agora.E pensar que há uns dias tudo estava parado, nada se desenvolvia...e o desespero era enorme.
Sabemos que as coisas não estão bem, lá por dentro, e que o que aconteceu pode voltar a acontecer, mas não vamos já pensar nisso agora.Uma coisa de cada vez.

Hoje reparei, quando ia á casa de banho, o quanto emagreceu...este mês que passou.Aquele meu gigante de outrora, está mais pequeno...mas por dentro igual.

Quando chegar a casa, vai recuperar isso tudo.Vai ter muitos mimos, poder descansar e quem sabe retomar algumas das suas rotinas, como ir á rua, comprar o jornal, fazer as suas compras, cozinhar aqueles pratos, que só ele sabe, e fazer as delícias de tantos que lhe conhecem este dote para a cozinha.

Tenho saudades dele, aqui.

Hoje, deixei para trás o quarto,os corredores, a cama dele, as pessoas que lá ficam e eu acompanhei...algumas ficaram piores do que as encontrei, já muito perto do fim, outras com mudanças drásticas, como o Senhor da Cama 2, que ia cortar o pé, pois já o cortaram e ele não pára de olhar para a sua perna...triste.Não diz nada.Disse-lhe adeus com a mão e ele respondeu.

O senhor da cama 1, caiu da cama durante esta noite, fez um hematoma interno e foi para os cuidados intensivos, já fraco.A cama estava vazia, havia apenas a preocupação dos filhos no corredor, de quem me despedi com o mesmo sentimento com que eles me deixaram por vezes, de confiança em Deus.

O senhor da cama 4, que falava muito sozinho, que agradecia sem fim e cantava para a janela, foi para um lar, disse o meu pai, pois eu já não o vi.

E o senhor da cama 5, Angolano, que dormia muito, que tinha sido operado, piorou bastante, estava com morfina, para as dores e com oxigénio, o filho disse-me que lhe davam apenas alguns dias.Fiquei abismada, pois não esperava, as coisas mudam tão depressa.

E depois na cama 6, o meu pai, a comer e a sorrir porque amanhã vem para casa, cheio de esperança, tal como nós, depois de dias que são para esquecer.Por agora.

Aqui deixo um obrigado, a quem se fez presente, porque sei que está mesmo, de coração, das formas mais simples, com oração, com um abraço, uma mensagem no momento certo, uma música na caixa de email, uma fotografia espantosa, uma surpresa simples ou apenas com o silêncio de estar ao meu lado a olhar o mar ao fim do dia, todos me surpreenderam muito.Mesmo quem eu não conheço e por aqui passou e deixou uma palavra de apoio.Se soubessem como é importante tudo isso...e como me ajudou e ajudará.

No entanto e porque tenho em mim esta veia da verdade, que me salta vezes sem conta, não posso deixar de dizer, o quanto me magoa, descobrir, que afinal nem todos estão do nosso lado, aqueles que mais esperamos que estejam, mesmo com laços de sangue...e outros laços, que sentiamos serem quase de sangue.

Sinto que estes momentos mais duros, serviram também para discernir muito bem, quem está, e quem de facto não está, pelas razões que desconheço.Aceito com Paz.

Tudo na vida é uma lição...e nos ensina.

Eu continuo a estar para todos.Todos.

E continuo o meu caminho, com o meu pai, sei que não será fácil...mas felizmente posso sempre partilhar o que vou sentido, e como isso me alivia...

Este meu cantinho, vai ganhar de novo a cor que lhe pertence...com melhores dias que eu espero, faz tempo.

E é com este sabor de esperança na alma que digo...









...até amanhã Pai!



