sexta-feira, 19 de dezembro de 2008






A escassos dias...de o receber.














Este ano ainda não me tinha envolvido com as minhas mãos no espírito natalício.E foi hoje.Um gesto simples, que guardo comigo.
As purpurinas ainda as trago coladas ás mãos e ao sonho.É que os presentes, já os comecei a desembrulhar em simples surpresas, no Deus das pequenas coisas.
Sim, eu vejo as luzes por aí e as lojas com as suas montras aprumadas e os anúncios a cinquenta mil brinquedos diferentes, mas não podia dizer que alguma dessas coisas me tivesse realmente tocado.O que me toca, são as pessoas, sempre as pessoas, as crianças na sua inocência.
Quando saio para a rua, não penso na ocasião, só no natal que quero que aconteça no meu coração e que vou preparando.
Andamos a escassos dias de o receber, a sentarmo-nos entre desconhecidos (como é hábito), nos transportes a olhá-los nos olhos e só me apetece desejar feliz natal a toda a gente, gente que me fala de solidão, sem falar, gente que sente saudade, sem o mostrar.Gente que espera, sem acreditar, mas eu acredito, por elas e por mim.
Perdi a conta aos olhares que recebi e dei, com esse mesmo sentimento que me habita todo o ano e não apenas agora, mas agora é que é para todos "normal" fazê-lo, exteriorizar os desejos ou os "votos de Feliz"...qualquer coisa."Vá lá é natal",oiço dizer...
Depois chega a hora de deixar as pessoas de todos os dias que não conhecemos, para encontrar as pessoas de todos os dias que amamos, os heróis do dia á dia que eu vou tendo o prazer de conhecer.Et voilá, por hoje estamos conversados.
O sono na nossa cama, o quente da nossa casa, as luzes que piscam na nossa sala, o cheiro do jantar apetitoso, o lar.O pai, a mãe, as recordações de tantos momentos, condensados em 1000 fotografias de sorrisos felizes.Que sorte temos, se por acaso temos isto.
Que grande prenda recebemos, , sem embrulho e laço bonitos.

O natal.O natal a chegar, lá fora, e no meu coração.Tanto,tanto.

O regresso a casa acaba por ser sempre um momento de reflexão, quando estamos mais cansados de um dia vivido e por pensar ainda, antes de adormecer.
Esperei um autocarro que nunca chegou, enquanto as ruas eram varridas ou alagadas por pessoas em que os olhos desejavam chegar aos destinos, ao calor, aos seus, aos meus.
Eu fechava o casaco e encolhia-me dentro do vestido (ao coração também) que o vento agitava, o cachecol cobrindo-me quase até aos olhos, impedindo que alguma lágrima escapasse.Ainda há minutos era a menina risonha,que pega ao colo, sonha,acarinha,ajuda e parece resistente, e agora não passava de uma mulher sozinha, enregelada e profundamente pensativa acerca do Natal, que caminhava em direcção a um futuro e mais tarde, a casa.
Enquanto via a avenida desfilar pela janela, pensava que o único sentimento que me invade é esperar que o Natal aconteça em mim, em nós, no mundo.


E para este Natal eu pedi apenas "tempo" para me ajudar a remendar o coração, com um milagre, que sei á partida que pode nunca acontecer.Pai.














Imaginei uma caixa, com um laço bonito de natal, abre-se e lá de dentro sai a Esperança.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

