domingo, 6 de abril de 2008

Um dia calmo...



Depois de uma noite em que dormi que nem uma pedra...e recuperei forças, acordei no sotão...seriam umas 10h,com a tua tentativa de não fazer barulho, mas o chão de madeira não deixa de ranger nunca...ahahaha!Apanhado.

Este dia soube-me a paz, imensa, tudo o que precisava, acabada de chegar de Taizé.Um dia para assentar, e voltar á realidade, ainda que nao fosse a minha...


Depois de um banho como deve de ser, tomámos um pequeno almoço do céu...e lá fora caiam flocos de neve muito pequeninos...pensei que iamos ter um dia cinzento, mas enganei-me!

E ainda bem, porque estava a precisar de sol...como nunca!


Ao pequeno almoço o típico Brioche...e tantas coisas de Portugal, porque nesta casa, apesar de estarmos em França, tudo lembra Portugal...










E depois de arrumar a cozinha, ficámos por casa, calmamente, a arrumar as coisas e simplesmente no Relax...








Uma casa onde senti, que havia um passado feliz, embora de trabalho...e as lembranças de Portugal, eram muitas...o que denotava a saudade sempre presente.Senti-me bem naquela casa, para além do acolhimento fantástico, havia calor...havia vivências.








Olho pela janela e vejo que o tio Quim, está no jardim...desço e ficamos á conversa até á hora de almoço...ora faz sol, ora fica escuro, ora tenho calor ou frio...o tempo tá instável.O jardim conta a história de uma vida, as árvores que ele plantou...e as coisas que já se passaram ali.








Permanecemos pelo jardim...á conversa, até á hora de almoço.Pelas 13h, chega a tia do Duarte, e rompe pelo quintal de bicicleta, o Lucky faz uma festa...
Ficamos admirados, pois em Portugal as nossas avós não andam de bicicleta, e aqui vive-se um espírito diferente...as pessoas não páram, mexem-se e tem hábitos mais saudáveis...








Entramos para o almoço, em menos de nada, tudo fica pronto, entre um copo de vinho e dois dedos de conversa...as notícias correm na Tv, e depois da semana em Taizé sinto que já não estou habituada a uma certa realidade...
O café em cima da refeição, soube-me muito bem, tinha um sabor Português, pois o café fora daqui, é água quente...





Depois do almoço, falámos sobre os planos para este dia...
Saímos para uma caminhada, á beira do rio, mesmo ali pertinho...havia gente a passear os seus cães, e numa paz fora do vulgar...a tarde aqueceu, e o sol brilhou, eu já lhe sentia a falta...






O leito do rio, estava cheio, muito cheio...e as casas á volta eram lindíssimas.
Caminhámos calmamente...






Derepente imaginei-me a viver ali...com esta calma, e a poder passear assim logo pela manhã, ou ao fim da tarde e recolher esta calma e esta luz.








E sim lá voltámos a beber do sol...e porque qualquer sítio do mundo, faz muito mais sentido, quando estamos juntos...







A foto de família...







O dia tinha uma luz tão fantástica, que senti que estava preparada para os dias que se seguiam, visitar Paris e descobrir mais sobre essa cidade que me deixou um gosto, para voltar...








O duarte pensativo...






O lucky...cão simpático e amigável, mas não á 1a vista...







O sol deixou de brilhar e voltámos calmamente a casa, senti que aquela caminhada nos ligou um pouco mais, enquanto falávamos do presente , do passado e do futuro, das lutas de uma vida e do sabor que é chegar ao fim da vida e poder descansar, ver a família crescer feliz.










Cheguei á porta de casa, olhei a janela do sotão uma última vez e subi para arrumar as minhas coisas...ao fim da tarde iriamos embora...
E assim foi...com o Lucky a ladrar no portão...deixámos para trás, Noisy-champs...





Antes de nos encontrarmos com a Manue, vistámos ainda os primos do Duarte...que estavam em remodelações...uma casa luminosa, e no meio do campo...cheia de crianças...4 filhos e muita cor por ali...o mais novo de 3 meses...a mais velha de 21.
Ainda demos opinião sobre a cor da tinta...






Todos em farda de trabalho...mas muito acolhedores.
Senti que o Duarte estava radiante em poder conhecer melhor uma parte da família que está longe, mas nos acolheu de uma forma fabulosa, sempre.