sexta-feira, 3 de outubro de 2008



Boas Noticias



Depois de uma noite com o coração apertado, a pensar no meu Pai, ás 8h30 da manhã estava a ligar para o serviço de cirurgia, para saber se sabiam a hora da operação?
Qual não foi o meu espanto, quando me dizem do outro lado, que a operação do Sr. Miguel, doente da cama 6, em principio já não seria necessária, pois os intestinos começaram a funcionar á 1h da manhã de ontem.O que é um óptimo sinal.
Não sei como foi acontecer, pois as coisas estavam mesmo mal paradas, mas sei que fiquei tão contente, era isto que eu queria há tantos dias, que as coisas se resolvessem sozinhas...sem cortes, sem grandes agressões ao corpo, para além das que já tem tido.
Sei que comigo, estava tanta gente a pedir por ele, e a fazer força, que acredito que a nossa força tenha sido grande o suficiente.Acredito mesmo.
Hoje, senti uma esperança mais forte, mais precisa, mais quente.Hoje, desejei que fosse sempre assim, boas noticias, sempre para melhor.Se continuar(mos) a desejar, vai resultar.
Ao chegar ao quarto, deparei-me com outro Pai, a sonda retirada, a barba feita, as faces com mais cor, os olhos mais expressivos, e um ânimo diferente, a rir-se mais vezes.
Acho que ficou tão aliviado, tão contente...a 1a coisa que me disse foi: "Foi um milagre, foi nossa senhora das Candeias, a minha padroeira", a sua grande devoção, á padroeira da sua terra, alentejana, é algo muito forte.
Felizmente que o intestino, lá decidiu descontorcer-se, sozinho, sem ajuda das facas e bisturis, e menos sofrimento do meu pai.
Não sabem o gosto que me deu, hoje, á hora do jantar, ver chegar a comida e a cama 6, ter tabuleiro, ainda que só tivesse um caldo,(água de canja, mas sem arroz) e um sumo.Dieta líquida, para já, mas o gosto com que ele o bebeu, sentir que aquilo lhe ia reconfortar o estômago, depois de desejar tantos dias, poder fazê-lo.
No entanto, a parte má, vem quando encontrei o médico no corredor e falámos abertamente, e esta obstrução do intestino, pode e vai acontecer decerto mais vezes, faz parte da doença em si, e desta vez foi por um tris, foram precisos 12 dias sem comer e quase operá-lo, quando voltar a acontecer, não sabemos quantos dias vai durar, mas não pode passar dias a fio sem comer, á espera, pois vai enfraquecer.E a operação nessa altura será a única solução e será sempre um risco.
Por agora, vai continuar internado, mais algum tempo.E nós vamos viver um dia de cada vez, estando sempre ao lado dele.
Entre outras coisas que falámos, sei que o estado do meu pai, é crítico, sei que a partir de agora todo o tempo, conta mais, a conversa com o médico foi esclarecedora, mas não deixei de lhe dizer que o tempo de espera é responsável por isto...mas recuso-me a pensar já no pior, mas sim a saborear com ele cada pequena vitória, mesmo que muitas destas vitórias juntas, levem no fim ao que todos tememos, é preciso festejá-las, sorrir por elas, respirarmos de alívio, agradecer.Como hoje.
Tem sido um grande sofrimento ver o meu pai assim, estes dias têm sido dos mais duros que já vivi.
Pensar no futuro sem ele...dói.Uma dor profunda, que não se pode descrever.Não há forma de o fazer.
Mas a força surge...a cada dia.
Afinal, ninguém sabe o que vem a seguir, ninguém pode garantir que assim seja, todos sabemos que muitas vezes os médicos se enganam e a capacidade humana de resistir e lutar, vai além de todas as prespectivas.
E eu acredito que o meu pai está nessa parcela, dos que querem agarrar-se á vida.


Obrigado, Obrigado, Obrigado.

Immigrant - Nitin Sawhney

Porque me lembra o sol, a cor e o cheiro do Mar...o nosso riso.

Obrigado Paulo...por tantos momentos de verdadeira amizade.

Tens sido uma força.

Esperança...











quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Amanhã, adivinha-se um dia Duro.




Hoje entro no quarto, e no meu Pai o mesmo olhar parado e distante, mas por momentos parou em mim, nos meus olhos.Senti que me queria dizer algo.
A primeira coisa que reparo, é que a sonda está de novo colocada.
O sofrimento que foi tirá-la e colocar de novo...ontem á noite.
O resultado da TAC, saiu e o motivo dos vómitos, está explicado, uma obstrução do intestino(como se fosse um nó), que não se consegue resolver com nada, nem com sondas, nem com medicação...e já no 11º dia sem comer e beber.Apenas o soro alimenta o organismo.
Aquilo que eu temia, vai mesmo acontecer.A solução está na cirurgia, que vai ser amanhã.
Por um lado é bom, pois depois da cirurgia, poderá começar a comer...e fotalecer-se.
Mas temo que esteja demasiado enfraquecido.
A sua ansiedade é tal , que a tensão subiu para 20.Está num misto de querer ser operado, para ficar bem e num desistir, que não lhe é nada benéfico.
Hoje rimos muito, falámos das alcunhas dos velhotes lá da terra e das personagens que sempre marcam uma vida...por gerações.
Deu-me gosto vê-lo sorrir...tanto, mas tanto.Tentei ao máximo, não falar na operação de amanhã...mas o assunto ia sempre bater lá.
Estive muito tempo a conter-me, para não chorar, e nunca chorei ao pé dele...mas hoje, hoje foi diferente.
Hoje disse-me quando me despedi: "...se não nos virmos mais, encontramo-nos no céu, um dia."
Aí desabei.
E ele também.
Acredito que aquelas lágrimas nos tenham feito bem, aos dois, estavam guardadas numa solidão que nos vai protegendo de não colocar o outro triste, de acharmos que somos fortes.Mas não somos.Há momentos em que se devem deixar correr essas lágrimas...e foi o que fizémos.
No fundo penso que ele pode ter razão...pode estar certo,pode sentir as forças irem-se de dia para dia, mas sei que não perdeu a esperança.O que me anima é querer que tudo corra bem e acreditar tanto, que mesmo que me digam o pior, saberei sempre que há uma força que ninguém controla e alguns desconhecem, que brinca com a nossa vida como peças de xadrez.
Muda daqui para ali e dali para aqui, com destreza.E se Deus quiser, ele vai aguentar esta cirurgia.
Amanhã, ás 10h estou lá para passar o dia com ele, até que vá para o bloco, até não me deixarem passar aquela porta.
E estarei na mesma porta para o ver sair e sorrir-lhe, com todo o meu Amor.