LuzBoa
















Lisboa.O sol que abria lentamente, e o arco ìris no meu peito.
Os transportes.As pessoas, encasacadas.O frio morno.A pressa de chegar.
O sorriso leve de te encontrar.
Tu.
Nós.O sol a abrir.Um dia azul.De Inverno.
De novo os transportes,a baixa,o Chiado,a música de um artista transparente mas presente.Único.
As palavras num muro com história, palco de artistas sem nome.O telintar das chávenas de café da Brasileira.O corre corre citadino, os sacos nas mãos, com laços, indicando prendas.Gaivotas planam sobre o largo do Poeta.Um mendigo, esperando a noite e o frio que ela encerra.
Refeições de plástico, pratos e gente que mastiga que se olha confusa, em busca de um lugar.
Um lugar.Abstrair-me de tudo á volta.Uma mesa, no meio de tantas outras, e um mundo ali em cima da pequena mesa, em nós.Recordações,projectos,dúvidas.Alegria. Um elevador cheio,cheio de surreal.Risos.
A rua grande,dos pés descalços nas noites de verão.
A subida e uma luz para um cego, queixumes ouvidos.Degraus e eis que Lisboa se abre aos nossos olhos, cheia de Luz.Luzboa.Que aquece,que dá cor ao rosto, que acompanha com um café e maracujá.Querer ficar.
Caminhar, a baixa nas suas ruas largas, feitas de gente e pombos.
Mais um tesouro.Agora somos três.A avenida que diz que é da Liberdade.
O regresso á realidade.Uma cor que me vestiu.Ver-vos ir embora.As saudades.
Grata por um dia assim, de sol, de Inverno.
Cheio.Com espaço.Com ar.
Na minha cabeça cantarolava...Avant la Haine...





Avant la haine - Romain Duris et Joana Preiss

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Um caminho, dois sentidos?



















De tantas vezes fazer o caminho, já o sei de cor.
Sei o tempo que me leva a chegar a onde me sinto em casa, sair na mesma paragem e carregar a alegria comigo até aí. Posso não saber quantos degraus preciso subir no metro, mas conheço o barulho da tua porta a abrir e a maneira como afundas a tua cabeça no meu colo, enrolado como um embrião. De tantas vezes o repetir enquanto o percorro mentalmente, sei o teu riso de cor, a maneira como os teus olhos fechados o denunciam, a tua expressão a rasgar-se num sorriso à minha frente. Somos um espelho de uma amizade tão bela, que não sabemos dizer, nem fazer mais nada do que viver com alma, que trocamos os nervos por gargalhadas matinais quando faltam apenas cinco minutos para o sol nascer e se fazer dia.São horas, digo-te eu...de ir dormir.
E tu, como que antecipando o vazio que aí vem, começas o dia com uma oração que partilhamos. Mas antes é tão cedo e podes sentar-te no sofá junto da janela com chuva a escorrer, e pensar o mundo e eu faço-te companhia. E ainda me podes tentar mostrar a tua vida antes de mim, em minutos escassos, atravessados pelas tuas pausas e pela maneira como tudo faz sentido.É contigo que isto me acontece, esta sensação de flutuar sobre todas as coisas supérfluas, esta vontade de "devorar" o Mundo, esta sensação de que não existe mais nada a seguir.
Só que, tendo procurado, ainda não sei onde estás.
Mas tu sabes onde eu estou e isso, de alguma maneira, sossega-me.
Eu vou e ás vezes tu vens.
O caminho é o mesmo e os sentidos não podem ser contrários.
Aqui.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008



Colors and feelings of the season...

















...silvery-blues, and soft creamy whites.
The rain...in the window, and a beautiful prayer in the begining of the morning.
Arriving late ate home.A coup of hot tea.Waiting for.Cold.Sleep and dream.Walking together.A bird singing.That big farm, me and my father.The Christmas coming soon.Little things.

My life.All my love.


sábado, 13 de dezembro de 2008

A Lua faz Anos...

















Não olhem para o céu para a procurar, ela anda por aí, na terra, bem viva e colorida.
Encanta e enche com a sua gargalhada, todos os locais onde passa.
Foram 3 anos de formação de Animadores, juntas.Foram noites no terraço da praia grande, sem ver o mar, mas sabendo que ele estava ali, mesmo defronte e era belo e infinito, talvez como a nossa Fé.Foram tantas experiências e dúvidas partilhadas.
Fomos conhecendo quem era a Lua, que nos animava, porque ela também era animada, por essa força que sei de cor.
Os 3 anos, já lá vão e o que ficou perdura, em momentos cúmplices, e voltar a vê-la,mesmo depois de muito tempo, é como se vivessemos na mesma casa, não há estranheza, não há segredos...
Quem nos apanha por aí, na confeitaria nacional a degustar scones com doce de manga e gelado de bolo rei...sabe bem, do furacão que levantamos juntas, com uma lava de alegria e tantas cores.
Amizade, que me corre dentro, mesmo sem o toque exterior de um abraço...esse que julguei ser fundamental para uma amizade.
Mas são Luas assim, que me deixam descobrir que afinal, podemos não nos ver, podemos não ligar tantas vezes, mas o luar não se apaga...e descubro cada vez mais que as grandes amizades, são aquelas que perduram para lá do tempo, como no primeiro sorriso ou instante, esse em que eu gostei logo de ti.
Porque há pessoas que sabemos á partida que queremos que façam parte do caminho.
Brilhas.


