sábado, 16 de agosto de 2008

Dia 8





Este foi o último dia de contacto com os idosos, e por isso mesmo um dia de muita alegria mas também de saudade...
Começamos com a oração da manhã, onde nos unimos por um pedaço de corda...pequeno, que nos juntou em torno de um mesmo ideal, a missão!











E na última manhã no lar, há sempre histórias que não esquecemos...
E pensamos nós que sabemos o que é o amor, Amor como aquele que eu vi, e ouvi, já não se encontram hoje, amor que vai mais longe, que arrisca, que se sacrifica, que permanece até ao último instante...muitos com mais de 70 anos de casamento.
Quando lhes perguntamos qual o segredo?Respondem com um sorriso, o respeito, a confiança, a escuta, e amar o outro como a si mesmo.Parece simples...mas não é fácil.Só um grande amor é capaz de abarcar a velhice, a doença...o tempo.
















E com calma, fomos permanecendo pelo último dia com os nossos idosos...nesse dia demorei-me mais com cada um...parei mais, escutei mais...deixei um pouco de lado as tarefas mais práticas e bebi a sabedoria que só eles possuem!
















Nessa manhã fomos também visitar o Hospital de cuidados continuados de Arganil, numa visita de 2h30, aquele hospital que nos parecia apenas silêncio, transformou-se numa festa!!
E então foi distribuir abraços, beijos, sorrisos, e acordar a alegria...














Dificilmente conseguirei explicar, o que senti nessa manhã,só quem lá esteve sabe, uma explosão de alegria, que podia sentir isso em todos, em nós, nos doentes, e até no pessoal do hospital, que se deixou tocar pela alegria e mensagem!









O simples estender de uma mão...fez tanta diferença.








E em menos de nada, na sala do hospital, montamos o bailarico...






E de onde parecia não ser possivel, arrancar um sorriso, ele nasceu...a provar que o Amor se contagia e muito!



Visitámos todos os doentes...e deixámos uma mensagem de esperança, porque sem ela não podemos viver.






O grupo de funcionários e nós!









Depois foi tempo de regressar ao lar, para ajudar nos almoços e celebrar e eucaristia, que foi um momento emocionante daquele dia.Uma idosa, que se desloca em cadeira de rodas desde os 17 anos, veio mostrar a quem ali estava, que ás vezes ter muita sabedoria ou ser muito inteligente, de nada nos serve e na sua humildade deu-nos uma lição, que guardo para o resto da vida!
Ela apesar de todo o seu sofrimento, disse em alto e bom som, que Deus a Ama e tem a certeza disso, pois só com o seu amor, ela podia ainda estar viva com tanta dor.Uma confiança cega, no amor.






A D.Encarnação e o Rafa, o seu netinho adoptado...




A D.Virginia:" vem cá, vem cá, comer, comer, as amigas, as amigas...passear , passear", era o que nos dizia, quando nos via, acho que foi a idosa que mais passeou estes dias no jardim, por qualquer janela que eu espreitasse, lá andava ela toda sorridente com um de nós...espero que continue a fazê-lo...


Um grande amigo, que eu e o André acarinhámos, pela dedicação á sua mulher, mais um verdadeiro amor, que não esquecemos!




Depois das despedidas no lar, e de muitas lágrimas, e sorrisos também, foi tempo de ir até á festa de Jazz, na praça de Arganil, e então foi dançar e encher aquela rua de alegria!Mais palavras para quê, as imagens falam por si!





Não pudemos ficar muito mais tempo...pois no dia seguinte o despertador tocaria de madrugada, para uma caminhada ao monte alto, para ver nascer o sol!

Assim, adormeci, depois de um longo dia, e daquele sentimento de missão cumprida, com aquelas pessoas, aquela realidade, embora saiba que pelo mundo fora, há tanto por fazer...e não desisto de deixar este mundo, um pouco melhor do que o encontrei!

Por onde passar...=)

Dia 7





A manhã começou cedo na casa, preparando um dia cheio...









Este dia foi especial, pois podemos visitar o trabalho do outro grupo no Sarzedo, e celebrar com eles a eucaristia, com as crianças e os idosos...