(Se alguém quiser aparecer por lá, para fazer-me companhia, é bem vindo, pois a espera sozinha custa mais.)

Não consegui chegar...









O mês de Setembro já lá vai, e o dia 1 de cada mês é sempre uma promessa, não sei bem de quê.

Setembro foi o mês do campo missionário, de algumas certezas, e também do agravamento do estado de saúde do meu pai, o que vai fazer com que me lembre sempre deste mês com um misto de saudade pelas coisas boas que vivi e de preocupação, pelas que estou a viver.

Hoje, estava tudo um caos com a greve, não consegui chegar ao hospital a tempo de ver o meu pai, pois os autocarros além de cheios passavam de 2h em 2h.

Fiquei triste.Muito triste.Foi o 1º dia que falhei.

Compreendo que a greve seja um direito e necessária, mas quando sei que milhares de pessoas eram para ser operadas e não foram, quando outras tantas esperaram meses por uma consulta e no fim não tiveram...tendo sabe Deus que esperar mais outros tantos, até que remarquem.

A greve nos serviços de saúde acaba por se tornar muito grave.Nos transportes ainda se vai dando um jeito, tal como em outros sectores, mas na saúde é brincar, com um sistema de saúde já por si deficiente e pobre.

Mas a minha mãe conseguiu chegar, pois foi a meio da tarde e não á hora de ponta, e esteve com ele.

Sei que ontem á noite lhe tiraram a sonda, finalmente e que começou a beber chá.

No entanto, quando tudo parece estar bem...não está.Os vómitos recomeçaram e por isso, continua sem comer nem beber.E voltou a sentir dores.Nada fica no estômago...fez uma TAC, para ver o que se passa e mais noitícias, só amanhã.

Juro que por momentos respirei fundo de alívio, mas quando percebi que tinha piorado, caí de uma altura enorme...esperámos tanto que aquela sonda fosse retirada, e agora não sei.

Não sei.

Não vale a pena perguntar onde anda Deus, nesta altura, porque sei que está precisamente ao nosso lado, como sempre esteve e não nos vai deixar.

Por isso continuo a esperar e a confiar.Não tenho feito outra coisa.

Eu e uns tantos que Amo, que comigo caminham.

Amanhã é outro dia.

Boa noite.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sigur Ros - Hoppipolla

E um dia também seremos velhos, e essa é uma parte da vida, que ainda não sabemos como vai ser...mas se for assim, valerá a pena, como eternas crianças, felizes com as pequenas coisas.

Fica mais um sonho, bonito...Veio das mãos do Helder Jacinto.

Obrigado Amigo!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Sigur Ros - Glósóli








Nas últimas noites tenho sonhado muito...não me lembro ao certo do quê...mas mexo-me muito durante a noite, acordo...e volto a sonhar, mas não sou capaz de me lembrar.Talvez a agitação destes dias me deixe anciosa.

Quem me dera que os meus sonhos fossem assim...como os que aqui deixo.

Porque um dia, todos nós já fomos crianças e criámos mundos, e dominámos terras e tivemos o nosso bando...corremos sem fim, amámos da forma mais pura, adormecemos na terra e achámos que era possivel voar...e voámos mesmo.

Se é que ainda não somos assim e continuamos a voar...e a acreditar.

Sou e serei uma eterna criança...



Do exterior para o interior...para o teu quarto.





















As minhas visitas ao hospital, são cada vez mais frequentes, há pelo menos 19 dias que ando nesta rotina.
Aos poucos, vou começando a integrar este trajecto, todos os dias, o caminho até lá, o átrio cheio de gente que chega, que parte, mas sobretudo que espera, os espaços, o mesmo corredor, o elevador, o corredor de novo, e por fim o quarto, a cama, o meu pai, o beijo na testa, o sorriso, e a pergunta: "Como te sentes hoje?"