E por isso eu digo:



"Tu és todos os livros, todos os mares, todos os rios, todos os lugares. Todos os dias, todo o pensamento e todas as horas... Tu és todos os sábados, e todas as manhãs. Tu és todos os lábios, todas as certezas, todos os ventos em todos os barcos. Todos os dias em toda a cidade... Tu és só o começo de todos os fins. Tu és todos os sons de todo o silêncio, por isso eu te espero, te quero e te penso."






















* Nós numa dessas noites no terraço da praia grande...
Tantas palavras proferidas debaixo daquele céu,
e em frente aquele mar.
Ele conhece-nos*











Próximo a fazer anos...
Next?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008




Parabéns ao Pedro!















A um ser fantástico...que nos ensina tanto, com a sua humildade.
Alguém que dedica a sua vida, (quase toda) a ajudar o próximo, que partiu em missão para Angola no verão e voltou com o brilho dos olhos ainda mais intenso.
Alguém que não toma partidos, que sabe dizer as coisas e é justo, que tem sempre um sorriso e um abraço pronto, aquele doce e meigo, como ele só.
Alguém com quem já parti tantas vezes para Taizé, com quem partilhei alegrias 1000, e quando precisei, um abraço terno.
Alguém que adora uma jolita fresca, e de ouvir boa música, daquela que ninguém conhece, mas o faz vibrar até á alma.Alguém que abre a porta da sua casa, vezes sem conta, para receber os amigos,assim os reúne e atura em jogos de lógica, até ás tantas e nos deixa ficar sempre mais um bocadinho, mesmo que esteja adoentado...
Alguém que desponta muitas paixões, mas que não se atira de cabeça em qualquer caminho.Alguém que vomita a porta do carro, mas a seguir limpa...alguém que chega sempre atrasado, no seu passo lento mas que nos conquista pelo ar afável, ( o ar de mau foi para a foto e pelo harafat).
Dono de expressões e trocadilhos que só mesmo dele podiam vir.Alguém que é moço marafado, dos algarves, com um furo no queixo.Ahahaha.
Alguém que encerra em si, uma paz única.
Alguém que não é apenas alguém, mas sim um Amigo que qualquer pessoa gostaria de ter por perto.
Parabéns Pedrocas, a fechar o olhinho.
E uma salva de palmas, "á Aveiras". Bem á nossa moda.
Gosto-te.

Deixo-te um pequeno presente, e só podia ser CLÃ, e uma canção de embalar, que diz muito de ti.




quinta-feira, 11 de dezembro de 2008




Parabéns Joana!
























Ela é assim, cheia de cores...muitas cores que vai espalhando por onde passa.Um sorriso brilhante.
Quando penso na Joana, vêm-me á lembrança os 10 anos de catequese ao Sábado de manhã, lá estávamos nós, uma caminhada que se prolongou algum tempo após esses verdes anos de descobertas e crescimento.
Relembro com saudade os nossos dias aldolescentes, em que partilhámos tantas coisas,paixões, segredos, trapos e farrapos, causas...nas quais nos empenhávamos até á alma, as nossas idas a Sintra...as nossas risadas nas escadas do prédio, ora do meu, ora do da Avó dela.(Quando encontro a tua avó, tenho sempre a esperança de te ver surgir por trás dela...a sorrir.)
Eramos nessa altura aquelas amigas que entregavam quase todos os dias em mão uma carta, escrita á mão, e de várias e longas páginas...partilhando tantos sentimentos, tantos sonhos, medos, alegrias, vitórias...amores e desamores.Eram autênticas odes á amizade pura e verdadeira.Cartas essas, que guardo numa caixa, que ás vezes abro e me desponta um sorriso maroto, relembrando os tempos de adolescentes.Foram dias felizes.
O mais bonito, é que independentemente das voltas que a vida deu, a amizade não se extinguiu.
Ela agora vive longe do seu País, trava outros desafios que para si escolheu...mas a distância não apagará nunca as imagens que guardo, sempre que pela manhã, ou pela noite, saio ou regresso a casa, imagens da nossa rua, do muro, onde nos vejo sentadas, das partidas e dos encontros secretos de chegar a casa antes das 00h...dos segredos e do que juntas aprendemos e construímos.
Aquilo que hoje somos, tem muito destes anos.
Ainda estás aqui,tão presente, Joana.
Gosto tanto de ti.