Na ida para o encontro com a Manue, o tio Quim, lembra-se que não trouxe os documentos do carro...e lá foi o duarte a conduzir...!!









O dia chegava ao fim...








Encontramo-nos por fim com a Manue, num centro comercial gigante, onde ela trabalha numa livraria.Lembrei-me dela um verão aqui em Portugal...e reencontros feitos, despedimo-nos dos "tios", e levámos as coisas para o carro da Manue...







Do centro comercial, até á sua cidade, foram 10 min, ela mora em Esbly, uma cidade pequena, e pacata...a 30 min do centro de Paris de comboio.
Pelo caminho podemos ver a disney ali mesmo ao lado, e o castelo da bela adormecida...a brilhar.
Ao chegar, foi comodarmo-nos e fazer o jantar...
A Manue mora num T0, mas bastante acolhedor...onde as fotografias na parede mostram uma vida cheia de viagens e boas vivências, algumas em comum, como os encontros de Taizé, jornadas mundiais...e experiências que nos fazem sentir vivos de verdade.
Perdi-me a olhar para todas as fotos... e descobri uma foto do Duarte, do verão passado, com o ar mais feliz do mundo...pensei, que estar longe dos que amamos nos pode mesmo fazer perder um pouco o brilho...mas se fizermos um esforço, percebemos que as pessoas nunca podem mudar assim tanto, que percam a magia...e ele não a perdeu.







Depois do jantar, foi consultar mapas e preços, para Paris...e tentar programar o resto da semana, mas a verdade é que planos não são connosco e acabamos por fazer sempre o que mais nos apeteceu...acho que planear minimamente é bom, mas não demasiado...


E claro mapas é com o Duarte...








Adormecemos...depois de muito falar.Camas no chão...sacos de cama...malas.A confusão.Percebemos também que a Manue não tinha máquina de lavar roupa e a semana passou-se a lavar roupa no lavatório...ahahahhaha!
Foi bom.
O dia que se seguia seria a aventura de descobrir a dois uma cidade enorme e bonita.
A Manue ia trabalhar...todo o dia.Por isso procurámos que o tempo com ela fosse bem aproveitado...e agradecer assim este acolhimento.



Até amanhã Paris!!

sábado, 5 de abril de 2008



Últimos instantes em Taizé...e chegada a Paris!


Segunda feira de manhã...acordo, e na minha camarata todas dormem...tenho que despachar-me pois hoje, partimos para Paris e tenho as últimas coisas para arrumar e não quero perder a oração da manhã...esta sim a última...
Abro a porta ainda em pijama e está tudo branco...completamente branco, que visão...e que friiiiooo!
Começo a arrumar as coisas, e a empacotar o melhor que posso, os ténis já não cabem, e vão pendurados na mochila...
Levo as minhas coisas para a camarata 14...e vou para a oração.
E que aconchego é entrar ali, numa manhã fria...





Depois da última oração da manhã...saimos da igreja com calma, e caminhamos pela neve até á fila do pequeno almoço...a alegria de todos apesar do frio é visível, afinal tal como eu, nunca se viu Taizé numa Páscoa, assim...branco.


O dia cinzento...o dia da partida.

E depois do pequeno almoço, e de nos despedirmos do Ir.David...lá rumamos ao parque dos autocarros, para descobrir qual seria o nosso?!
Vieram logo ter connosco, pusemos as malas e escolhemos o lugar...

Fomos muito bem acolhidos por todos...um grupo animado, que nos fez sentir entre amigos.E ainda nos agradeceram por estarmos ali e irmos com eles...quando quem tinha de agradecer, éramos nós...
E lá iamos nós a caminho de Paris...daí a 5h, estariamos lá...e começava uma nova semana, para nós.

Passado alguns minutos, partimos...e ao som da minha música preferida:" El alma, que anda en amor...", foi assim que ficámos a ver a aldeia ficar para trás...e até para o ano Taizé!




Os primeiros isntantes calmos, cada um pensaria para si o tanto que tinha aprendido esta semana...
Depois o ânimo tomou conta de todos...
A primeira paragem foi para almoçar...a 2h30 de Paris...e a neve não parava de cair...




E um bom Tuga que se prese, come a bela da sande...onde quer que seja, e assim foi, abrimos o farnel em cima da mesa, e ele foi chouriço, presunto, maçã, paté...enfim!Mas é assim que eu mais gosto de fazer, destas pequenas partilhas que nos fazem rir mais tarde...