Aquele quarto,vai-se tornando numa pequena comunidade, onde já nos conhecemos, inclusivé as visitas dos outros doentes.Há ali um sentimento de compreensão.Pois todos eles, com problemas diferentes, sofrem e estão ali fechados.


Já sei um pouco da história de cada um, e há de tudo.


Na cama 1, está um senhor, de 73 anos, a que tem dois dedos do pé negros, os dedos estão mortos, não mexem, não doem, nada, como é diabético pensam cortar-lhe os dedos.O homem está numa aflição tal, que só fala nisso.


Na cama 2, o mesmo quadro, diabético, não fala, dorme sentado, com as pernas penduradas para fora da cama, sem se encostar a lado nenhum, nunca recebe visitas, pelo menos quando lá estou, e tem um pé ligado, que será para cortar.Mas ele tem um olhar, curioso, apesar de não dizer uma palavra, olha muito para nós e observa tudo.Sinto ali um certo abandono...


Na cama 3, um senhor da idade do meu pai,com o mesmo problema de base, que o meu pai, cancro do cólon.Também vítima de um hospital que deixou andar, se fosse assistido a tempo, estava bem melhor.
Ele está sempre acompanhado pela mulher e pela filha, que fazem tudo ao pé dele, quando ele come, elas também comem, para lhe fazer companhia, quando ele vai á casa de banho, fazem-lhe a cama, ajeitam-lhe as coisas, com imenso cuidado.Hoje vi uma cena, entre esta família, que me impressionou muito, ele estava cheio de dores, contorcia-se na cama, e elas uma de cada lado, agarravam-lhe nas mãos, e ele chorava em silêncio, mas podia ver-lhe as lágrimas a cair, a certa altura a filha tira da gaveta, uma pequena cruz de madeira, e mete-lhe na mão e fecha-a.E ali ficaram, até que a enfermeira viesse dar medicação para as dores.Com ele.


Na cama 4, um senhor muito idoso,muito magrinho, mas muito engraçado, do mais cómico que há,na cama junto á janela, ali está, com as suas expressões únicas, todas as enfermeiras gostam imenso dele, o seu problema não sei qual é, mas quando precisa de alguma coisa, seja levantar a cama, seja beber água, eu que estou ali, vou lá e depois agradece sem fim, dizendo: "Muito obrigado, muito obrigado, obrigadissímo, Muito mas muito obrigado, linda menina."Mas tantas vezes, que já eu me sentei junto do meu pai, e ele ainda está a agradecer.Começo a rir-me como toda a gente, porque depois ele fica a cantar baixinho, olhando para a janela.


Na cama 5, um senhor Africano, que era engenheiro civil, fala muito da sua terra, Angola, tem o mesmo problema que o meu pai, mas já foi operado, está a recuperar, dorme a maior parte do tempo, quando recebe visitas, continua a dormitar, não se importando com elas.


Na cama 6, o meu pai.


E não sei bem o que dizer.É o meu pai.


E imaginá-lo ali,falar dele ali, é sempre estranho...o cenário dele, seria mais uma planicíe alentejana, extensa, e doirada...
Ele passa o tempo, de barriga para cima, destapado, olhando muito para o tecto, para longe, faz-me perguntas sobre casa, sobre mim, sobre a vida que corre lá fora, consigo por vezes arrancar-lhe o riso, mas a preocupação que sente, não o deixa prolongar esse mesmo riso.
Conta-me como foi a noite, e quando chega a hora do jantar, custa-me muito estar ali, pois ele não come e não bebe, devido á sonda que está a limpar o sistema.Mas o cheiro da comida invade o quarto.Nós quando não comemos umas horas, ficamos com dores de estômago, eu não quero pensar 7 dias.
A sonda é para ele a sua maior "inimiga", implica muito com ela, pois aleija o nariz e a garganta, e todos os dias me diz, que amanhã é que vão tirar aquilo dali e vai começar a dieta líquida.Mas enquanto a sonda não estiver limpa, não a podem tirar.Mas eu vou-lhe dizendo que tem que ter um pouco mais de paciência, que depois aos poucos vai voltar a comer...e ficar forte, para se poder tratar.Que vai correr tudo bem, que tem que ser ele a querer.


Acaba a visita, e chega para mim o momento mais duro, deixá-lo.
Ás vezes só me apetece voltar atrás...na janela grande do corredor central o sol põe-se lá ao fundo, por trás da serra de Sintra, e eu vou-me lembrando que há sítios tão melhores para o ver pôr-se...mas ali também tem a sua beleza, também conta e há-de marcar.


E assim, se vão passando os dias, sei que o que tenho escrito estes dias, tem sido meio cinzento e são situações em que não há muito a dizer.