Parabéns.Até breve.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Dois factos dos últimos dias...






1º- Timor vem ter comigo =)













Estava eu, esperando numa fila, quando olho para trás, atraída por um sotaque diferente e familiar ao mesmo tempo, olhei e era um grupo de Timorenses.
O meu coração disparou imediatamente de felicidade e eles ficaram a olhar para mim, porque não desviei o olhar...e num acto de loucura, perguntei (como se não fosse evidente...ahahah):


" São Timorenses?"


E esta pergunta bastou, para que trocassemos mais e mais palavras e sorrisos, percebi então que eles eram de Manatuto, precisamente o distrito onde fica Laclubar.Senti um acolhimento tão grande.A conversa desenrrolou-se como um novelo de lã colorida...
Bom, posso dizer que acabámos a jantar na mesma mesa, eu e mais um grupo de 8 Timorenses, duas raparigas e 6 rapazes, um deles Padre em Timor, em Baucau.Os outros todos estudantes cá.
Foi um momento de partilha fantástico e completamente inesperado, que me encheu o resto do dia que já tinha sido maravilhoso e a semana.O brilho nos olhos deles, era sem dúvida semelhante ao meu.Lembro-me de que naqueles instantes, não via nada á minha volta, e deixei a comida arrefecer, pois a conversa estava tão boa...Trocámos emails, telefones e no fim, quando nos despedimos, ambos agradecemos por aquele momento, eu pelo acolhimento, eles por saberem da minha possibilidade de ir um dia para o seu País.
Foi tão bom.E nestes momentos eu penso mais uma vez, nada é por acaso.
Ainda nessa manhã tinha percorrido os continentes...um a um, na minha oração contigo.E recordo-me que passei com tanto carinho pela Oceania.
Obrigado, por estes sinais...não sei se lhes posso chamar assim?Vá o meu caminho passar por Timor, ou não, senti que o povo Timorense está no meu coração...e de lá. já ninguém o tira, mesmo que eu quisesse.E ainda mal os conheço.
Vim para casa, como um criança que encontra um tesouro...assim mesmo.
Feliz.











2º- Chorar é bom...








Hoje, esperava pela Renata.
Ela atrasou-se 40 minutos, e eu durante esses 40 minutos, pensei em tantas coisas, que me deu um ataque de choro, meio silencioso, discreto, mas ainda assim, um ataque de choro, devo ter estado 30 minutos a chorar...constantemente, com lágrimas quentes e gordas, podia senti-las a rolarem pela face.
A verdade é que não me lembro da última vez que chorei assim, mesmo com tudo isto do meu Pai, nunca chorei assim, foi um chorar de alívio, de libertação...que me lavou por dentro e me fez um bem enorme, principalmente me acalmou e eu não estava nervosa...mas acalmei.Quando a Renata chegou, pensou que os 40 min, tinham sido responsáveis pelas lágrimas...não foram.E depois como sempre, demos boas gargalhadas juntas...
Chorar foi bom, porque não estava triste e fiquei ainda melhor.Se conseguisse explicar o que foi...?
E até agora eu não sei porque chorei ali, assim em plena rua, e daquela forma.Eu nunca fui de chorar muito.
Mas para tudo há uma primeira vez, e talvez esteja a descobrir coisas novas em mim, sentimentos novos, provocados por situações novas.Talvez um descarregar, talvez as lágrimas se tenham revoltado e quiseram ter lugar e vez, visto que o riso em mim, lhes ganhou sempre.
Mas hoje quem ganhou,mesmo assim foram elas.
Que não se habituem...porque isto faz arder os cantos dos olhos...








**

terça-feira, 9 de dezembro de 2008




Dia bonito este...






