quarta-feira, 8 de agosto de 2007

E dias antes de Partir...











Os sonhos e as quimeras estavam guardados no meu bolso, como se fossem rebuçados.


Podia tocar-lhes e pensar que mais tarde provaria aquelas doçuras, tinha-as ali à espera que a minha língua se enrolasse nelas.


Depois colar-se-iam no céu da boca, escorrendo sucos encantadores.


Ainda que eu, todos os dias, desenrrolasse um sonho, pequeno ou grande...


Caminhava pela rua, com algumas flores frescas debaixo do braço, para as pôr no meu quarto, gosto delas frescas e tavam a bom preço...


Ia assim um pouco encalorada pelas 17h de mais um dia quente de Agosto, mas sabia-me bem e os passos eram silenciosos nas sandálias rasas de sola mole, presas por fitas verdes de pele.


Sentia que fazia parte da quietude daquela tarde, ainda tão quente, de uma semana que não passava nunca mais.


Passado o portão, desse enorme jardim de recordações, entregue ao arvoredo frondoso e fresco, embrenhei-me solitária de desejos inexplicáveis, e apressava o andamento, o saibro vermelho a gemer sob os meus pés.

Muitos por ali se refugiavam...e permaneciam.


Sentei-me num muro de pedra e abri o meu bloco da aldeia de pedra...escrevi apenas isto: «Não sei saber» e «não sei ser daqui» - caminhos cegos onde fechei os olhos mas não pude, mesmo assim, ver.


Estava a ser sugada para longe. Longe das árvores, das palavras impressas ou por mim escritas, do calor; longe de mim.


Tirei um sonho do bolso e provei-o, ávida de ser.


Era de um amargor arguto, sabia a medos subtis e o bloco fechou-se nas minhas mãos e eu deixei-me escorregar até sentir os pés no chão.


Nem todos os sonhos são doces.


Recomecei a andar, enquanto o sonho azedo derretia na minha boca, e entrei na casa de chá, que há anos, frequento...


Bebi tília a escaldar e comi uma fatia de bolo de chocolate. Não havia mais ninguém com quem sorrir.


E não havia porque aquele momento era meu e precisava dele.



Fiquei ali, a regressar a mim, devagarinho.

Regressei a casa, dei de beber ás flores...e mirei-as em cima da cómoda, como se ali pertencessem desde sempre.

E depois, ritual sagrado...sentei-me para escrever e encerrar...ou ver nascer?

terça-feira, 7 de agosto de 2007






Reconhecer-te-ia na escuridão,pela voz...e no meio da multidão pelo sorriso único, no silêncio pelo teu perfume inteligente...



Serás para todo o sempre,inconfundível, poço escuro que me deixa os olhos cheios de estrelas no emaranhado em que
desenrolas emoções.

Sabes,acho que não há tempos que substituam outros tempos.


Como quem consulta um livro de cabeceira que julgava eterno
e descobre que afinal existe a última página, e não sabe adormecer para lá desse vácuo...






Cores, sons, cheiros, tempo e distâncias...
O inesperado...visto pelos meus olhos, sentido pela minha alma.

O inesperado como nunca o tinha encontrado, e a forma como me soube bem e me ensinou tanto, me levou a tirar algumas conclusões...ás quais nunca chegaria, se estes Km percorridos a sós, não me ensinassem tanto.

Porque acredito, e sempre acreditei em sinais.Em lições tiradas do que a vida vai escrevendo...em mim.



Bom primeiro foi deixar para trás Lisboa, e fazer a viagem ao entardecer...e ainda em pleno comboio, absorver tantas coisas, vindas de quem chega e parte cosntantemente, num lufa lufa que existe, para estar com aqueles que se ama, nem que seja por uns escassos momentos.E então trava-se essa luta com os km, e com o tempo.

Mas os imprevistos começaram logo ali, quando no Entrocamento, o Intercidades, pára...
Eu pensei para comigo, que me reservariam os próximos dias...?

Andámos para trás e para a frente, numa tentativa vã de continuar viagem.Pelos corredores circulava gente impaciente, havia também gente na linha, comendo laranjas dos pomares, esperando o apito do comboio para correr lá para dentro.
Um arraial ali montado, ora pois, as pessoas da aldeia não viessem a correr ver o comboio, foi então a novidade do dia, e aposto que o tema do jantar...e do café logo mais.
Pouco depois chega um Alfa-Pendular, que pára atrás de nós, e logo a seguir um inter-regional, eram 3 comboios parados em plena linha, sendo o nosso o empata...