Apenas confiar.


É o que fazem as pessoas daquele quarto, daquele hospital, de outros quartos que não sei, de muitos hospitais...do País e do mundo.


Eu também confio, e sei que melhores dias virão, por agora vivo estes, um de cada vez.









(Queria ter uma varinha de condão e curar o meu pai.Tenho uma, que espalha amor, ajuda, mas não chega.
Alguém sabe onde se arranjam aquelas que curam?)





segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Noruega...?

Era, era isto que queria muito fazer contigo...

Do nada, vens tu e desafias-me a mais uma aventura por aqui...daquelas, nossas e antigas...

E eu? Eu não sei o que fazer, agora pelo menos, não tenho cabeça.

Mas ainda tenho coração.

O tempo.Só o tempo.

domingo, 28 de setembro de 2008

Um raio de sol.





No meio de tanto cinzento, um raiozinho de sol, sabe bem.

Este quarteto, dá-me vida.Dá-me essa luz.Um quarteto missionário.

Hoje foi o envio da Susana e da Leonor, para Moçambique.

E ao vê-las, a alegria é maior, o abraço é terno e sentido, saudoso pelo que se viveu.

Por cá, fico eu e a Catarrrrrina, em formação e confiando no caminho que Deus traçou para nós, seja quando for.

O dia foi cheio de reencontros que pertencem a um passado feliz.

Mas olhando para o presente, foi tão bom sentir esta família hospitaleira, que acolhe, e onde nos encontramos, é uma festa!




Hoje vocês foram este raio de sol, que precisava e que bom é estar com vocês.

Obrigado pela força, pela alegria, pela amizade que acaba de nascer, mas espero que perdure, nesta paixão á missão.


São lindas.Pessoas lindas.






(A foto é do campo missionário, com um ar esgotado e ás tantas da manhã...)








Bom depois, fui visitar o meu pai...e lembro-me de entrar por aquele hospital adentro, com uma confiança e uma energia positiva, disposta a fazer com que ele a sentisse.
Esperei 1h no átrio, pela minha vez, o que me permitiu observar o que as pessoas vão sentindo, fazendo, enquanto esperam, desesperam...e de como é duro, enfiar crianças a tarde toda ali.
Entrei por fim, cheguei e encontrei o meu pai um bocadinho melhor, com tudo já a querer funcionar, dentro dele...e fora também.Falamos muito, ele adormeceu enquanto eu fiquei ali, a olhar para ele, a comtemplá-lo.Os seus traços, o seu rosto, o seu ressonar, tudo...
Depois acordou e estava na hora de jantar, o cheiro a comida invadiu o quarto, mas ele não podia comer.Nessa altura até a mim me custou...imagino a ele.Tentei distraí-lo, conversando, mas ele insistia em repetir, que não comia há 6 dias e que não sabia como se ia aguentar.
Aí, tive que lhe dizer que para nos curarmos, temos que fazer sacrificios, por mais que nos custem, também eu já os fiz...e estou bem.Na altura custa muito, mas um dia olhamos para trás e pensamos, que aquele sofrimento nos valeu a vida, e que o dele, vai valer a sua também...por muitos e bons anos...se Deus quiser.
E Deus quer.
Não quer?

sábado, 27 de setembro de 2008



O dia de hoje...



A tarde foi passada no hospital, com um pai, que está todo entubado.Tubos no nariz, tubos, na barriga, tubos nos braços, tubos, tubos e mais tubos.
Não come, nem bebe há 5 dias.E ainda terá que esperar mais alguns dias.
As dores são fortes e o ar cansado, demonstra bem o que sente.
Ainda o fiz rir, com as minhas baboseiras, mas o seu sofrimento é maior e logo nos damos conta disso.
Não sei se sabem o que é, vermos a pessoa que aos nossos olhos era um gigante, e tinha muita força, e nos carregava ao colo e ás cavalitas, deitado numa cama, assim.E nós sem muito poder fazer, para além de estar ali.Estar.
No átrio das visitas, encontro uma ex-colega de secundário, ela chama-me e chegamos á conclusão que estamos ali as duas, pelo mesmo motivo.PAI.
Pai doente, pai que foi vitíma de um serviço de saúde que deixou arrastar, acabamos a conversa num abraço, que me soube bem, pois não o esperava...de todo!Um desejo de força e coragem.
Regresso a casa, dormente por dentro, sem pronunciar uma única palavra.
A noite, reserva-me a companhia de um amigo e do som do mar, para poder talvez chorar a minha dor, respirar, mas quem sabe acabar a sorrir e assim adormecer mais leve.
Mas amanhã...acordo e vejo que isto não é um pesadelo, e começa tudo outravez.
Esta dor é das fundas.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008




Longas horas tem um dia...especialmente quando sofremos!


