E era mesmo isto * que esteve guardado todo o dia no meu coração e eu queria dizer agora.
De tantas outras coisas que me ocorrem, dos meus desejos e das minhas saudades, queria falar-te da minha alegria ao começar o dia...também da pequena partida, de hoje, de como respirei fundo para parecer imune e embora isso, de como estava feliz, em paz.
Queria explicar-te que sempre quis dizer sim, mesmo quando era não o que ouvias.
Mostraste-me hoje a luz dessa Lisboa,a tua também, as ruelas intermináveis e vazias, o silêncio das tardes passadas em casa.
Luz que alguém reconheceu em NÓS.Ela existe mesmo.
Mas para sempre fica a paz de uma oração a dois, naquele local a cheirar a manhã.
















E agora:





Piensa en todo lo bonito, que te ha pasado hoy, hasta que venga el sueño...





Big my secret





Big My Secret - Michael Nyman

Se uma música conseguisse dizer o sentimos por vezes...

=)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Dans Paris: "Avant la Haine"









Cumplicidade, é isto.

É ligar a alguém apenas para cantar uma música...e saber que do outro lado alguém a vai cantar também, desta forma sentida e bela.

Foi ontem á noite que o vimos, enquanto chovia lá fora, aninhamo-nos no sofá com mantas, a lareira ia-se acendendo e pusemos um bolo no forno, que comemos quente e com gelado de nata.

Foi tão bom.O que pode haver de mais quente, numa noite assim, com um filme assim?

Um filme de Honoré e uma excelente interpretação de Romain Duris, que ainda por cima se passa em Paris, onde as pequenas coisas, querem dizer muito, basta estarmos atentos.

Viemos o caminho todo a cantarolar, e esta cena marcou-nos para sempre.Porque eu sei que se há alguém a quem eu poderia ligar a meio da noite para cantar, serias tu.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Recessional by Vienna Teng


Recessional - Vienna Teng





Hoje, estou assim...


















Perco-me em sons e imagens, que me levam longe.

Estar longe, por vezes sabe muito bem, ter um tempo só nosso, um local, onde podemos fechar os olhos e deixar-nos ir, sem limites de tempo, nem preocupações externas.

Mas as mudanças estão a ser tantas, que preciso perceber se aquilo que deixo para trás, é mesmo pouco relevante na minha caminhada.Deixar o acessório e prender-me no essencial.


E não falo de coisas.Tenho para mim que as coisas mesmo antes de as termos, já as perdemos.São apenas isso, coisas.


Eu falo de pessoas, com rostos e nomes muito concretos.E é isso que dói mais.


Como é que podemos tantas vezes confundir algo tão genuíno como a amizade, com uma espécie de "relação" que a nada se assemelha?Uma "relação" que se baseia em momentos de festa e grande euforia...que nos sorri quando sorrimos, mas pouco mais do que isso.Não chega.
Eu digo, como já o disse mais vezes,NÃO OBRIGADO.


Talvez um dia, seja demasiado tarde, para salvarmos o que tivemos em mãos, a possibilidade de viver a amizade tal e qual como ela é, aceitando o outro com coisas boas e más.

E eu, eu nunca escondi de ninguém aquilo que sou, e principalmente o que sinto.E sim, sou muitas coisas que não agradam, que não encaixam, mas é assim que Deus me criou, e ele Ama-me assim mesmo deste jeito.

Impulsiva, alegre, com o coração na boca, umas vezes um furacão, outras como uma folha frágil de outono que voa.

Mas é com tudo isto, com o que tenho e com o que não tenho, com o que sou e não sou, que ele conta comigo.E eu digo SIM.

E fico assim longe...só por hoje.



Palavras de um amigo.










"Human... from Earth diz:



Esse sorriso nasce de um coração que ama Jesus Cristo...
É o teu Dom, Ritinha: tocares o coração de quem contigo se cruza...
A minha pequena criança,escuta-te e tanto gosta de ti...Ajudas-me a sentir-me mais vivo e próximo dela.
Tu vais viver para sempre...nos nossos corações.
És daquelas pessoas q nunca se esquecem e q se amam até ao fim da vida
."





Fernando, como eu gostava de ser assim, de fazer tudo isso.
Mas é bom saber que com o simples ser e estar assim, como somos, tocamos a vida de alguém.Tu também tocas a minha.
Obrigado pelas tuas palavras no fim de uma semana cheia...e chuvosa.