Depois foi chegar ao Porto, com hora e meia de atraso e encontrar este sorriso aberto, este abraço sempre nosso, para reconfortar a espera, e sentir que estava em casa.
Nunca serei capaz de descrever o que sinto, de cada vez que me esperas, de cada vez que eu te espero, seja onde for.


Voámos direitas a Santa Maria da Feira, para mais uma feira medieval do nosso infindável curriculo destas andanças.
Feira adentro, rufam tambores...o Castelo iluminado, parece tirado de um de conto de fadas.Mágnifico.



Uma feira, com imensa gente, pela encosta do castelo acima, na praça junto ao rio, muita mas mesmo muita gente.
O que nos saltou logo á vista, os artesãos, que nos sorriam á passagem, afinal rostos conhecidos de tantas outras feiras.
E desta vez, fizemos questão de passar tempo com eles, em cada barraca, parámos em média 20, 30 min, á conversa, e claro não saimos de mãos vazias de nehuma delas, mas sempre com desconto de amigos!!
E o que nos fica destas mini-tertúlias, em noite quente, é o amor que cada um deles tem por aquilo que faz...por cada peça ser única, por haver uma entrega que muitas vezes não é recompensada por qualquer feira...ou negócio.
Por isso é que eu, me guardo para estes momentos, e acabo por encontrar, A mala, As sandálias, A túnica, A peça...única, que ninguém mais tem...porque nunca nenhuma é igual.
Isto não se de trata de exclusividade, mas de trasnportar comigo a alma, que cada um deles depôs ao fazer essa peça, e esse brilho transparece...

O que me soube realmente bem, nesta feira foi esse contacto, com cada um deles e sentir que posso sempre encontrá-los por aí...permanecendo numa espécie de elo, com o mundo e uma alma comum, que procuro incessantemente.E encontro-a.
O que me soube bem, foi ter-te ao meu lado, e contigo descobrir, e não ter pressas...
Foi perdermo-nos e já não saber por onde andávamos, percorrer ruas, perguntar onde ficava, e no fim perceber que estávamos perto, muito perto do carro.O que eu me ri...e o que se riram.





A noite como sempre, terminou tarde, para no outro dia, numa mesma correria, que sucede sempre que os meus pés pisam o Porto...lá fomos em busca do expresso, para Terras de Miranda...
Pensar que estive quase a entrar num expresso, com destino a Sendim, e que tirei bilhete, e quando ia entrar, me apercebo, que este Sendim, era Sendim de Tabuaço, Viseu...foi saltar, e pedir que me reembolsassem...e assim foi.
Ufa que grande susto...seria pior a emenda que o soneto.
O dia começava bem...
Expressos, comboios, enfim, esgotámos todas as possibilidades...e transportes para aquelas bandas, ao sábado e domingo, nada.
Por isso a opção foi apanhar expresso da Rodonorte para Mirandela, onde tenho amigos...e de lá se veria como percorrer os 120 km, que me separavam de Sendim, e do Festival Inter-céltico.(O meu objectivo inicial...)






Assim que deixo o Porto para trás...e começo a embrenhar-me no Marão, ponho de parte qualquer receio de não chegar ao meu destino...e confio, deixo que os meus olhos repousem no verde imenso, nas escarpas rochosas...e ao som da música que escolhi, lá fui...e pensava para comigo, SÓ TU!!!

Rindo-me de mim mesma, mas saboreando a minha liberdade.








Chego finalmente a Mirandela, ás 14h30, um calor abrasador, que me fez beber 1,5 L de água em 10 min, sofucava tudo e todos...
De mochila ás costas, sorriso no rosto, sentei-me na escada da gare, e pensei para comigo, estás entregue a ti mesma...decide o que vais fazer...o que realmente queres, e te trouxe aqui!
Lentamente comecei a pôr de parte a possibilidade de ir para Miranda...pensei pedir boleia, pagar 90 eur de Táxi, pensei tudo...
Rápidamente me apercebo, que a cidade está em festa...há música nas ruas, enfeites, uma animação...a ponte Romana, reflectida no rio...os barcos, a praia fluvial...a vida daquele local, depressa me apaixonou.
Peguei no telemóvel, e liguei aos meus amigos, que já me aguardavam, pois tinha dito que ia este fim de semana para os visitar...mesmo que fosse de passagem, o que cabou por ser mesmo de paragem.
Do outro lado alegria, ao ouvirem-me, foram logo ter comigo, ou não recebessem bem as gentes do Norte...
Ao meu encontro a correr, o sorriso da Catarina de 4 anos...a minha grande companheira destes dias...LINDA, LINDA, LINDA!
Fui muito bem acolhida, o que me soube muito bem depois daqueles momentos em que me senti um pouco perdida...
Abraços, risadas, insistência para ficar...para participar das festas...
Não fui capaz sequer de dizer Não, ou até de pedir que me levassem a sendim.Acho que quem nos acolhe assim, não merece de forma alguma esse partir...e entreguei-me ao inesperado.
Pensei para comigo, que não estava destinado ir para este Festival, por alguma razão.
Percebi então mais uma vez, que nem sempre aquilo a que nos propomos acaba por ser conseguido, mas importa tirar partido do que a vida gentilmente prepara para nós...
E aceitei.