Era o espírito de Taizé ainda ali...bem presente.


A viagem continuava, mas a neve e o gelo na estrada eram bastantes, pelo que fomos com cuidado.

Lembro-me que nesta viagem, nos rimos, chorámos e falamos sobre tanto...eu diria que foram as 5h mais longas destes dias...mas muito importantes.


E esta é a Abiba, professora de química, e que foi mesmo muito querida connosco...tinha um sorriso doce, e fez-nos até uma surpresa, numa das paragens.Quando regressámos ao autocarro, tinha escondido um chocolate para nós...e tivemos que o descobrir.

Agradecemos com uma música, cantada em todas as línguas...e são momentos destes que nunca mais se esquecem, cheios de sinceridade...porque apesar de trocarmos emails, e sabermos que para o ano nos veremos em Taizé, o que fica é muito maior...e impossivel de explicar.


A alline, e o seu amigo...ela ficaria em Paris connosco, e foi ela que nos guiou pelas linhas do metro...e nos deu logo um mapa, para nos orientarmos.


Nós...cheios de calor, quase, quase a chegar a Paris...!!!


Paris surge...o sena dá-nos as boas vindas, o autocarro pára, e despedidas deitas, tiramos as malas, e vamos com a Alline, para o metro...a confusão de linhas é grande, mas nada que não se possa descodificar...

Fomos de comboio.A alline explicou-nos tudo e despediu-se de nós...com um até breve!

E lá fomos a caminho de Noisy - Champs, onde moram os tios do Duarte, onde ficariamos por um dia e uma noite.



Em 20 minutos estávamos lá...a chuva sempre a cair.E a provar que há pessoas boas em todo o lado, vinha a passar um rapazito, este mesmo da foto, ao qual perguntámos onde havia uma cabine, e ele saca do seu telemóvel do bolso e diz-nos: "telefonem...", e onde é que isto se vê?Já não se vê...


Depois de nos tirar uma foto, seguiu o seu caminho e nós o nosso...


Carregados, molhados e cansados...lá esperámos pelo tio do Duarte, o tio Quim!

Que por fim apareceu, com um enorme sorriso, dizendo que nos esperava desde manhã...ajudou-nos a meter as coisas no carro, e seguimos para sua casa.

Falámos da viagem, de Taizé, da vida dele ali, mostrou-nos um pouco do seu departamento...e por fim chegámos a casa, onde o lucky não paráva de ladrar, com o ar mais ameaçador do mundo...


A casa era uma casinha de bonecas...construída por ele...e com muita história.


Ao entrar, quente...pousámos as coisas, mesmo na garagem...e meteram-nos logo us chinelos quentes nos pés.Gesto que me marcou...afinal nem me conheciam.Mas já me vou habituando e Português que se prese, recebe sempre bem e de braço abertos...

Eu de chinelos na mão...

Depois de alguns dedos de conversa, jantámos...e confesso que já não comia tanto, há uns bons dias...mas soube-me bem, de certa forma, parecia que estava em casa, e eles eram os meus pais...afinal sempre que chego de Taizé, são eles que me esperam e preparam uma refeição assim...e me fazem sentir quente por dentro...

A noite seguiu em conversas na sala e a conviver com o Lucky, mas fomos descansar cedo, dormi no sotão...quentinha, onde podia ver as marcas de uma vida de trabalho...e recordações, que sem saber porquê, nem o que significavam, me faziam sorrir...talvez por também querer construir assim uma vida, repleta de recordações, boas, que farão alguém sorrir!

Lembro-me que nessa noite fizemos uma passagem por tudo o que vivemos estes dias, e como iriam ser os próximos...que adormeci com a maior paz do mundo...de manhã tinha deixado Taizé, e agora estava ali, ás portas de Paris, pronta para viver mais momentos fortes...daqueles que fazem uma vida valer a pena.

Até amanhã...=)








O dia de páscoa em Taizé...