Foram sol.




quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pai
( De Itália, chega esta imagem, alguém que se lembrou de mim...
A neve hoje...caía assim.)
O tempo está tão frio.

Hoje, foi o 1º dia de tratamento, (Quimioterapia) do meu Pai.Finalmente.

Deveria ter começado ontem, mas não quis ir.Não se sentia com forças, fossem elas físicas ou psicológicas.Vi na sua expressão e nas palavras que por ele, já não faria o tratamento.Entregou-se e eu pergunto como e quando, aconteceu esta desistência pela vida?

Mas não pode ser.Depois de com calma, tanto eu como a minha mãe, falarmos com ele, e fazer-lhe ver que tem que fazer o tratamento e acreditar e tentar tudo até ao fim.
Pelo menos saberá que fez e fizemos tudo o que havia para fazer.
Porque a quimioterapia, dói muito.E eu sei que sim.Só de pensar que no dia seguinte se tem tratamento, já não se dorme bem.É a dor que provoca , o mau estar que apenas uma hora deixa dias a fio.Mas uma dor que pode curar, como fez comigo.
Mas ela é, segundo os médicos, a nossa única e última esperança...
Segundo eu, temos sempre algo mais a que nos agarrarmos, para além da ciência, não sei bem o quê?... mas temos.
Deus, sem dúvida.Fé.
Quero tanto, que ele aguente os tratamentos, que não sofra mais...quero que o tratamento actue e limpe tudo...se transforme em milagre.

Para onde vou, com quem estou, no trabalho, penso nele a toda a hora, e se dou uma gargalhada, logo a seguir penso nele, mas sei que viver e encarar tudo como até aqui, com ânimo, fazendo as coisas de sempre, me tem ajudado a levar este barco.
De nada me adianta, passar o tempo triste e isolada, isso não o vai ajudar.Ajuda-o sim, ver-me entrar em casa com um sorriso, abraçá-lo, dizer-lhe que vai correr tudo bem, que é uma fase que passará e que ainda gozará o seu Alentejo, muitas vezes.
Rezo dentro de mim, tanto, tanto...na rua, no autocarro, entre a multidão, enquanto caminho.

Por vezes, quando páro e penso mesmo em tudo isto,os olhos enchem-se de água...que não chega a cair, valhem-me os óculos de sol e me dão essa privacidade perante uma cidade chuvosa.
Quando, estou com alguns amigos mais próximos, aí não há água que nasça nos olhos que não deixe cair e palavras que não deite para fora.

Penso no natal, está próximo...e a esse menino que nasce dentro de nós, uma e outra vez, peço apenas que o meu Pai fique bem.
E não quero mais nenhum presente.Nem um.


Apenas esse.Chama-se VIDA.
Para sempre.

*

terça-feira, 2 de dezembro de 2008





A ressoar em mim...











A formação foi, fantástica.
O testemunhos que ouvi, ficaram cá, a ressoar.Bastante.
Mais tarde partilharei com mais rigor e quando conseguir dizer tudo.
Foram momentos ricos, e em que este grupo que caminha junto, começa a ter traços disso mesmo, de grupo.
Mas há aqueles testemunhos que se dão em surdina, pela madrugada fora, que acontecem e são tão bons.E nos ensinam tanto e de repente estamos lá.
Ainda não consigo digerir tudo, é tanta coisa.
Sei sim, que sujei as minhas mãos na terra, uma terra que seja ela qual for, quero pisar e amar.
Ali recordei o campo missonário, e voltar á realidade hospitaleira é sempre tão bom.
O fim de semana terminou com uma partilha, contigo, onde não consegui ordenar os pensamentos,para te contar tudo o que trazia em mim, mas sim lembrar-me subitamente de tanto, e quanto mais falava mais surgia.
As voltas que demos, na praça, perdi a conta.O frio era cortante, mas o calor que um ser humano pode transmitir é tão grande que, tudo á volta se dissipa.
Que bom alguém que me ouve assim.E compreende.Alguém que eu oiço assim e compreendo.
No entanto sei,que ás vezes não é bom remexer no que já foi, levanta, desordena e agora tenho o trabalho de arrumar o que tu gentilmente sem saberes porquê, tiraste do sitío.
Ou será que colocaste no local certo?