Acabei mesmo por ficar, envio uma sms a quem por mim esperava em Sendim, e com alguma pena...digo que não vou.
Tomo um banho de água fria...adormeço por fim durante 2h, fugindo ao calor Transmontano...a Catarina veio dormir comigo, e podia senti-la a mexer nas minhas tranças, devagarinho, fascinada com tantos guizos, missangas e afins.









O jantar no terraço, com vista para os montes...deu-me novo ânimo, recordar ao jantar, a altura em que me conheceram...e tudo o que já passou por nós...o tanto que mudou nestes anos...a vez que fizeram 7h de viagem para me visitar no hospital, tudo isso não ficou nunca esquecido.
O estar ali, com eles, foi de certa forma celebrar a vida...a nossa, esta que temos e que corre inevitávelmente noutras vidas, porque só assim faz todo e qualquer sentido.

A noite caiu por fim, e as margens do rio, enchem-se de de gente vinda de todo o norte do país, Mirandela, estava pelas costuras, e este povo é de uma alegria contagiante...eles fazem mesmo a festa...seja onde for.
Tudo brilhava...


l

Por volta da 1h da manhã o fogo começa, 1h seguida de fogo, que eleva todos os olhares para o céu...maravilhoso.A banda sonora, contava curiosamente com músicas que me dizem muito...e que marcaram grandes momentos...estes últimos meses...e por isso, escapa-me inevitávelmente uma lágima...fugidia, que niguém viu.



E porque o calor era muito, mesmo muito, após o fogo ninguém se foi embora, e até ás 3h da manhã, havia gente nas margens do rio, sentados, a conversar, deitados a dormir...e muitos lá passaram a noite, para continuar a festa no dia seguinte.

Eu fiquei no meio de 3 meninas lindas, que me encheram de cócegas, de moches, de brincadeiras...e tudo isto com o cheiro a rio e a brisa fresca que só ali corria.

No meu pensamento tinha no entanto, amigos, muitos...os que estavam no Andanças, os que estavam no Inter-céltico, a minha Clara...no Porto, e tantos outros...espalhados por ai...

Parti para Lisboa depois de 2 dias de boa disposição...e as horas de viagem, foram nem mais nem menos, do que uma grande reflexão...



Ao chegar a Lisboa, o abraço e o sorriso do Paulo...esse que é sempre certo.

Ainda assim, o sorriso na chegadas e partidas foi uma constante.

E essa é para mim a maior força e certeza, de que é isto que desejo continuar a ser, na vida de cada um...como o são na minha.

Porque há caminhos que escolhemos...e há caminhos que nos escolhem...e contra isso, nada há a fazer.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Festival Intercéltico...de Sendim.


As celebrações intercélticas vão regressar às Terras de Miranda com a realização do 8º Festival Intercéltico de Sendim, entre os dias 3 e 5 de Agosto de 2007.

O programa traz nomes, deliciosos...como, Dazkarieh... nesta edição o grande destaque vai para a grande música da Irlanda, representada por dois dos seus mais importantes e aplaudidos grupos: FOUR MEN AND A DOG e SOLAS. Dois grupos que partilham entre si o gosto pelos diálogos interculturais.

Four men and a dog...fazem dos seus concertos verdadeiros acontecimentos, envolvendo o público com os seus furacões de criatividade e de humor (com o tocador de bodhran, Gino Lupari, a estabelecer níveis de comunicação de todo impensáveis).

Explosão dos sentidos...é o objectivo.

Já os Solas fazem uma música folk irlandesa assombrosa, provavelmente a melhor do mundo! Um som próprio muito personalizado – graças ao talento e virtuosismo dos seus líderes...

A mais que consagrada Emmylou Harris disse um dia que se trata de “música encantadora feita por gente encantadora”

Um conjunto de actividades paralelas – uma exposição fotográfica sobre a máscara ibérica associada a festas tradicionais, da autoria de Hélder Ferreira; apresentação de livros e discos, com a respectiva feira a funcionar no recinto do festivo; exposição e venda de artesanato, produtos da terra e instrumentos musicais; vistas às Arribas do Douro, com passagem por sítios arqueológicos como os das gravuras de Santos e ruínas da ermida de S. Paulo – e as noites de todas as libações na Taberna dos Celtas, completam a oferta programada. Porque em Sendim e a partir de Sendim muito há para descobrir por toda a Terra de Miranda!


