domingo, 17 de agosto de 2008




Dia 9


Este dia começou como já se adivinhava bem cedo, fomos surpreendidos por um barulho ensurdecedor, de tampas de tachos, ás 5h da manhã, e tinhamos 15 minutos para estar prontos na porta, para partir.

A caminhada era até ao monte alto, com pistas para o caminho de reflexão, cada um foi convidado a fazer este caminho em silêncio e a pensar em toda a semana que viveu...o que foi mais importante e marcante.


Lá saimos, com algum frio e sono, e começámos a subir!

Para mim um dia que começava cedo, com o nascer do sol, e que terminaria com um abraço á muito esperado.









Lado a lado mas em silêncio...







Na primeira paragem, já quase todo o grupo me esperava, o sol nasceu e cada um foi por fim convidado a escrever numa pegada, o que foi mais importante para si, nesta semana.










Depois colocar essa pegada no lençol e assim partilhar o que sentiamos!










Todos sabiamos e sentiamos, que tinha terminado esta semana, embora ainda estivessemos juntos, e isso podia ver-se no rosto de cada um...nas palavras e gestos.

















Logo a seguir o pequeno almoço...no meio da serra, pelo amanhecer, soube mesmo bem e ajudou a completar o resto da caminhada, com mais forças!
















O caminho até ao monte alto, foi mais rápido...mas o silêncio continuava, com mais pistas, para reflectir.Questões importantes e desafiadoras.













Ao chegar, todo e qualquer cansaço é esquecido, quando á nossa espera temos um sol assim, e uma paisagem linda...nunca hei-de esquecer essa luz!










A joana a beber do sol e do verde...












Arganil tinha ficado para trás...o local onde a missão se tornou real...e concreta!Agora ao longe, olhei para lá e pensei que de longe, se consegue sempre dar um valor diferente ao que se vive!



Ás vezes só á distância de alguns anos, percebemos isso...












Depois foi tempo de voltar a parar para responder ás questões colocadas...












Depois foi tempo de reunir por grupos, pela última vez e elaborar os trabalhos que nos pediam...











Eu olhava já para o meu grupo, Reflexos, com uma certa saudade...foram bons momentos e partilhas, apesar de nem sempre ser fácil, conseguir a atenção de todos...mas no fim, percebi, que cada um sentiu de forma muito bonita o que tinhamos vivido ali...e que nos irá marcar para sempre.Talvez fazer de nós pessoas inconformadas com a realidade e dispostos a torná-la melhor, não basta dizer, ou querer, há-que arregaçar as mangas e deitar mãos á obra...












Depois dos trabalhos realizados, foi tempo de subir ao santuário e reunir para preparar a eucaristia...










O menino Joãozinho, adormeceu nas escadas...lol!





















E o que pode saber melhor, do que chegar ao Monte alto e ter uma água fresca e pura para matar a sede?












Olha o passarinho!













Sorrisos assim só podem nascer de uma plenitude que se foi conquistando ao longo da semana...de tudo o que deu, mas também do que se recebeu, que foi tanto!









A eucaristia realizou-se ali, ao ar livre, numa simplicidade e paz, únicas.As nossas canas, serviram de altar, unidas por pedaços de cordas.













E unidos como um grupo que somos, celebrámos a ultima eucaristia juntos...Como conclusão de uma experiência forte e que abanou corações!




















Terminada a eucaristia, foi tempo de almoçar, e espaços verdes por ali não faltavam...









A alegria foi uma constante...sempre!












E no fim, subimos mais um pouco até ao topo do santuário, onde a vista era linda, e ali registámos alguns momentos...



O Ivan, que me marcou pela sua entrega aos idosos, e a forma como encarou esta semana...e que acabou por ficar com o meu chapéu ás cores, que ele te encha de cor...pelos dias fora!










A Ana, que dormia ao meu lado e que como um anjo da guarda estava sempre ali, obrigado por todas as confidências e partilhas tardias e os banhos fora de horas!






E o Paulinho, que me contagiava com a sua alegria...de forma única!O que nos rimos...






Eu olhava agora para tudo, com um misto de saudade e confiança, uam certeza dentro de mim...que por mais limitações, que possamos ter, o nosso coração não possui limitações e chega onde mais deseja chegar...e é ele que eu sigo!E nunca me arrependo.


Cada um á sua maneira me fez perceber que este é o caminho que quero seguir...ainda que devagar, Deus não tem pressa...e o amor também não!






Este dia, que começou com o nascer do sol, terminou com o abraço tão esperado, do Duarte, quando saí a porta da cozinha, e dei de caras com eles...foi assim, indescritivél!Depois de meses, sem nos vermos...

A Sara também foi e eles passaram uma noite e um dia connosco e partilharam de tudo!Desde as tarefas, ás orações...foi bom!Derepente dois rostos familiares ali, junto a tantos outros que já faziam todo o sentido para mim...