Não saias da tenda.Mas deixa a porta aberta, para quando o sol regressar.




Boa semana a todos.

domingo, 30 de novembro de 2008

Gravity by Vienna Teng







Sim, chovia e fazia frio...mas era isto que ouvia cá dentro constantemente e me aquecia.

Bom fim de semana, volto 2a feira, depois da formação missionária.

Levo a tua dezena.Com cores.Continentes.Com fé.Unidos.

sábado, 29 de novembro de 2008


Knockin' on heaven's door...and asking for sun.



Uma noite de trovoada, cortou a luz durante horas...

Lembro-me de adormecer, por entre clarões e trovões assustadores...mas só sei que acordei com o regresso da luz a ligar tudo o que tinha no quarto e na casa, eram precisamente 8h30!

Tarde demais...devia ter acordado ás 6h00...fiquei danada comigo mesma.Nem o telemóvel que estava a carregar escapou e até ás 12h não funcionava, nem ligar, nem desligar, nada.

Ás vezes penso porque acontecem estas coisas?Talvez porque tinha mesmo que ficar.

Mas amanhã ainda vou a tempo.Quero crer que sim...

Hoje, o País acordou com um frio de rachar e neve em muitos locais...fecho os olhos e imagino a minha serra da estrela...branca.

O dia cinzento convida a estar em casa, e a dedicar-me tempo.A parar.

Detenho-me a olhar para a janela, e a ver a chuva cair, há qualquer coisa de mágico nisto...enquanto uma caneca de café arrefece em cima da mesa, os pensamentos voam.

O mês que me viu nascer, chega ao fim...e entramos nesse mês que marca sempre.

Há dias fiz um amigo, e coisa mais preciosa no mundo não há.Tem 80 anos.

Hoje, fico por aqui, com a chuva na janela, o café, o aquecedor e as luzes de natal que piscam sem parar que coloquei junto á secretária...logo mais, o abraço da minha Renata.


Tarde de vendaval lá fora e tanta calma cá dentro.


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Emiliana Torrini - Today has been Okay

Today Has Been Okay - Emiliana Torrini



Como se o sol de Inverno, ao tocar-me a face, me segredasse que sim, que está tudo bem.E as folhas das árvores tornam-se cada vez mais vermelhas.



quarta-feira, 26 de novembro de 2008




Está tanto friiiooooo...






















Parece que o frio chegou em força.
Agasalhem-se, pois amanhã são esperados 4º c de temperatura miníma.
E apteceu-me enviar um abraço quentinho, a todos os que AMO.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008





E hoje és tu!



















E em 1981, (já eu descansava no meu berço na maternidade), nascia umas horas depois, a Renata.Era uma noite fria de Novembro...segundo consta e foi assim que quisemos vir ao mundo.
Eu sabia, que naquela noite, tinha ouvido um choro que me seria familiar para o resto da vida...secalhar cruzámo-nos no corredor, ou as nossas mães, estiveram lado a lado, a sofrer as dores do parto.O que elas não sabiam é que deitavam ao mundo nesse momento duas vidas, que mais tarde se iriam cruzar de tal forma, que só a morte as poderá separar.

No ano de 2001, partia eu numa missão, para a bela aldeia de S.paio...Gouveia, com o grupo de jovens.Era Agosto.
Alojados na casa do Padre, somos alvo de atenção por parte de toda a terra, que nos presenteia com bens alimentares e ajudas mil.Numa dessas ajudas, aparece a Renata com os seus avós, curiosa por tantos jovens da sua idade e desde logo, ou porque nos reconhecemos desde aquela noite na maternidade, ou porque tinha de ser assim, nunca mais nos largámos.Eu, mostrei-lhe o lado bonito da missão e o que ali estava a fazer.Ela, aceitou o desafio e ajudou no que pôde, mantendo-se por perto.
Passámos um dia na barragem da serra, no aniversário do seu avô, era uma grande churrascada de família e eu naquele momento, passei a fazer parte dessa família também.O dia, foi passado a andar de barco, um barco de borracha amarelo que estava furado e iamos acabando a boiar na água em busca de socorro, bem longe da margem. Demos voltas e mais voltas sempre a conversar rodeadas de montanha, num sol escaldante que viríamos a beber muitas vezes juntas, sem o sabermos.Foi um dia bem passado e que nos deu a descobrir esse facto de termos nascido quase ao mesmo tempo...de estudarmos na mesma faculdade, entre outros.
As cartas estavam na mesa.
Ainda hoje as jogamos e nunca ninguém perde e ninguém ganha.
Os anos passaram e lá estávamos nós, lado a lado.Férias juntas nessa aldeia serrana, aventuras pelo mundo, descobertas, crescimento.