E entre todas as poções mágicas disponíveis para mitigar todas as sedes, o indispensável licor celta, de fórmula secreta apenas conhecida pela D. Nazaré, para que as libações intercélticas sejam perfeitas.

E eu vou lá estar...



Mas para lá chegar...

Dia 3 Agosto

19h-Lisboa

22h-Porto

Ribeira, amigos, francesinhas...



Dia 4 de Agosto


porto - campanha
07h25

ermesinde
07h36

paredes
07h56

penafiel
08h01

caide
08h10

livracao
08h21

marco de canaveses
08h27

mosteiro
08h40

ermida
08h52

regua
09h12

bagauste
09h19

covelinhas
09h25

ferrao
09h32

pinhao
09h40

sao mamede de tua
09h53

tua
09h55



Mudança de Comboio...


tua
10h06

tralhariz
10h12

castanheiro
10h17

santa luzia
10h26

sao lourenco
10h30

tralhao
10h33

brunheda
10h38

codecais
10h44

abreiro
10h52

ribeirinha
10h59

vilarinho
11h05

cachao
11h13

frechas
11h19

latadas
11h24

mirandela
11h33






SENDIM!!!!

FESTIVAL INTERCÉLTICO!!!




Dizem todos que é um passeio a não perder. De comboio, pela linha do Douro, até Mirandela.
Uma viagem de encanto. Quase sempre junto ao Douro, proporciona-nos momentos inesquecíveis.
Mas tem-se falado em acabar com esta linha e deixá-la somente até à Régua.
O que seria verdadeiramente de lamentar. Portugal ficará mais pobre se perder esta "linha mágica".
Depois do Tua,dizem também que muda a paisagem. O vale arredondado dá lugar a fragas rochosas e só o comboio permanece junto à água.
Tou anciosa por meter a mochila ás costas e partir...por essas estações e apeadeiros...e sentir o cheiro a comboio, a verão...a terra.













Domingo 5 de Agosto

18h15 - Expresso em Sendim

23h - Lisboa





E muitas histórias para contar =)
Até breve...
Meu querido Mês de Agosto













E pronto...

Hoje é dia 1 de Agosto, o mês mais esperado do Ano.

O calor chegou finalmente, mas em força.

Sinto meio mundo a partir...

Sinto tudo menos cheio...há espaço no comboio para me sentar!

Sinto, que no regresso destas férias tanta coisa não será a mesma.

Como em cada verão que passou.

Hoje despedi-me de alguns dos meus meninos,e sei que voltarão diferentes...tal como eu.

A quem parte, Boas Férias...

A quem fica...É SÓ MAIS UM BOCADINHO!!!

Seja lá o que for, que cada um faça das suas férias, o que importa é que nem um dia seja desperdiçado...há tanto verde e tanto mar á minha espera=)


(Este fim de semana, espera-me Miranda do Douro, para o Festival Intercéltico...e para sentir já um cheirinho a Férias...
Inscrições abertas...)

domingo, 29 de julho de 2007

Eu + Beta + Adraga = PAZ


Deixá-mos o calor do "Subúrbio" para trás...percorremos a ic 19...cinzenta, de encontro ao mar...com vontade de mergulhar o corpo numa água gelada,que nestes dias parece ser sempre a única solução possivel.


Em casa não se podia estar, mas também só sabe bem ir para a praia depois das 17h.
Foi o que fizemos.


O verde de Sintra atravessamos, imediatamente senti aquele fresco...invadir o carro, e com a mão de fora saudava, casas, árvores e a serra...



E ali estava diante de nós, a maravilhosa Adraga, com os seus rochedos imponentes e mar revolto.






Bandeira vermelha...mas nada de desânimos!


E é sempre a mesma sensação, cada vez que meto os pés na areia...e caminho, respirando o cheiro a mar...que limpa, que renova, que liberta.








Venho sempre aqui...
Quem frequenta esta praia, gosta de sossego, de uma boa paisagem aliada ao sol e ao mar...
O nosso amigo Rasta, andava lá com a sua prancha de bodyboard...
Como ficou lindo na foto de perfil...





Esta era a nossa vizinha francesa, que fazia estas habilidades...