Indignação.Impotência.Sofrimento.Esperança.


São algumas das palavras, que definem o que estou a sentir neste momento.Bem como toda a minha família.


Sei que reclamar para o mundo, não vai adiantar nada, não trará de volta a saúde ao meu Pai.Mas reclamo aqui, neste meu cantinho, onde sei que sempre tenho voz, e uns olhos atentos que me lêm e fazem força comigo.Sei que lutar contra um hospital, é uma batalha quase sempre perdida...pois um médico é sempre um médico e acha que nunca erra.Mas tenho a certeza que os médicos que têm acompanhado o meu pai, foram para com ele incompetentes, pouco interessados.E porquê?Porque o meu pai não lhes pode pagar 5.000 euros, para ser operado no dia a seguir nas suas clínicas particulares.Logo não lhes interessa.Pode definhar, pode agunizar, que isso, para eles é comum.
E os utentes, confiam neles, como se fossem Deuses, para lhes dar de novo a vida com qualidade, que perderam.


Hospital Amadora-Sintra, este é o local onde nunca ninguém pode desejar cair, eu ousaria talvez em chamar-lhe, de "matadouro" público, onde alguns têm a sorte de se safar, depois da penosa experiência que é um internamento ali.Para não falar nas urgências, que têm tempos de espera de mais de 20h, em pé, nos corredores e sem quaisquer condições.


E falo, falo porque sei, porque infelizmente o meu pai, tem sofrido horrores naquele hospital, e o seu estado agrava-se de dia para dia, porque faz parte de uma lista de espera, de milhares de pessoas, que anseiam uma operação, uma cama, uma vaga...para lutar pela vida.


Ele tem sido um guerreiro, a operação estava prevista para Março, para retirar algo muito simples,que se fosse retirado a tempo, não estaria a espalhar-se por todo o seu corpo desta forma.Já lá vão 7 meses, de espera, de mau estar, de incerteza...e certamente de agravamento visivél aos nossos olhos que o acompanhamos todos os dias.Ainda assim, uma espera esperançosa, um olhar para o futuro e para as coisas que ainda quer fazer no seu alentejo, ao pôr do sol, debaixo das oliveiras...onde eu acredito que ainda sorrirá.


O último internamento durou 15 dias, e ontem teve finalmente alta, mesmo queixando-se de dores e não comer nada nem beber há 2 dias, mas a resposta que obteve foi:"Procure o seu médico de família, não temos camas, e pensamos que a sua situação está estabilizada."


A minha indignação, em saber que a situação estava tão estabilizada, que passado algumas horas de estar em casa, voltou imediatamente para as urgências, com dores, e sem conseguir comer ou beber nada.Na urgência ficou das 17h, ás 5h da manhã, num corredor á espera de ser visto.Finalmente foi observado e encontra-se no S.O (serviço de observação), onde ainda está, pois não há vagas nas enfermarias.


O que dizer disto?O que pensar?O que fazer?


Mas quem manda um doente para casa, sabendo que ele não está bem?


É revoltante, uma pessoa que como ele trabalhou a vida inteira, honestamente, fez os seus descontos, e no fim depara-se com um sistema de saúde que em tudo falha, que não dá vasão, que investe tanto dinheiro, mas que não demonstra quaisquer resultados.


Impotência, por não poder tirá-lo dali, suprimir a sua dor.


Sei, que num hospital como o IPO, quanto a mim o melhor hospital que conheço, apesar de não se novo, mas que dá resposta rápida ás necessidades dos doentes.Ali luta-se todos os dias pela vida, por todos os meios, com todas as forças, quem lá trabalha, não vê só dinheiro, vê as pessoas que trata, e cuida delas, com um amor, dificil de encontrar.Eu sei, porque já recebi esse amor, e já senti na pele essa entrega que salva.Se alguém precisa de ser operado, isso é feito assim que há oportunidade, mesmo que para isso, se opere durante a noite e madrugada, se façam horas extraodinárias...o que importa é salvar uma vida.


É essa a função de um médico...não de arrastar as coisas, como se não fosse nada com ele.


É porque não sabe a esperança que ainda temos dentro de nós, mesmo que receie que seja tarde demais.


Mais dias de internamento, mais dias com o coração inquieto...mais uma luta.
Mais fé também.Não sei como tenho aguentado estes dias...a nossa força, pode sempre parecer suficiente, mas a certa altura precisamos de um abraço, de uma voz amiga, de perceber que estão connosco, pois o medo também grita dentro de nós.Medo de não saber o que vai acontecer.Mas ainda assim confiar.
.