Em 2003, eu deparei-me com uma doença grave, na qual ela sempre esteve presente com o seu sorriso meigo e paciência inegualável.

Em 2004, a Renata parte pela primeira vez para terras de Timor, para dar aulas, deixando em mim uma saudade funda, mas uma ligação forte, intemporal e capaz de resistir a qualquer adversidade.A saudade foi-se superando, nas visitas a Portugal, de uma forma intensa.


E no verão de 2006, depois de tanto falar de Taizé ao longo do anos, consigo cativar a Renata a ir a Taizé.Foi uma mudança na vida dela.Um ponto de viragem que a fez olhar a vida, a fé e o mundo mais de perto.Ela trabalhava, empenhava-se, entregou-se a tudo o que descobriu.
Os amigos nasceram pareciam cogumelos...e nunca mais aqueles olhos e sorriso, foram os mesmos.Passaram a ser mais iluminados, confiantes, doces, belos, cheios de Deus.

Os anos passam e entre Portugal e Timor, vive a Renata.Ainda hoje é assim.Despedidas no aeroporto ou esperas de 7h pela chegada, malas perdidas e peripécias.
As cores de Timor foram aparecendo na minha vida, mal sabendo eu que um dia talvez pudesse partir para lá.
Mas o tempo que passamos juntas é ainda hoje, recheado de gargalhadas, de lágrimas quando é preciso...de confidências únicas, daquelas que não se dizem a mais ninguém.Sabemos ler o olhar e as palavras uma da outra e prever as reacções.A minha casa, é a casa dela e não precisamos de hora e dia marcado para aparecer.Ninguém tem a calma de me dizer as coisas como ela...e convence-me sempre.É incrivél.Conhece-me tão bem e eu a ela.
Sabemos que na vida, podemos perder tantas coisas, mas também sabemos, que por mais voltas que a vida possa dar, nós, inaugurámos a palavra Amizade, assim que nos conhecemos...e é com ela que vamos selar a caminhada sobre a terra e continuá-la mais além.
Sim amiga, velhinhas de bengala, a beber chá e a comer scones, a rir muito das aventuras vividas,algumas que contadas niguém acredita...




Cresceste no nosso jardim, e tornaste-te numa das árvores mais belas e frondosas que me dá sombra em dias de calor, frutos, abrigo, solidez, cor, e ar puro e limpo.

Nesse mesmo jardim onde vive, uma gnoma,umDuende, e um baterista que ama o mar. =)

Eu não saberia não te ter.



Obrigado.

Utopia

Alanis Morisette - Utopia -



we'd gather around, all in a room,

fasten our belts, engage in dialogue

we'd all slow down, rest without guilt,

not lie without fear, disagree sans judgement

we would stay, and respond, and expand, and include, and allow, and forgive, and enjoy, and evolve, and discern, and inquire, and accept, and admit, and divulge, and open, and reach out, and speak up

This is utopia this is my utopia

This is my ideal my end in sight

Utopia this is my utopia

This is my nirvana

My ultimate

we'd open our arms, we'd all jump in, we'd all coast down, into safety nets ,we would share, and listen, and support, and welcome, be propelled by passion, not invest in out comes, we would breathe, and be charmed, and amused by difference,be gentle and make room for every emotion

This is utopia this is my utopia

This is my ideal my end in sight

Utopia this is my utopia

This is my nirvana

My ultimate

we'd provide forums, we'd all speak out, we'd all be heard, we'd all feel seen,we'd rise post-obstacle, more defined more grateful, we would heal, be humbled,and be unstoppable, we'd hold close, and let go, and know when to do which, we'd release, and disarm, and stand up, and feel safe

this is utopia

this is my utopia

this is my ideal

my end in sight

utopia this is my utopiat

his is my nirvana

my ultimate *