Foi um momento forte, e ali se juntaram duas gerações tão distintas...mas ambas sedentas de atenção.










Os músicos e um ajudante de palmo e meio =)






Linda...




A paciência e o carinho...


O Sr.Américo, no fim da Eucaristia num momento único, com uma voz singular, fechou em beleza esta passagem pelo Sarzedo.


Olhares marotos...


A imposição das mãos...

A alegria em cada rosto, nesta família impossivel de esquecer...sinto que demos tudo e juntos foi maravilhoso.


O lanche e as cantorias...



A ZZZZZélia......e eu a bebermos do sol!



A Ana a batucar...


E a foto oficial do grupo...




Mais á noite, pelo jantar eu a Mónica e a Ana na versão baunilha...





E depois na versão chocolate...




Pela noite dentro, cada um ia cumprindo o desafio lançado na manhã, e ia escrevendo no seu diário, o que sentiu, no cenáculo podia sempre encontrar alguns de nós em recolhimento...absorvendo tanto do que até ali já se tinha vivido.


O dia chegava ao fim, e eu sentia que o tempo tinha passado a correr, agora era aproveitar os momentos com todos, porque estar ali era uma oportunidade única, que apenas ia acontecer uma vez...e assim, mergulhei de cabeça nos dias, nas pessoas e no que ainda estava para acontecer!

Dia 6





O dia começou cedo e com a divisão dos grupos, pelos seus locais de trabalho.
No lar, não se parava...em todas as pequenas grandes tarefas a ajuda era bem vinda e dava vida aos dias.
Certamente que as pessoas que lá trabalham, gostariam de dar a cada pessoa mais tempo e atenção, mas com tanto para fazer, torna-se impossivel.
E para isso estávamos ali nós...para ouvir, para olhar ás pequenas coisas, que vão ficando esquecidas...mas que para cada um significam bastante!











Depois do almoço em casa, saímos para um passeio mais cultural na mata da Magaraça, na serra do Açor, mas pelo caminho o menino Joãozinho ficou enjoado e tivemos que parar...lá se recompôs, e seguimos viagem, por uma paisagem única.















Parámos no centro de protecção da mata, onde um guia nos explicou o percurso que iriamos fazer, e que espécies de árvores e animais iriamos encontrar.Começamos então a descida...por uma mata fresca e encantada!
















Estes momentos davam-nos também alento, para o que encontrávamos no lar, e para descontrair, e no dia seguinte as forças eram as mesmas do 1º dia...












Uma casa típica...com os artefactos tradicionais, daquela região.






Ouvindo atentos...








Mal vimos uma cama corremos para ela!!Mas esta á moda antiga, com colchão de palha bastante duro, mas aposto que o trocávamos pelo chão da nossa casa, ou não?





Achei este percurso interessante, ficámos a saber mais sobre aquela zona...tudo nos foi explicado.





Ainda houve quem fosse atacado por ouriços, sem saber como...







E no meu habitat natural, só podia sorrir...e se há local onde encontro Deus é também na natureza...pura, como esta.






O final do percurso previa uma visita a um moinho de água, e foi preciso descer uns degrauzitos mais altos que o previsto, mas uma mão na hora certa faz milagres, e tudo se subiu e desceu...foi mais um momento em que senti a presença de cada um de vocês.








Toda a semana senti que o meu caminho foi uma subida, ás vezes mais lenta, mas sempre com um sentido, e degrau a degrau...passo a passo, sabendo sempre que devagar se vai ao longe...e se vai muitas vezes bem melhor do que a correr.


Quem corre, acaba por não ver o caminho e muitas vezes quem está ao seu lado...





Para retemperar forças, uma lanche ao ar livre, antes de voltar a casa, para continuar as actividades do dia...e preparar o resto da semana!






No regresso, o cansaço era visivél...e audivél!





Pela noite a luz passou de mão em mão dando voz ao que cada um sentiu acerca deste dia...mesmo tarde e cansados, as palavras fluiam e debaixo daquele céu, se cantou, riu, chorou e amou.








Até amanhã...