E ali senti que procuravam Paz...e um elevar dos pensamentos, cada um fazia o que mais gostava, ler, caminhar, como nós...e depois uma praia sem crianças a rir, construindo castelos na areia, não tem piada, e também lá haviam algumas, que se riam alto, e de olhos fechados, há uma infinidade de sons que vou absorvendo e me relaxam por completo.







Quem não ficou muito satisfeita com o estado do mar, foi a Beta, que gosta de mares calmos, e serenos, e este era tudo menos isso...apesar de tudo, deu para refrescar as ideias...



Mas não muito...pois a tenativa da beta de me tirar uma foto, ficou assim...



Beta AQUI!!!Mais abaixo um bocadinho!!Issoooo...

A Beta está de partida,e de certa forma, esta tarde com ela, soube-me assim a uma despedida, e estar ao seu lado sentada a conversar e a ver o sol descer,foi como que um tempo, só nosso, que mereciamos, que precisavamos ter...

Toda a amizade precisa do seu tempo...

Espera-a uma missão, em Moçambique, mais precisamente em Itoculo, durante todo o mês de Agosto...um desafio!Desafio que ela aceitou...e que vai desempenhar muito bem, tenho a certeza disso.

Faltam menos de 72h, para ela partir...e foi muito bom, passar ESTAS, com ela...

Ela partirá, mas não sozinha...fico bem perto, em pensamento.

Estarei também numa missão, mais curta, 10 dias, mas curta ou longa, o que importa é ajudar, deixar tudo um pouco melhor, seja o que for, que se cruze no nosso caminho.

Esperando momentos de PAZ E AMOR...e rastas, e francesas malabaristas e e e e e...tanto!

Saimos da praia eram perto das 21h, praticamente deserta, mas bela...o sol lá se foi, em tons de vermelho, prometendo calor...

Houve ainda tempo para um geladinho no café...mais um dedo de conversa, e estrada fora, vimos o mundo anoitecer...as luzes acenderem-se, nova semana á porta.




Mas fica um sorriso cá dentro e um adormecer com sabor a mar...

Boa semana amigos...

=)

E hoje...com tanto calor, vai ser...

(Rio Zêzere, Covão da Ametade, 2006)

E hoje...depois das 17h, vou dar um mergulho por aí, em excelente companhia...

Praia eleita...Adraga!

Ideal, deserta, pequena, com imenso verde á volta, envolve-nos nas suas rochas...

E ficaremos até o sol se esconder...

Refrescando a alma...e gozando as últimas horas de liberdade, de um domingo!

Heart door...

A única que nunca se fecha...=)

sábado, 28 de julho de 2007

Confissões X - Mon petit-ami



Foi no Verão em que completei 9 anos que me apaixonei pela primeira vez por um rapazito próximo de mim e de carne e osso.
Antes dele, as minhas inclinações tinham como alvo cantores, actores bonitos e também rapazes imaginários ou então verdadeiros, mas com vinte anos.
Geralmente eram amigos dos meus primos Tito e Luís que em inter-rail, paravam em Lisboa na casa da minha avó, enchiam a casa de 15 jovens de mochila ás costas, todos Madeirenses, e aquilo fascinava-me.
Iam juntos, percorrer a Europa...e a escala era em Lisboa, na casa da avó Glória.

Morávamos em Lisboa e costumávamos passar as férias no Alentejo, por causa das raizes do meu pai, que existem ainda e sempre, numa vila de nome Mourão.
Ao fim de semana os meus primos vinham juntar-se-nos e era uma alegria.Peixe assado, os cães da minha tia, um deles o batata, que eu adorava...
O quintal da minha tia...era assim um mundo.Um mundo onde cresci...e fui tão feliz.
E eu, ia e vinha para o rio Guadiana, onde aprendi a nadar, e onde passava horas...sob o olhar atento da Avó Chica, com os pés de molho, por causa dos calos, vestida de preto, naquele calor do Alentejo, mas o luto era mais forte.

Íamos para o rio de manhã cedinho, regressávamos a casa nas horas de calor, almoçávamos, todos dormiam a sesta e eu brincava lá fora onde tinha muito espaço, pois estávamos isolados no meio de um monte junto ao Rio, onde haviam mais cerca de 10 0u 15 casas, um espaço belo, com uma capela pequenina, onde eu tinha permissão para andar à vontade.
Só voltávamos para o rio por volta das cinco horas, de modo que eu, assim que almoçava, ia brincar lá para fora.
Era encantador, aqueles montes arenosos e com oliveiras inclinadas para o rio...foram nesses anos que me apixonei pelo campo...

