Sagração da primavera

This is a place where I don't feel alone...
I feel at home.
Olhos que vêm,olhos que sentem... flutuam,acariciam, protegem, olhos que se apaixonam, todos os dias...pelo mundo.



A porta fechada.
A solitária margarida amarela colocada no copo ao seu lado para lhe prolongar a memória do dia.
A cabeça encostada ao travesseiro e a certeza de estar viva...e querer continuar a viver intensamente cada dia, cada pessoa.
Devia-a ao sol, ao rio que conhece, onde se tinham abraçado pela primeira vez com profundidade, devi-a ás memórias de uma vida.
Hoje tinha voltado ás suas margens, e caminhara algum tempo.Procurava uma resposta...
Fora tão feliz em 26 anos nas suas margens e isso bastava-lhe para não se sentir sozinha. Mesmo depois de o ter deixado ficar no átrio da velha estação.
- Vejo-te em Março?
Queria dizer-lhe que talvez não.Mas seria capaz?
Sabia que nessa altura os caminhos seriam outros e já não haveria ele, a sua máquina fotográfica e o rio que amava a escassos metros, enquanto o comboio continuava a passar a ponte ou os verdes vales.
- Até lá, sim!
Acabou ela por responder, sendo fiel a si mesma.
De luz apagada, janela aberta e reflexos das luzes exteriores no vidro do seu quarto, pensava se não teria sido esse o momento em que o tinha começado a admirar verdadeiramente, e senti-lo como parte de si.
Viajavam ainda a uns 50 quilómetros por hora, mas ele abriu a última porta, puxou-a para si e ficaram a olhar o rio em silêncio, com o vento suave a uni-los.
Sim, teria sido certamente aí. O cheiro dessa tarde e das memórias confundia-se com o seu, agora ali tão perto.
- sabes por que se diz que há sentimentos que são cegos?
Porque sabemos reconhecer e que gostamos de alguém pelo seu cheiro.Inconfundível.
E pelos olhos. Fundos.Pelo sorriso que nos arrepia, pela fluidez de pensamentos, pela sintonia, queria responder-lhe ela.
Em vez disso olhava-o. Como olhava agora a pequena margarida que tinha colhido para si no jardim de regresso a casa , enquanto avistava os locais de sempre do outro lado do rio.
Não sabendo, se o voltaria a ver em Março?
E quando dizia ver, era o ver de tudo menos de olhar, porque ela sabia que entre "ver" e "olhar" haviam largas diferenças.
Não que não conseguisse esperar até lá, pois já se tinha habituado a uma certa ausência, ou que não quisesse...era o que mais queria.
Guardaria religiosamente a sua margarida desse dia, mais as recordações no seu quarto e lembrar-se-ia do seu cheiro, das pequenas rugas em torno dos olhos e da sua máquina fotográfica.
- (a captá-la)
Bastava fechar os olhos.
Não, não seria isso. Era a previsibilidade. Sabia que em Março já não haveriam as mesmas margaridas, fronteiras do outro lado do rio e a ingenuidade da primeira vez. . .
Mas haveria um outro rio, e uma cidade inteira cheia de magia, para os receber...em paz.
Março poderia ser o fim, porque na verdade ela já não conseguia viver assim.Sabendo que tocara sentimentos eternos, mas que a partir do momento em que estes lhe fizessem mais mal do que bem...
Não um fim drástico, mas suave, como tudo era aliás nesta história.Preferiu então ficar apenas com o cheiro do começo.
Fechou então os olhos, à espera que a manhã chegasse...perguntando-se:
-Paris porque não?
"I can tell by your eyes that you've prob'bly been cryin' forever,
and the stars in the sky don't mean nothin' to you, they're a mirror.
I don't want to talk about it, how you broke my heart.
If I stay here just a little bit longer,
If I stay here, won't you listen to my heart, whoa, heart?
If I stand all alone, will the shadow hide the color of my heart;
blue for the tears, black for the night's fears.
The star in the sky don't mean nothin' to you, they're a mirror.
I don't want to talk about it, how you broke my heart.
If I stay here just a little bit longer, if I stay here, won't you listen to my heart, whoa, heart?
I don't want to talk about it, how you broke this ol' heart.
If I stay here just a little bit longer, if I stay here, won't you listen to my heart, whoa, heart?
My heart, whoa, heart."


Os dias eram cheios e eles não páram...
Aulas de ginástica...


Judo ou ballet?
Inglês ou informática, nada lhes falta...para que um dia possam correr o mundo e saber enfrentar todos os desafios...