A neve caía, uma prenda neste dia, a conferir um ambiente mágico ao dia de maior festa e alegria.
Bom, foi sem dúvida diferente para mim...Vi todas as despedidas, senti o que se sente quando se fica...depois de uma semana de alegria e partilha.
A viagem é longa e o dia de Páscoa acaba por ser a correria de arrumar as malas e partir logo a seguir ao almoço...
Partiram todos...mas o dia de Páscoa aproveitei-o até á noitinha, bem depois da oração da noite.
É um dia de chegadas, e por isso mesmo os rostos na igreja renovam-se...os cânticos mudam.Senti tudo isso...enquanto pensava nos que iam em viagem...e rezava por eles.







A despedida do Grupo da Ameixoeira...





A Sara e o Ricardo a dançarem na neve...que no dia a seguir era muita, mas mesmo muita...








A Sarita lá arranjou uma boleia para Milão...com 2 ragazzos!















Ainda guardo a imagem do carro azul a deixar a aldeia...e nós a acenar.Até ao verão Sara.










Bom depois de todas as despedidas e lágrimas e abraços...e o silêncio que os Portugueses deixam para trás...resolvemos falar com o Ir.David, e perguntar se saberia de algum Bus, para Paris ou arredores.Teriamos que ter muita sorte...e assim foi, assim que chegámos a La Morada, um amigo Frânces, diz-nos, que há 2 lugares para Paris no autocarro, 2a feira, ás 10h, imediatamente descansei...e fui deixar um recado ao Ir.David, para que soubesse que estávamos bem.
Resolvemos comprar um cartão para ligar aos nossos pais...desejar um bom dia de Páscoa e dar noticias...do paradeiro.
Pronto tivemos 1h dentro da cabine.Ninguém atendia o Duarte...ou os códigos davam impedido...enfim.Eu gelei, mas só me ria.Ele só faltava bater no telefone...
Depois foi ver abrir o sol depois de tanta neve, e ir pa a fila para um chá quente, com aquele sabor frutado como só em Taizé existe...
Encontrámos alguns Portugueses que tinham chegado nesse dia...de Santarém.Ficámos a trocar impressões...




E depois de tudo isto,fomos até á igreja do silêncio.
Parei para falar com o IR.Roger, e agradecer que um dia tenha acreditado...e pela forma bonita como tudo se tornou possivél.
E ali estivemos."Perdidos"...sem querer saber de mais nada.Aquele silêncio falou-me tanto... de uma forma muito especial.
Deixei de me sentir só com as partidas desse dia.Afinal estava em casa.



E com o sol a brilhar lá fora...os pássaros cantavam enlouquecidos e contentes.Resolvemos então caminhar até Ameugnhy, mas como faltava apenas uma hora para o jantar, pedimos boleia...e ali ninguém diz que não.

E depois foi beber do sol...como há muito não o faziamos.






O dia amanheceu cinzento, mas terminou num esplendor que dificilmente esquecerei.






No regresso, a visita á Olinda...esse lugar mágico, reservado aos mais novos.Quem se aproxima de lá, ouve logo risos e crianças...e sente essa energia.Senti umas saudades enormes do verão em que lá trabalhei...


Com o sol quase a pôr-se ficámos á conversa com a Dulce...que se prepara para deixar Taizé depois de um ano e meio lá...

E ficam as suas palavras desprendidas:" Manda-te sem medos...a vida é assim mesmo!" E o seu sorriso de PAZ...

Obrigado Dulce...


O dia foi perdendo a luz, mas não o brilho...caminhámos com o vento gelado pela estrada fora, até ao jantar...comemos na tenda, onde só se ouvia falar, tudo, menos Português...


Depois procurámos um lugar na igreja e acomodamo-nos para a última oração deste dia de Páscoa.


A noite prolongou-se em oração...e diálogo.

Recolhemos ás camaratas, para descansar...no dia seguinte deixariamos Taizé...a Lua brilhava cheia.

Quando cheguei á minha rua, havia silêncio, faltavam os miudos de Aveiras...a minha camarata tinha luz!!!E eu que ia preparada para encontrá-la vazia...abri a porta e eram 4 raparigas francesas.Estiveram nas tendas toda a semana, sofreram bem...partilharam comigo.As suas roupas e calçado eram lama.Esta noite mereciam bem o quente de uma camarata.

Iriam embora no dia seguinte ás 10h, no mesmo Bus que eu...ficámos á conversa.

Depois fui tomar um banho e voltei, elas já dormiam...adormeci também...sentindo a falta das minhas companheiras de quarto, e das risadas, mas feliz, por poder estar mais um bocadinho neste paraíso que é Taizé.