À sombra dos sobreiros brincavam outros miúdos como eu.
Claro que, com a minha queda natural para as complicações, caí para o lado com um francesito que não falava uma palavra de português.
Eu também não percebia patavina de francês.
Num aprés-midi, andava eu a cantar e a apanhar joaninhas - havia imensas! - que depois deixava passear pelos braços acima, quando ouvi uma palavra qualquer, assim dita a medo e rir.
Voltei-me, vi um miúdo muito loiro, giríssimo, e... BUM!, o meu coração deu um grande salto sob aquele intenso olhar azul e os lábios invulgarmente grossos, que sorriam para mim.
Eu também era uma menina interessante, gorducha,de longos caracóis, olhos vivos...mas naquele instante senti-me tão pequenina.
Não sei o que lhe respondi que o fez acentuar o sorriso.
Eu perdi a fala e as joaninhas, que devem ter voado. Ele desatou a dizer palavras que não entendi e também nomes, enquanto fazia gestos.
Percebi apenas que se chamava Philipe, era francês e morava provisóriamente numa das casas daquele lugar. Estaria de férias...como eu.
Lá lhe disse o nome, a nacionalidade (!) e apontei para a casa da minha tia, ao longe.

Num instante instalou-se entre nós uma doce forma de comunicar, sorrindo, apontando coisas cujo nome um de nós dizia e o outro repetia.
Também faziam parte os olhares sempre muito intensos e por vezes dizíamos longas frases... e desatávamos os dois a rir perdidamente, encolhendo os ombros, pois era óbvio que não nos fazíamos entender, nem nos ralávamos com isso.
Nesse dia fiquei muito contrariada por ter de voltar para o rio com toda a gente por volta das 17h...e lá fui.
Fui com o coração em sobressalto, e desejando voltar a vê-lo, contando até os dias que me restavam para regressar a Lisboa...
Mas depois, à hora do banho no rio, perto da hora do jantar, em que já só ficava eu, os meus primos e a minha avó... precisamente quando me levantei de um valente mergulho, de que imediatamente me orgulhei, dei de caras com aquele sorriso azul que já quase me parecia ter sido apenas um sonho... mas estava ali a provar o contrário.
Senti-me maravilhada e também muito intimidada. Ele estava realmente ali. Muito próximo.
De repente percebi que ia ser assim durante as férias todas.
Sentia uma coisa que, não me sendo estranha, assumia proporções novas, de algo com que nunca antes tinha lidado.
Nunca tinha escutado a respiração, nem tocado nas mãos, nem visto pulsar perto de mim o corpo vivo de um rapaz que me despertasse amor.
E, de uma certa forma, fugi.
Tal como eu previra, tornamo-nos inseparáveis.
Passávamos os dias juntos, a brincar, a rir, a dizer muitas coisas de que apenas entendíamos menos de metade.
Ele fazia-me cantar, como no primeiro dia quando me interrompeu, e tentava imitar-me o que me fazia rir até às lágrimas e a ele também.
Eu só pensava em estar pertinho dele e sentia-me adorada.
Mas se as nossas mãos se tocavam, mesmo que casualmente, ao fazer construções de seixos lisos do rio, a minha saltava imediatamente para longe com um gesto vivo.
Eu sabia que ele sentia a barreira construída por mim, afinal ele ia partir para longe, lia-lho no olhar que me perscrutava, enchendo-se de confusão e de sombras.
Às vezes notava-lhe uma vaga tristesse... e isso produzia em mim um ataque de ternura tão dolorosa que me apetecia colar os lábios aos dele... assim de raspão... ou com muita força.
Para afastar tais ideias, voltava-lhe as costas de rompante, gritando "tenho que ir!" e corria para junto dos meus, se estivesse no rio, ou para dentro de casa, se estivéssemos no quintal.
Depois ficava com medo de o ter perdido e voltava.
Era sempre recebida com o mesmo olhar imensamente azul que me envolvia num halo de amor e o sorriso de boas vindas nos lábios grossos.

Um dia, logo pela manhã, saí de casa e, como sempre, olhei para as casas brancas e imaculadas, para as janelas do Philipe. Estavam todas escancaradas.
Procurei o carro e a roulotte - que tinham ficado as férias inteirinhas parados no mesmo lugar - e constatei que tinham desaparecido.

Ele partira!

E partira sem saber que fora correspondido, que também eu o amava. Nunca mais o veria. Nunca mais lhe podia dizer "salut!" - como ele me ensinou.
Nunca mais o ouviria a dizer-me "ôlá!" - com aquele sotaque que eu tentava corrigir em vão.

