sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ainda Monsanto...
Há imagens que não posso deixar de partilhar, pelo que me fizeram respirar fundo...e olhar sem fim o horizonte, sentir orgulho deste Portugal profundo e mágico, que não pára de me surpreender!
Ao longe da estrada...o monte de pedras, confunde-se com a aldeia.




Esta imagem é talvez a mais bela de todos estes dias, a que mais me marcou, foi a primeira imagem que vi, ao fundo de uma rua,ao sair do carro, estavam sentados á conversa, ou paravam para olhar simplesmente o horizonte...lá ao fundo voava uma ave, que não pude identificar, mas que foi a cereja no topo do bolo!
Esta imagem tão comum, a quem vagueia pelas aldeias deste País, e encontra saudosos, velhos emigrantes, que longe deixaram a sua luta, para agora descansar na paz da sua terra natal.
É o meu desktop...por uns dias.Tem alma.

O casario...


Ah um céu azul, e um horizonte a perder de vista...que saudades!








Vamos subir ou não?huuuummm...pois, fica para a próxima...






A D.Grancinda, a quem o Jorge teimava em chamar D.Felizarda...lá felizarda ela era, pois tinha um amor á sua terra como eu nunca vi...dava gosto!Mas no fim de estarmos á conversa ainda nos disse: "pois vocês é fotografias, fotografias, mas comprar marafonas nada...!", LOL


Uma espécie de gruta...


UUUHH, MEDO!


Será que eram morcegos...?





Mais uma vendedora de marafonas, na porta da sua casa...estas pessoas vivem nas rochas!!





Descobrir recantos!


A madalena é muito forte, consegue com um pedrego destes á cabeça...e ainda sorri para a foto!


Ai Portugal...






O nosso País é lindo.

Lucky by Jason Mraz Ft. Colbie Caillat

Lucky - Jason Mraz Ft. Colbie Caillat

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Nasceu um Blog, uma alma musical...











Nasceu mais um blog, A ALMA MUSICAL, e eu ajudei ao parto, recomendo vivamente, ou não fosse o blog do meu melhor amigo...o amigo de sempre, de todas as horas, que não falha e retorna sempre ao abraço eterno e seguro.

Bem vindo á blogoesfera!




quarta-feira, 3 de setembro de 2008



Timor, espero por ti...
...e sei que tu já esperas por mim!




Aprender foi, o verbo que mais conjuguei dentro de mim,durante estas férias...
Olhando para trás, tanto que vivi e recebi.
Foram férias de entrega, também com algum descanso pelo meio.Sinto que não parei, fisicamente, mas o fiz imensas vezes interiormente, o que me ajudou a decidir tantas coisas.
Só posso estar grata...por todas as pessoas que entraram na minha vida de uma forma tão bonita, pelos abanões que levei e me acordaram...pelo que os olhos levaram ao coração e lá depositaram, com cuidado.
Já não será segredo para ninguém, que mais dia menos dia, o meu desejo é partir em missão.
É um desejo antigo, que me vi forçada a calar, por momentos menos bons, que já lá vão.Fazem parte de um passado, que me fez...e me envia, com mais amor e mais resistência á dor e ao sofrimento.No entanto nunca vimos tudo...e o que ainda há para ver...

Entregaram-me nas mãos, Timor.
E eu sem hesitar, disse SIM.






Podiam ter-me chamado, para qualquer canto do mundo, eu iria.Sei das minhas limitações, mas sei também que as maiores limitações do homem, estão na cabeça e na sua forma de pensar.
Esta alegria que me caracteriza, que me ajudou a lutar contra a morte, é tempo de a canalizar para quem mais precisa...
Estou decidida a deixar o mundo bem melhor do que o encontrei, nem que sejam apenas sorrisos.
Mas sei que isso não chega.








O local para mim não importa, contanto que vou estar ao lado dos que pouco ou nada possuem.
E eu, eu aqui tenho tudo.Tudo e mais alguma coisa.Tenho demais.
É tempo de aprender a viver com bem menos, abdicando de uma série de confortos e caprichos, que até aqui eram normais, mas que sempre me fizeram uma certa confusão.



Tenho para mim que ser missionário é proclamar com a vida e com a voz, que Deus nos ama. A linguagem dos gestos é universal e de fácil leitura.

A força de um coração é maior, do que a força de um corpo.E portanto não há barreiras, que não possamos transpor.E Deus só pede a cada um, aquilo que ele sabe que cada um é capaz de dar.




Entende-se assim que a minha ocupação fundamental durante os próximos 5 meses será o estudo da língua do povo com quem vou viver. O tetum.
O discurso das palavras tem que ser traduzido para ser significante.