Obrigado pela vossa presença...as saudades que eu tinha!





A caminho do último dia...
Nessa noite recebemos, mais gente, e a casa estava de facto cheia, eram jovens que tinham feito a SEM em anos anteriores, eram os pais, eram amigos...
Á noite um churrasco/sardinhada, para todos e um ambiente de festa a receber quem chegava, mais tarde a apresentação de cada grupo sobre a experiência da sua semana...os resultados surpreendentes!Um reviver...
E espelhavam bem o que se viveu...

Nessa noite lembro-me de não querer dormir, querer ficar com todos a rir a cantar, mas o dia ia começar cedo...e adormeci por fim, com um sorriso verdadeiramente interior, por tudo!


A despedida estava próxima...mas a missão essa mais certa do que nunca!

sábado, 16 de agosto de 2008

Dia 8





Este foi o último dia de contacto com os idosos, e por isso mesmo um dia de muita alegria mas também de saudade...
Começamos com a oração da manhã, onde nos unimos por um pedaço de corda...pequeno, que nos juntou em torno de um mesmo ideal, a missão!











E na última manhã no lar, há sempre histórias que não esquecemos...
E pensamos nós que sabemos o que é o amor, Amor como aquele que eu vi, e ouvi, já não se encontram hoje, amor que vai mais longe, que arrisca, que se sacrifica, que permanece até ao último instante...muitos com mais de 70 anos de casamento.
Quando lhes perguntamos qual o segredo?Respondem com um sorriso, o respeito, a confiança, a escuta, e amar o outro como a si mesmo.Parece simples...mas não é fácil.Só um grande amor é capaz de abarcar a velhice, a doença...o tempo.
















E com calma, fomos permanecendo pelo último dia com os nossos idosos...nesse dia demorei-me mais com cada um...parei mais, escutei mais...deixei um pouco de lado as tarefas mais práticas e bebi a sabedoria que só eles possuem!
















Nessa manhã fomos também visitar o Hospital de cuidados continuados de Arganil, numa visita de 2h30, aquele hospital que nos parecia apenas silêncio, transformou-se numa festa!!
E então foi distribuir abraços, beijos, sorrisos, e acordar a alegria...














Dificilmente conseguirei explicar, o que senti nessa manhã,só quem lá esteve sabe, uma explosão de alegria, que podia sentir isso em todos, em nós, nos doentes, e até no pessoal do hospital, que se deixou tocar pela alegria e mensagem!









O simples estender de uma mão...fez tanta diferença.








E em menos de nada, na sala do hospital, montamos o bailarico...






E de onde parecia não ser possivel, arrancar um sorriso, ele nasceu...a provar que o Amor se contagia e muito!



Visitámos todos os doentes...e deixámos uma mensagem de esperança, porque sem ela não podemos viver.






O grupo de funcionários e nós!









Depois foi tempo de regressar ao lar, para ajudar nos almoços e celebrar e eucaristia, que foi um momento emocionante daquele dia.Uma idosa, que se desloca em cadeira de rodas desde os 17 anos, veio mostrar a quem ali estava, que ás vezes ter muita sabedoria ou ser muito inteligente, de nada nos serve e na sua humildade deu-nos uma lição, que guardo para o resto da vida!
Ela apesar de todo o seu sofrimento, disse em alto e bom som, que Deus a Ama e tem a certeza disso, pois só com o seu amor, ela podia ainda estar viva com tanta dor.Uma confiança cega, no amor.






A D.Encarnação e o Rafa, o seu netinho adoptado...




A D.Virginia:" vem cá, vem cá, comer, comer, as amigas, as amigas...passear , passear", era o que nos dizia, quando nos via, acho que foi a idosa que mais passeou estes dias no jardim, por qualquer janela que eu espreitasse, lá andava ela toda sorridente com um de nós...espero que continue a fazê-lo...


Um grande amigo, que eu e o André acarinhámos, pela dedicação á sua mulher, mais um verdadeiro amor, que não esquecemos!




Depois das despedidas no lar, e de muitas lágrimas, e sorrisos também, foi tempo de ir até á festa de Jazz, na praça de Arganil, e então foi dançar e encher aquela rua de alegria!Mais palavras para quê, as imagens falam por si!





Não pudemos ficar muito mais tempo...pois no dia seguinte o despertador tocaria de madrugada, para uma caminhada ao monte alto, para ver nascer o sol!

Assim, adormeci, depois de um longo dia, e daquele sentimento de missão cumprida, com aquelas pessoas, aquela realidade, embora saiba que pelo mundo fora, há tanto por fazer...e não desisto de deixar este mundo, um pouco melhor do que o encontrei!

Por onde passar...=)