E os lanches, estrelitas ou chocapic?
Dias de sol...apesar da muita chuva que se fez sentir!
Sorrisos assim...
A Ema no seu mundo...
A Sofia matando saudades do seu cantinho...grandes mudanças para ela.Afinal quem está com eles todos os dias, tantas horas por dia...conhece-os como ninguém!

E as 1001 expressões da Rita, a representar para eles...
Aula de dança e expressão livre...espaço para SONHAR!
Adoraram...e eu adorei vê-los a sonhar!Porque eu também sonho com eles...
Um grupo de estagiários do 1º ano...no seu primeiro estágio e eu no último =)
A molhada...
No nosso "pátio piscina"...azul, azul...azul...
E ao longo dos dias, ganhei o nome de "Bruxinha boa", e dizem que as crianças dizem sempre a verdade.
Era a Bruxinha boa de luzinha vermelha na ponta do nariz...e assim que entrava no refeitório, ouvi-os a chamar: " Bruuuuuuxiiiiiiiinhaaaaa booooooaaaaaaaaaaaaa!!!" E riamos sem fim...






Aqui se mistura com o mar, o rio Arade...

Lá ainda vemos casinhas assim, pequenas, de pescadores, tradicionais, e não são de brincar, são emsmo a sério e mora lá gente...também quero uma assim!!!
Senti que partilhavam comigo o melhor que tinham, os lugares as magias...e fizeram-me sentir, que o que é importante e precioso para eles, também o é para mim.
O Luís, que nos levou á praia dos caneiros, local especial por várias razões, mas agora ainda mais.

E a sua cara metade a Beta, a minha companhia estes dias, sempre comigo, de manhã era ela que me ia buscar e fazia comigo a estrada, era com ela que me ria e cantava alto no carro, e era ao fim do dia, depois do trabalho de cada uma, que eu atravessava a ponte Romana, e esperava por ela no centro, para irmos juntas para casa, foi incansável...
E foi também ela que quis partilhar esta praia comigo, este cantinho onde tomámos um café relâmpago!ahahah...
Luzinhas, acenderam-se em mim!

Silves...
É lá que o sol me vai acordar por estes 7 dias...é lá que vou ver sorrisos novos de outras crianças, habituadas a ver verde, azul, serras e montes!
E perceber como sonham...o que sonham, como vivem...
Conto com o abraço sempre pronto de uma outra família que lá tenho...da qual sempre tenho imensas saudades.São muitos e são lindos!
Esta semana apesar de ser cheia, a nivel de trabalho, das 9h ás 17h no jardim escola...que não fica logo ali, mas em S.Bartolomeu de Messines, a 20 minutos de Silves, onde nasceu e viveu o Próprio do João de Deus, vai ser uma semana de reencontros, há muito esperados, e alegria =)Aquela que sempre temos, ali!
Mais em casa não podia estar...e melhor local não podia ter para trabalhar...e concentrar-me, coisa dificil por estes últimos tempos.
Uma mudança de Rotina assim...sabe bem.
Trocar, comboios cheios de pessoas, e prédios, por montanhas...e verde.
E respirar.
Pois os próximos tempos adivinham-se de imenso trabalho...
Apetece ruas brancas e estreitas, velhinhas de lenço preto na cabeça á janela, pedras que brilham nos caminhos, cheiro a Rio...e a laranjas, apetece mar e horizonte.
No entanto sempre que puder vir á net, deixo aqui algumas palavras da minha experiência , e fotos também.
No entanto sei que...me apetece estar longe daqui.
Como se aqui, nada me prenda, ou me faça sentir viva...
Até ao meu Regresso.
(Já tenho o portátil...!Trabalho mais facilitado...ihihih)
De chave na mão...vou abrir a porta.


Os olhos castanhos quando choram ficam todos enlameados.
Por isso, há que aproveitar sempre os dias de sol para plantar couves:
Couves para caldo-verde, couves para cozido à portuguesa, couves para batatas cozidas com couves, couves para serem couves e terem lagartas das couves.
As lagartas das couves que se arrastam com o seu meio corpo mole de cada vez, são bonitas de se verem.
Às vezes, quando se abana a folha da couve, elas caem na terra castanha e morrem com os olhos.
(Há pessoas monstruosas nos dias de sol.)
Mas a culpa toda é dos olhos castanhos, porque não são azuis.
E não têm aquários com peixes lá dentro.
Ela disse Adeus.
E foi-se.
Pintar o mundo.