.

Muitos desejam ser enviados para o Brasil ou para Moçambique, pois assim não têm que aprender a língua...mas falar Português.



Aprender a língua, contudo, não chega. É necessário entrar na história, cultura e costumes deste Povo, para poder passar-lhes Deus, Amor e o Envagelho.



Livros sobre a cultura são uma boa ajuda, mas não substituem as visitas às famílias e participação nos momentos mais importantes das suas vidas, quando somos convidados.



Mas a solidariedade e a amizade também se fazem de silêncios…e como aprendi isso, este ano.



Estudar a língua e descobrir a cultura são dois aspectos de um processo de aprendizagem mais vasto e que passa pela reciclagem do próprio viver.



Por estes dias fiquei a saber muita coisa que ainda não sabia, mas que me tranquiliza. Não poderei levar na mala o ritmo de vida que levo em Lisboa. Terei que inventar rotinas novas.Porque já me disseram que o povo Timorense vive com muita calma, e respeita sem fim, o ritmo de cada um.

A princípio talvez me vá sentir um pouco perdida, num ambiente estranho e sem pontos de referência, com lágrimas nos olhos e no coração, por isso todos passam...mas isso é sinal do amor, que deixámos nos que se cruzaram connosco e foi esse amor que nos fez ir e nos levou até ali.Foi esse amor que me trouxe aqui, ao ponto de ver claramente o caminho a seguir.

Começarei por acertar o relógio biológico pelo fuso horário do país: levantamo-nos com os galos e deitamo-nos com as galinhas, porque não há rede eléctrica e é o Sol que determina o ritmo da vida.






Para ter rede de telemóvel há que andar uma hora e meia, até ao cimo da montanha.

Das torneiras não sai um fio de água.

As estações do ano também andam trocadas: Em Timor é sempre verão…apenas na montanha há mais humidade.

Terei que ajustar o próprio conceito de tempo.Mas para quem como eu, aprendeu a viver com mais calma nestes últimos 4 anos...foi um treino, sem o saber.

Aprender a viver de novo é um processo que não será fácil, mas nunca estive tão certa do que quero neste momento, e de que bastará ser aquilo que sou, para que tudo corra bem.

Tudo tem o seu tempo.
O meu tempo é agora, de me dar, de me descobrir, de ir mais longe.





Mas através de tudo o que tenho vivido, e ao olhar para trás, revendo a minha caminhada, sei que Jesus está aqui comigo e me dá a coragem e os meios necessários para cumprir esta nova fase da minha vida missionária.
A luta, essa, tenho de ser eu a travá-la – e de cara alegre, como sempre tive! – porque esse é o jeito de Deus.
Deus tem-me manifestado o seu carinho e ternura através do afecto, encorajamento e preocupação de tanta gente, companheiros de caminho, de quedas e alegrias, muitos amigos.

É verdade que a minha vida levou uma grande reviravolta, nestes últimos 2 meses, uma reviravolta interior, enquanto pensava nesta decisão, mas não posso esconder, que desde logo ouvi o meu sim.
Agora, que o tempo começa a contar e vai voar, não tenho porquê esconder de ninguém.
Este verão pus-me á prova, fui ao limite, quis saber de mim...e encontrei respostas.
Algumas excluem relações com pessoas, costumes que tenho, mas se não for assim não partirei livre.

Sei, que a reviravolta será ainda maior...depois, lá, e quando regressar, mas não me ocupo disso, neste momento, quero preparar-me de alma e coração, pois esses serão os meus grandes aliados, perante umas pernas que caminham firmes, mas devagar!



E agradeço a Deus por me enviar como sua missionária para aquelas montanhas verdejantes no meio de gente tão simpática, acolhedora e linda, como me descreveram.Agradeço também as dificuldades que vou encontrar, pois nem tudo são rosas.

Este tempo parei para ouvir quem lá está, para me assustar, para me dar espaço a mim , de fraquejar e dizer que não sou capaz, mas não o senti, nem por um momento.
Humanos somos todos e mente aquele que disser, que partiu sem ansiedade e receio normal de quem vai ao desconhecido.Mas quem parte com fé...parte feliz!

Aquilo que precisava ouvir, disseram-mo com imensa ternura, e face ao Não que ouvi, há uns anos atrás, oiço agora um sim.



E eu digo um SIM ainda maior e mais seguro, por mim guardado há muito muito tempo, com amor.











E é com um sorriso rasgado e os olhos rasos de água...que eu digo:




Obrigado Pai, no dia em que partir, esse será o dia mais feliz da minha vida.