A minha reacção foi atravessar o pedaço que separava as nossas casas e entrar na dele.
Não procurava nada esquecido - nunca fui de tolices dessas! - queria apenas respirar um restinho de Philipe.
Percorri a casa, séria, sem me deter especialmente em nenhuma das poucas divisões.
Talvez tivesse tentado adivinhar onde ele dormira, não me lembro.

Lembro-me da pequena gota de sangue no chão, quase à saída. Tive a certeza que era dele.
Hoje essa certeza faz-me sorrir.
Não que duvide, até acredito bastante nessas intuições súbitas... mas eu era tão pequenita!
Toquei-lhe com a pontinha do indicador, num afago que pretendia repor um bocadinho da proximidade perdida... e saí.
Estava mais triste por lhe ter escondido o que sentia, do que por ele se ter ido embora.

Hoje uma situação semelhante poderia causar um grande sofrimento, mas quando se tem 9 anos estas coisas resolvem-se com muito maior simplicidade.
Com o coração apertado, mantive-me nas imediações da casa do Philipe e, de repente, ouvi assobiar.

Vi que era um dos trolhas que trabalhavam por ali em arranjos ás casas.Tinha um ar simpático, lembro-me que achei que ele tinha quarenta anos (mas às tantas tinha vinte e cinco!).
Fui ter com ele, que estava agachado a mexer numa papa de cal. Fiquei uns momentos enfeitiçada a olhar para aquilo até que ele deu por mim e parou de assobiar.
Cumprimentou-me e fez-me a típica pergunta, em sotaque alentejano:"Então míuda és filha de queeeem?" Dessa vez não me importei.

Disse-lhe quem era...perguntei o que estava a fazer?

Depois ganhei coragem. Respirei fundo e ao fim de todo aquele tempo - quase um mês! - finalmente declarei-me:



- O senhor sabe quem é o Philipe?

- O Filipe?!

- Sim. Aquele menino francês que morava ali - e apontei.


- Ah, sim, o lourinho! Sei, sei.


- Eu gostava dele, sabe?


O homem olhou-me admiradíssimo mas eu tinha que dizer tudo, por isso não me deixei intimidar e continuei:


- Gostava mesmo muito dele, assim com amor de namorados. Mas ele não sabia e agora foi-se embora.


Dito isto, acrescentei um rápido "adeus!" e voltei para casa muito aliviada!...




(Isto conto hoje, assim, com um sabor doce na boca, porque quando somos crianças tudo é tão simples...
Tive que o contar aquele trolha, quando nunca o contei a niguém, alguém tinha que guardar este segredo comigo...
Desde nova, que sempre tive a necessidade de expôr ao mundo o que sentia...
Se hoje o encontrasse, penso que o reconheceria...e talvez lhe dissesse tudo o que senti, que agora já sei perceber Francês, mas preferia nunca o ter aprendido, talvez reacendesse este amor...mais puro, que qualquer outro que senti.
Porque não era precéptivel, e quando as coisas se tornam demasiado óbvias, perdem o encanto...)
Cor Minha...









Quando os teus dedos
me abrem nos olhos os sonhos
e os teus lábios selam os meus
no silêncio solitário dos voos
mansos,
turbulentos,
Toda eu sou tu em mim.


No instante que pára
o tempo passa sem nos perturbar
Não sei onde estás
não sei onde vou
Apenas vejo e sigo
na luz distante
a cor tão linda que inventaste
minha.








Palavras sedentas de mim...




Na página branca
as palavras dançam em fúria
desafiam-me
para que as ordene em frases
com sentidos que só eu sei,
e elas assim perdidas zangam-se do meu silêncio
querem ser dotadas de acepção.
Eu sinto-as perfeitamente
e pinto-as
saboreio-as
como se fossem telas ou maçãs,
e elas assim vestidas
exasperam-se de tudo em mim
que as não transformo em narração.


À parte: (Não vêem elas que são demasiado frágeis para tão profundo mar?)
Só havia de parar para morrer...
















Caminhavam todos naquela direcção. Todos.


Os meus olhos atiraram-se ao horizonte, certos de ir encontrar um motivo, fosse ele feixe de luz ou porto-seguro, mas em vão. Nunca fui de me arrastar atrás da multidão.
Não se avistava nada que justificasse um tal consenso.





Talvez estivesse mais longe, talvez não se avistasse ainda, pensei, lembrando-me de que a terra é redonda, e juntei os meus passos aos de toda a gente.
Só por algum tempo, que não seja muito nem pouco, pensei, e tratei de escutar o coração enquanto caminhava, pois não há outro modo de saber quanto é o tempo certo que temos para as coisas.