E é nestas alturas que vemos, quem de facto está connosco.E podemos achar que estamos rodeados de montanhas de pessoas, sim de facto estamos, são as pessoas, que partilham connosco festas, aniversários, saídas, férias,momentos felizes e assim a amizade é muito fácil e não dá trabalho algum...


E então os momentos como este?Não fazem parte da amizade?


Vida.Pois cada um tem a sua.


Pois a vida dos meus amigos importa-me.Preocupa-me.Motiva-me.Alegro-me e choro com eles.
Mas os amigos, revelam-se, ao longo da nossa caminhada, sobretudo nestas alturas e muitas vezes essa palavra de apoio,esse abraço, vem de onde sempre veio, dos portos seguros,que longe ou perto nunca nos deixam ou então de onde não esperávamos que viesse.E surpreende-nos.E aconchega-nos.
Há dias que não podemos esconder a tristeza, e eu todas a noites acendo uma vela, e peço do mais fundo de mim, que tudo acabe bem.














Obrigado a todos os que estão comigo e por isso com o meu Pai, através dos gestos mais simples.No coração.



quarta-feira, 24 de setembro de 2008


Fraguemento de uma leitura...




[...]

Quem te dera teres-lhe este amor. Quem te dera que ele pudesse ser o homem que imaginaste, sempre que não conseguias dormir – sempre.

Ele é bom e é bom para ti mas, quando pensas nele, há sempre um mas.

Só que ele agarra-te pela cintura e fala-te de estrelas e diz que és uma cidade com muitos corações a baterem dentro de ti, que as ruas ensolaradas de Lisboa são como os caminhos do teu afecto, que os teus cabelos negros são as amarras invisíveis que o prendem aqui, que tens nos olhos todo o encanto das tardes de Verão passadas por aí. [...]

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Please

Please - Lamb

Já passaram 11 dias, e continuas no hospital.

Esta casa, está demasiado vazia e silenciosa sem ti.

Quando entro em casa, quando me sento á mesa, quando quero rir-me contigo de alguma coisa...

És-me essencial.

Continuo a rezar...com todas as minhas forças.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Hoje chegou o Outono...












Hoje, digo adeus ao verão e abraço o outono.
Desde míuda, que faço questão de assinalar de alguma forma a chegada de uma nova estação.
É algo mágico para mim...marca algo que ainda não sei.Traz recordações que no entanto, sei de cor...
Gosto das estações intremédias, como a primavera e o outono, pela suavidade com que nos beijam, pelas suas cores...
Na verdade, sei ver em cada uma, o que tem de melhor e tirar proveito disso mesmo.
Esta é das estações do ano, que mais gosto, pode até ser nostálgica, deixando a saudade de um verão cheio e solarengo, mas gosto das suas tonalidades, do seu cheiro a castanhas assadas pelas ruas, gosto das primeiras chuvas, gosto do fresco que cai pela noite e de procurar de novo os agasalhos arrumados na gaveta, gosto de pisar folhas secas e ouvi-las a estalar...gosto até que os dias sejam mais pequenos e sinta por mais tempo o aconhego do lar e o valor da chuva na janela e uma caneca de chocolate quente na mão.Pelas ruas, ouve-se o burburinho dos míudos que regressam ás aulas, entusiasmados...
Sei, que em breve a chegada das estações para mim, será algo que não poderei celebrar, porque não darei pela sua chegada...ou simplesmente porque, onde estiver podem não existir.
E eu, dou por mim a pensar que a vida é mesmo um ciclo, que nunca é igual, na sua essência, apenas na sua ordem.
A essência somos nós...e as cores com que pintamos os dias.
Pinto, pinto, pinto...


domingo, 21 de setembro de 2008

Ponto final.Parágrafo.






Espaço "parágrafo caffé"...Almada,Cais do ginjal...tão parte de nós...
Algumas recordações que guardo daquele cais, voltam.
Ali ao lado fica o "Ponto Final", um restaurante único,pequeno e acolhedor, onde é possivel ter um jantar agradável sobre as águas do Tejo...com a melhor vista sobre Lisboa.










Já no parágrafo, encontramos um ambiente especial,as caracteristicas do bar e a música de fundo, Jazz, tocado pela nova banda do Paulo, assim se fez aquela noite.








A fazer lembrar outros tempos...
Estava pouca gente...e isso, trouxe-me a calma, no fim de um dia agitado.
A noite prolongou-se pós actuação ,facilmente nos deixamos levar por dois dedos de conversa naquele terraço!E o sonho vai longe...tenho a impressão que ali, naquele cais, seja manhã, fim de tarde ou noite, a magia permanece.E há sempre mais a descobrir.
Não deixem de visitar.