Monsanto


Segunda feira, foi dia de escolher um destino para visitar...a uma 1h20, ficava Monsanto, a aldeia mais antiga de Portugal, e mais Portuguesa!
Foi assim que depois de um acordar tardio, e de um almoço no Fundanês, onde celebrizámos o oh menino, oh menino...com o empregado, nos pusemos em marcha pela estrada fora!
Esta aldeia é linda...toda em granito, com construções únicas, cravadas na rocha...
No caminho para lá, fomos deixando a montanha para trás, para dar lugar a uma paisagem que mais parecia alentejo, seca, descampado, oliveiras...e ali tão perto da serra.









Ali as pessoas ainda se juntam para conversar...pelos cantos e jogar ás cartas...e a cozer marafonas, as bonecas tipicas de Monsanto, que simbolizam a fertilidade!








A vista é fantástica...







Explorando...rocha e mais rocha!



As casas são construidas debaixo, e dentro destes pedregos enormes...assustador, viver com este peso em cima,mas bonito aos olhos de quem passa de visita!




As ruas eram mesmo a subir...e como eramos menos, agora, não podemos ver toda a aldeia, e ir ao castelo...o ponto mais alto!
Ficámos á conversa com a D.Gracinda...que já queria que comprassemos uma casa lá e tudo!








Uma esplanada entre pedras...


Há sempre gente que se movimenta por ali, e se encanta com estes tesouros que Portugal esconde e encerra em si...


Ainda há fotos de Monsanto que não tenho...

Vale mesmo a pena!





Domingueiros...




E domingo, foi dia de acordar tarde, ao sabor da vontade, depois de um dia em cheio, que tinha sido cansativo...sair para o quintal e receber logo um sol radioso... tirámos o dia para ficar por Casegas e aproveitar o que havia por ali!

E já se sabe, fila para a casa de banho, perguiça...quando começamos a fazer o almoço era tarde, comemos eram 14h30!










Todos se dividiram em tarefas...domésticas!










O jorge ficou com as salsichas...e eu com os alhos e cenouras!







Mas com uma mãozinha de todos, e muita alegria fez-se num instante, com danças pelo meio, dizem alguns vizinhos, que nos ouviam em grande algazarra...ali sabe-se tudo!











A ementa continha, um arroz malandro que ficou do céu e para os mais biológicos, umas lentilhas, que não tavam más...









Uns trabalhavam e outros anahavam á espera do pitéu!lol








Ainda vimos o mapa, para ver se podiamos visitar algum ponto de interesse ali perto, mas preferiamos ficar pela aldeia a descansar!













Depois do almoço, fomos ao café...onde podemos comer GELADOS!Essa coisa que não entrava lá em casa...por causa dos mais verdes!



















Depois de uns dedos de conversa, lá fomos em caminhada até ao rio...














Tinhamos o rio só para nós, nem uma pessoa lá estava...








O André preferia os banhos de sol...pois na Finlândia o sol é escasso, e não há como o sol de Portugal!







Tivemos que esperar pela digestão do almoço tardio...mas assim que primeiro teve a coragem de saltar para a água, os outros se seguiram logo atrás...como patinhos!









Uma água pura onde se podiam ver peixinhos e as pedras...soube mesmo bem!







E entre brincadeiras e braçadas, assim se passou a tarde...mesmo até ao último fio de luz...











Também houve quem não quisesse provar a água com medo do frio!








Mas todos disfrutámos de uma paz imensa, e de uma alegria única, que não podemos esquecer.São também momentos assim, que se recordam para sempre com um sorriso.







De uma margem á outra o sol ia fugindo...e nós iamos correndo atrás dele!








Como lagartos ao sol...








E no caminho de regresso eu e o Rui, protagonizámos uma dança...memorável...enquanto todos apanhavam amoras, o que deu um batido delicioso ao jantar!









A caminhada até casa, fez com que o grupo se dividisse, uns forma mais depressa mas não tinham chave, e os que ficaram nas amoras, demoraram um bocadinho...assim grande!Para apanhar 1Kg de amoras, imaginem, quando chegámos a casa estavam sentados na porta com cara de maus...lol!










Ora, eles picaram-se, subiram o muro, cairam, mas apanharam 1kg de amoras!Esforçaram-se sim senhor!






Bom depois dos banhos, foi fazer o jantar, e preparar a partida do Diogo, da Lena e do Rui, o que nos custou muito, pois a casa ficou mais vazia e silenciosa, a despedida foi a ferros entre cantigas e gritos de guerra!Ficam bons momentos.
Mas ficámos 6 maravilhosos, para mais dias de aventuras...