Troquei palavras com alguns caminhantes.
A tudo quanto lhes disse me responderam coisas belas.
Quando por fim arrisquei a pergunta olharam-me com expressão entendida, e, de repente, era como se sentissem por mim uma pena profunda, um nadinha cómica.


Alguns deixaram de me falar e afastaram-se, outros apenas mudaram a forma como me ouviam e respondiam, mas percebi que a minha pergunta pusera uma mesma ideia na cabeça de todos, sem que tivessem necessidade de trocar impressões a meu respeito.
Descobrindo isso, sorri para mim só, o que os fez sorrir uns para os outros.





Voltei-me e segui um caminho que não tinha gente. Mas tinha-te a ti, a ti e a ti, tu também,e ela e ele, e eles...todos os que amo e sabem quem são, porque nada fizeram para não o merecer...porque vos escolhi e me escolheram.





Vou sempre para onde o coração me guia, na escolha gradual que for sentindo certa, ignorante do que irei encontrar no final.
Chego sempre a um lugar não premeditado que, meu conhecido ou não, percebo logo que me pertencia já, durante todo o caminho. Já era meu.
Tudo o que digo, se não vier do íntimo quase meu desconhecido, pouco significado tem.
Por belas que as palavras fossem, escapava-lhes a leveza tal era a crueza da verdade que tenho no meu coração - só ele pode falar longamente e nunca mentir.


Pequenina e simples frase: mais credível ela é.


Mais longe andou dos filtros do pensamento, mais perto a senti em mim.Está dita.Cravada no meu desejo.E cumprida.








Mas no horizonte avistei coisas e eram coisas que eu queria atingir com os meus passos. Algumas saíam de dentro de mim e posicionavam-se algures mais adiante.
Outras eram-me exteriores, mas vendo-as, sentia que lhes queria chegar.

Cada vez andava com mais entusiasmo e nunca me cansava, apesar de saber que tinha de ir sozinha e só havia de parar... para morrer.

terça-feira, 24 de julho de 2007


E este blog, fará um ano em Agosto...



E parece que NÃO fica por aqui...



Sempre seguirá.


Continuam os olhos da alma, que partilharei com toda a gente.



A privacidade írá sempre até onde eu quiser que vá...




E nisso já não és uma luz...

segunda-feira, 23 de julho de 2007



Acabou-se o Delta Tejo...





Termina assim a romaria ao alto da Ajuda...

Ficam os bons momentos, muita energia boa de sentir, gente feliz...dançar á chuva, ao sol e com poeira...que nada fique por deitar cá para fora!



Ficam abraços e canções juntos...cumplicidades!


E o Carlinhos Brown assustado com o meu abraço...e segredo!Valeu...


A última noite fica marcada por Orishas e pela chuva miudinha...que me fizeram dançar, e refrescar!

Tenho os pés castanhos da terra...e não saiu no banho...enfim, marcas da diversão...

Boa semana para todos=)

domingo, 22 de julho de 2007



Delta Tejo 2º dia...



Neste 2º dia de Festival, a noite chegou bem mais animada, na companhia de mais amigos pois é claro.
Mas os veteranos Rita e Jacinto lá estavam...
A tarde desce sempre calma por aquelas bandas, com o rio como pano de fundo e a Lua a subir enfeitiçada no céu...a lembrar quem longe está.


O mano Hugo sempre em grande estilo...










A Inês...que dançou até não poder mais das pernas!!!






Mas com quem me soube bem estar, foi com o senhor Pedro, que está de partida para o Algarve, e só volta em Setembro...é bom quando apareces, e sais do estado de estudo-ibernação...lol!






Luís Represas e João Gil...improvisaram para nós! E depois foi a vez de Mafalda Veiga...e o que me soube bem, ouvir: Ai Lisboa...estendida sobre o rio...ai Lisboa de 1000 amores perdidos...", com Lisboa aos pés!






O ambiente era animado...e dançar foi a palavra de ordem da noite, que para mim teve o seu ponto alto durante a belissima actuação de Carlinhos Brown, que pôs toda a gente a mexer, de uma presença em palco e de uma energia boa, boa, boa...

Claro que no fim do concerto, fui dar-lhe um abraço e segredar-lhe ao ouvido que foi muito importante para mim, em tempos, quando "presa" estava a um quarto de hospital...ouvia-o, e bebia as suas palavras positivas e alegres..e nesta noite dancei, dancei com elas...livre e feliz.

Ele agradeceu e retribuiu...acho que no fundo é isto que um artista gosta de saber, que é importante na vida de alguém...em algum momento.E ele foi.





Obrigado aos amigos mais lindos e doidos do planeta...esta noite mágnifica.



Amanhã há mais...com ORISHAS!!!