Até breve...Ponto final, parágrafo!!!

sábado, 20 de setembro de 2008

Campo missionário

8 a 17 de Setembro

Centro de recuperação de Menores - Assumar - Portalegre






Ainda não me sinto preparada para relatar esta experiência, que em tudo me abanou...mas ficam as imagens e algumas impressões, ainda que ao de leve.



Nunca tinha trabalhado tão de perto e durante tanto tempo, com crianças e jovens portadores de deficiência mental e fisica, profunda e moderada.Foi um desafio que aceitei.
Descobri, que há quem dedique a sua vida inteira a ser mãe e pai destas meninas, com um amor maior que tudo...capaz de abraçar a maior diferença.









Aos poucos fui aprendendo, que são elas que nos ensinam a vida, e que nós nada sabemos...







Porque na sua diferença, há muito de igual, ao que somos...



E para as fazer felizes, bastam gestos tão simples...não exigem, não julgam, amam do seu jeito...auxiliam e são sensivéis a tantas coisas que nós não vemos.

As manhãs eram passadas nas unidades, a ajudar em tudo o que fosse necessário, e as tardes de formação...pela tardinha, voltávamos, para o jantar e deitar as nossas meninas, com o carinho de mães.


Eu e a Catarrriiinnnaa, a minha companheira de missão, que me ensinou muito, me aturou muito e fica para sempre o que partilhámos, partir contigo em missão seria uma alegria enorme.



Um reencontro com o passado, mas num presente muito concreto, a Ana Lucas, que nos foi visitar no dia da missa de envio da sua mana Leonor, para Moçambique.Ela que caminhou comigo durante 4 anos um caminho que me permite hoje, estar aqui, com mais clareza e certeza...




Passagem do testemunho, das meninas que chegaram de Moçambique e das que vão, a Leonor e a Susana.










Um envio, que em tudo teve simplicidade...





A Leonorrra, pronta para partir, com a Tishirt que lhe pintámos, a cruz da missão e a sua capulana com o Badoca.Obrigado pela tua alegria, que contagia...




Trabalhando para dar cor á casa e festejar a vida...por mais dura que ela seja.



Colorindo...

E aqueles corredores encheram-se de cor...


As nossas meninas no pátio, prontas para a festa!


Melhor que o Assumar não há...não há, não há...



Foi a alegria...

Cantar, cantar, cantar...



Depois de uma semana de trabalho e formação, pelas unidades, houve um momento que foi um obrigado, muito simples, ao que elas nos deram...de tão valioso.

E no regresso a casa, ficam os sorrisos missionários e dispostos a dar a sua vida...





Aqueles corredores, permanecem agora no mesmo silêncio, em que os encontrei...e isso custa-me,mas na memória e no coração de todas nós, de quem lá ficou e de quem partiu, está a alegria destes dias...algo que não se explica.Algo que estou certa, ficará para sempre.
Sei que a vida ali dentro, pode ser sempre igual e sem cor, mas em que outro sitio, encontrariam elas um lar?Alguém que as ame, como aquela equipa de, Irmãs, Psicólogos, enfermeiros, educadoras, auxiliares...todos.
Capazes de as aceitar como são, e prolongar a sua vida, com os cuidados necessários...e dignos, como merecem.
Amando-as.Só assim é e foi possivel.











Prometo voltar.
Pelo natal.
Até breve.




(ainda faltam as fotos do badoca parque, onde passámos um dia maravilhoso...)

quinta-feira, 18 de setembro de 2008






Ainda a aterrar...





Há dois dias que estou em Lisboa.

Deixei para trás o sossego de um alentejo ainda quente e dourado, dos fins de tarde rosa e as noites de lua cheia no céu salpicado de estrelas.O canto dos grilos.O nosso canto...alegre!Uma vida em comunidade.

O sorrisos de quem me acompanhou nesta missão.

As vidas daquelas meninas que me fizeram ver tanta coisa.Crescer.Mas sobre essa experiência falarei mais tarde.

Por aqui já tive tempo de estar com o meu pai, e perceber que a minha missão agora, é ele.

Já tive tempo de resolver e decidir algumas coisas aqui no meu coração, de rever rostos e lugares, de me embrenhar na confusão da cidade, de não ter tempo para escrever como tanto gosto, mas de estar em paz, aceitando o que vier de coração aberto, confiando sempre.
Mas ainda não tive tempo de voltar a mim, de me sentir aqui.

Estou preocupada, com o meu pai e isso tem-me absorvido os pensamentos...o tempo.Pudesse eu tirar-lhe o sofrimento...e trazer-lhe de volta o que vai perdendo, lentamente.

Mas enquanto há vida há esperança!Essa nunca eu hei-de perder.

Rezo.

Rezem.